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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><B>REPORTAGEM</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Ambiguidades do bem&#45;estar na cultura hist&oacute;rica</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Danilo Albergaria</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Financeiramente, a ideia era boa, afinal, ganha&#45;se dinheiro com bobagens muito maiores, bizarras, burlescas: "Vamos abrir um consult&oacute;rio de historiografia cl&iacute;nica", dizia, na aurora do s&eacute;culo XXI, um aspirante a historiador nos corredores de uma universidade. Desfilando seu pendor para o sarcasmo, o malandro dava a receita do sucesso para o novo empreendimento: "Mostremos aos pacientes que seus mal&#45;estares fundam&#45;se n&atilde;o na inf&acirc;ncia, mas na hist&oacute;ria do mundo, da industrializa&ccedil;&atilde;o, da disciplinariza&ccedil;&atilde;o do trabalho, da press&atilde;o exercida por padr&otilde;es de beleza que variam no tempo. A tomada de consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica disso tudo ser&aacute; a cura do mal&#45;estar no mundo moderno". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A profiss&atilde;o de cl&iacute;nico historiogr&aacute;fico n&atilde;o foi regulamentada e ainda est&atilde;o para surgir centros especializados nessa pr&aacute;tica de cura. Mas, hip&eacute;rboles &agrave; parte, h&aacute; de se reconhecer que consumimos hist&oacute;ria como nunca. Nesta &uacute;ltima d&eacute;cada, a prolifera&ccedil;&atilde;o de revistas voltadas &agrave; populariza&ccedil;&atilde;o do conhecimento hist&oacute;rico d&atilde;o uma pista acerca do interesse p&uacute;blico que ele gera. Queremos saber a hist&oacute;ria de tudo: da arte, da ci&ecirc;ncia, da moda, de uma comunidade. Essa enorme difus&atilde;o permite afirmar que, ao lado de outras manifesta&ccedil;&otilde;es culturais, como as artes e as ci&ecirc;ncias, a hist&oacute;ria tem uma import&acirc;ncia muito grande em nossa sociedade: de diversas maneiras, as rela&ccedil;&otilde;es que temos com o passado fazem parte do que podemos chamar de "bem&#45;estar cultural". Sob este aspecto da vida contempor&acirc;nea, cabe perguntar: se um dos objetivos do conhecimento &eacute; colocar o homem em estado de desconfian&ccedil;a at&eacute; mesmo em rela&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;prio conhecimento que produz, o que dizer da hist&oacute;ria no mundo contempor&acirc;neo? Para qu&ecirc; ela serve, hoje? Se a hist&oacute;ria &eacute; uma elabora&ccedil;&atilde;o muito espec&iacute;fica da mem&oacute;ria, que papel tem a mem&oacute;ria num momento de virtualiza&ccedil;&atilde;o vertiginosa e multiplica&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es? E o esquecimento, como algo constitutivo do saber hist&oacute;rico, que lugar tem? </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Essa &uacute;ltima quest&atilde;o pode ajudar a desfiarmos o novelo. Como pode o esquecimento fazer parte do saber hist&oacute;rico? &Eacute; compreens&iacute;vel que isso pare&ccedil;a um contrassenso. O tema mal foi colocado &agrave; mesa de discuss&atilde;o entre os pesquisadores e ainda est&aacute; muito quente. Como esclarece o historiador Jos&eacute; Carlos Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais, " a tese do 'dever de esquecimento' veio &agrave; tona na historiografia sobretudo com a obra <I>A mem&oacute;ria, a hist&oacute;ria, o esquecimento </I>, publicada no ano 2000 por Paul Ricoeur, que expressa com extrema lucidez a consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica ocidental do final do s&eacute;culo XX". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ent&atilde;o devemos esquecer? Afinal, n&atilde;o somos a todo momento instados a lembrar de senhas, compromissos, prazos, fatos, f&oacute;rmulas? "Repercutindo o esp&iacute;rito antihistoricista de Nietzsche", diz Reis, "Ricoeur v&ecirc; um desequil&iacute;brio na rela&ccedil;&atilde;o entre mem&oacute;ria e esquecimento: muita mem&oacute;ria e comemora&ccedil;&otilde;es aqui, muito esquecimento ali. Ele defende uma pol&iacute;tica de 'justa mem&oacute;ria', que buscaria equilibrar mem&oacute;ria e esquecimento". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como professam os cientistas detentores das boas maneiras nutricionais, o problema est&aacute; no excesso. "O 'dever de mem&oacute;ria' &eacute; n&atilde;o esquecer, mas o excesso de mem&oacute;ria pode levar aos 'abusos de mem&oacute;ria': repeti&ccedil;&otilde;es, ressentimentos, manipula&ccedil;&atilde;o de identidades nacionais, que desencadeiam a guerra", afirma Reis. Como um abuso de mem&oacute;ria desencadeia conflitos? Basta lembrar do fen&ocirc;meno nazista, que usou e abusou de uma minuciosa sele&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e o apelo a um passado germ&acirc;nico mitol&oacute;gico, glorificando a na&ccedil;&atilde;o alem&atilde;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o &eacute; apenas na manipula&ccedil;&atilde;o de identidades nacionais que o "excesso de mem&oacute;ria" encontra terreno f&eacute;rtil. Tendemos a valorizar a mem&oacute;ria e tratar o esquecimento como inerentemente negativo por raz&otilde;es que est&atilde;o no cerne da condi&ccedil;&atilde;o humana &#150; a consci&ecirc;ncia de que tudo pode ser esquecido tem implica&ccedil;&otilde;es existenciais. Te mos a consci&ecirc;ncia da morte, do fim. Isso nos aflige mais do que tudo. Muito do que fazemos no mundo &eacute; para, de alguma forma, mantermos vivos os ecos da nossa exist&ecirc;ncia. O "excesso de mem&oacute;ria" &eacute; um sintoma desse nosso desespero para tudo guardar, para que cada detalhe de nossa vida seja registrado e que permane&ccedil;a como eco no tempo. "O esquecimento &eacute; perigoso, d&aacute; medo", diz Reis. "&Eacute; o n&atilde;o reconhecimento do passado no presente, uma antecipa&ccedil;&atilde;o da finitude, da morte. Diante de uma amea&ccedil;a t&atilde;o assustadora, exageramos no dever de mem&oacute;ria e cultivamos uma mem&oacute;ria monstruosa, 'memoriosa', doentia, que n&atilde;o esquece nada", frisa o historiador. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Reis, o esquecimento permite uma rela&ccedil;&atilde;o mais saud&aacute;vel e realista com o passado. "Entre a mem&oacute;ria e o esquecimento, Ricoeur gostaria de estabelecer uma 'justa medida' que, para ele, &eacute; a historiografia, como 'trabalho de mem&oacute;ria', que deveria ser o rem&eacute;dio para este desequil&iacute;brio", afirma. Historiografia, rem&eacute;dio: o espertalh&atilde;o&#45;buf&atilde;o inventor da historiografia cl&iacute;nica n&atilde;o sabia, mas havia chegado, por vias tortas e caricaturais, a um diagn&oacute;stico v&aacute;lido sobre a condi&ccedil;&atilde;o humana atual e sua rela&ccedil;&atilde;o com o passado. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Mem&oacute;ria virtual </B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando interrogamos as rela&ccedil;&otilde;es que o mundo contempor&acirc;neo mant&eacute;m com o passado, &eacute; imposs&iacute;vel passar ao largo de uma das quest&otilde;es mais prementes de nosso tempo: a emerg&ecirc;ncia da internet e do ciberespa&ccedil;o. Da mesma forma que o mundo virtual vem modificando profundamente nossa maneira de interagir socialmente e de experimentarmos a cultura, ele tamb&eacute;m criou novos espa&ccedil;os de constru&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria. "As novas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o, a internet e o ciberespa&ccedil;o possibilitaram uma capacidade praticamente ilimitada de armazenamento de registros. Isso engendra uma outra concep&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;ria, que passa a ser vista fundamentalmente como registro. A mem&oacute;ria de indiv&iacute;duos e grupos n&atilde;o se resume a isso: &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o feita de sele&ccedil;&otilde;es entre lembran&ccedil;as e esquecimentos", afirma Raimundo Donato do Prado Ribeiro, professor de hist&oacute;ria contempor&acirc;nea da Universidade Metodista de Piracicaba. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A natureza aparentemente an&aacute;rquica da internet esconde um jogo de poder em torno da apropria&ccedil;&atilde;o do mundo virtual. Vis&otilde;es de mundo competem ferozmente sobre o futuro do ciberespa&ccedil;o: funda&ccedil;&otilde;es e comunidades de programadores de softwares livres <I>versus </I>grandes corpora&ccedil;&otilde;es que miram o lucro e se alimentam do consumismo, como a Microsoft e a Apple ; defensores do <I>copyleft </I>e de uma nova forma de colabora&ccedil;&atilde;o criativa <I>versus </I>defensores do velho direito autoral. Ningu&eacute;m sabe, ao certo, como ser&aacute; a internet de amanh&atilde;, nem sob o controle de quem ela estar&aacute;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa indefini&ccedil;&atilde;o na inf&acirc;ncia do ciberespa&ccedil;o justifica um alerta de Ribeiro sobre a constru&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria num mundo virtual: "A sele&ccedil;&atilde;o que marca a mem&oacute;ria de indiv&iacute;duos e comunidades &eacute; heterog&ecirc;nea e diversificada. A sele&ccedil;&atilde;o operada no novo mundo das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o pode tornar&#45;se homog&ecirc;nea, &uacute;nica, sob a justificativa de ser 'globalizada'". Como? "Quem controla o armazenamento e a distribui&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es pode controlar os processos de sele&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e do esquecimento", diz Ribeiro, que chama a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia das "mem&oacute;rias subterr&acirc;neas" de nosso tempo, personificadas por aqueles que defendem os softwares livres e uma vis&atilde;o comunit&aacute;ria do trabalho na rede. Em jogo, o futuro da diversidade na elabora&ccedil;&atilde;o da cultura hist&oacute;rica. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Hist&oacute;ria e esquecimento: a quem servem? </B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A seguirmos Ricoeur, o bem&#45;estar na cultura hist&oacute;rica passaria pelo esquecimento como forma de exorcizar ressentimentos e &oacute;dios. Em outras palavras: trata&#45;se do bom e velho perd&atilde;o. "Mem&oacute;ria&#45;historiografia feliz (proposta por Ricoeur) n&atilde;o deve ser uma mem&oacute;ria gigantesca e minuciosamente escrita, deve procurar atingir o esquecimento por duas vias: pelo trabalho de luto, quando consegue finalmente falar sobre o mal sem &oacute;dio, e pelo perd&atilde;o, que &eacute; um dom, uma gra&ccedil;a", explica Reis. Ribeiro concorda que "o esquecimento &eacute; importante para a reconcilia&ccedil;&atilde;o e para o perd&atilde;o, para seguir a vida adiante, n&atilde;o importa se estamos falando de indiv&iacute;duos ou de comunidades". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Que tal propor o perd&atilde;o e o esquecimento a comunidades v&iacute;timas de genoc&iacute;dios e limpeza &eacute;tnica? Testam&#45;se os limites dessa vis&atilde;o da cultura hist&oacute;rica quando ela &eacute; proposta &agrave;queles cujo passado recente guardam brutalidades traum&aacute;ticas e feridas mal&#45;cicatrizadas. A quest&atilde;o da cultura hist&oacute;rica emerge, grave, urgente, enquanto testemunhamos o come&ccedil;o do desaparecimento dos &uacute;ltimos sobreviventes do Holocausto. Ainda que bastante marginais, revis&otilde;es da hist&oacute;ria negando as atrocidades nazistas j&aacute; deram &agrave;s caras. Nunca a no&ccedil;&atilde;o de verdade hist&oacute;rica foi t&atilde;o obliterada por vis&otilde;es c&eacute;ticas. Verdadeiro e falso, real e fict&iacute;cio tiveram suas fronteiras borradas e apagadas. O clima intelectual da atualidade aponta para verdades subjetivas, relativas aos interesses de quem as constr&oacute;i. Refletem uma era de individualismo e falta de refer&ecirc;ncias exteriores ao sujeito, que o fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Gilles Lipovetsky chamou de "era do vazio". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"As posi&ccedil;&otilde;es de Ricoeur foram fortemente combatidas", relata Reis, lembrando a acusa&ccedil;&atilde;o que lhe foi feita: "A sua den&uacute;ncia do 'abuso da mem&oacute;ria' seria uma perigosa sugest&atilde;o de esquecimento do imperdo&aacute;vel". Os cr&iacute;ticos da "tese do esquecimento" afirmam que ela "quer livrar o Ocidente do seu passado de horrores, quer permitir ao Ocidente esquecer a sua hist&oacute;ria e encontrar uma imposs&iacute;vel 'paz de consci&ecirc;ncia'", afirma o historiador da UFMG. Para ele, "Ricoeur tornou&#45;se, por um lado, um int&eacute;rprete da hist&oacute;ria universal, favor&aacute;vel &agrave;s vitoriosas for&ccedil;as anglo&#45;sax&atilde;s (que derrubaram o socialismo) em 1989 e, por outro lado, um cr&iacute;tico dessas for&ccedil;as como militante pela constru&ccedil;&atilde;o da 'Comunidade Europeia', da 'Nova Europa'" que superaria as atrocidades e os &oacute;dios do passado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desde os gregos antigos, a defini&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ria n&atilde;o fugiu muito daquela que o dicion&aacute;rio da Academia Francesa adotou at&eacute; meados do s&eacute;culo passado: a hist&oacute;ria seria "o relato de a&ccedil;&otilde;es, de acontecimentos, de <I>coisas dignas de mem&oacute;ria </I>". Ora, o que &eacute;, de fato, digno de mem&oacute;ria? Por muito tempo, a Hist&oacute;ria com H mai&uacute;sculo foi a narrativa de feitos militares, decis&otilde;es pol&iacute;ticas e grandes homens (aten&ccedil;&atilde;o para o g&ecirc;nero masculino: aqui, ele n&atilde;o tem sentido universal). No s&eacute;culo XIX, os historiadores responderam &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias absorvendo a cren&ccedil;a na objetividade do rigor metodol&oacute;gico : diziam fazer uma hist&oacute;ria neutra e imparcial, permitindo aos documentos, vest&iacute;gios do passado, "falarem por si". Mas, p or tr&aacute;s do pano cient&iacute;fico, da verdade neutra e da realidade dos fatos, a hist&oacute;ria servia &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o da sociedade burguesa e do nacionalismo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As inova&ccedil;&otilde;es radicais que a historiografia conheceu no s&eacute;culo XX apontaram para uma hist&oacute;ria totalizante: saem do foco os grandes l&iacute;deres e os Estados&#45;na&ccedil;&atilde;o, entram o cotidiano das pessoas comuns, a economia, a religi&atilde;o, o imagin&aacute;rio. Ganha for&ccedil;a, tamb&eacute;m, como paradigma historiogr&aacute;fico, a vis&atilde;o marxista da hist&oacute;ria como o grande palco onde se desenrola o drama da luta de classes. Na segunda metade do s&eacute;culo passado, no entanto, emerge um resgate do posicionamento c&eacute;tico sobre o discurso hist&oacute;rico, radicalizando&#45;o. &Eacute; o germe do desaparecimento das utopias, situa&ccedil;&atilde;o que se acentua ap&oacute;s a queda da Cortina de Ferro e a vit&oacute;ria inescap&aacute;vel do capitalismo de livre&#45;mercado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"Penso que vivemos uma situa&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica paradoxal: por um lado, h&aacute; muitas publica&ccedil;&otilde;es e reedi&ccedil;&otilde;es em historiografia; por outro, estamos em uma '&eacute;poca presentista', de pouco prest&iacute;gio da pesquisa hist&oacute;rica, pois a rela&ccedil;&atilde;o do presente com o passado &eacute; prec&aacute;ria, imagin&aacute;ria, evocativa, liter&aacute;ria, n&atilde;o verdadeira. A linguagem historiogr&aacute;fica foi quase reduzida a entretenimento", lamenta Reis. O interesse pela hist&oacute;ria parece ter aumentado na propor&ccedil;&atilde;o inversa de sua capacidade de conhecer a realidade, incomodar, modificar a sociedade. Nunca a cultura hist&oacute;rica foi t&atilde;o <I>produzida </I>e <I>consumida </I>quanto na "era do vazio". E nunca os historiadores estiveram t&atilde;o perdidos: "O s intelectuais foram silenciados, esvaziados. Se antes o Estado oprimia a vida cultural, agora &eacute; o mercado. Ainda h&aacute; 'intelectuais'? Nietzsche e Marx desafiaram o Estado prussiano, Galileu e Lutero desafiaram a opress&atilde;o da Igreja, perderam emprego, prest&iacute;gio, arriscaram a vida 'para dizerem alguma coisa'. Ningu&eacute;m mais tem 'algo a dizer'. Nem eu! Nem sei por que e para que escrevo tanto! A vida intelectual foi escravizada, assalariada, oprimida, vendida! Ela n&atilde;o oferece mais solu&ccedil;&otilde;es, alternativas, utopias", alerta Reis, constatando o mal&#45;estar contempor&acirc;neo na cultura hist&oacute;rica. Ser&aacute; o <I>fim da hist&oacute;ria</I>?</font></p>      ]]></body>

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