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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top"></a>Os    percal&ccedil;os do Nobel: deslizes e pol&ecirc;micas do grande pr&ecirc;mio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ana Paula Zaguetto;    Tatiana Venancio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar da cren&ccedil;a    de que o Pr&ecirc;mio Nobel &eacute; a coroa&ccedil;&atilde;o das grandes descobertas    da ci&ecirc;ncia, a hist&oacute;ria da premia&ccedil;&atilde;o &eacute; cercada    de cr&iacute;ticas. No rol dos dissabores est&atilde;o apontamentos como sexismo    e eurocentrismo; pesquisas premiadas que sofreram resist&ecirc;ncia at&eacute;    obter reconhecimento; descobertas que foram simplesmente deixadas de fora enquanto    outras, que receberam o pr&ecirc;mio, mostraram-se, com o tempo, n&atilde;o    merecedoras dele.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nessa &uacute;ltima    categoria est&aacute; o not&oacute;rio caso do neurologista portugu&ecirc;s    Ant&ocirc;nio Caetano de Abreu Freire Egas Moniz, que ganhou o Nobel em Medicina    de 1949 pelo desenvolvimento da lobotomia, procedimento que deixa graves sequelas    nos pacientes. Em 2005, familiares de pacientes submetidos ao m&eacute;todo    criaram uma campanha para que fosse revogado o <b>Nobel de Egas Moniz</b>, o    que foi negado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As pol&ecirc;micas    que envolvem os ganhadores do pr&ecirc;mio n&atilde;o est&atilde;o somente em    suas pesquisas, mas tamb&eacute;m em suas declara&ccedil;&otilde;es de cunho    pessoal. O laureado James Watson, um dos respons&aacute;veis por revelar a estrutura    de dupla h&eacute;lice do DNA e sua fun&ccedil;&atilde;o, afirmou, em 2007,    que brancos s&atilde;o mais inteligentes que negros. A rejei&ccedil;&atilde;o    que sofreu foi tanta que, em novembro, Watson <b>anunciou</b> que iria vender    sua medalha para levantar dinheiro, e como forma de retornar &agrave; vida p&uacute;blica.    No &uacute;ltimo dia 3, a medalha foi arrematada por mais de US$ 4 milh&otilde;es    em um leil&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>A 41&ordf; cadeira</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A hist&oacute;ria    do Nobel tamb&eacute;m &eacute; feita de n&atilde;o-vencedores. Harriet Zuckerman,    soci&oacute;loga e professora em&eacute;rita da Universidade de Columbia, especializada    em sociologia da ci&ecirc;ncia, escreveu no artigo "The proliferation of prizes:    Nobel complements and Nobel surrogates in the reward system of science", que    o pr&ecirc;mio "est&aacute; longe de ser uma representa&ccedil;&atilde;o adequada    dos trabalhos verdadeiramente significantes na ci&ecirc;ncia moderna", o que    resulta em uma lista de premiados que tamb&eacute;m "est&aacute; longe de ser    uma representa&ccedil;&atilde;o adequada dos grandes colaboradores da ci&ecirc;ncia".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A soci&oacute;loga    aponta que as regras que governam o Nobel criaram os "ocupantes da quadrag&eacute;sima-primeira    cadeira" <i>(forty-first chair occupants)</i>, express&atilde;o que se refere    a pesquisadores considerados merecedores do pr&ecirc;mio mas que n&atilde;o    foram laureados. A 41&ordf; &eacute; uma refer&ecirc;ncia &agrave; Academia    Francesa, que possui quarenta cadeiras para os imortais eleitos. Uma dessas    regras &eacute; limitar a apenas tr&ecirc;s pessoas por pr&ecirc;mio, o que    faz com que nem todos os colaboradores sejam premiados. Essa regra tamb&eacute;m    faz com que fiquem de fora trabalhos que t&ecirc;m sua import&acirc;ncia reconhecida,    mas com "colaboradores independentes demais".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra restri&ccedil;&atilde;o    &eacute; a de que o pr&ecirc;mio vai para "descobertas", "melhorias" e "inven&ccedil;&otilde;es",    excluindo pesquisas te&oacute;ricas sem confirma&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica.    Os temas controversos tamb&eacute;m s&atilde;o preteridos, devido ao crit&eacute;rio    de premiar "trabalhos recentes". Como pesquisas sobre esses temas levam tempo    para serem comprovadas e aceitas, a esperan&ccedil;a &eacute; que a regra de    trabalho recente n&atilde;o seja aplicada, e que o cientista "tenha uma vida    longa" (pois n&atilde;o s&atilde;o concedidos pr&ecirc;mios p&oacute;stumos).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podem-se encontrar    diversas listas sobre as grandes omiss&otilde;es do Nobel, como as da revista    Scientific American e da National Geographic. Nelas, est&atilde;o casos como    Dimitri Mendeleev, que criou a primeira vers&atilde;o da tabela peri&oacute;dica,    e Josiah Gibbs, que estabeleceu as bases da termodin&acirc;mica qu&iacute;mica    e da mec&acirc;nica estat&iacute;stica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mendeleev foi indicado    duas vezes, em 1905 e 1906, mas n&atilde;o levou a honraria. O historiador Burton    Feldman, no livro <i>The Nobel prize: a history of genius</i>, <i>controversy    and prestige</i>, conta que o motivo seria um membro do comit&ecirc; considerar    o trabalho muito antigo (a tabela peri&oacute;dica foi publicada em 1869). J&aacute;    a barreira para Gibbs, que faleceu em 1903, seria a falta de visibilidade de    seu trabalho, publicado em peri&oacute;dicos obscuros dos Estados Unidos. No    entanto, tr&ecirc;s renomados qu&iacute;micos europeus conheciam seu trabalho:    van`t Hoff, Arrhenius e Ostwald, que inclusive o traduziu para o alem&atilde;o.    Os tr&ecirc;s poderiam ter indicado Gibbs ao pr&ecirc;mio, mas o primeiro Nobel    de Qu&iacute;mica acabou indo para van`t Hoff, que desenvolveu suas pesquisas    na mesma &aacute;rea de Gibbs, embora com menor profundidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro caso &eacute;    o da f&iacute;sica Jocelyn Bell Burnell, que durante o doutorado observou pela    primeira vez os pulsares, estrelas de n&ecirc;utrons extremamente pequenas e    densas. Ela publicou os resultados na Nature em 1968. Em 1974, seu orientador,    Antony Hewish, recebeu o Nobel por seu papel na descoberta dos pulsares, juntamente    com Martin Ryle. Burnell ficou de fora.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Nenhum Nobel    para o Brasil</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No <b>site oficial</b>    do pr&ecirc;mio, o Brasil figura entre os pa&iacute;ses que j&aacute; foram    agraciados. O vencedor &eacute; Peter Medawar, Nobel em Medicina em 1960, nascido    no pa&iacute;s mas naturalizado na Inglaterra, onde desenvolveu suas pesquisas.    Muito se especula sobre os brasileiros "quase" laureados, nomes cogitados para    receber o pr&ecirc;mio, mas pouco se sabe ao certo os porqu&ecirc;s da n&atilde;o    premia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Grandes nomes como    Carlos Chagas, pela descri&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a de Chagas, Cesar    Lattes, pela comprova&ccedil;&atilde;o da descoberta da part&iacute;cula subat&ocirc;mica    m&eacute;son pi, Adolfo Lutz, pelo estudo sobre algumas doen&ccedil;as tropicais,    Jorge Amado pelas obras liter&aacute;rias e at&eacute; o ex-presidente Lula,    pelos avan&ccedil;os na redu&ccedil;&atilde;o da pobreza, j&aacute; foram indicados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um dos casos mais    discutidos - e sem conclus&otilde;es - &eacute; o do m&eacute;dico Carlos Chagas,    sem d&uacute;vida, um dos maiores marcos na hist&oacute;ria da medicina no Brasil    e no mundo. Ele identificou agente etiol&oacute;gico, ciclo reprodutivo, inseto    respons&aacute;vel pela transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a, modo de transmiss&atilde;o    e sintomas. Ap&oacute;s publica&ccedil;&otilde;es na revista Mem&oacute;rias    do Instituto Oswaldo Cruz, Chagas recebeu duas indica&ccedil;&otilde;es oficiais    ao Nobel, em 1913 e 1921. Em 1913, Charles Richet levou o pr&ecirc;mio pela    descoberta da rea&ccedil;&atilde;o anafil&aacute;tica, em que um organismo reage    &agrave; inje&ccedil;&atilde;o na corrente sangu&iacute;nea de uma determinada    prote&iacute;na. E em 1921 n&atilde;o houve ganhador, cujo motivo nunca foi    esclarecido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Jos&eacute;    Eymard Pittella, m&eacute;dico, professor titular aposentado do Departamento    de Anatomia Patol&oacute;gica e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da UFMG,    a n&atilde;o premia&ccedil;&atilde;o de brasileiros at&eacute; hoje est&aacute;    atrelada &agrave;s liga&ccedil;&otilde;es dos membros do Instituto Karolinska    e do Comit&ecirc; Nobel com a comunidade cient&iacute;fica internacional, composta,    em sua maioria, por cientistas europeus e norte-americanos, que possuem grande    influ&ecirc;ncia nas escolhas de quem indica, dos indicados e, consequentemente,    dos premiados. "A abertura, em 1974, dos arquivos do Pr&ecirc;mio Nobel na Academia    Real de Ci&ecirc;ncias Sueca e a divulga&ccedil;&atilde;o pela internet, a partir    de 1995, do banco de dados de indicadores e indicados ao pr&ecirc;mio, permitiu    que documentos datados do per&iacute;odo 1901-1963 fossem analisados - exceto    os referentes &agrave; premia&ccedil;&atilde;o em Fisiologia ou Medicina, que    cobre o per&iacute;odo 1901-1953 - evidenciando essas liga&ccedil;&otilde;es    e escolhas" analisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Por que n&atilde;o?</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Pittella,    v&aacute;rios fatores podem explicar o porqu&ecirc; de cientistas brasileiros    n&atilde;o terem sido premiados. "Na maior parte do per&iacute;odo coberto desde    a cria&ccedil;&atilde;o do Nobel, em 1901, a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    brasileira foi pequena, com pouca visibilidade internacional. Nas &uacute;ltimas    d&eacute;cadas, ela tem crescido em quantidade, saltando de cerca de 3 mil artigos    anuais, na d&eacute;cada de 1980, para quase 50 mil em 2011, ocupando nesse    ano o 13&ordm; lugar entre os pa&iacute;ses que mais produziram artigos cient&iacute;ficos.    Mas o aumento da quantidade n&atilde;o tem sido acompanhado pelo aumento da    qualidade, medida pelo fator de impacto das publica&ccedil;&otilde;es, que representa    o n&uacute;mero de vezes em que cada artigo foi citado por outros autores".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso,    &eacute; importante ressaltar que os tr&ecirc;s maiores vencedores do pr&ecirc;mio    em todas as categorias, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, t&ecirc;m grande    investimento em pesquisa cient&iacute;fica. Nesse sentido, Pittella aponta outros    fatores importantes, como rela&ccedil;&atilde;o entre n&uacute;mero de artigos    publicados, pa&iacute;s-sede das revistas cient&iacute;ficas mais prestigiadas    e relevantes, condi&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do pa&iacute;s e investimento    nacional em pesquisa. "No per&iacute;odo 1995-2002, do total de 107.557 artigos    publicados nas 50 mais importantes revistas biom&eacute;dicas, os Estados Unidos    contribu&iacute;ram com 60%, seguidos pelos pa&iacute;ses da Europa ocidental    (28%). Os Estados Unidos lideram tamb&eacute;m a publica&ccedil;&atilde;o das    revistas biom&eacute;dicas mais prestigiadas, sendo a sede de publica&ccedil;&atilde;o    de 40% das revistas indexadas na base de dados <i>Medline Express</i>" explica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Pelo fato de n&atilde;o    termos acesso aos arquivos do per&iacute;odo mais recente, n&atilde;o poderemos    saber se tem havido mudan&ccedil;a na liga&ccedil;&atilde;o dos membros do Comit&ecirc;    Nobel com a comunidade cient&iacute;fica internacional, que poderia influenciar    a escolha de indicadores e indicados. Podemos apenas supor que o grande crescimento    da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica na China e, em menor grau, em pa&iacute;ses    como a &Iacute;ndia, Coreia do Sul e Brasil, paralelamente ao aumento da qualidade    da pesquisa e maior visibilidade dos cientistas desses pa&iacute;ses, aumenta    a possibilidade de reconhecimento por parte da comunidade cient&iacute;fica,    ampliando, assim, a chance de indica&ccedil;&atilde;o e premia&ccedil;&atilde;o    no futuro", conclui o professor.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Enfrentando    a rejei&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, o desafio    para alcan&ccedil;ar um Nobel pode come&ccedil;ar na hora de publicar um artigo    ou mesmo realizar a pesquisa. No artigo "Rejecting Nobel class articles and    resisting Nobel class discoveries", Juan Miguel Campanario, f&iacute;sico da    Universidade de Alcal&aacute;, de Madri, discute 27 casos em que pesquisadores    posteriormente premiados encontraram resist&ecirc;ncia no meio cient&iacute;fico    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas descobertas e 36 casos em que artigos    sobre descobertas vencedoras do pr&ecirc;mio foram rejeitadas por peri&oacute;dicos.    "N&oacute;s podemos distinguir alguns padr&otilde;es comuns de resist&ecirc;ncia    a descobertas cient&iacute;ficas: artigos s&atilde;o rejeitados, colegas cientistas    ignoram as descobertas, artigos n&atilde;o s&atilde;o citados, ou coment&aacute;rios    s&atilde;o escritos contra os novos achados. Em outros casos, autores de artigos    muito inovadores s&atilde;o abertamente criticados e frequentemente encontram    obst&aacute;culos por parte de seus pares", escreve Campanario.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma das revistas    mais respeitadas no meio cient&iacute;fico, a Nature, figura diversas vezes    no levantamento realizado pelo f&iacute;sico espanhol. Em outubro de 2003, a    revista publicou o editorial "Coping with peer rejection", algo como "lidando    com a rejei&ccedil;&atilde;o pelos pares", cujo subt&iacute;tulo resume a quest&atilde;o:    "relatos de rejei&ccedil;&atilde;o de descobertas ganhadoras do Nobel destacam    o conservadorismo na ci&ecirc;ncia. Apesar de maus julgamentos hist&oacute;ricos,    os editores dos peri&oacute;dicos podem ajudar, mas acima de tudo, vision&aacute;rios    ter&atilde;o que ter absoluta resist&ecirc;ncia". O texto faz um mea culpa das    rejei&ccedil;&otilde;es, inclusive citando o artigo de Campanario, dizendo que    nem todos os casos apontados "s&atilde;o totalmente embara&ccedil;osos para    n&oacute;s". Mas reconhece que h&aacute; "gafes indiscut&iacute;veis em nossa    hist&oacute;ria. Estas incluem a radia&ccedil;&atilde;o de Cerenkov, o m&eacute;son    de Hideki Yukawa, o trabalho sobre fotoss&iacute;ntese de Johann Deisenhofer,    Robert Huber e Hartmut Michel, e a rejei&ccedil;&atilde;o inicial (mas posterior    aceita&ccedil;&atilde;o) da radia&ccedil;&atilde;o de buracos negros de Stephen    Hawking".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dan Shechtman,    qu&iacute;mico israelense ganhador do Nobel de 2011 pela descoberta dos quasicristais,    &eacute; um exemplo das resist&ecirc;ncias sofridas por pesquisas inovadoras    no meio cient&iacute;fico. Shechtman observou pela primeira vez os quasicristais    em 1982, que, diferente dos cristais, n&atilde;o tem seus &aacute;tomos organizados    em um padr&atilde;o repetitivo. O qu&iacute;mico foi criticado pelo chefe de    seu laborat&oacute;rio, que o convidou a se retirar do grupo, alegando que o    quasicristal ia contra tudo que j&aacute; tinha sido publicado, e at&eacute;    por um ganhador do Nobel, Linus Pauling, que disse n&atilde;o haver quasicristais    mas sim "quasicientistas". Em 1992, a exist&ecirc;ncia dos quasicristais foi    oficialmente reconhecida pela Uni&atilde;o Internacional de Cristalografia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Tenacidade", diz    Shechtman em uma <b>entrevista</b> ao canal do Youtube<i>ChemistryWordlUK</i>,    "tenacidade significa: se voc&ecirc; descobre algo interessante e diferente,    e voc&ecirc; checou os resultados repetidas vezes e voc&ecirc; sabe que est&aacute;    certo, n&atilde;o abra m&atilde;o. Seja como um c&atilde;o rottweiler, voc&ecirc;    morde, voc&ecirc; n&atilde;o abre m&atilde;o. Acredite em seus dados, tente    convencer as outras pessoas. Se elas lhe falarem 'olhe nos livros, &eacute;    imposs&iacute;vel', isso n&atilde;o &eacute; suficiente. Descobertas mudam os    livros, certo?". E eventualmente ganham um Nobel.</font></p>      ]]></body>

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