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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESENHA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top"></a>A    f&aacute;brica de ideias</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Simone Caixeta    Andrade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Livro tra&ccedil;a    as origens da comunica&ccedil;&atilde;o por meio da hist&oacute;ria do Bell    Labs, uma divis&atilde;o de pesquisa da Companhia Americana de Telefone e Tel&eacute;grafo    (AT&amp;T) e suas grandesinven&ccedil;&otilde;es.</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As baterias n&atilde;o    funcionavam, os cabos corretos e os sinais de discagem n&atilde;o haviam sido    criados, os telefones tinham s&eacute;rios problemas de design e desempenho.    A lista do que precisava ser inventado n&atilde;o parava de crescer. A cada    nova descoberta, centenas de outras eram necess&aacute;rias e pareciam obscurecer    o caminho para evolu&ccedil;&atilde;o das telecomunica&ccedil;&otilde;es. Assim    come&ccedil;ou a trajet&oacute;ria de um grande centro de pesquisa e desenvolvimento,    os laborat&oacute;rios Bell, em 1925, uma divis&atilde;o da Companhia Americana    de Telefone e Tel&eacute;grafo (AT&amp;T), a poderosa ind&uacute;stria de telecomunica&ccedil;&otilde;es    norte americana.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O livro <i>The    idea factory: Bell labs and the great age of american innovation</i>, de Jon    Gertner, relata as origens da comunica&ccedil;&atilde;o moderna "por meio das    aventuras de v&aacute;rios homens e mulheres que passaram suas carreiras trabalhando    nos laborat&oacute;rios Bell". Dentre esses <b>pesquisadores</b>, nada menos    do que doze foram laureados e dividiram sete pr&ecirc;mios Nobel em F&iacute;sica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desde o in&iacute;cio    do s&eacute;culo XX, o Nobel &eacute; concedido a pessoas que fizeram contribui&ccedil;&otilde;es    relevantes para a humanidade em diversas &aacute;reas. E o momento da descoberta    pode ser t&atilde;o ef&ecirc;mero quanto um sonho com um ouroboro que desfez    o mist&eacute;rio do arranjo das estruturas qu&iacute;micas que atormentavam    o cientista alem&atilde;o <b>August Kekul&eacute;</b>. Em outros momentos, n&atilde;o    h&aacute; m&aacute;gica, mas pessoas certas no lugar certo, em um encontro definitivo    com um problema. Nesses casos se d&aacute; "o salto", que somente olhando em    retrospecto parece &oacute;bvio, acredita Gertner. Ao longo de vinte cap&iacute;tulos    do livro, esse encontro definitivo &eacute; desvendado, tomando por base o ocorrido    nos laborat&oacute;rios Bell. Bill Gates afirmou, certa vez, que se pudesse    escolher uma data para voltar ao passado seria 1947, pontua Gertner. Nesse ano,    o transistor foi inventado por John Bardeen, William Bradford Shockley e Walter    Houser Brattain no laborat&oacute;rio. A descoberta influenciou o desenvolvimento    de computadores e da fotografia digital, e mereceu o pr&ecirc;mio Nobel em F&iacute;sica    no ano de 1956. Tamb&eacute;m foi nos laborat&oacute;rios Bell onde foi produzido    o primeiro precursor de uma c&eacute;lula solar, com produ&ccedil;&atilde;o    de energia limpa utilizada, entre outros, para carregar a bateria de eletr&ocirc;nicos.    Outros dois pesquisadores, Arthur Schawlow e Charles Townes, desenvolveram o    conceito e aplica&ccedil;&atilde;o do laser, descoberta que, em 1997, rendeu    outro pr&ecirc;mio Nobel em F&iacute;sica ao laborat&oacute;rio, dessa vez para    Steven Chu, Claude Cohen-Tannoudji e William D. Phillips, que desenvolveram    um m&eacute;todo de captura de &aacute;tomos com laser.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Uni&atilde;o    de mentes brilhantes</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 1876, Graham    Bell foi o primeiro a patentear um <b>aparelho</b> el&eacute;trico de transmiss&atilde;o    de voz a dist&acirc;ncia, e vinte anos depois, quando perdeu os direitos de    exclusividade sobre sua descoberta, a empresa Bell System tentava driblar a    concorr&ecirc;ncia e garantir o monop&oacute;lio das telecomunica&ccedil;&otilde;es.    &Agrave; &eacute;poca, colecionavam problemas sem solu&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o    ofereciam um servi&ccedil;o de qualidade - ou mesmo a possibilidade de uma liga&ccedil;&atilde;o    transcontinental.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante as d&eacute;cadas    que se seguiram, ap&oacute;s a queda das patentes, a Bells System, em particular    os laborat&oacute;rios Bell, aproximaram-se da academia, transformando-se num    local para o encontro das mentes mais brilhantes, que pensavam em conjunto os    problemas das telecomunica&ccedil;&otilde;es. A estrat&eacute;gia adotada para    atrair essas mentes j&aacute; era conhecida de laborat&oacute;rios farmac&ecirc;uticos    na Alemanha, que recrutavam nas universidades seus melhores pesquisadores. Os    contatos feitos dentro do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, do Instituto    de Tecnologia da Calif&oacute;rnia e de outras institui&ccedil;&otilde;es, acabaram    recrutando os melhores PhDs, que, t&atilde;o logo eram contratados, vendiam    os futuros diretos de suas patentes por um &uacute;nico d&oacute;lar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um dos grandes    m&eacute;ritos dessa f&aacute;brica de ideias foi reconhecer o talento de sua    equipe, respeitando as particularidades de cada pesquisador. O f&iacute;sico    Karl Darrow, por exemplo, tinha m&atilde;os tr&ecirc;mulas, portanto inapto    para a experimenta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nos laborat&oacute;rios    Bell. Contudo, tinha talento incomum para resumir "os avan&ccedil;os contempor&acirc;neos    da ci&ecirc;ncia" e se tornou o divulgador cient&iacute;fico da ind&uacute;stria,    viajando constantemente &agrave; Europa e fazendo o interc&acirc;mbio de informa&ccedil;&otilde;es    entre os cientistas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O livro desvenda    n&atilde;o s&oacute; as descobertas, mas os inventores, como Clinton Davisson,    que dividiu com outros dois pesquisadores o pr&ecirc;mio Nobel de 1937 pela    descoberta da difra&ccedil;&atilde;o de el&eacute;trons. Ele foi descrito como    um pesquisador magro e quieto, que ficava longe da &aacute;rea de desenvolvimento    de produtos, mas estava sempre pronto a ponderar sobre um problema dif&iacute;cil,    especialmente se envolvesse el&eacute;trons.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gertner <b>escreveu</b>    para o <i>New York Times</i> sobre como os laborat&oacute;rios Bell conquistaram    tanto, e explicou que, durante grande parte do s&eacute;culo XX, a institui&ccedil;&atilde;o    "foi a organiza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mais inovadora do mundo".    O local era o sonho de trabalho de qualquer cientista, com material dispon&iacute;vel    (especialmente no per&iacute;odo das grandes guerras mundiais) e colegas altamente    capacitados para resolver os problemas da pesquisa. A cultura da criatividade    era estimulada, as palestras eram comuns, assim como a busca constante por artigos    cient&iacute;ficos (que naquela &eacute;poca n&atilde;o eram t&atilde;o f&aacute;ceis    de se conseguir) e, tamb&eacute;m, visitas ilustres, como Albert Einstein, em    1935.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um dos homens respons&aacute;veis    pela cultura da criatividade foi Mervin Kelly, explica Gertner. E foi esse f&iacute;sico    que reconheceu que uma "revolu&ccedil;&atilde;o nos eletr&ocirc;nicos viria    ap&oacute;s a guerra". E assim aconteceu. Para Kelly, segundo Gertner explica    em <b>entrevista </b>ao<i> The Deal Economy</i>, "inventar o futuro n&atilde;o    era uma quest&atilde;o de inventar coisas para o futuro, implicava em inventar    maneiras de inventar essas coisas". Assim foi feito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i><b>The idea    factory: Bell labs and the great age of american innovation</b></i></font></p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Jon Gertner</font></b></p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Penguin Books,    2013 (reimpress&atilde;o)</font></b></p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">432 p&aacute;ginas</font></b></p>      ]]></body>

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