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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>A influência    da astronomia na ciência e na humanidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Enos Picazzio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Este é o Ano    Internacional da Astronomia. Para os brasileiros é um ano especial, pois pela    primeira vez sediamos uma Assembleia Geral da União Astronômica Internacional,    que ocorreu em agosto passado na cidade do Rio de Janeiro. </i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Há 400 anos, Galileu    Galilei (1564-1642) apontou sua luneta para o céu e nos apresentou um universo    que desconhecíamos. Hoje com telescópios modernos de solo e espaciais conseguimos    ver muito mais, no entanto o universo continua desconhecido. Ele é muito grande    e muito complexo. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O século XX foi    fortemente marcado pela física. O século XXI sofrerá forte impacto da astronomia    e da biologia.<b>&nbsp;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Evoluímos olhando    o céu&nbsp; </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O interesse do    ser humano pelos astros perde-se no tempo. Certamente nossos ancestrais mais    primitivos usaram a Lua, os planetas e as estrelas como guia e calendário. As    mudanças sazonais eram fundamentais para a sobrevivência, por isso as estrelas    típicas das estações eram usadas como calendário. Noites de lua cheia propiciavam    melhores condições para as atividades noturnas. O céu estrelado era um mapa    para caminhadas longas ou mesmo migrações, sobretudo nos mares que são desprovidos    de figuras de superfície que sirvam de referência. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gradativamente,    nosso raciocínio tornava-se mais complexo. Assim, passamos a observar mais detalhadamente    o movimento dos astros, distinguimos os que pareciam mover-se em conjunto mantendo    as mesmas posições relativas (estrelas) daqueles que se moviam independentemente    uns dos outros (planetas), percorrendo o céu sempre dentro de uma região limitada    (faixa zodiacal). O movimento diurno do Sol e das estrelas marcava o dia. A    variação da posição da Lua relativamente ao fundo estrelado era periódica (mês),    assim como a mudança de posição das estrelas em um mesmo horário (ano). Durante    um ano, o meio ambiente passava por períodos bem distintos (estações sazonais),    fundamentais para a sobrevivência. No verão o dia era longo e havia abundância    de alimentos. No inverno o dia era mais curto e a sobrevivência era mais complicada,    por conta do frio e da escassez de alimentos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com o passar do    tempo nossa percepção do céu foi se tornando mais complexa. Não bastava conhecer    o movimento aparente dos objetos, era preciso entender melhor como isso acontecia.    Assim surgia a cosmologia antiga, que evoluiu através da Babilônia e Egito e,    posteriormente, pela Grécia antiga e no mundo moderno. Filósofos como Pitágoras    e Aristóteles abordaram a cosmologia através de números e geometria, de certa    forma como se faz na ciência moderna. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na sociedade grega    a geometria era uma atividade intelectual de destaque, inclusive no pensamento    filosó­fico. Ela representava a combinação perfeita entre lógica e beleza. "Deus    é o grande geômetra. Deus geometriza sem cessar. Por toda a parte existe geometria",    dizia Platão (470- 399 a.C.). Platão concebia cinco sólidos primários simétricos,    compostos exclusivamente de polígonos regulares: tetraedro, cubo, octaedro,    dodecaedro e o icosaedro. Baseado nesse conceito de perfeição e no modelo heliocêntrico,    Johannes Kepler (1571-1630 d.C.) justificava a existência dos seis planetas    conhecidos circunscrevendo esses sólidos em esferas. Entre seis esferas, pensava    Kepler, só podem caber cinco sólidos: o Sol no centro, seguido da esfera de    Mercúrio, cercada por um octaedro. Depois a esfera de Vênus, cercada por um    icosaedro. A da Terra, cercada por um dodecaedro. A de Marte, por um tetraedro.    A de Júpiter, por um cubo. Por fim, a esfera de Saturno. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outros filósofos    gregos além de Platão descreveram a dinâmica dos corpos celestes através de    movimentos uniformes e trajetórias circulares, ambos símbolos da perfeição.    Como o universo aparente é geocêntrico, isto é, tudo parece mover-se em torno    da Terra, os modelos cosmológicos antigos apresentavam os astros orbitando a    Terra em trajetórias circulares, sobre esferas cristalinas concêntricas. Para    explicar a inversão de direção do movimento orbital aparente dos planetas (laçadas)    e a variação da velocidade orbital e do tamanho aparente, as órbitas circulares    se multiplicaram e passaram de concêntricas a excêntricas. Cada planeta movia-se    uniformemente ao longo de um círculo (epiciclo), cujo centro movia-se em torno    Terra ao longo de um círculo maior (deferente). O centro da deferente estava    entre a Terra e o equante (leia <a href="http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&amp;edicao=27&amp;tipo=resenha" target="_blank">resenha</a>,    <i>Harmonia do mundo,</i> por Rodrigo Cunha, na <i>ComCiência</i>). Visto do    equante, o movimento orbital do epiciclo era constante. Visto da Terra esse    movimento era variável.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O conhecimento    astronômico babilônico e grego foi compilado e aperfeiçoado por Claudio Ptolomeu    (87-151), e publicado em treze livros (<i>Almagesto</i>). O modelo geocêntrico    prevaleceu por mais de 16 séculos, até que Nicolau Copérnico (1473-1543) resgatasse    e aperfeiçoasse o modelo heliocêntrico de Aristarco de Samos (310-230 a.C).    A Terra perdeu o status privilegiado de centro do universo e passou a ser apenas    mais um planeta girando em torno do Sol. Retirar o homem desse centro foi um    marco histórico significativo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com seu trabalho,    Tycho Brahe (1546-1601) impôs novo limite na história da astronomia. Ele foi    o maior observador até a sua época e produziu o maior acervo de dados. Em 1572,    ele descobriu uma estrela nova em Cassiopeia, mais brilhante que Vênus e que    podia ser vista à luz do dia. Hoje sabemos que se tratava de uma supernova,    a morte catastrófica de uma estrela. Tycho mostrou que essa estrela estava bem    além da Lua. Em 1588 ele publicou os resultados de suas observações de um cometa    que aparecera no ano anterior, mostrando que esse cometa se movia entre as esferas    dos planetas. Essas observações contradiziam a crença aristotélica de que o    universo era uma obra perfeita e o céu era imutável. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Usando observações    de Tycho Brahe, o matemático Johannes Kepler mostrou que as órbitas dos planetas    não eram circulares, mas cônicas de Apolônio, com o Sol em um dos focos. Ele    também mostrou que as velocidades dos planetas em suas trajetórias não eram    constantes, elas variavam com a distância deles ao Sol. Esse foi mais um duro    golpe na estética de perfeição.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Era telescópica&nbsp;    </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com suas pesquisas,    Galileu abala ainda mais a crença de um universo perfeito e marca uma nova fase    da ciência, em especial da física e da astronomia. Instigado pelo movimento    dos planetas em órbitas fechadas ele desenvolve trabalhos fundamentais em mecânica,    sem os quais Isaac Newton (1643-1727) não teria desenvolvido sua mecânica. Galileu    percebeu rapidamente o potencial astronômico de um instrumento óptico que, na    época, circulava pela Europa. Era a luneta. Ele construiu várias lunetas, de    diferentes tamanhos e potência, e as utilizou como telescópio. Com isso, Galileu    iniciou a era telescópica da astronomia, que mudaria completamente nossa visão    sobre o universo e seus componentes. Passamos a enxergar melhor e mais longe.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi observando    o universo que aprendemos que matéria e energia são duas manifestações diferentes    da mesma realidade física fundamental e que podem converter-se, uma na outra.    Descobrimos como os elementos químicos são forjados, como eles formam moléculas    e as condições em que essas moléculas sobrevivem. Aprendemos como as estrelas    surgem a partir da matéria que permeia o espaço e como elas evoluem e como manipulam    a composição química do universo. Também descobrimos como se formam planetas    como a Terra e em que condições eles podem suportar uma biosfera. Descobrimos    como a vida tem sido afetada por colisões catastróficas entre corpos celestes    e a Terra. Aprendemos a estimar o tempo de vida das estrelas, sabemos como o    Sol evoluirá e por quanto tempo as condições ambientais terrestres permitirão    nossa existência. Aprendemos, enfim, que embora nossa casa seja a Terra, nossas    raízes e nosso destino estão no espaço.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Democratização    do conhecimento </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sobrevivência    da biosfera é a preocupação mais fundamental da humanidade. Em escala global,    a compreensão das razões que implicam em mudanças ambientais e a maneira de    se preservar o ambiente demandam conhecimento da interação da Terra-Sol e da    ação humana no planeta. Dependemos do Sol para existir, e existiremos enquanto    as condições ambientais forem adequadas à vida. Também dependemos da Lua para    estabilizar a inclinação do eixo de rotação da Terra, evitando glaciações severas.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O processo através    do qual a energia solar se distribui na Terra e suas consequências no clima    ainda são mal conhecidos. A climatologia espacial utiliza conhecimentos de geofísica,    ciências atmosféricas e astrofísica solar para estudar essa interatividade.    É necessário também estudar a influência humana sobre o clima. Para alguns,    a presença humana deu início a um novo período geológico: o Antropoceno. Na    revista <i>Nature,</i> de 24 de setembro último, foi publicado um trabalho criterioso    de vinte e nove cientistas, em que se sugerem limites à ação do homem para evitar    alterações ambientais de dimensões catastróficas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gerenciar corretamente    essa situação complexa é uma tarefa dificílima, cujo sucesso depende mais dos    cidadãos do que de seus governantes. Para tanto, é necessário que as pessoas    entendam o problema e se conscientizem da sua gravidade. Só há um caminho para    isso se concretizar: a educação. Uma das maiores virtudes da educação é que    ela nos ensina a pensar. Pensar com disciplina e critério exige treinamento,    desde cedo. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse processo,    a divulgação desempenha papel fundamental. A tarefa primordial da universidade    é produzir conhecimento e democratizá-lo, mas para isso ela precisa de bons    pesquisadores, bons professores e, sobretudo, bons alunos. Bons alunos se forjam    através de programas educacionais de longo prazo e infraestrutura de qualidade,    com escolas, bibliotecas, espaços culturais, como museus, parques temáticos,    zoológicos, jardins botânicos, planetários e outros, e em instrumentos de divulgação    científica, como jornais, revistas, programas televisivos, internet etc. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como lembrou Carlos    Vogt em sua <a href="http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&amp;edicao=37" target="_blank">entrevista</a>    publicada na 100ªedição desta revista, o papel da divulgação científica    não se restringe em difundir a informação, mas também formar no cidadão uma    visão da ciência, discutindo o papel e a função da ciência na sociedade. Nesse    contexto moderno, o cientista deixa de ser o sábio isolado da sociedade, o cidadão    deixa de ser o ignorante isolado da ciência, e o divulgador deixa de ser apenas    um elo entre ambos. A responsabilidade de difusão do conhecimento é de todos    e se dá em todas as esferas sociais. Para tanto, é necessário despertar no cidadão    a visão crítica, para que ele entenda e se conscientize do papel da ciência.    Não basta ter acesso à informação, mas é fundamental ter uma visão crítica do    processo através do qual se produz conhecimento científico e se difunde esse    conhecimento na sociedade. Essa cultura científica pode aperfeiçoar os modos    de se fazer e pensar ciência e a própria divulgação. Em essência, isso é saber    pensar. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Levar à sociedade    o conhecimento produzido pela ciência, além de ser uma obrigação profissional    daqueles que produzem o conhecimento, é uma excelente estratégia de apoio a    projetos sustentados por verbas públicas. A divulgação educa desde estudantes    até os gestores públicos sobre os pontos importantes levantados pelo trabalho    científico. Em síntese, é necessário informar para formar. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, para    informar bem é necessário primeiro formar o informante. Se por um lado, a divulgação    feita pelos próprios produtores da ciência pode ser considerada um avanço e    um sinal de respeito à sociedade, de outro ela pode carregar alguns vícios,    justamente por vir diretamente do cientista. Portanto, cabe a este preparar-se    adequadamente para transmitir à sociedade seus conhecimentos usando uma linguagem    mais apropriada ao público alvo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que tange ao    jornalismo científico, embora se reconheça um crescimento expressivo nessa área    e a existência de alguns centros de excelência na divulgação científica brasileira,    na opinião de Wilson da Costa Bueno ("O que está faltando ao jornalismo científico    brasileiro?", site da Associação Brasileira de Jornalismo Científico) "o panorama    continua pouco favorável ao jornalismo científico nos 'jornalões', no rádio    e na televisão". Ainda segundo ele, o problema maior está na prática de um jornalismo    científico que é pouco investigativo e vive a reboque de fatos sensacionais,    que não atende à sua função pedagógica e que não está comprometido com o processo    de democratização do conhecimento. A falta de uma "cultura de comunicação" nas    nossas principais universidades, empresas e institutos de pesquisa; e a falta    de consciência dos editores e empresários da comunicação, que buscam pautas    óbvias, "oficialescas", contribuem para isso. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa situação pode    ficar ainda mais complexa quando se procura transmitir conceitos a um público    com diferentes níveis de escolaridade. E esse é o desafio da divulgação científica:    expor o conhecimento científico em linguagem popular. Isso não é uma tarefa    simples. Jean Le Ronde D'Alembert (1717-1783), físico, filósofo e matemático,    dizia: "nunca seria demais simplificar e, por assim dizer, popularizar a linguagem    de cada ciência, o que seria não só um meio de facilitar seu estudo, como também    retirar do povo um pretexto para desacreditá-la".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Imprecisão na    informação amplia o desconhecimento </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma busca, ainda    que rápida, em veículos de comunicação impresso e eletrônico, incluindo livros    e sítios didáticos, revela inúmeros exemplos de escolhas equivocadas de palavras    e expressões para substituir termos técnicos, que nem sempre são inteligíveis.    Talvez o caso mais clássico seja <i>Lua </i>e <i>lua.</i> Galileu parece ter    usado o termo <i>lua </i>para referir-se aos quatro satélites que descobriu    em torno de Júpiter. Em tese, sabemos quando se usa uma ou outra palavra, mas    isso tem causado muita confusão em todos os meios de comunicação. Esse equívoco    é cometido mesmo no meio universitário. O que será que se passa pela cabeça    de uma criança ou de uma pessoa pouco esclarecida quando ouvem uma frase do    tipo "A <i>lua </i>da Terra é a <i>Lua.</i>"? O que existe de impróprio na palavra    <i>satélite </i>para ser trocada por <i>lua </i>? Essa palavra é confusa, aquela    é precisa. Ninguém diz que o satélite Goes é uma <i>lua </i>meteorológica, nem    que o GPS é um sistema de posicionamento baseado em 28 <i>luas.</i> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro termo muito    usado em linguagem metafórica é <i>sistema(s) solar(es) </i>no lugar de <i>sistema(s)    planetário(s).</i> O primeiro termo é específico e o segundo é genérico, logo    essa linguagem metafórica procura generalizar o específico. "A Terra é um planeta    do <i>sistema solar </i>do Sol". Pura redundância. E se alguém dissesse que    os continentes são banhados pelos <i>atlânticos </i>Índico, Ártico, Antártico,    Pacífico e Atlântico? Mas o problema pode ser ainda mais sério: ao se dizer    que há outros sistemas solares além do nosso, pode-se passar a ideia de que    esses sistemas planetários sejam iguais ou parecidos com o solar. Não são. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Há expressões que    beiram o ridículo, como, por exemplo, "estrelas que gaguejam". Aqui, o termo    <i>gaguejar </i>foi usado para se referir a sinais em ondas de rádio, com duração    de milissegundos, que se repetem imprevisivelmente em intervalos entre minutos    e horas. O uso dessa expressão ajudou o leitor a entender o fenômeno físico    envolvido nesse comportamento? </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em textos de astronomia    há muitos outros exemplos de termos inadequados, como, <i>terras </i>(exoplanetas    rochosos), <i>superterras </i>(planetas rochosos maiores que a Terra), <i>júpiteres    </i>(exoplanetas gasosos), <i>júpiteres-quentes </i>(exoplanetas gasosos muito    próximos de suas estrelas), <i>vias-lácteas </i>(galáxias) etc. Infelizmente,    parte deles foi criada pelos próprios astrônomos. O que se questiona não é o    uso de metáfora na linguagem simplificada, mas os malefícios que elas causam    quando usadas incorretamente. Imprecisão, analogias abusivas e desconsideração    com conceitos básicos nas diversas áreas da ciência, em boa parte dos casos,    ampliam o desconhecimento do leitor em vez de sensibilizá-lo para a perspectiva    do conhecimento. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Há duas qualidades    que tornam a astronomia uma ciência especial: sua interação com as demais ciências    e sua sedução. Paul Caro, químico francês e competente divulgador, diz que "uma    das áreas mais fáceis de divulgar é a astrofísica, porque tem belas imagens    do céu e a origem do universo é muito interessante. A história da criação é    uma história clássica de qualquer religião ou contos de fadas. Por exemplo,    a criação das estrelas, num processo que envolve química nuclear, é uma história    atraente e as pessoas aprendem-na. Se fosse uma palestra sobre a química nuclear,    não ouviriam". Por isso mesmo, a astronomia é muito utilizada por todos os meios    de comunicação. Devemos aproveitar essa característica da astronomia para educar,    mas essa iniciativa pode não cumprir seu papel adequadamente se as imprecisões    persistirem. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enos Picazzio é    professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade    de São Paulo (USP) e desenvolve pesquisa em astrofísica do sistema solar, com    ênfase em cometas e Sol.</font></p>      ]]></body>

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