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</front><body><![CDATA[ <p align=right><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Entre o simples    e o complexo: tecnologia e educa&ccedil;&atilde;o no ensino b&aacute;sico</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Por Tel Amiel</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A rela&ccedil;&atilde;o entre    tecnologia e educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica &eacute; permeada de grandes projetos e grandes decep&ccedil;&otilde;es.    Em nenhuma outra &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o, passamos da euforia ao desapontamento em    t&atilde;o pouco tempo. Basta que uma reportagem ou programa de governo aponte os potenciais    transformadores de um novo dispositivo, para que em alguns poucos anos, novas    investiga&ccedil;&otilde;es solicitem prud&ecirc;ncia e cautela. &Eacute; um ciclo que se repete h&aacute; d&eacute;cadas.    Desde a d&eacute;cada de 1990, acompanhamos a promo&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rios de    computadores em escolas p&uacute;blicas. Desde ent&atilde;o, colecionamos hist&oacute;rias que relatam    que os equipamentos chegam ao seu destino, mas ficam meses em suas caixas, por    falta de infraestrutura, falta de apoio t&eacute;cnico, entraves pol&iacute;ticos, entre outros    fatores. A pergunta que fica, ent&atilde;o, &eacute;: por que investimos tantos recursos or&ccedil;ament&aacute;rios    em grandes projetos de integra&ccedil;&atilde;o de tecnologia na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica se temos    alcan&ccedil;ado t&atilde;o poucos resultados sistem&aacute;ticos? As raz&otilde;es s&atilde;o v&aacute;rias<a name="tx01"></a><sup><a href="#nt01">1</a></sup>,    mas ressalto aqui tr&ecirc;s elementos, a partir da experi&ecirc;ncia brasileira. Antes,    por&eacute;m, algumas considera&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tomando como ponto    de partida o tema desta edi&ccedil;&atilde;o da <i>ComCi&ecirc;ncia</i> e para efeito de argumenta&ccedil;&atilde;o,    vou dividir a tecnologia educacional em tecnologia <i>simples</i> e <i>complexa</i>.    Denomino de tecnologia simples a tecnologia como dispositivo: s&atilde;o os computadores,    celulares, calculadoras e outros equipamentos utilizados por muitas pessoas    no cotidiano. A tecnologia complexa, por sua vez, compreende todo o sistema    de pessoas e recursos que se re&uacute;nem ao longo do tempo para que os dispositivos    cheguem &agrave;s m&atilde;os dos usu&aacute;rios, aliados &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es e condi&ccedil;&otilde;es que os sustentam.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Seguindo uma tend&ecirc;ncia    mundial, o governo brasileiro investe crescentemente na integra&ccedil;&atilde;o de tecnologias    em escolas p&uacute;blicas. Programas como Proinfo e TV Escola contemplam n&atilde;o somente    infraestrutura e equipamentos, mas tamb&eacute;m forma&ccedil;&atilde;o de professores, gestores    e produ&ccedil;&atilde;o de recursos did&aacute;ticos. Felizmente, n&atilde;o h&aacute; mais a no&ccedil;&atilde;o pueril de    que a simples entrega de computadores &agrave; escola vai transformar a pr&aacute;tica escolar.    Os investimentos de grande porte na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica s&atilde;o feitos na perspectiva    de uma tecnologia complexa. Um exemplo mais recente &eacute; o programa UCA - Um Computador    por Aluno -, que contemplou a compra de seiscentos mil laptops para uso em escolas    p&uacute;blicas (Preg&atilde;o 57/2010). J&aacute; temos na linha do horizonte o programa UTA - Um    <i>Tablet </i>por Aluno -, pegando carona nos incentivos fiscais a empresas    produtoras de <i>tablets </i>no Brasil. Outros projetos de grande porte acontecem    por iniciativa de governos estaduais e municipais. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Raramente um projeto    de grande escala &eacute; promovido com base em iniciativas anteriores bem sucedidas.    Na maioria das vezes, a integra&ccedil;&atilde;o de tecnologias na educa&ccedil;&atilde;o &eacute; feita somente    com base em seu &quot;potencial&quot; educativo e nas an&aacute;lises de impacto de curto prazo    que, em geral, focam na rela&ccedil;&atilde;o entre o dispositivo e melhorias escolares ou    aprendizado dos alunos. Como exemplo, projetos que fazem uso de laptops na educa&ccedil;&atilde;o    tendem a ressaltar o crescente interesse dos alunos pela escola. Como consequ&ecirc;ncia    da introdu&ccedil;&atilde;o de laptops na sala de aula, alunos faltam menos e participam mais    nas aulas. Essa rela&ccedil;&atilde;o simples e direta entre dispositivo e melhorias educacionais    proporciona um elemento confort&aacute;vel para quem analisa, por&eacute;m os resultados s&atilde;o    de pouca utilidade pr&aacute;tica. O interesse do aluno, quase sempre, &eacute; pelo dispositivo    ao qual ele n&atilde;o tem acesso em casa. Mas se n&atilde;o for sustentado por pr&aacute;ticas educacionais    coerentes, o interesse &eacute; ef&ecirc;mero e pouco se relacionar&aacute; aos objetivos educacionais    propostos. Em educa&ccedil;&atilde;o, s&oacute; existe tecnologia complexa. &Eacute; aquela que n&atilde;o passa    a esmo de entraves que historicamente rondam a rela&ccedil;&atilde;o entre mercado, pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas, pol&iacute;ticas educacionais e inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Ignorar esses fatores    &eacute; promover uma implementa&ccedil;&atilde;o roleta-russa. N&atilde;o &eacute; surpreendente, portanto, que    os problemas enfrentados pelos projetos de larga escala no ensino b&aacute;sico p&uacute;blico    se repitam: falta envolvimento dos atores escolares no planejamento e execu&ccedil;&atilde;o,    existe pouco entendimento da real situa&ccedil;&atilde;o da rede escolar, a implementa&ccedil;&atilde;o    raramente segue conforme planejado, e o uso efetivo no espa&ccedil;o educativo raramente    segue o cen&aacute;rio imaginado por quem planejou o projeto. Como resultado, observamos    um conjunto de problemas hist&oacute;ricos recorrentes que testemunhamos nos projetos    de grande escala no Brasil (Cysneiros, 2001; Sorj e Lissovsky, 2011).&nbsp;    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em outras palavras,    pouco sabemos sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre tecnologia e educa&ccedil;&atilde;o, porque apesar de    entendermos que os projetos de larga escala se d&atilde;o no &acirc;mbito da tecnologia complexa,    sistematicamente promovemos e investigamos a tecnologia simples. Se os professores    j&aacute; sabem disso na pr&aacute;tica, a filosofia j&aacute; nos alertou h&aacute; muito tempo que a ess&ecirc;ncia    da tecnologia n&atilde;o pode ser investigada partindo da tecnologia em si (Heidegger).    Ocorre, ent&atilde;o, um desalinho entre as nossas expectativas e o que a tecnologia    pode proporcionar em seu enlace com a educa&ccedil;&atilde;o. Vamos, ent&atilde;o, a tr&ecirc;s elementos    que, julgo, contribuem para esse problema. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Primeiro, a integra&ccedil;&atilde;o    de tecnologias na educa&ccedil;&atilde;o est&aacute; emaranhada em um discurso que destaca o papel    da educa&ccedil;&atilde;o como motor do desenvolvimento econ&ocirc;mico. Apesar dos m&eacute;ritos inerentes    &agrave; oferta de uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade para todos, n&atilde;o se pode ignorar que o    desenvolvimento econ&ocirc;mico depende de uma s&eacute;rie de outros fatores (Cuban, 2004).    A consequ&ecirc;ncia de um discurso focado na escola &eacute; que esta adquire cada vez mais    responsabilidades que v&atilde;o muito al&eacute;m do que sua estrutura e equipe podem fazer    com efic&aacute;cia e coes&atilde;o. O ciclo &eacute; pernicioso. A escola recebe recursos atrelados    a demandas crescentes e quando, em curto espa&ccedil;o de tempo, n&atilde;o corresponde &agrave;s    novas expectativas, &eacute; considerada falha e faltante. Isolar a educa&ccedil;&atilde;o como um    fator preponderante para melhoria econ&ocirc;mica &eacute; ignorar as m&uacute;ltiplas barreiras    &agrave; ascens&atilde;o social, as incongru&ecirc;ncias da meritocracia que supervaloriza diplomas    e credenciais, al&eacute;m da crescente competitividade na sociedade (Husen, 1986).    N&atilde;o surpreende, portanto, que pais cada vez mais busquem cursos de inform&aacute;tica    para seus filhos desde o ensino infantil, com vistas a um diferencial para o    futuro mercado de trabalho. Essas incongru&ecirc;ncias nascem quando relacionamos    o desenvolvimento econ&ocirc;mico &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, sem nos perguntarmos qual educa&ccedil;&atilde;o e    qual desenvolvimento queremos. &Eacute; nesse v&aacute;cuo que se inserem os projetos de tecnologias    educacionais que prometem preparar os alunos para o mercado de trabalho e promovem    a ascens&atilde;o social atrav&eacute;s de compet&ecirc;ncias instrumentais com a tecnologia. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo, &eacute; importante    lembrar que a perspectiva de transforma&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o por meio da tecnologia    acompanha o nascimento da escola p&uacute;blica (Cuban, 1986). Caminha junto com a    ideia de que a escola precisa espelhar a sociedade e a &quot;realidade dos alunos&quot;    que, em geral, &eacute; pouco compreendida por quem faz as pol&iacute;ticas e promove (ou    desenvolve) os dispositivos. Tecnologias sempre trouxeram a promessa de inova&ccedil;&otilde;es    educacionais; por&eacute;m, organiza&ccedil;&otilde;es complexas, como escolas, tendem a incorpor&aacute;-las    de maneira a n&atilde;o modificar substancialmente seu modo de trabalho (Papert, 1997).    Quando chegam &agrave;s escolas, os recursos tecnol&oacute;gicos tendem a ser absorvidos e    utilizados de maneira complementar ou suplementar &agrave;s pr&aacute;ticas j&aacute; existentes.    A reflex&atilde;o de um educador nos anos 1950 j&aacute; apresenta esse dilema:&nbsp; </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&quot;Projetores, televisores,    fon&oacute;grafos e gravadores est&atilde;o encontrando seu espa&ccedil;o em escolas e col&eacute;gios americanos.    Recursos audiovisuais podem suplementar ou suplantar palestras, demonstra&ccedil;&otilde;es,    e livros did&aacute;ticos. Ao faz&ecirc;-lo, eles podem servir para uma fun&ccedil;&atilde;o exercida pelo    professor: eles apresentam material ao aluno, e quando obt&ecirc;m sucesso, o fazem    com tanta clareza e de maneira t&atilde;o interessante que os alunos aprendem. H&aacute; uma    outra fun&ccedil;&atilde;o para a qual eles contribuem pouco ou nada. Isso pode ser melhor    evidenciado na troca que acontece entre professores e alunos em pequenos grupos    ou tutoria<b>.</b> Muito dessa troca j&aacute; foi sacrificada na educa&ccedil;&atilde;o americana    para que se possa ensinar grupos numerosos de alunos. H&aacute; grande perigo de que    essa troca seja completamente obscurecida se a pr&aacute;tica de usar equipamento feito    simplesmente para <i>apresentar </i>material se difundir. O aluno se torna cada    vez mais um passivo receptor de instru&ccedil;&atilde;o&quot;, diz Skinner (1958, p. 969). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As transforma&ccedil;&otilde;es    did&aacute;ticas e melhorias de aprendizado que esperamos em sala de aula s&atilde;o dependentes    das reformas que acontecem n&atilde;o s&oacute; dentro da sala de aula, mas tamb&eacute;m das pr&aacute;ticas    regionais e nacionais. O sucesso da implementa&ccedil;&atilde;o de um laborat&oacute;rio de computadores    em uma escola &eacute; tanto consequ&ecirc;ncia das atitudes de um professor quanto da gest&atilde;o    que organiza o seu uso, e da pol&iacute;tica de Estado que determina seu financiamento    e sustentabilidade. Ignorar esses fatores ou tom&aacute;-los como unidades isoladas    e esperar resultados sofisticados nas pr&aacute;ticas educacionais no prazo de alguns    poucos anos &eacute;, no m&iacute;nimo, ing&ecirc;nuo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Terceiro, h&aacute; um    discurso que promove a necessidade de incluir sempre &quot;novas&quot; tecnologias na    educa&ccedil;&atilde;o, partindo da perspectiva da exclus&atilde;o social, digital, ou tecnol&oacute;gica.    Prover acesso &agrave; internet atingiu o discurso da universalidade, levando em conta    a import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o ativa do cidad&atilde;o atrav&eacute;s dos canais digitais.    &Eacute; importante, no entanto, desvincular o acesso &agrave; internet como ferramenta de    inclus&atilde;o social ao seu <i>necess&aacute;rio</i> papel no processo de ensino e aprendizagem.    No passado, tomando o caso dos Estados Unidos, discuss&otilde;es sobre equidade de    acesso foram feitas para promover o acesso &agrave;s calculadoras e &agrave; televis&atilde;o a cabo    nas escolas - grandes promessas para melhoria de aprendizado que trouxeram poucos    resultados (Light, 2001). A tend&ecirc;ncia &eacute; que a escola esteja sempre em defasagem    com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s tecnologias dispon&iacute;veis para uso pessoal, e isso n&atilde;o &eacute; necessariamente    ruim (Amiel, 2006). O debate sobre a inclus&atilde;o digital por meio da escola ainda    preza a equidade de acesso e n&atilde;o a qualidade das atividades. &Eacute; talvez por causa    dessa assimetria entre os objetivos de prover acesso &agrave;s novas tecnologias em    detrimento da qualidade da experi&ecirc;ncia que n&atilde;o temos o mesmo afinco em promover    o cinema <a name="tx02"></a><sup><a href="#nt02">2</a></sup> na educa&ccedil;&atilde;o e pouco se divulga sobre o seu impacto no aprendizado,    apesar de seu enorme potencial educativo.<b> </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A inclus&atilde;o de novas    tecnologias na educa&ccedil;&atilde;o continua a seguir a m&aacute;xima - j&aacute; desgastada - da tecnologia    instrumental que aqui categorizei como simples. &Eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o instrumento    em detrimento do processo e dos fins a serem atingidos.<i> </i>Raramente vemos    propostas de projetos que n&atilde;o explicitem claramente o dispositivo a ser utilizado,    mesmo que, em princ&iacute;pio, uma gama de dispositivos possa ser utilizada para atingir    um mesmo objetivo educacional. Para quem n&atilde;o sabe o que quer, qualquer dispositivo    &eacute; vi&aacute;vel. E para quem tudo quer, n&atilde;o h&aacute; dispositivo que resolva. A exclus&atilde;o    digital n&atilde;o acontece por limita&ccedil;&otilde;es de habilidades instrumentais que dependem    de um s&oacute; dispositivo. Aprender a usar o celular pode ser &uacute;til, mas &eacute; somente    um objetivo inicial para quem est&aacute; envolvido na educa&ccedil;&atilde;o. A tecnologia educacional    deve ter como foco o desenvolvimento de uma flu&ecirc;ncia com o sistema tecnol&oacute;gico    em si. Isso significa fazer uso e apreciar o desenvolvimento da digitaliza&ccedil;&atilde;o,    m&iacute;dias, conectividade, entre outros temas, com clareza de prop&oacute;sitos e implica&ccedil;&otilde;es.    Ou seja, lucidez sobre toda a complexidade do sistema que o dispositivo carrega    e acarreta. &Eacute; certo que a tecnologia educacional n&atilde;o depende de um dispositivo    espec&iacute;fico para atingir os seus objetivos.&nbsp; </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o se pode negar    que casos de sucesso existem. S&atilde;o v&aacute;rios os professores e escolas que fazem    uso produtivo e criativo de tecnologias educacionais no &acirc;mbito de um projeto    educativo condizente. Talvez os caminhos entre nossas expectativas e o que efetivamente    acontece atrav&eacute;s do desenvolvimento tecnol&oacute;gico nunca se encontrem (Rescher,    1980). Mas podemos fazer com que essas linhas se aproximem, diminuindo nossas    expectativas e reconhecendo que, seguindo a l&oacute;gica dos projetos de larga escala    j&aacute; implementados no Brasil, devemos suspeitar de qualquer promessa de transforma&ccedil;&atilde;o    de sistemas educacionais atrav&eacute;s da implementa&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Tel Amiel &eacute;    doutor em tecnologia educacional pela University of Georgia (EUA), pesquisador    do N&uacute;cleo de Inform&aacute;tica Aplicada &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o (Nied) da Unicamp, co-coordenador    de projetos de interc&acirc;mbio bi-nacionais focados em tecnologia, educa&ccedil;&atilde;o e cultura    com enfoque no ensino b&aacute;sico (Capes) e coordenador do grupo de trabalho sobre    Recursos Educacionais Abertos, da comunidade Educa&ccedil;&atilde;o Aberta.</i> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Amiel, T. &quot;Mistaking    computers for technology: technology literacy and the digital divide&quot;. <i>AACE    Journal</i>, v. 14, n. 3,&nbsp; 2006.&nbsp; Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.editlib.org/index.cfm?fuseaction=Reader.ViewAbstract&amp;paper_id=6155" target="_blank">http://www.editlib.org/index.cfm?fuseaction=Reader.ViewAbstract&amp;paper_id=6155</a>&gt;    <!-- ref -->.Cuban, L. <i>Teachers and machines: the classroom use of technology since    1920</i>.&nbsp; New York: Teachers College Press, 1986.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cuban, L. <i>The    blackboard and the bottom line: why schools can't be businesses</i>.&nbsp; Cambridge,    MA: Harvard Universiy Press, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cysneiros, P. G.    &quot;Programa nacional de inform&aacute;tica na educa&ccedil;&atilde;o: novas tecnologias, velhas estruturas&quot;.    In: Barreto, R. G. (Ed.). <i>Tecnologias educacionais e educa&ccedil;&atilde;o a dist&acirc;ncia:    avaliando pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas</i>. Rio de Janeiro: Quartet, 2001.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Husen, T. <i>The    learning society revisted</i>. Pergamon Press, 1986.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Light, J. S. &quot;Rethinking    the digital divide&quot;. <i>Harvard educational review</i><b>, </b>v. 71, n. 4,    p. 709-733, Winter 2001 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Papert, S. &quot;Why    school reform is impossible&quot;. <i>The journal of the learning sciences</i>,<b>    </b>v. 6, n. 4, p. 417-427,&nbsp; 1997. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.jstor.org/stable/1466781" target="_blank">http://www.jstor.org/stable/1466781</a>&gt;    .</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rescher, N. <i>Unpopular    essays on technological progress</i>.&nbsp; Pittsburgh: University of Pittsburgh    Press, 1980.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Skinner, B. F.    &quot;Teaching machines&quot;. <i>Science</i>,<b> </b>v. 128, n. 3330, p. 969-977,&nbsp;    1958.&nbsp; Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.jstor.org/stable/1755240" target="_blank">http://www.jstor.org/stable/1755240</a>&gt;    .</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sorj, B.; Lissovsky,    M. <i>Internet nas escolas p&uacute;blicas: pol&iacute;tica al&eacute;m da pol&iacute;tica</i>. Centro Edelstein    de Pesquisas Sociais. Rio de Janeiro, 2011.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> Ressaltei quatorze desses problemas pela perspectiva da pesquisa em tecnologia    educacional, em trabalho dispon&iacute;vel em <a href="http://educacaoaberta.org/rea/como-nao-pensar-em-tecnologia-e-educacao" target="_blank">http://educacaoaberta.org/rea/como-nao-pensar-em-tecnologia-e-educacao</a>.    <br>   <a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> Dados da Ancine (2010) apontam que dos 3.915 munic&iacute;pios com    menos de 20 mil habitantes, somente 8 t&ecirc;m salas de cinema. Dos munic&iacute;pios que    t&ecirc;m entre 50 mil e 100 mil habitantes, menos de 1/3 t&ecirc;m salas de cinema.</font></p>      ]]></body>
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