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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><B>ARTIGO</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><B>A educa&ccedil;&atilde;o frente &agrave; economia do conhecimento<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a></B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Ladislau Dowbor</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Estamos evoluindo rapidamente da economia fabril para a economia do conhecimento. No centro da forma&ccedil;&atilde;o do valor dos bens e servi&ccedil;os hoje produzidos, est&aacute; o conhecimento incorporado. A educa&ccedil;&atilde;o, que tem no conhecimento a sua mat&eacute;ria&#45;prima, est&aacute; hoje cada vez mais perto do furac&atilde;o de mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas, mas se aferra teimosamente ao passado, ao conhecimento fatiado em disciplinas, &agrave; seguran&ccedil;a da sala de aula, do giz e do quadro negro, ao diploma como t&iacute;tulo de nobreza, enquanto explodem no mundo o conhecimento online generalizado, que o torna acess&iacute;vel na sua virtual totalidade e em qualquer ponto do planeta, ainda para elites em algumas sociedades, mas crescentemente universalizado. A educa&ccedil;&atilde;o tem pela frente uma profunda transforma&ccedil;&atilde;o, no sentido de ser menos ministradora de aulas, e mais articuladora da multimodalidade que caracteriza hoje a gest&atilde;o do conhecimento. A mudan&ccedil;a est&aacute; apenas come&ccedil;ando. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o se trata de espa&ccedil;o livre para ser ocupado. As novas tecnologias permitem que o conhecimento adquirido pela humanidade, sob forma de ci&ecirc;ncia, obras de arte, m&uacute;sica, filmes e outras manifesta&ccedil;&otilde;es da economia criativa, seja universalmente acess&iacute;vel, a custos virtualmente nulos. Trata&#45;se, evidentemente, de um imenso bem para a humanidade, para o progresso educacional, cient&iacute;fico e cultural de todos. Mas para os intermedi&aacute;rios do acesso aos bens criativos, que controlavam a base material da sua disponibiliza&ccedil;&atilde;o, houve uma mudan&ccedil;a profunda. Em vez de se adequarem &agrave;s novas tecnologias, sentem&#45;se amea&ccedil;ados, e buscam travar o uso das tecnologias de acesso, acusando quem as usa de pirataria, e at&eacute; de falta de &eacute;tica. Geram&#45;se, assim, duas din&acirc;micas, uma que busca se aproveitar das tecnologias para generalizar o enriquecimento cultural, e outra que busca atrav&eacute;s de leis, da criminaliza&ccedil;&atilde;o e do recurso ao poder do Estado, travar a sua expans&atilde;o. A tecnologia torna os bens culturais cada vez mais acess&iacute;veis, as leis evoluem para cada vez mais proibir o acesso. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O mundo corporativo est&aacute; avan&ccedil;ando de maneira dura e organizada: "Em setembro de 1995, a ind&uacute;stria de conte&uacute;dos, trabalhando com o Departamento de Com&eacute;rcio dos Estados Unidos, come&ccedil;ou a mapear uma estrat&eacute;gia para proteger um modelo de neg&oacute;cios frente &agrave;s tecnologias digitais. Em 1997 e 1998, essa estrat&eacute;gia foi implementada atrav&eacute;s de uma s&eacute;rie de novas leis destinadas a estender o tempo de copyright da obra, refor&ccedil;ar as penalidades criminais para infringimento de copyright, e para punir o uso de tecnologias que tentavam evitar os entraves digitais colocados em conte&uacute;do digital"<B><a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>2</sup></a></B>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O resultado pr&aacute;tico &eacute; conhecido: somente teremos acesso digital &agrave; obra 70 anos depois da morte do autor (por exemplo, ap&oacute;s 2050 para Paulo Freire). O que significa que 90% das obras do s&eacute;culo passado ficar&atilde;o indispon&iacute;veis para pesquisa digital, isso quando a realiza&ccedil;&atilde;o de lucros sobre o copyright se limita quase integralmente aos cinco ou, quando muito, dez anos depois da publica&ccedil;&atilde;o. Imenso preju&iacute;zo social para pequenos lucros privados. A solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; liquidar os direitos de propriedade intelectual, mas limit&aacute;&#45;los a cinco anos livremente prorrog&aacute;veis pelo dono dos direitos, que os renovar&aacute; se achar que vale a pena. Grande parte das obras se tornaram indispon&iacute;veis porque n&atilde;o se consegue sequer identificar o dono dos direitos, isso para quem est&aacute; disposto a pagar para reeditar. A realidade &eacute; que ao aplicar &agrave; economia criativa leis derivadas da propriedade de bens f&iacute;sicos, desequilibramos radicalmente o processo, que precisa de novas regras do jogo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diversas pesquisas no mundo universit&aacute;rio mostram que a esmagadora maioria dos estudantes recorre a formas de acesso aos bens cient&iacute;ficos e culturais que podem ser consideradas ilegais. Devemos criminalizar a juventude?<B><a name="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>3</sup></a></B> Para uma pessoa que descobre uma linda m&uacute;sica na internet, envi&aacute;&#45;la para um amigo &eacute; a rea&ccedil;&atilde;o mais imediata, porque a felicidade n&atilde;o se goza sozinho. Vamos criminalizar isso? Lessig constata uma coisa &oacute;bvia: uma lei que parece idiota n&atilde;o &eacute; respeitada. E levar jovens a perder o respeito pela lei pode, sim, ser coisa muito s&eacute;ria. Na realidade, devemos enfrentar esse hiato crescente entre o que as tecnologias permitem e o que a lei pro&iacute;be. Provavelmente, de maneira menos ideol&oacute;gica, ou menos hist&eacute;rica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo James Boyle, "o objetivo do copyright &eacute; de encorajar a produ&ccedil;&atilde;o e acesso a obras culturais. Desempenhou o seu papel encorajando a produ&ccedil;&atilde;o. Agora opera como uma cerca para impedir o acesso. Conforme passam os anos, continuamos a trancar at&eacute; cem por cento da nossa cultura registrada de um determinado ano para beneficiar uma porcentagem cada vez menor &#150; os ganhadores na loteria &#150; numa pol&iacute;tica cultural grotescamente ineficiente"<B><a name="tx04"></a><a href="#nt04"><sup>4</sup></a></B>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em outro n&iacute;vel, &eacute; curioso constatar a fragilidade dos argumentos segundo os quais a livre disponibiliza&ccedil;&atilde;o dos livros impede a sua venda. Paulo Coelho, que recentemente passou a disponibilizar online, na &iacute;ntegra, os seus livros, gratuitamente, constatou n&atilde;o a redu&ccedil;&atilde;o mas o aumento das vendas<B><a name="tx05"></a><a href="#nt05"><sup>5</sup></a></B>. Uma pessoa que gostou do livro ap&oacute;s a leitura de algumas p&aacute;ginas, provavelmente se sentir&aacute; estimulada a compr&aacute;&#45;lo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No caso de patentes, a quest&atilde;o &eacute; ainda mais lastim&aacute;vel, e cada vez se constata mais, conforme veremos abaixo, que o emaranhado de restri&ccedil;&otilde;es legais chegou a um n&iacute;vel tal que mais atrapalha do que estimula a pesquisa. Um monop&oacute;lio de vinte anos sobre uma ideia podia ser concebido h&aacute; meio s&eacute;culo atr&aacute;s, mas n&atilde;o no ritmo moderno de inova&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A verdade &eacute; que o contexto da economia criativa mudou radicalmente, pois ainda que haja custos na produ&ccedil;&atilde;o de uma obra criativa, uma vez criada, essa obra pode se tornar em fator de enriquecimento de toda a humanidade, j&aacute; que a disponibiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; praticamente gratuita. Quando a disponibiliza&ccedil;&atilde;o exigia suporte material &#150; o livro impresso, o disco, a fita &#150;, era natural que fosse cobrado o custo incorporado. Sem a editora, sem a emissora de TV, as pessoas n&atilde;o saberiam da cria&ccedil;&atilde;o. A disponibiliza&ccedil;&atilde;o e generaliza&ccedil;&atilde;o do conhecimento se fazia gra&ccedil;as a elas. Hoje, essas mesmas corpora&ccedil;&otilde;es tentam evitar a disponibiliza&ccedil;&atilde;o, pois com a era digital, podemos apreciar um livro, uma m&uacute;sica, um filme, sem precisar de suporte material. Em vez de se adaptar &agrave;s novas tecnologias, e buscar outra forma de agregar valor, as mesmas corpora&ccedil;&otilde;es buscam travar o seu acesso, e criminalizar o seu uso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A IBM, para dar um exemplo, tentou impedir que se disseminasse o "clone" (assim era designado o PC "pirata") atrav&eacute;s da tecnologia propriet&aacute;ria <I>microchannel, </I>no final dos anos 1980. Achou que o padr&atilde;o IBM seria a op&ccedil;&atilde;o de todos, pela domina&ccedil;&atilde;o que tinha do mercado. Mas viu que todos fugiram para os "clones", para a livre cria&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. A IBM assimilou a li&ccedil;&atilde;o, e passou a vender software. Com o software se tornando um bem livre (a pr&oacute;pria empresa hoje usa o Linux), passou a vender servi&ccedil;os de arquitetura de informa&ccedil;&atilde;o para empresas. Adaptou&#45;se. Travar o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico atrav&eacute;s de monop&oacute;lios n&atilde;o d&aacute; bons resultados, e n&atilde;o est&aacute; dando no nosso caso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O que temos pela frente &eacute; menos apelos dram&aacute;ticos &agrave; lei e &agrave; &eacute;tica, e mais bom senso na redefini&ccedil;&atilde;o das regras do jogo que protejam o autor de inova&ccedil;&otilde;es, os diversos intermedi&aacute;rios e, sobretudo, o interesse final de toda cria&ccedil;&atilde;o, que &eacute; o enriquecimento cultural e cient&iacute;fico de toda a popula&ccedil;&atilde;o. O fato de bens culturais e educacionais se tornarem quase gratuitos, gra&ccedil;as &agrave;s novas tecnologias, n&atilde;o deve constituir um drama, e sim uma imensa oportunidade. Numa era em que se destinam imensos recursos para a educa&ccedil;&atilde;o no mundo, tentar travar o acesso n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o &eacute; leg&iacute;timo, nem &eacute;tico, como constitui um contrassenso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De certa maneira, forma&#45;se uma grande tens&atilde;o entre a sociedade realmente existente, cada vez mais centrada no conhecimento, e o sistema de leis baseado em produtos materiais caracter&iacute;sticos do s&eacute;culo passado. O essencial aqui &eacute; que o conhecimento, uma vez desenvolvido, &eacute; indefinidamente reproduz&iacute;vel e, portanto, s&oacute; se transforma em valor monet&aacute;rio quando apropriado por algu&eacute;m, evitando que outros possam ter acesso sem pagar um ped&aacute;gio, "direitos". Para os que tentam controlar o acesso ao conhecimento, este s&oacute; tem valor ao se criar artificialmente, por meio de leis e repress&atilde;o e n&atilde;o por mecanismos econ&ocirc;micos, a escassez. Por simples natureza t&eacute;cnica do processo, a aplica&ccedil;&atilde;o &agrave; era do conhecimento das leis da reprodu&ccedil;&atilde;o da era industrial trava o acesso. Curiosamente, impedir a livre circula&ccedil;&atilde;o de ideias e de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica tornou&#45;se um fator, por parte das corpora&ccedil;&otilde;es, de pedidos de maior interven&ccedil;&atilde;o do Estado. Os mesmos interesses que levaram a corpora&ccedil;&atilde;o a globalizar o territ&oacute;rio para facilitar a circula&ccedil;&atilde;o de bens, levam&#45;na a fragmentar e a dificultar a circula&ccedil;&atilde;o do conhecimento. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Um texto de 1813 de Thomas Jefferson &eacute;, nesse sentido, muito eloquente: "Se h&aacute; uma coisa que a natureza fez que &eacute; menos suscet&iacute;vel que todas as outras de propriedade exclusiva, esta coisa &eacute; a a&ccedil;&atilde;o do poder de pensamento que chamamos de ideia....Que as ideias devam se expandir livremente de uma pessoa para outra, por todo o globo, para a instru&ccedil;&atilde;o moral e m&uacute;tua do homem, e o avan&ccedil;o de sua condi&ccedil;&atilde;o parece ter sido particularmente e benevolamente desenhado pela natureza, quando ela as tornou, como o fogo, pass&iacute;veis de expans&atilde;o por todo o espa&ccedil;o, sem reduzir a sua densidade em nenhum ponto, e como o ar no qual respiramos, nos movemos e existimos fisicamente, incapazes de confinamento, ou de apropria&ccedil;&atilde;o exclusiva. Inven&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podem, por natureza, ser objeto de propriedade"<B><a name="tx06"></a><a href="#nt06"><sup>6</sup></a></B>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na nossa &aacute;rea universit&aacute;ria, em vez de trancarmos os nossos conhecimentos, imitando os comportamentos ultrapassados da empresa privada, temos de nos tornar vetores de multiplica&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o de conhecimento. Analisando as vantagens de se disponibilizar artigos gratuitamente online, Tapscott e Williams citam Paul Camp: "O que n&oacute;s queremos &eacute; informa&ccedil;&atilde;o v&aacute;lida, analisada por <I>peering</I>. Que importa se isso aconteceu porque um editor mandou o artigo para ser analisado por algu&eacute;m ou se ele foi analisado via e&#45;mail por uma comunidade de pessoas interessadas naquele assunto, em resposta &agrave; sua publica&ccedil;&atilde;o preliminar no arXiv? O resultado &eacute; o mesmo" (Tapscott, p. 199). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o se trata aqui apenas do direito de acesso aos volumes. &Eacute; vital o acesso r&aacute;pido e pr&aacute;tico, o "aqui e agora" que as tecnologias permitem, e que os alunos n&atilde;o entendem que n&atilde;o possam utilizar. Mais importante ainda, com a disponibiliza&ccedil;&atilde;o em meios digitais, abre&#45;se a perspectiva de cruzamento inovador de conhecimentos, fator essencial na aprendizagem de qualquer ci&ecirc;ncia. Uma pessoa pode aproximar an&aacute;lises estat&iacute;sticas de desemprego com an&aacute;lises de impacto psicol&oacute;gico sobre a juventude, e verificar como os processos incidem na criminalidade e assim por diante, juntando autores de diferentes &aacute;reas cient&iacute;ficas e de diferentes vis&otilde;es pol&iacute;ticas. A fant&aacute;stica possibilidade de se descobrir encadeamentos nas din&acirc;micas estudadas exige que os materiais estejam dispon&iacute;veis, online e gratuitos, pois o lucro est&aacute; no avan&ccedil;o cient&iacute;fico da sociedade, e marginalmente na remunera&ccedil;&atilde;o do autor ou do intermedi&aacute;rio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este ponto &eacute; particularmente grave no caso do acesso ao conhecimento. Trata&#45;se de uma &aacute;rea onde h&aacute; excelentes estudos recentes, como <I>A era do acesso </I>, de Jeremy Rifkin; <I>The future of ideas </I>, de Lawrence Lessig; <I>O imaterial </I>, de Andr&eacute; Gorz, <I>Gr&aacute;tis: o futuro dos pre&ccedil;os </I>, de Chris Anderson, ou ainda <I>Wikinomics </I>, de Don Tapscott. Um grupo de pesquisadores da USP Leste, com Pablo Ortellado e outros professores, estudou o acesso dos estudantes aos livros acad&ecirc;micos: o volume de livros exigidos &eacute; proibitivo para o bolso dos estudantes (80% s&atilde;o de fam&iacute;lias de at&eacute; cinco sal&aacute;rios m&iacute;nimos), e 30% dos t&iacute;tulos recomendados est&atilde;o esgotados. Na era do conhecimento, as nossas universidades de linha de frente trabalham com xerox de cap&iacute;tulos isolados do conjunto da obra, aut&ecirc;nticos ovnis cient&iacute;ficos, quando o MIT, principal centro de pesquisas dos Estados Unidos, disponibiliza os cursos na &iacute;ntegra, gratuitamente online, no quadro do OpenCourseWare (OCW). Hoje, os copyrights incidem sobre as obras at&eacute; 90 anos ap&oacute;s a morte do autor. E se fala naturalmente em "direitos do autor", quanto se trata na realidade de direitos das editoras, dos intermedi&aacute;rios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O tema &eacute; chave, pois envolve diretamente o novo desafio da contabilidade: como bem n&atilde;o rival, o conhecimento &eacute; um bem que pode ser consumido sem reduzir o estoque, pelo contr&aacute;rio, multiplica a riqueza de conhecimento dos outros. Como faremos a contabiliza&ccedil;&atilde;o da gratuidade? Ao optar pelo livre acesso &agrave; sua produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, o MIT deixou claro o princ&iacute;pio que o move: a op&ccedil;&atilde;o &eacute; um sinal para o mundo de que a pol&iacute;tica aprovada "enfatiza o compromisso do MIT com a dissemina&ccedil;&atilde;o dos frutos das suas pesquisas e ensino da maneira mais ampla poss&iacute;vel. O voto &eacute; um sinal para o mundo de que falamos numa voz unificada; que o que n&oacute;s valorizamos &eacute; o livre fluxo de ideias". Segundo declara&ccedil;&atilde;o da diretora de bibliotecas do MIT, Ann Wolpert, "na busca de lucros mais elevados, as editoras perderam de vista os valores da academia. Isto vai permitir aos autores avan&ccedil;ar com a pesquisa e a educa&ccedil;&atilde;o ao tornar as suas pesquisas dispon&iacute;veis para o mundo". Desde que adotou a pol&iacute;tica, o MIT teve mais de 50 milh&otilde;es de acessos no mundo todo ao seu acervo cient&iacute;fico. No plano do PIB, as editoras perdem, no plano do ganho cient&iacute;fico, do progresso mundial, os ganhos s&atilde;o incomparavelmente superiores<B><a name="tx07"></a><a href="#nt07"><sup>7</sup></a></B>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; impressionante investirmos, por um lado, imensos recursos p&uacute;blicos e privados na educa&ccedil;&atilde;o e, por outro lado, empresas tentarem restringir o acesso aos textos. O objetivo &eacute; assegurar lucro das editoras, aumentando o PIB, ou termos melhores resultados na forma&ccedil;&atilde;o, facilitando e incentivando (em vez de cobrar) o aprendizado? Trata&#45;se, aqui tamb&eacute;m, da economia do ped&aacute;gio, de impedir a gratuidade que as novas tecnologias permitem (acesso online), a pretexto de proteger a remunera&ccedil;&atilde;o dos produtores de conhecimento<B><a name="tx08"></a><a href="#nt08"><sup>8</sup></a></B>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Peter Eckersley, "quando a tecnologia tornou poss&iacute;vel uma nova abund&acirc;ncia de conhecimento, pol&iacute;ticos, advogados, corpora&ccedil;&otilde;es e administra&ccedil;&otilde;es universit&aacute;rias se tornaram cada vez mais determinados a preservar a sua escassez". A l&oacute;gica &eacute; explicitada por um exemplo: "A &aacute;gua &eacute; abundante e essencial; os diamantes s&atilde;o raros e in&uacute;teis. Mas diamantes s&atilde;o muito mais caros do que &aacute;gua porque s&atilde;o muito mais escassos. As pessoas que est&atilde;o no neg&oacute;cio de vender informa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m boas raz&otilde;es para querer um futuro onde o conhecimento seja valorizado como diamantes, e n&atilde;o como &aacute;gua. Aqui, os gigantes farmac&ecirc;uticos, Hollywood, Microsoft, e at&eacute; o <I>The Wall Street Journal </I>falam com a mesma voz: 'Continuem expandindo as leis de copyrights e de patentes para que os nossos produtos continuem caros e lucrativos'. E pagam lobistas no mundo todo para assegurar que esta mensagem chegue aos governos" (Eckersley, 2009). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Particularmente absurda &eacute; a dificuldade de acesso a conhecimentos desenvolvidos com dinheiro p&uacute;blico: "Considerem o movimento de livre acesso ( <I>open access movement </I>) que faz campanha para que os artigos cient&iacute;ficos sejam de livre acesso para o p&uacute;blico, que &eacute; quem afinal pagou pela pesquisa com os seus impostos. Historicamente, a maior parte dos textos cient&iacute;ficos ficou confinada a publica&ccedil;&otilde;es caras e essencialmente dispon&iacute;veis apenas para pessoas com liga&ccedil;&otilde;es universit&aacute;rias. Alguns editores resistiram ao movimento de livre acesso, mas a tend&ecirc;ncia &eacute; contr&aacute;ria. Em mar&ccedil;o (de 2009), por exemplo, o congresso americano tornou permanente a exig&ecirc;ncia de que toda pesquisa financiada pelos Institutos Nacionais de Sa&uacute;de seja abertamente acess&iacute;vel, e outros pa&iacute;ses est&atilde;o seguindo o exemplo. &Eacute; seguro prever que dentro de uma d&eacute;cada ou duas, a literatura cient&iacute;fica estar&aacute; online, livre e dispon&iacute;vel para pesquisa". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Particularmente interessante, Eckersley n&atilde;o sugere a aus&ecirc;ncia de remunera&ccedil;&atilde;o a quem produz ci&ecirc;ncia, mas o seu deslocamento: "Os que publicam as revistas (cient&iacute;ficas) continuar&atilde;o a ser pagos, mas num ponto diferente da cadeia". Vale a pena explorar essa vis&atilde;o. Um professor que publica, por exemplo, e divulga amplamente os seus trabalhos online, ver&aacute; a sua presen&ccedil;a e reconhecimento cient&iacute;ficos ampliados, e poder&aacute; ganhar com confer&ecirc;ncias. Ali&aacute;s, frequentemente j&aacute; recebe pelo trabalho no quadro do seu sal&aacute;rio. Vimos acima o exemplo da IBM, que soube se reconverter, ou seja, passou a ganhar dinheiro "num ponto diferente da cadeia". Tentar impedir o avan&ccedil;o dos meios modernos de divulga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem muito sentido, e os grandes intermedi&aacute;rios, tanto editoras como grandes selos de m&uacute;sica precisam pensar no que podem contribuir de melhor no quadro do novo referencial tecnol&oacute;gico, em vez de recorrer o tempo todo ao Estado e &agrave; pol&iacute;cia para garantir renda de intermedia&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na realidade, em vez de nos confinarmos numa guerra ideol&oacute;gica, com extens&otilde;es absurdas de patentes e copyrights, temos de buscar as novas regras econ&ocirc;micas que permitam equilibrar o interesse maior, que &eacute; o avan&ccedil;o cient&iacute;fico&#45;cultural da sociedade; em segundo lugar, o dos autores que criam e inovam; e em terceiro lugar, os intermedi&aacute;rios que produzem apenas o suporte f&iacute;sico e tendem a se arvorar em "propriet&aacute;rios". O suporte f&iacute;sico &eacute; importante, os livros e discos continuar&atilde;o a vender, mas n&atilde;o precisam exigir monop&oacute;lio nem chamar a pol&iacute;cia. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Mas, sobretudo, vale a pena atentarmos para o universo de mudan&ccedil;as que se descortina: se acompanharmos os trabalhos de Lawrence Lessig sobre o futuro das ideias, de James Boyle sobre a dimens&atilde;o jur&iacute;dica, de Andr&eacute; Gorz sobre a economia do imaterial, de Jeremy Rikin sobre a economia da cultura, de Raymond sobre a cultura da conectividade, de Castells sobre a sociedade em rede, de Toffler sobre terceira onda, de Pierre L&eacute;vy sobre a intelig&ecirc;ncia coletiva, de Hazel Henderson sobre os processos colaborativos &#150; e os in&uacute;meros trabalhos nessa linha, muitos deles comentados e sistematizados no nosso ensaio <I>Democracia econ&ocirc;mica </I>&#150;, veremos que as mudan&ccedil;as n&atilde;o est&atilde;o esperando que se desenhem utopias, um outro mundo est&aacute; se tornando vi&aacute;vel<B><a name="tx09"></a><a href="#nt09"><sup>9</sup></a></B>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Brasil, neste plano, enfrenta uma situa&ccedil;&atilde;o peculiar, pois ao internalizar a rela&ccedil;&atilde;o Norte&#45;Sul, atrav&eacute;s da instala&ccedil;&atilde;o do amplo polo transnacional na regi&atilde;o Sudeste do pa&iacute;s, enfrenta tanto as contradi&ccedil;&otilde;es mais avan&ccedil;adas, geradas pela economia do conhecimento, como a precariza&ccedil;&atilde;o que o sistema gera atrav&eacute;s de terceiriza&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m das rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o extremamente atrasadas que constituem heran&ccedil;as de outros ciclos econ&ocirc;micos, com ampla massa da popula&ccedil;&atilde;o simplesmente exclu&iacute;da do acesso ao conhecimento. E hoje, para n&atilde;o estar exclu&iacute;do, o n&iacute;vel de conhecimento precisa ser muito mais amplo do que a alfabetiza&ccedil;&atilde;o pela qual batalhava Paulo Freire. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O desafio da democratiza&ccedil;&atilde;o da economia adquire aqui uma dimens&atilde;o interessante, pois o acesso ao conhecimento, como novo fator de produ&ccedil;&atilde;o, pode tornar&#45;se um vetor privilegiado de inclus&atilde;o produtiva da massa de exclu&iacute;dos. Como vimos, uma vez produzido, o conhecimento pode ser divulgado e multiplicado com custos extremamente limitados. Contrariamente ao caso dos bens f&iacute;sicos, quem repassa o conhecimento n&atilde;o o perde. O direito de acesso ao conhecimento torna&#45;se, assim, um eixo central da democratiza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica das nossas sociedades<B><a name="tx10"></a><a href="#nt10"><sup>10</sup></a></B>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O conhecimento est&aacute; se tornando o principal vetor de gera&ccedil;&atilde;o de valor. &Eacute; um bem n&atilde;o rival, o seu consumo n&atilde;o reduz o estoque. Vimos acima as iniciativas do MIT, que ao generalizar o acesso gratuito teve mais de 50 milh&otilde;es de downloads no planeta em poucos anos. O MIT n&atilde;o perde nada com isso, ganha em visibilidade, e o mundo ganha com o conhecimento. Mas o mundo corporativo tamb&eacute;m entendeu onde est&aacute; a mina de ouro, e o lucro da corpora&ccedil;&atilde;o passa pela restri&ccedil;&atilde;o ao acesso. A educa&ccedil;&atilde;o hoje precisa se modernizar rapidamente, pois maneja uma &aacute;rea, o conhecimento, onde os interesses s&atilde;o cada vez mais ferozes, nos in&uacute;meros MBAs, faculdades corporativas, sistemas de educa&ccedil;&atilde;o a dist&acirc;ncia, sistemas integrados de gest&atilde;o escolar privatizada, e a ampla ind&uacute;stria do diploma. As novas tecnologias e a economia do conhecimento s&atilde;o bem vindas, trata&#45;se de assegurar o seu aproveitamento e uso democr&aacute;tico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><I>Ladislau Dowbor, &eacute; doutor em ci&ecirc;ncias    econ&ocirc;micas pela Escola Central de Planejamento e Estat&iacute;stica de    Vars&oacute;via, professor titular da PUC de S&atilde;o Paulo e consultor de    diversas ag&ecirc;ncias das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Seus numerosos trabalhos    sobre planejamento econ&ocirc;mico e social est&atilde;o dispon&iacute;veis    no site </I><A HREF="http://www.dowbor.org" target="_blank"><I>http://dowbor.org</I></A><I>    &#150; Contato: </I><A HREF="mailto:ladislau@dowbor.org"><I>ladislau@dowbor.org    </I></A></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> O presente    artigo faz parte de um estudo mais amplo na linha da democratiza&ccedil;&atilde;o    dos processos econ&ocirc;micos. Ver <I>Democracia Econ&ocirc;mica, </I><A HREF="http://www.dowbor.org/" target="_blank">http://dowbor.org</A></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> Lawrence Lessig, <I>Remix, </I>p. 39</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">  <a name="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> "As a recent survey by the market research firm NPD Group indicated, more than two&#45;thirds of all the music college students acquired was obtained illegally" &#150; citado por Lawrenced Lessig, <I>Remix, </I>p. 111; Lessig considera que devemos "reformar leis que tornam criminosa a maior parte do que os nossos filhos fazem com os seus computadores" (p. 19).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">  <a name="nt04"></a><a href="#tx04">4</a> James Boyle, <I>The Public Domain: enclosing the commons of the mind &#150; </I>Yales University Press, New Haven &amp; London , 2008, p. 224. No original ingl&ecirc;s: "The goal of copyright is to encourage the production of, and public access to, cultural works. It has done its job in encouraging production. Now it operates as a fence to discourage access. As the years go by, we continue to lock up to 100 percent of our recorded culture from a particular year in order to benefit an ever&#45;dwindling percentage &#150; the lottery winners &#150; in a grotesquely inefficient cultural policy" (p. 224).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">  <a name="nt05"></a><a href="#tx05">5</a> Ver o artigo de Jorge Machado sobre a ades&atilde;o de Paulo Coelho &agrave; "Carta de S&atilde;o Paulo" sobre propriedade intelectual, em <A HREF="http://www.gpopai.usp.br/boletim/article88.html" target="_blank">http://www.gpopai.usp.br/boletim/article88.html </A>. "Pensei que isto &eacute; fant&aacute;stico. Dar ao leitor a possibilidade de ler o nosso livro e escolher se o quer comprar ou n&atilde;o", diz Paulo Coelho, que criou o blog <A HREF="http://www.piratecoelho.wordpress.com/" target="_blank">www.piratecoelho.wordpress.com </A>; Paulo Coelho &eacute; sem d&uacute;vida um "ganhador na loteria", mas entendeu o absurdo do processo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">  <a name="nt06"></a><a href="#tx06">6</a> Lessig (2001), op. cit p. 94, citando T. Jefferson : "If nature has made any one thing less susceptible than all others of exclusive property, it is the action of the thinking power called an idea…That ideas should freely spread from one to another over the globe, for the moral and mutual instruction of man, and improvement of his condition, seems to have been peculiarly and benevolently designed by nature, when she made them, like fire, expansible over all space, without lessening their density at any point, and like the air in which we breathe, move, and have our physical being, incapable of confinement, or exclusive appropriation. Inventions then cannot, in nature, be a subject of property". (p.94) Ver tamb&eacute;m Boyle, op. cit., p. 20</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">  <a name="nt07"></a><a href="#tx07">7</a> Dados extraidos da nota divulgada pelo MIT em mar&ccedil;o de 2009, texto dispon&iacute;vel em <A HREF="http://web.mit.edu/newsoffice/2009/open&#45;access&#45;0320.html" target="_blank">http://web.mit.edu/newsoffice/2009/open&#45;access&#45;0320.html </A>; O car&aacute;ter de ped&aacute;gio restritivo (gera&ccedil;&atilde;o de escassez) que aumenta lucros pontuais mais reduz o enriquecimento social foi claramente assimilado no MIT: " In the current scholarly publishing system, individual authors are required to transfer all or most of their rights to the publisher. Typically publishers will strictly limit access to the work through licensing and charge increasingly high subscription rates back to universities to access the articles. University libraries have faced subscription rates rising at a rate far outpacing inflation. The MIT Libraries, for example, spend more than three times as much on journal subscriptions today than they did in 1986… Under the new open access model, potentially thousands of papers published by MIT faculty each year will be added to DSpace and made freely available on the web and accessible through search engines such as Google." Os pesquisadores t&ecirc;m todo interesse em assegurar amplo interc&acirc;mbio e dissemina&ccedil;&atilde;o das suas pesquisas para o enriquecimento do conjunto do processo, e para o seu pr&oacute;prio avan&ccedil;o cient&iacute;fico. As editoras t&ecirc;m todo interesse em assegurar o seu pr&oacute;prio enriquecimento. N&atilde;o se trata aqui de destratar as editoras, que at&eacute; h&aacute; pouco eram o principal ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Trata&#45;se de entender que novas tecnologias geram novas regras do jogo, e novas contabilidades. Olivre acesso mundial ao conhecimento tem primazia evidente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">  <a name="nt08"></a><a href="#tx08">8</a> O material do MIT pode ser acessado no site <A HREF="http://www.ocw.mit.edu/" target="_blank">www.ocw.mit.edu </A>; Em vez de tentar impadir a aplica&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias, como ali&aacute;s &eacute; o caso das empresss de celular que lutam contra o <I>wi&#45;fi </I>urbano e a comunica&ccedil;&atilde;o quase gratuita via <I>skype, </I>as empresas devem pensar em se reconverter, e prestar servi&ccedil;os &uacute;teis ao mercado. A IBM ganhava dinheiro vendendo computadores, e quando este mercado se democratizou com o barateamento dos computadores pessoais migrou para a venda de <I>softwares. </I>Estes hoje devem se tornar gratuitos (a pr&oacute;pria IBM optou pelo Linux), e a empresa passou a se viabilizar prestando servi&ccedil;os de apoio inform&aacute;tico. Travar o acesso aumenta o PIB, mas empobrece a sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">  <a name="nt09"></a><a href="#tx09">9</a> Ladislau Dowbor &#150; <I>Democracia econ&ocirc;mica: alternativas de gest&atilde;o social &#150; </I>Ed. Vozes, Petr&oacute;polis, 2009</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">  <a name="nt10"></a><a href="#tx10">10</a> Isto pode tomar dimens&otilde;es eminentemente pr&aacute;ticas. O Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es, por exemplo, poderia assegurar a generaliza&ccedil;&atilde;o do acesso banda&#45;larga a toda a popula&ccedil;&atilde;o, na linha de um "Brasil Digital".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Bibliografia</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Alperovitz, Gar and Lew Daly &#150; <I>Unjust deserts: how the rich are taking our common inheritance &#150; </I>The New Press, New York , London , 2008, 230 p.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Boyle, James &#150; <I>The public domain: enclosing the commons of the mind </I>&#150; Yale University Press, New Haven and London , 2008, 315 p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Carta de S&atilde;o Paulo de Acesso aos Bens    Culturais &#45; <A HREF="http://www.stoa.usp.br/acesso" target="_blank">http://stoa.usp.br/acesso</A></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Craveiro, Gisele; Jorge Machado e Pablo Ortellado &#150; <I>O mercado de livros t&eacute;cnicos e cient&iacute;ficos no Brasil </I>&#150; GPOPAI, USP Leste, S&atilde;o Paulo, 2008</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Creative Commons &#150; <A HREF="http://www.creativecommons.org/licenses/by-nc/2.5/br/" target="_blank">http://creativecommons.org/licenses/by&#45;nc/2.5/br/</A>    ou <A HREF="http://www.creativecommons.org.br/" target="_blank">http://www.creativecommons.org.br/</A></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Dowbor, Ladislau &#150; <I>Democracia econ&ocirc;mica: novas tend&ecirc;ncias da gest&atilde;o social </I>&#150; Ed. Vozes, Petr&oacute;polis, 2008</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Dowbor, Ladislau &#150; <I>Informa&ccedil;&atilde;o    para a cidadania e o desenvolvimento sustent&aacute;vel </I>&#150; dispon&iacute;vel    em Artigos Online, <a href="http://www.ocw.mit.edu/" target="_blank">http://dowbor.org</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Eckersley, Peter &#150; "Knowledge wants to be    free too" &#150; <I>New Scientist &#150; </I>27 June 2009, p. 28 <A HREF="http://www.newscientist.com/article/mg20227141.000&#45;finding&#45;a&#45;fair&#45;price&#45;for&#45;free&#45;knowledge.html?full=true&amp;print=true" target="_blank">http://www.newscientist.com/article/mg20227141.000&#45;finding&#45;a&#45;fair&#45;price&#45;for&#45;free&#45;knowledge.html?full=true&amp;print=true</A></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GPOPAI &#45; Grupo de Pesquisa em Pol&iacute;ticas    P&uacute;blicas para o Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o &#150; USP&#45;Leste    &#150; <A HREF="http://www.gpopai.usp.br/" target="_blank">www.gpopai.usp.br</A></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lessig, Lawrence &#150; <I>Remix: making art and commerce thrive in the hybrid economy </I>&#150; The Penguin Press, New York , 2008, 327 p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lessig, Lawrence &#150; <I>The future of ideas: the fate of the commons in an connected world </I>&#150; Random House, New York , 2001, 340 p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MIT &#150; <A HREF="http://www.ocw.mit.edu/OcwWeb/web/home/home/index.htm" target="_blank">http://ocw.mit.edu/OcwWeb/web/home/home/index.htm    </A>&#45; site do <I>Massachussets Institute of Technology </I>, ci&ecirc;ncia    dispon&iacute;vel em Creative Commons</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Rifkin, Jeremy &#150; <I>A era do acesso &#150; </I>Makron Books, S&atilde;o Paulo, 2001</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Stiglitz, Joseph &#45; Joseph Stiglitz &#45; "A better way to crack it <I>&#150; New Scientist </I>, 16 September 2006, p. 20</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Tapscott, Don e Anthony Williams &#150; <I>Wikinomics</I>: <I>como a colabora&ccedil;&atilde;o em massa pode mudar o seu neg&oacute;cio &#150; </I>Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro , 2007</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">USP&#45;Leste &#45; GPOPAI &#45; Pessquisa <a href="http://www.gpopai.usp.br/boletim/article86.html" target="_blank">http://www.gpopai.usp.br/boletim/article86.html</a></font> ]]></body>
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