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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De guerras e revoltas no semiárido: índios, sebastianismo e o papel do Estado]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REPORTAGEM</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>De guerras e revoltas no semi&aacute;rido: &iacute;ndios,   sebastianismo e o papel do Estado</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ricardo Manini </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&quot;A marca de que o rural &eacute;   atraso tem que desaparecer. N&atilde;o &eacute; verdade que seja um Brasil que n&atilde;o se modernizou&quot;.   A frase &eacute; da economista T&acirc;nia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco,   em entrevista para o jornal <i>Valor Econ&ocirc;mico</i>, em   mar&ccedil;o deste ano. Bacelar &eacute; respons&aacute;vel por conduzir um estudo sobre o Brasil   rural, encomendado pelo Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio. O objetivo maior   do estudo &eacute; diferenciar as v&aacute;rias facetas do espa&ccedil;o rural no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Facetas que s&atilde;o resultados   hist&oacute;ricos de diversos vetores econ&ocirc;micos e sociais. Quando se observa a   hist&oacute;ria de espa&ccedil;os rurais nordestinos, como algumas regi&otilde;es da Caatinga,   pode-se facilmente deduzir que ocorreram mudan&ccedil;as substantivas. O passado da   regi&atilde;o esteve marcado por pobreza end&ecirc;mica, experi&ecirc;ncia compartilhada por   diversas popula&ccedil;&otilde;es e revoltas importantes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A presen&ccedil;a do Estado por vezes   atuou contra popula&ccedil;&otilde;es aut&oacute;ctones e as dificuldades de sobreviv&ecirc;ncia foram   enormes. Em compara&ccedil;&atilde;o com &eacute;pocas passadas, a Caatinga de hoje &eacute; certamente   mais pac&iacute;fica. Talvez, contudo, menos rica do que poderia ser no que tange &agrave;   sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o professor de hist&oacute;ria do   Brasil, Pedro Puntoni, da Universidade de S&atilde;o Paulo, uma das consequ&ecirc;ncias da   &quot;guerra dos b&aacute;rbaros&quot;, assunto que estudou e publicou no livro <i>A     Guerra dos B&aacute;rbaros: povos ind&iacute;genas e a coloniza&ccedil;&atilde;o do sert&atilde;o Nordeste do     Brasil</i>, foi o gradual desaparecimento do elemento ind&iacute;gena de   algumas &aacute;reas. &quot;O que defendo no meu trabalho &eacute; que a parte final da guerra,   travada em especial no Rio Grande do Norte, representou um verdadeiro   exterm&iacute;nio dos &iacute;ndios. Hoje, por exemplo, n&atilde;o existem aldeias ind&iacute;genas nesse   estado&quot;, comenta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Quem &eacute; o b&aacute;rbaro?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A guerra dos b&aacute;rbaros   representou um evento fundamental na hist&oacute;ria da coloniza&ccedil;&atilde;o portuguesa do   nordeste brasileiro, e de algumas partes do semi&aacute;rido. &Agrave; medida que a cria&ccedil;&atilde;o   de gado extensiva avan&ccedil;ava no espa&ccedil;o rural, generoso e de parca vegeta&ccedil;&atilde;o, os   &iacute;ndios perceberam a movimenta&ccedil;&atilde;o portuguesa como uma invas&atilde;o de seu territ&oacute;rio.   Para o &iacute;ndio, o gado significava um animal que podia ser abatido. Para os   portugueses, o abate do gado pelos ind&iacute;genas era, contudo, um ataque &agrave;   propriedade privada. &quot;Os &iacute;ndios resistiram ao avan&ccedil;o da fronteira da pecu&aacute;ria&quot;,   explica Puntoni. &quot;O espa&ccedil;o deles estava sendo gradualmente ocupado, o que   resultava na destrui&ccedil;&atilde;o do modo de vida ind&iacute;gena e de todos os seus costumes&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para os portugueses, contudo,   os b&aacute;rbaros da hist&oacute;ria eram os &iacute;ndios. &quot;N&atilde;o importava qual &iacute;ndio &ndash; todos eram   b&aacute;rbaros, na vis&atilde;o portuguesa&quot;, afirma o historiador. Dessa forma, os corpos de   ordenan&ccedil;a, que eram comandados por representantes do imp&eacute;rio portugu&ecirc;s,   atacavam os &iacute;ndios como forma de avan&ccedil;ar territorialmente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na &uacute;ltima fase da guerra,   travada no fim do s&eacute;culo XVII e in&iacute;cio do XVIII, houve uma persegui&ccedil;&atilde;o sem   precedentes. &quot;Nesse per&iacute;odo, os &iacute;ndios foram massacrados. No s&eacute;culo XVIII,   alguns portugueses mais ilustrados comentavam que essa a&ccedil;&atilde;o comandada por   representantes do imp&eacute;rio lusitano havia prejudicado a coloniza&ccedil;&atilde;o&quot;, diz   Puntoni.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma consequ&ecirc;ncia funesta para o   destino da &aacute;rea &eacute; que n&atilde;o se sabe at&eacute; hoje com seguran&ccedil;a quem eram esses   &iacute;ndios. Os documentos oficiais da &eacute;poca falam em &quot;b&aacute;rbaros&quot;, n&atilde;o em etnias. Perderam-se ideias de culturas e de costumes, at&eacute; mesmo das l&iacute;nguas que eram faladas.   &quot;N&atilde;o se sabe, por exemplo, se esses &iacute;ndios tinham desenvolvido uma medicina   importante, que at&eacute; hoje pode nos fazer falta&quot;, afirma Puntoni.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A guerra dos b&aacute;rbaros, que   durou mais de 70 anos, teve fim por volta de 1720. Mais de um s&eacute;culo depois, j&aacute;   ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia, outros movimentos populares explodiriam na Caatinga</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Dom Sebasti&atilde;o na   caatinga pernambucana</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&quot;H&aacute; quase um s&eacute;culo correra   sangue pelos seus campos, sangue de gente, sangue derramado para embeber a   terra em nome de Deus. Aquilo pesava na exist&ecirc;ncia da Vila como um crime   nefando, pesava no destino de gera&ccedil;&otilde;es e gera&ccedil;&otilde;es&quot;. A prosa &eacute; de Jos&eacute; Lins do   Rego, no romance <i>Pedra Bonita</i>, de 1938, o   quinto livro do autor modernista. Mencionada no texto, a comarca de Vila Bella,   no interior de Pernambuco, &eacute; hoje o munic&iacute;pio de Serra Talhada, distante 415 quil&ocirc;metros do Recife.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Houve em Serra Talhada a revolta do Reino da Pedra Bonita, que n&atilde;o foi a primeira e nem a &uacute;ltima na   regi&atilde;o da Caatinga, mas que ficou marcada pelo ineditismo e pelo descalabro.   Sobretudo, por&eacute;m, pelo tr&aacute;gico. Ali, em 1838, o mameluco Jo&atilde;o Ferreira   coroou-se rei e deu in&iacute;cio a um movimento que reuniu de 200 a 300 pessoas. Jo&atilde;o Ferreira afirmava que Dom Sebasti&atilde;o, rei de Portugal desaparecido na batalha   de Alc&aacute;cer-Quibir no s&eacute;culo XVI, aparecera para ele em sonho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sonho no qual o rei portugu&ecirc;s   dizia que duas grandes pedras de Vila Bella, de cor de ferro e a reluzir raios   de sol, eram, em verdade, as torres de uma catedral. Dizia Ferreira que as   portas da catedral se abririam e assistiriam ao retorno de Dom Sebasti&atilde;o, que   inauguraria uma nova era, de grande paz e prosperidade. A vinda do rei   ocorreria, entretanto, depois que alguns participantes se sacrificassem e   banhassem a terra em sangue.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 14 de maio de 1838, como   descreve o <i>Dicion&aacute;rio do Brasil Imperial</i>,   &quot;os sect&aacute;rios se entregaram, por tr&ecirc;s dias, a impressionantes cerim&ocirc;nias de   sacrif&iacute;cios, ao fim dos quais a base das pedras e os campos estavam banhados   com o sangue de 30 crian&ccedil;as, 12 homens, 11 mulheres e 14 c&atilde;es&quot;. Como, 100 anos   mais tarde, Jos&eacute; Lins do Rego assinalaria. Denunciado por um participante, que   percebeu os descaminhos do epis&oacute;dio, o movimento teve fim com a chegada de   tropas militares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pouco tempo antes, outra   revolta, a da serra do Rodeador, j&aacute; indicara que o sebastianismo, cujo teor   social ligava-se ao mito da volta de Dom Sebasti&atilde;o, estava presente no Brasil.   Mais precisamente, na Caatinga pernambucana. A tentativa de criar a Cidade do   Para&iacute;so Terrestre, que reuniu de 200 a 400 pessoas crentes na volta de Dom   Sebasti&atilde;o, terminou em 1820, quando o governo da capitania de Pernambuco   massacrou os part&iacute;cipes do movimento, que esperavam, como diz o mesmo   dicion&aacute;rio, a volta de &quot;um rei encantado para um pa&iacute;s imagin&aacute;rio&quot;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O reino imagin&aacute;rio de   Suassuna e o pa&iacute;s real</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro escritor a abordar o   sebastianismo no interior nordestino e na caatinga foi Ariano Suassuna. No <i>Romance     d&rsquo;a Pedra do Reino e o pr&iacute;ncipe do sangue do vai-e-volta</i>, de 1971,   Suassuna constr&oacute;i uma narrativa que toma como base o evento hist&oacute;rico. Pelas   p&aacute;ginas, a tradi&ccedil;&atilde;o sertaneja convive com certos aspectos do esp&iacute;rito europeu,   as dificuldades provocadas pelas m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de sobreviv&ecirc;ncia na regi&atilde;o e com   o sonho de melhores tempos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quase f&aacute;bula de Suassuna   aponta o sebastianismo como um vetor hist&oacute;rico marcante da popula&ccedil;&atilde;o da   Caatinga. Em sua disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em geografia, defendida na   Universidade Federal Fluminense, Natallye Lopes Santos Oliveira aponta que a   &quot;(...) representa&ccedil;&atilde;o do sertanejo de Suassuna tamb&eacute;m &eacute; fomentada por valores   como o sebastianismo e seu vi&eacute;s messi&acirc;nico (...) O sebastianismo marca aqui a   presen&ccedil;a de um messianismo luso adaptado &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es nordestinas. Ele traduz   uma inconformidade com a situa&ccedil;&atilde;o alimentada pela trag&eacute;dia, o sofrimento e a   esperan&ccedil;a&quot;. E quais eram as condi&ccedil;&otilde;es nordestinas?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Malgrado poucas iniciativas   particulares, a popula&ccedil;&atilde;o da Caatinga, na primeira metade do s&eacute;culo XIX,   padecia da falta de condi&ccedil;&otilde;es dignas de sobreviv&ecirc;ncia. Parte escrava, parte   pobres homens livres, pequenos pecuaristas e alguns pouqu&iacute;ssimos senhores de   terra, essa popula&ccedil;&atilde;o quase n&atilde;o tinha acesso &agrave; escassa presen&ccedil;a do Estado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&iacute;mbolo da falta de empenho   estatal em realizar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de qualidade foi o setor educacional.   Ainda que a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1824, que durou todo o per&iacute;odo imperial,   assegurasse, no seu artigo XXXII, a instru&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e gratuita a todos os   cidad&atilde;os, os relat&oacute;rios do governo nos anos seguintes falavam em abandono das   necessidades materiais para a tarefa. Eram poucos os livros did&aacute;ticos, menos   ainda os edif&iacute;cios p&uacute;blicos, al&eacute;m da sempre constante baixa remunera&ccedil;&atilde;o de   professores. Apenas em 1836 surgiu a primeira escola normal na Bahia. No Cear&aacute;,   esta apareceria ainda mais tarde, em 1845. Dentro desse contexto regional,   educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica constitu&iacute;a artigo de luxo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na segunda metade do s&eacute;culo 19,   aumentou a preocupa&ccedil;&atilde;o governamental com os problemas da popula&ccedil;&atilde;o. As   recorrentes secas na regi&atilde;o da Caatinga e as dificuldades para contornar o   problema, agravado pela grande seca de 1877, fizeram com que o governo criasse,   em fins do ano seguinte, a Comiss&atilde;o de A&ccedil;udes. Em 1884, engenheiros e t&eacute;cnicos   chegaram &agrave; regi&atilde;o de Quixad&aacute;, a cerca de 170 quil&ocirc;metros de Fortaleza. A ideia era realizar a limpeza do local, construir estradas de rodagem   e fazer o nivelamento do terreno, mas foi apenas no in&iacute;cio da Rep&uacute;blica que as   obras para o a&ccedil;ude efetivamente tiveram in&iacute;cio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O a&ccedil;ude foi constru&iacute;do na   primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo seguinte. Nessa &eacute;poca, a hist&oacute;ria de Ant&ocirc;nio   Conselheiro e do arraial de Canudos j&aacute; estava escrita. A Comiss&atilde;o de A&ccedil;udes se   transformaria na Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS) que, mais tarde, em   1945, daria origem ao atual Departamento Nacional de Obras Contra as Secas   (DNOCS).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A constitui&ccedil;&atilde;o do IOCS,   contudo, n&atilde;o impediu que a seca de 1915 produzisse efeitos devastadores. Os   esfor&ccedil;os estatais eram insuficientes &ndash; conforme mensagem do presidente   Wenceslau Br&aacute;s em 1914, dos 42 po&ccedil;os escavados na regi&atilde;o naquele ano, 33 foram   feitos por particulares. No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1920, o movimento do canga&ccedil;o,   que teve Lampi&atilde;o como l&iacute;der importante, representaria mais um movimento de   revolta a ocorrer na Caatinga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A chegada ao poder de Get&uacute;lio   Vargas, no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1930, e, mais tarde, a constitui&ccedil;&atilde;o da   Superintend&ecirc;ncia de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), pelo governo de   Juscelino Kubitschek, fortaleceriam as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O espa&ccedil;o rural, mesmo o de   &aacute;reas da Caatinga, passou por enormes transforma&ccedil;&otilde;es. No s&eacute;culo XX, houve uma   moderniza&ccedil;&atilde;o importante, para a qual concorreram, al&eacute;m da constru&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;udes,   estradas, ferrovias, hidrel&eacute;tricas. O rural da Caatinga &eacute; plural &ndash; deriva do   passado, de m&uacute;ltiplos vetores, de hist&oacute;rias pouco conhecidas e pouco contadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10/06/2013</font></p>     ]]></body>
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