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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Experi&ecirc;ncias internacionais diversas mostram fluxo do conhecimento nas cidades</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Simone Pallone</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; diferentes situa&ccedil;&otilde;es em que um lugar pode ser reconhecido como "cidade do conhecimento". Salamanca, localizada na regi&atilde;o de Castela e Le&atilde;o, na Espanha, &eacute; assim chamada devido &agrave; grande aten&ccedil;&atilde;o que se d&aacute; &agrave; cultura, &agrave;s artes e &agrave;s ci&ecirc;ncias. Possui v&aacute;rios museus e conserva monumentos da Idade M&eacute;dia em perfeito estado. Em 1988, a cidade foi nomeada Patrim&ocirc;nio da Humanidade pela Unesco e, em 2002, Capital Europeia da Cultura. Al&eacute;m disso, a cidade possui uma das mais antigas universidades do mundo - a <u>Universidade de Salamanca</u>, fundada em 1218 -, e atrai milhares de estudantes todos os anos, interessados nos cursos desta universidade, nos da Universidade Pontif&iacute;cia e nos diversos centros espanh&oacute;is de ensino. N&atilde;o s&atilde;o poucos os atributos que levam a cidade ser tomada como um local de saber e de conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outro enfoque da no&ccedil;&atilde;o de "cidade do conhecimento", as cidades que abrigam polos ou parques tecnol&oacute;gicos tamb&eacute;m recebem essa denomina&ccedil;&atilde;o ou algo pr&oacute;ximo - cidades inteligentes, cidades da ci&ecirc;ncia, cidades criativas - por apresentarem um arranjo no qual o fluxo do conhecimento atravessa v&aacute;rias inst&acirc;ncias, do planejamento urbano &agrave;s atividades econ&ocirc;micas que ali se concentram. O empreendedorismo e a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica s&atilde;o fortemente estimulados nessas &aacute;reas, abrindo oportunidades de empregos, principalmente de alta qualifica&ccedil;&atilde;o, promovendo um incremento na economia e benef&iacute;cios de ordem social e cultural.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse modelo, que teve in&iacute;cio nos anos 1970, est&aacute; bastante disseminado, estabelecido principalmente pelas atividades ligadas &agrave; economia do conhecimento. Tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o o principal "tema" desses polos. Mas h&aacute; outros. O arquiteto e urbanista Carlos Leite, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, d&aacute; um exemplo. Ele conta que visitou <u>Mission Bay</u>, um bairro de S&atilde;o Francisco, nos Estados Unidos, pela primeira vez h&aacute; seis anos, e que a transforma&ccedil;&atilde;o no local era ainda objeto de d&uacute;vidas entre os especialistas acad&ecirc;micos, que a viam com retic&ecirc;ncia. Mas, segundo ele, "instalava-se naquele momento o que chamamos da mola propulsora da regenera&ccedil;&atilde;o urbana e reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, o elemento-&acirc;ncora: o novo centro de pesquisas em biotecnologia da Universidade da Calif&oacute;rnia: cento e setenta mil m<sup>2</sup> de laborat&oacute;rios e centros de pesquisa".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa &eacute; outra caracter&iacute;stica importante desses empreendimentos. Muitos deles representam uma estrat&eacute;gia para regenerar antigas &aacute;reas industriais que entraram em decl&iacute;nio com o surgimento da cidade "p&oacute;s-fordista", buscando-se desenvolver ali atividades inovadoras, como os clusters de inova&ccedil;&atilde;o e TIC, conforme explica Leite. E onde havia desconfian&ccedil;a, hoje h&aacute; um novo bairro, "moradia para a classe m&eacute;dia, em pr&eacute;dios de quatro a dez pavimentos, em meio &agrave; mistura de usos - caf&eacute;s, com&eacute;rcio, servi&ccedil;os". O projeto urbano est&aacute; sendo realizado em 220 hectares, promovendo uma reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva de uma antiga &aacute;rea industrial que se tornou obsoleta, uma regenera&ccedil;&atilde;o urbana em metr&oacute;pole contempor&acirc;nea que tem como for&ccedil;a motriz o cluster de biotecnologia. Esse arranjo representa a concentra&ccedil;&atilde;o de capital de talento humano, educacional, empreendedor. Trata-se de "uma cidade reinventada; cidade inovadora; cidade criativa", afirma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Espanha abriga um projeto com essas mesmas caracter&iacute;sticas. &Eacute; o Projeto <u>22@ Barcelona</u>, um dos mais jovens polos tecnol&oacute;gicos da Europa, localizado em Poblenou, um bairro tradicional que se tornou uma &aacute;rea degradada com a sa&iacute;da das grandes ind&uacute;strias. O projeto, uma iniciativa do governo local e do setor privado,teve in&iacute;cio em 2000, com o objetivo de abrigar empresas, universidades e centros de pesquisa em um polo de tecnologia que pudesse, ao mesmo tempo, desenvolver a economia e dar uma nova vida ao Poblenou.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Governo-universidade-empresa</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O modelo dos polos tecnol&oacute;gicos foi sacramentado na academia como a "tripla h&eacute;lice" - em alus&atilde;o &agrave; "dupla h&eacute;lice" do DNA -, termo cunhado por Henry Etzkowitz e L&ouml;et Leydesdorff, em meados dos anos 1990.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Etzkowitz afirma em <u>entrevista</u> concedida &agrave; revista <i>Conhecimento &amp; Inova&ccedil;&atilde;o,</i> o conceito envolvendo a tr&iacute;ade governo-universidade-ind&uacute;stria se baseou no Vale do Sil&iacute;cio, na Calif&oacute;rnia, que se tornou um exemplo cl&aacute;ssico. Ali, a partir do conhecimento gerado nas Universidades da Calif&oacute;rnia (UCLA) e Stanford, desenvolveram-se empresas de alta tecnologia que mantiveram e mant&ecirc;m parcerias com centros de pesquisa no desenvolvimento de novos produtos, na utiliza&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rios, e tamb&eacute;m no aproveitamento da m&atilde;o-de-obra qualificada, que as universidades formam todos os anos. A participa&ccedil;&atilde;o do governo nesse tipo de arranjo se d&aacute; pelo financiamento de pesquisas, apoio &agrave; universidade, e por meio de programas de financiamento direto &agrave;s empresas. Alguns dos neg&oacute;cios surgidos na regi&atilde;o s&atilde;o nada menos que Intel, Apple, Microsoft, e-Bay, Facebook, todos de alta intensidade tecnol&oacute;gica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso do 22@ Barcelona, o apoio governamental come&ccedil;ou com a decis&atilde;o de dar uma chance para o Poblenou se reinventar. F&aacute;bio Duarte, arquiteto e urbanista, professor da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Paran&aacute; (PUCPR), que visitou recentemente a regi&atilde;o, fala com entusiasmo da experi&ecirc;ncia. Ele salienta como um ponto forte a mudan&ccedil;a de foco da produ&ccedil;&atilde;o de m&aacute;quinas industriais - que ocuparam a aten&ccedil;&atilde;o e a economia local nos anos 1960 - para a produ&ccedil;&atilde;o de softwares e conte&uacute;do multim&iacute;dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O projeto est&aacute; completando dez anos, mas somente em 2005 foi modificado o zoneamento industrial para m&uacute;ltiplo uso, podendo-se construir resid&ecirc;ncias ou empresas. O projeto incluiu a autoriza&ccedil;&atilde;o para constru&ccedil;&otilde;es de diferentes tamanhos, tamb&eacute;m de acordo com o tipo de uso, e com cobran&ccedil;as diferenciadas. Deste modo, a &aacute;rea permite que se desenvolvam atividades diferentes num mesmo lugar: trabalho, moradia, ensino, servi&ccedil;os. Em termos de sustentabilidade, esta proximidade &eacute; bem vinda, na medida em que permite reduzir o consumo de recursos, como os combust&iacute;veis usados no transporte, por exemplo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa preocupa&ccedil;&atilde;o, que segundo Duarte, todo projeto urban&iacute;stico deveria considerar, est&aacute; presente no 22@. O tecnopolo catal&atilde;o foi pensado de forma a minimizar os efeitos de sua ocupa&ccedil;&atilde;o, pensando-se na efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e no uso de &aacute;gua. Al&eacute;m disso, "todo o lixo &eacute; recolhido e o que n&atilde;o pode ser reciclado segue para uma central termoel&eacute;trica para produzir energia", diz ele. O projeto prev&ecirc; que para cada 25% da &aacute;rea constru&iacute;da, deve haver uma &aacute;rea verde, p&uacute;blica, com pra&ccedil;as. Mesmo nos lotes individuais, h&aacute; uma exig&ecirc;ncia de se manter uma &aacute;rea verde. Outro ponto a favor da sustentabilidade &eacute; o incentivo ao transporte p&uacute;blico e ao uso de bicicletas para se locomover. Barcelona &eacute; atravessada por uma extensa malha ciclovi&aacute;ria, com pelo menos 20 esta&ccedil;&otilde;es de bicicletas para alugar, sempre pr&oacute;ximas das esta&ccedil;&otilde;es de metr&ocirc;; se o uso n&atilde;o ultrapassar meia hora, n&atilde;o &eacute; pago. Al&eacute;m disso, acrescenta Duarte, para se chegar no 22@, a prefeitura estendeu duas linhas de bonde el&eacute;trico e colocou mais uma linha de metr&ocirc;. A mensagem &eacute; para que o ve&iacute;culo individual seja o usado o menos poss&iacute;vel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A opini&atilde;o de Leite, da Universidade Mackenzie, segue a mesma linha. Segundo ele, "sob o prisma do desenvolvimento urbano sustentado, voltar a crescer para dentro da metr&oacute;pole e n&atilde;o mais expandi-la &eacute; outro aspecto altamente relevante nesses casos: reciclar o territ&oacute;rio &eacute; mais inteligente do que substitu&iacute;-lo. Reestrutur&aacute;-lo produtivamente &eacute; poss&iacute;vel e desej&aacute;vel no planejamento estrat&eacute;gico metropolitano. Ou seja: regenerar produtivamente territ&oacute;rios metropolitanos existentes deve ser face da mesma moeda dos novos processos de inova&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e tecnol&oacute;gica", diz o urbanista, que &eacute; tamb&eacute;m editor do <u>blog</u> Cidades Sustent&aacute;veis + Inteligentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As cidades inteligentes, segundo Leite, 'expressam a necessidade de uma reformula&ccedil;&atilde;o radical das cidades na era da economia global e da sociedade baseada no conhecimento'. A capacidade de inova&ccedil;&atilde;o se traduz em competitividade e prosperidade, mas para que isso ocorra, alguns par&acirc;metros s&atilde;o fundamentais, como 'a presen&ccedil;a da nova economia baseada em tecnologia, um sistema de mobilidade inteligente, ambientes inovadores/criativos, recursos humanos de talento, habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel e diversificada, e sistemas inteligentes e integrados de governo (transporte, energia, sa&uacute;de, seguran&ccedil;a p&uacute;blica e educa&ccedil;&atilde;o). Leite diz ainda que &eacute; preciso estar atento &agrave;s perspectivas que as tecnologias verdes aliadas &agrave; gest&atilde;o inteligente est&atilde;o abrindo no desenvolvimento urbano de novos territ&oacute;rios como <u>Masdar</u> no Dubai, desenvolvida por Norman Foster.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">F&aacute;bio Duarte, da PUCPR, tamb&eacute;m ressalta a import&acirc;ncia de se recriar &aacute;reas degradadas em termos econ&ocirc;micos. "Essas regi&otilde;es antigas possuem servi&ccedil;os p&uacute;blicos instalados que ficam muito caros com a desocupa&ccedil;&atilde;o. H&aacute; menos pessoas usando e a prefeitura tem que continuar bancando. Investir em subs&iacute;dios para ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas abandonadas &eacute; mais interessante para a administra&ccedil;&atilde;o da cidade. Assim, geram emprego e consumo no local, al&eacute;m de arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Atividades econ&ocirc;micas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As atividades desenvolvidas no 22@, em Barcelona, se concentram principalmente na produ&ccedil;&atilde;o de softwares, games e tecnologia para a &aacute;rea m&eacute;dica. Apesar de n&atilde;o representarem a principal voca&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o, que sempre foram o design e a moda, o governo resolveu induzir o seu desenvolvimento, vislumbrando a possibilidade de atingir, al&eacute;m do pr&oacute;prio pa&iacute;s, o mercado da Am&eacute;rica Latina, para onde j&aacute; eram distribu&iacute;dos aplicativos multim&iacute;dia para &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o. As atividades se concentram em cinco eixos: m&iacute;dias (TV, r&aacute;dio, web), tanto aplicativos como conte&uacute;do; TICs (tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o), produzindo celulares, mas principalmente testando a usabilidade desses equipamentos; design gr&aacute;fico e produtos, nos quais o local j&aacute; tinha tradi&ccedil;&atilde;o, como na produ&ccedil;&atilde;o de m&oacute;veis; tecnologias para energia, com especial foco na efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica; e tecnologias para a &aacute;rea m&eacute;dica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Laborat&oacute;rios t&eacute;cnicos e escolas de engenharia tamb&eacute;m foram atra&iacute;dos para o tecnopolo, segundo Duarte, assim como o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e esta&ccedil;&otilde;es de TV e r&aacute;dio. Alguns desses foram instalados em edif&iacute;cios novos, constru&iacute;dos para este fim, mas outros, como o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e as universidades est&atilde;o ocupando antigos pr&eacute;dios reformados. A instala&ccedil;&atilde;o do Museu do Design da Catalunha no 22@ refor&ccedil;a e valoriza essa voca&ccedil;&atilde;o da cidade, al&eacute;m de promover o local tamb&eacute;m como um ponto tur&iacute;stico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos multim&iacute;dia &eacute; tamb&eacute;m o foco da Cidade Multim&iacute;dia, tecnopolo localizado em Montreal, na prov&iacute;ncia de Quebec, no Canad&aacute;. Em um <u>artigo</u> publicado na revista <i>S&atilde;o Paulo em Perspectiva,</i> Duarte conta que o governo de Quebec, "atento &agrave;s oportunidades globais do mercado de software, e &agrave; fuga de talentos jovens da &aacute;rea de inform&aacute;tica para os Estados Unidos e ao potencial tecnol&oacute;gico interno existente, lan&ccedil;ou no in&iacute;cio de 1997 a pol&iacute;tica dos Centros de Desenvolvimento de Tecnologia de Informa&ccedil;&atilde;o - CDTI, apoiada em medidas legais e financeiras. Em menos de um ano, mais de 200 empresas j&aacute; haviam se cadastrado no programa".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os fatores apontados no artigo de Duarte como definidores do sucesso da experi&ecirc;ncia canadense - al&eacute;m das vantagens hist&oacute;ricas dos clusters: proximidade geogr&aacute;fica entre empresas, gerando facilidades em rela&ccedil;&atilde;o a fornecedores, ind&uacute;strias, acesso a mercados, forma&ccedil;&atilde;o de profissionais na &aacute;rea, entre outros - est&aacute; a articula&ccedil;&atilde;o com a Associa&ccedil;&atilde;o de Produtores de Multim&iacute;dia de Quebec, com o Centro de Promo&ccedil;&atilde;o do Software de Quebec e com a Alliance Numeric QC, que d&atilde;o o suporte para o desenvolvimento e a promo&ccedil;&atilde;o das empresas ligadas ao setor de multim&iacute;dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; autonomia das empresas, o programa de incentivos do CDTI fez toda a diferen&ccedil;a. "O programa tem como pr&eacute;-requisito que as integrantes sejam novas, portanto com liberdade de decis&atilde;o, sem passar por grandes corpora&ccedil;&otilde;es. Ademais, as trocas de informa&ccedil;&otilde;es em ambientes informais est&atilde;o suportadas por um empreendimento urban&iacute;stico que privilegia a mistura de usos em uma &aacute;rea restrita, de unidades das universidades locais aos edif&iacute;cios de escrit&oacute;rio, dos caf&eacute;s aos edif&iacute;cios residenciais. Isso propicia um conv&iacute;vio intensivo entre os profissionais, por concentrar as empresas da &aacute;rea multim&iacute;dia em um mesmo setor, como tamb&eacute;m um conv&iacute;vio extensivo, pela diversidade de usos que proporciona justamente a troca de informa&ccedil;&otilde;es em &acirc;mbito informal".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ag&ecirc;ncia de desenvolvimento urbano-econ&ocirc;mico</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que as experi&ecirc;ncias de 22@, em Barcelona, Mission Bay, em S&atilde;o Francisco, e Cidade Multim&iacute;dia, em Montreal, t&ecirc;m em comum? Para Carlos Leite, &eacute; o que nos falta no Brasil s&atilde;o ag&ecirc;ncias espec&iacute;ficas de desenvolvimento urbano-econ&ocirc;mico. Ele diz que Montreal &eacute; o caso pioneiro, mas tamb&eacute;m o de menor escala. A cidade j&aacute; possu&iacute;a essa voca&ccedil;&atilde;o para implementar um cluster de diversas m&iacute;dias, inclusive cinema. Ele avalia que no antigo bairro fabril do Poblenou, montou-se o projeto 22@ com uma estrat&eacute;gia radical: "buscar em dez anos implementar o Vale do Sil&iacute;cio da Europa'. J&aacute; Mission Bay, em S&atilde;o Francisco, ele aponta como o desej&aacute;vel meio-termo - experi&ecirc;ncia que poderia ser replicada na Opera&ccedil;&atilde;o Urbana Diagonal Sul em S&atilde;o Paulo -, ao aliar &agrave; voca&ccedil;&atilde;o territorial existente uma atra&ccedil;&atilde;o de porte de unidade acad&ecirc;mica e de pesquisa de ponta, com laborat&oacute;rios que atuam no ramo e programas usuais da cidade (moradia, com&eacute;rcio, servi&ccedil;os e transporte coletivo).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s experi&ecirc;ncias de cidades inteligentes - do conhecimento, ou outro conceito que pode ser atribu&iacute;do aos tecnopolos -, constitu&iacute;das na Europa ou nos Estados Unidos, a an&aacute;lise de Carlos Leite &eacute; de que exceto o caso de 22@, em Barcelona, recente e exitoso, as experi&ecirc;ncias europ&eacute;ias do final do s&eacute;culo XX foram for&ccedil;adas, criando-se tecnopolos em lugares sem nenhuma tradi&ccedil;&atilde;o na atividade produtiva escolhida. A tentativa sempre foi a de reproduzir os casos do Vale do Sil&iacute;cio, da Terceira It&aacute;lia ou da Route 66 (Boston), que foram experi&ecirc;ncias espont&acirc;neas. Leite afirma, ainda, que mais recentemente, e ap&oacute;s analisar os erros j&aacute; cometidos em casos anteriores, a Inglaterra desenvolveu uma ag&ecirc;ncia de inova&ccedil;&atilde;o e economia criativa que desenvolve pol&iacute;ticas para in&uacute;meras &aacute;reas inglesas, com &ecirc;xito. 'A ideia &eacute; pulverizar incentivos e facilitar voca&ccedil;&otilde;es existentes', finaliza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voltando um pouco ao conceito de "cidade do conhecimento", F&aacute;bio Duarte prefere classificar o 22@, de Barcelona, como um projeto de "cidade inteligente". Sua explica&ccedil;&atilde;o &eacute; de que na primeira no&ccedil;&atilde;o, trata-se de uma regi&atilde;o que coloca foco na produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento. &Eacute; quando uma regi&atilde;o cria um parque tecnol&oacute;gico a partir de um campus j&aacute; existente no local. J&aacute; a "cidade inteligente" &eacute; diferente, pois ela &eacute; desenvolvida quando o poder p&uacute;blico percebe que tem um espa&ccedil;o que tem possibilidade de se transformar. &Eacute; o caso de uma &aacute;rea industrial relativamente pr&oacute;xima ao centro, que est&aacute; se esvaziando. "Percebe-se que uma defici&ecirc;ncia se transforma em um trunfo; com acesso a transporte, energia instalada, cria-se uma diferen&ccedil;a. E ent&atilde;o, nesse novo espa&ccedil;o, produz-se conhecimento, tecnologia, inova&ccedil;&atilde;o", diz Duarte. A "cidade inteligente" vai fazer isso. O que &eacute; permitido pelo tipo de atividade da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o, pelas atividades que exigem muito mais um capital intelectual do que grandes espa&ccedil;os, maquin&aacute;rio, uma extensa m&atilde;o-de-obra, perman&ecirc;ncia no local de trabalho etc. &Eacute; a cidade se reinventando de acordo com os novos tempos.</font></p>      ]]></body>

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