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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tanatografia e morte literária: decomposições biográficas e reconstruções dialógicas]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tanatografia e morte liter&aacute;ria: decomposi&ccedil;&otilde;es biogr&aacute;ficas e reconstru&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Augusto Rodrigues da Silva J&uacute;nior</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor de literatura na Universidade de Bras&iacute;lia e realiza est&aacute;gio p&oacute;s-doutoral na Universidade do Minho/Braga. Bolsista Capes</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Chic&oacute;: Acabou-se o Grilo mais inteligente do mundo. Cumpriu sua senten&ccedil;a eencontrou-se com o &uacute;nico mal irremedi&aacute;vel, aquilo que &eacute; a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explica&ccedil;&atilde;o que iguala tudo o que &eacute; vivo num s&oacute; rebanho de condenados, porque tudo o que &eacute; vivo morre.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">(<i>Auto da Compadecida</i>, de Ariano Suassuna).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A morte de um personagem, ao final de um romance, sempre causa impacto no leitor. Um estado de luto se instaura e ficamos dias, meses, e at&eacute;, quem sabe, a vida inteira recordando esse acontecimento. &Eacute; uma experi&ecirc;ncia pela palavra. Escrever sobre tais situa&ccedil;&otilde;es lutuosas &eacute; responder a essa experi&ecirc;ncia da palavra e &agrave; viv&ecirc;ncia dessa aus&ecirc;ncia. Falta presentificada por um ser de papel. Letras que d&atilde;o vida e matam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lendo o falecimento do outro, em si, cada um vive a pr&oacute;pria morte. Na aus&ecirc;ncia do outro, com o livro fechado, convive-se, na lembran&ccedil;a, com uma imagem em presen&ccedil;a. Para Walter Benjamin, a palavra <i>fim</i> convida o leitor a refletir sobre o sentido da vida. Mas, neste caso, todo romance constitui-se, sempre, de dois fins. O fim do livro e o fim de uma exist&ecirc;ncia no tempo, no espa&ccedil;o, na mem&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tanatografia &eacute; uma escrita de morte. O conceito adv&eacute;m do grego, <i>Thanatos </i>- que significa: morte; e <i>graphein </i>- que significa: escrita. H&aacute; narrativas da morte liter&aacute;ria em que defuntos e fantasmas aparecem se comunicando, escrevendo, em condi&ccedil;&atilde;o autoral. Existe toda uma tipologia: mortos conversando entres eles; retornantes querendo conversar com os vivos; defuntos escrevendo para personagens vivos e leitores; vivos evocando defuntos para o di&aacute;logo e/ou para outras formas de rela&ccedil;&atilde;o humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; o estudo das rela&ccedil;&otilde;es entre literatura e morte constitui-se de um exerc&iacute;cio anal&iacute;tico, normalmente ensa&iacute;stico, que incide sobre textos e discursos, personagens e narradores perante o trespasse. O estudo das palavras f&uacute;nebres leva a escrever sobre defuntos personagens, sobre variantes de di&aacute;logos dos mortos, narradores de mem&oacute;rias p&oacute;stumas, mortes que encarnam por amor. Com isso, traduzimos a busca pelo sentido do fim ao longo da hist&oacute;ria da humanidade e, consequentemente, da hist&oacute;ria liter&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No aprendizado desse infinito de depois reside uma das bases de toda a hist&oacute;ria cultural da humanidade. Imaginem, por exemplo, os desenhos deixados nas cavernas. Para alguns, eles seriam ensinamentos, para outros eles seriam imagens rituais, para outros, uma forma de comunica&ccedil;&atilde;o. Quando vemos esses relatos rupestres de rituais f&uacute;nebres, pensamos que todos esses elementos est&atilde;o ligados: um modo de ensinar a lidar com o corpo falecido, uma forma de lidar com o ocorrido, e, ainda, uma maneira de perpetuar a mem&oacute;ria desse fato.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os mortos est&atilde;o mais pr&oacute;ximos do que pensamos. No catolicismo, por exemplo, aquilo que denominamos santos, foram, um dia, pessoas. Depois de passarem por sofrimentos e prova&ccedil;&otilde;es, realizarem milagres e algu&eacute;m os comprov&aacute;-los, uma pessoa falecida ganha o estatuto de santificado, ou seja, cultivamos um conjunto de defuntos num pante&atilde;o religioso. A (<i>Divina</i>)<i> Com&eacute;dia </i>de Dante, por exemplo, para continuar com a representa&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, nada mais &eacute; do que um imenso desfile de almas pelo Inferno, Limbo, Purgat&oacute;rio e C&eacute;u. Figuras e fantasmas orquestrados pela assinatura do escritor italiano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No plano cotidiano, por exemplo, isso se d&aacute; quase da mesma maneira. A forma de lembrar de cada pessoa depende tamb&eacute;m do fato de ela estar viva ou n&atilde;o. H&aacute; uma espera (da morte) e uma esperan&ccedil;a (de vida). Se a pessoa recordada est&aacute; viva, rememora-se, na certeza do reencontro, mais uma conversa, <i>mais uma palavra</i>. Protegidos por esse inv&oacute;lucro chamado hist&oacute;ria, todos acreditamos que teremos mais uma chance de estar com algu&eacute;m. Para alguns, neste mundo. Para muitos, no outro. Se a pessoa j&aacute; "partiu", pensamos em tudo o que poderia ter sido e que n&atilde;o foi, como diz Manoel Bandeira - o poeta que mais fez poesia sepulcral no Brasil. Se a pessoa est&aacute; viva, reconstru&iacute;mos dialogicamente a sua imagem a cada desejo, necessidade, vontade, como diria Freud. Inventamos formas de sentir e de dizer o reencontro: saudades, at&eacute; amanh&atilde;, boa noite. Quando falamos do ausente, inventamos jeitinhos de dizer desta falta que ama: passou desta pra melhor, bateu as botas, foi um ar que se lhe deu...</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos livros, a nossa rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima com eles, tamb&eacute;m depende de o personagem ter falecido ou n&atilde;o, com a estruturante diferen&ccedil;a: na releitura vive-se, outra vez, a mesma biografia e a mesma morte em outra experi&ecirc;ncia. Quem n&atilde;o se recorda de Sancho Pan&ccedil;a implorando diante do moribundo e j&aacute; racional Dom Quixote por mais uma aventura? Quantas vezes, em madrugadas frias n&atilde;o assistimos Madame Bovary, nossa amada e amante, atravessar a vida em orgia perp&eacute;tua e depois falecer com dose letal de veneno? A bela dama encena seu &uacute;ltimo ato: uma gosma preta e um menear de cabe&ccedil;a. Quem nunca percorreu as ruas de Barbacena seguindo Rubi&atilde;o e seu c&atilde;o Quincas Borba, subindo e descendo ladeiras diante de chuvas torrenciais e carregando imp&eacute;rios delirantes? Ainda me lembro do afogamento de Joseph Knecht no <i>Jogo das contas de vidro </i>(de Hermann Hesse). E, ainda, de como Riobaldo realiza volteios e cruzadas narrativas para confessar - no embate entre <i>Eros e Thanatos </i>num <i>Grande sert&atilde;o: veredas</i> - que Diadorim, seu grande amor, morrera homem e, uma vez falecido, revelara-se mulher.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todos, nessas mortes liter&aacute;rias, em seus &uacute;ltimos instantes, her&oacute;icos, delirantes, abruptos e confessionais <i>pegaram nada, levantaram nada, cingiram nada</i>. E desse nada fez-se o todo de cada ser. Para aqueles que assistiram (ou leram) aos espet&aacute;culos restam <i>relatos</i>, <i>filosofias, teorias, tanatografias</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para quem se interessa pelo tema, al&eacute;m das not&iacute;cias estampadas no jornal e bombardeadas na televis&atilde;o, podemos oferecer algumas refer&ecirc;ncias filos&oacute;ficas de pensar essa escrita do finamento. H&aacute; um "ser-para-a-morte" em S&ecirc;neca, Montesquieu, Nietzsche, Heidegger. H&aacute; um "ser-contra-a-morte" nos Evangelhos, em Montaigne, Sartre, Camus e Elias Canetti. Os primeiros, no exerc&iacute;cio filos&oacute;fico, projetam na pr&oacute;pria morte a reflex&atilde;o, o enaltecimento e a necessidade de preparar-se para o trespasse. Os outros buscam a n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o do fim, uma solidariedade que a confronta, nega, n&atilde;o aceitando o total falecimento do outro e nem mesmo o pr&oacute;prio desaparecimento do mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na literatura, para ficar com um exemplo comparativo, Tolst&oacute;i descreve a morte sempre a partir da experi&ecirc;ncia interior do indiv&iacute;duo e Dostoi&eacute;vski opta sempre pela morte assistida, narrada e comentada pelo outro. No mundo de Tolst&oacute;i, a morte &eacute; conclusiva e silenciadora. No de Dostoi&eacute;vski, ela nada conclui, ela convida &agrave;s vers&otilde;es que cada pessoa viva pode elaborar e recontar. Para entender melhor essa quest&atilde;o, recomendamos <i>Problemas da po&eacute;tica de Dostoi&eacute;vski </i>(de Mikhail Bakhtin e tradu&ccedil;&atilde;o de Paulo Bezerra).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tratar das formas discursivas de estudar a escrita sepulcral nos interessa porque buscamos uma via central. Pensar o fim como uma forma de apreender o trespasse, e pensar a vida como um ato ligado totalmente ao morrer. Ao tratar de "discursos dos mortos" ao longo da hist&oacute;ria liter&aacute;ria, vemos as mais diferentes abordagens. Acreditamos em um pensamento do liter&aacute;rio que valorize a consci&ecirc;ncia do outro, que entenda que a realidade &eacute; sempre feita de alteridades e que nenhuma consci&ecirc;ncia pode ser conclu&iacute;da, nem mesmo pelo ato de falecer. Morrer n&atilde;o quer dizer silenciar. Embora possamos confessar que o exerc&iacute;cio filos&oacute;fico para a morte nos atraia mais, o pr&oacute;prio exerc&iacute;cio de escrita &eacute; um "modo de viver". A tanatografia &eacute; um suic&iacute;dio pensamental (para ficar com S&aacute;-Carneiro e Fernando Pessoa que "mata" seu heter&ocirc;nimo Alberto Caeiro). E toda escrita p&oacute;stuma &eacute; uma ressurrei&ccedil;&atilde;o sentimental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vivemos na hist&oacute;ria, a eternidade &eacute; o aqui e agora e temos a morte por destino. Analisar um discurso sobre a morte &eacute; pensar sobre essa solid&atilde;o do fim. O acabamento que leva o ser humano a imaginar novas exist&ecirc;ncias e que traz o ser de papel a voltar para contar, a narrar para n&atilde;o morrer, uma forma de burlar aquilo que &eacute; interdito pelo sil&ecirc;ncio totalizante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, uma mem&oacute;ria do g&ecirc;nero liter&aacute;rio mostra que esses personagens defuntos pertencem a uma <i>archaica</i> longeva: a tradi&ccedil;&atilde;o cultural e liter&aacute;ria de discursos dos mortos. No universo difuso e rabugento, o olhar cemiterial retrata a exist&ecirc;ncia passada e a exist&ecirc;ncia no <i>reino desconhecido do nada</i>, fundindo realidade e fantasia. Com isso, mescla a gargalhada desfigurante e um pessimismo do pensamento &agrave; negatividade c&eacute;tica e um otimismo da a&ccedil;&atilde;o com o que h&aacute; de mais significativo nas mais diversas obras: uma vontade de dizer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passemos por alguns, poucos, exemplos da literatura ocidental antes de adentrarmos o universo da literatura brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um bom exemplo &eacute; Homero. Nos seus dois poemas &eacute;picos, &eacute; poss&iacute;vel mapear pr&aacute;ticas funer&aacute;rias e di&aacute;logos dos mortos. A <i>Il&iacute;ada</i> &eacute; um grande exemplo das pr&aacute;ticas antigas. Aquelas longas pausas nos combates e as descri&ccedil;&otilde;es dos v&aacute;rios dias de enterro e crema&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m um colorido liter&aacute;rio, mas agregam um cultivo da morte ainda mais antigo que a pr&oacute;pria &eacute;pica. Na <i>Odiss&eacute;ia</i> v&aacute;rios her&oacute;is da <i>Il&iacute;ada</i> j&aacute; faleceram. O Canto XI retrata o divertido Odisseu perante a "noite compacta que esconde homens desditos". O canto retrata her&oacute;is, marinheiros, mulheres e at&eacute; a m&atilde;e do Astucioso personagem conversando com ele. O valor da morte e do morrer alteram-se: passamos a ter seres cadav&eacute;ricos e miser&aacute;veis em cena. Tudo isso descrito por Ulisses (nome romano), que teria realizado uma cat&aacute;base, uma esp&eacute;cie de visita ao mundo das <i>almas</i> chamado<i>Hades</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os <i>Di&aacute;logos dos mortos </i>de Luciano de Sam&oacute;sata (s&eacute;c. II d.C.) trazem personagens hom&eacute;ricos para o universo de seu <i>Hades</i> romanizado. Figuras sombrias e esquel&eacute;ticas mortas da <i>Il&iacute;ada</i>, da <i>Odiss&eacute;ia</i>, do imagin&aacute;rio grego e romano, s&atilde;o temas para as s&aacute;tiras. Cada di&aacute;logo cont&eacute;m (astuciosamente) uma par&oacute;dia com o intuito de desfigurar as epopeias (com sua grandeza e distanciamento) e de discutir os fatos e as ideias da Roma de sua &eacute;poca. A s&aacute;tira menip&eacute;ica, de modo geral, apresenta elementos basilares em suas cr&iacute;ticas: a vaidade, o apego a si mesmo, &agrave;s coisas materiais, a disputa entre nobres (her&oacute;is) para saber quem teria maior "gl&oacute;ria".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Idade M&eacute;dia, o finamento se transforma e a representa&ccedil;&atilde;o se contamina do s&eacute;rio (religioso e crist&atilde;o) e do riso (popular e pag&atilde;o). Na Europa, as <i>L&iacute;ber vitae</i>, <i>Soties</i>religiosas, <i>Ars Moriendi</i> etc. prevalecem, ora pr&oacute;ximas da Igreja, ora afastadas e condenadas. Na literatura, o teatro crist&atilde;o popular, <i>A divina com&eacute;dia </i>(Dante), os autos medievais religiosos (<i>Autos da barca do inferno</i>, <i>da barca do purgat&oacute;rio</i> e <i>da barca da gl&oacute;ria</i>,de Gil Vicente, por exemplo) podem ser apontados como importantes manifesta&ccedil;&otilde;es dessa tradi&ccedil;&atilde;o (s&eacute;c. V-XII at&eacute; XIV-XVI).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; no s&eacute;culo XIX, Dostoi&eacute;vski escreveu, em 1873, uma s&aacute;tira menip&eacute;ia moderna:<i>Bob&oacute;k</i>. Nesse conto, um bando de defuntos conversam de suas covas enquanto um escritor as ouve depois de um enterro. Di&aacute;logos p&oacute;stumos surgem como possibilidade de voz e como percep&ccedil;&atilde;o cosmopolita da realidade e das respectivas literaturas locais. Ivan Ivanitch, o personagem vivo, conta a hist&oacute;ria. Em linhas gerais, ele come&ccedil;a centrado nos conflitos do narrador-personagem; depois, ele ouve uma conversa entre mortos no cemit&eacute;rio. A primeira parte lan&ccedil;a &iacute;ndices de tanatografia: ebriedade, loucura, farsa liter&aacute;ria, autoconsci&ecirc;ncia e autoria. Depois vai espalhando partes autobiogr&aacute;ficas de cada barulhento e mordaz defunto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para ficar com um autor mais recente, dentre v&aacute;rios, escolhemos Jos&eacute; Saramago para fechar este panorama de uma escrita da morte no ocidente. Mais especificamente s&atilde;o tr&ecirc;s os romances que apresentam, de alguma maneira, uma forma de escrita da morte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em o <i>Ano da morte de Ricardo Reis</i>, publicado em 1984,um autor canonizado retorna como um defunto poeta: Fernando Pessoa. Escritor que existiu torna-se personagem com uma de suas figuras heteron&iacute;micas: Ricardo Reis. Aquele que existiu e viveu aparece perante aquele que nunca existiu e est&aacute; vivo no livro: "o muro que separa os vivos uns dos outros n&atilde;o &eacute; menos opaco que o que separa os vivos dos mortos, Para quem assim pensa, a morte, afinal, deve ser um al&iacute;vio, N&atilde;o &eacute;, porque a morte &eacute; uma esp&eacute;cie de consci&ecirc;ncia, um juiz que julga tudo, a si mesmo e &agrave; vida" (Saramago, 2010, p. 279). Al&eacute;m das imagens filos&oacute;ficas da heteron&iacute;mia e da alteronimia saramaguiana, h&aacute; uma esp&eacute;cie de romance hist&oacute;rico do ano do decl&iacute;nio da Europa - 1936: com a ascens&atilde;o de totalitarismos na Ib&eacute;ria at&eacute; a eclos&atilde;o de uma grande guerra que matou milh&otilde;es de pessoas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Todos os nomes</i>, um de seus melhores livros, tamb&eacute;m apresenta uma personagem defunta. Ela &eacute; um caso peculiar de exist&ecirc;ncia e aus&ecirc;ncia. Entramos em contato com essa suicida ao longo de todo o livro. A conhecemos, convivemos com sua biografia, sem que ela apare&ccedil;a em algum momento no livro. Da galeria de personagens como Godot, essa morta supra-presente &eacute;-nos apresentada pelo Senhor Jos&eacute;, que passa por uma verdadeira metamorfose depois de uma longa vida dedicada &agrave; burocracia, &agrave; insignific&acirc;ncia humilde e uma vida menor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>As intermit&ecirc;ncias da morte</i> faz parte de um momento muito interessante na obra do escritor lus&oacute;fono. &Eacute; um livro de for&ccedil;a cinematogr&aacute;fica, com uma f&oacute;rmula n&atilde;o menos despojada e que tamb&eacute;m apresenta personagens cansados da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia, passando por profundos processos de mudan&ccedil;a. Um m&uacute;sico de orquestra que n&atilde;o morre n&atilde;o se sabe por que se v&ecirc; diante de uma bela mulher. Essa mulher &eacute; a pr&oacute;pria morte encarnada. Saramago, nessa galeria de tanatografias, traz uma novidade para o g&ecirc;nero: a pr&oacute;pria morte encarna-se para viver um grande amor. Quando ela faz uma esp&eacute;cie de greve de ceifar vidas, o romance inventa-se numa esp&eacute;cie de f&aacute;bula: "no dia seguinte ningu&eacute;m morreu".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas toda esta conversa come&ccedil;a com Machado de Assis. Esta teoria da tanatografia &eacute; uma teoria do liter&aacute;rio e n&atilde;o da literatura (na sua acep&ccedil;&atilde;o formalizada e formalista). &Eacute; uma <i>reconstru&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica </i>de uma cr&iacute;tica poli&ocirc;nica que nasce de um romance:<i>Mem&oacute;rias p&oacute;stumas de Br&aacute;s Cubas</i>. Nasce de Machado porque ele conjugou v&aacute;rios elementos da tradi&ccedil;&atilde;o de defuntos personagens e a ultrapassou ao inserir um defunto autor na representa&ccedil;&atilde;o do aniquilamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O defunto que grafa, pratica filosofia. Inventa biografia e assina uma fic&ccedil;&atilde;o. Filosofa a favor do trespasse com a pena da galhofa e a tinta da melancolia. Romanceia a pr&oacute;pria biografia em constante decomposi&ccedil;&atilde;o autobiogr&aacute;fico-romanesca:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Br&aacute;s Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne ou de um Xavier de Maistre, n&atilde;o sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. ... Conseguintemente, evito contar o processo extraordin&aacute;rio que empreguei na composi&ccedil;&atilde;o destas Mem&oacute;rias, trabalhadas c&aacute; no outro mundo (Assis, 1992, 1880-1881 vol. I, p. 513).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se tudo &eacute; fic&ccedil;&atilde;o, Br&aacute;s Cubas, ao conjugar a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia p&oacute;stuma, <i>minimamente explicada</i>, percorre mortes de outros. Seu romance de <i>deforma&ccedil;&atilde;o</i> apresenta um narrador que enterra uma galeria cemiterial de pessoas que passaram por sua vida: seu pai, sua m&atilde;e, seu melhor amigo, suas amantes, seus conhecidos da pol&iacute;tica e do cotidiano, dentre outros. Ora bem, uma po&eacute;tica das <i>Mem&oacute;rias p&oacute;stumas </i>constitui-se de: discurso autoral; confiss&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o a si mesmo; mem&oacute;rias das rela&ccedil;&otilde;es com o outro em decomposi&ccedil;&otilde;es biogr&aacute;ficas; ocupa&ccedil;&atilde;o da aus&ecirc;ncia vital em condi&ccedil;&atilde;o de autoria sepulcral e escrita da morte ligada &agrave; longeva tradi&ccedil;&atilde;o de mortos que falam e escrevem:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">AO VERME    <br> QUE     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> PRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNES    <br> DO MEU CAD&Aacute;VER    <br> DEDICO     <br> COMO SAUDOSA LEMBRAN&Ccedil;A    <br> ESTAS     <br> MEM&Oacute;RIAS P&Oacute;STUMAS</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ser de palavra, o fantasma melanc&oacute;lico-c&ocirc;mico, o corpo <i>post-mortem</i> que, inexplicavelmente, comunica-se, tamb&eacute;m &eacute; a pr&oacute;pria revis&atilde;o do que cada um foi e do que poderia ter sido. Um defunto autor na periferia da exist&ecirc;ncia, na verdadeira outra &aacute;rea (liter&aacute;ria) do conhecimento volta para contar a sua biografia com a pena e a tinta colhidas do sepulcro - com come&ccedil;o, meio, fim (e mem&oacute;ria). Erige, assim, uma auto-imagem redescoberta: "Cada esta&ccedil;&atilde;o da vida &eacute; uma edi&ccedil;&atilde;o, que corrige a anterior, e que ser&aacute; corrigida tamb&eacute;m, at&eacute; a edi&ccedil;&atilde;o definitiva, que o editor d&aacute; de gra&ccedil;a aos vermes" (Assis, 1992, p. 549).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso se estende, como flores do mal espalhadas por quadros fluminenses, pelos romances finais de Machado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quincas Borba, que d&aacute; t&iacute;tulo ao livro posterior, tamb&eacute;m &eacute; um defunto personagem: s&oacute; existe nas mem&oacute;rias p&oacute;stumas de Br&aacute;s (<i>disc&iacute;pulo</i> e <i>s&aacute;bio</i>), de Rubi&atilde;o (<i>bobo</i> e <i>louco</i>) e do cachorro (<i>duplo</i> e <i>c&iacute;nico</i>, no sentido filos&oacute;fico). O narrador, inclusive, j&aacute; sabe que a<i>heran&ccedil;a</i> funciona como loucura fatalista. Esse mesmo narrador que cita o defunto autor em nota de rodap&eacute; &eacute; o mesmo que se confunde com Machado - em disputa de espa&ccedil;o discursivo como acontece no cl&aacute;ssico <i>As aventuras e as opini&otilde;es do cavaleiro Tristram Shandy</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses dois romances enformam <i>elogios da loucura, elogios dos &oacute;bitos</i>: morre <i>duas vezes</i> o grande fil&oacute;sofo oral e minimalista, inventor do <i>humanitismo</i>: morre no primeiro livro, morre no segundo livro; o grande imperador Rubi&atilde;o que "pegou em nada, levantou nada e cingiu nada", sucumbe perante as ilus&otilde;es perdidas tupiniquins. O cachorro que leva o nome do romance, do "&uacute;nico amigo", faz parte da mesma tradi&ccedil;&atilde;o de C&eacute;rbero e Baleia, pensa, sente, falece.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">(<i>Dom Casmurro</i> tem um narrador velho, ruminando, fora da cena. Todo o livro s&atilde;o lembran&ccedil;as, incriminadoras, de sua finada esposa. Parece concluir que morrer &eacute; existir mais e envelhecer &eacute; ser menos, no caso dele por ser apenas passado. Passando a vida a limpo, n&atilde;o escreve o "livro dos sub&uacute;rbios", mas o das mem&oacute;rias amorosas de Capitu. Bento Santiago escreve, enfim, sobre sua defunta amada que teve "olhos de ressaca").</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Posteriormente, temos uma variante de autor defunto: o conselheiro Aires. Um escritor que se lan&ccedil;ou, durante a velhice, a escrever. Diplomata aposentado, no espa&ccedil;o privado a escrever em cadernos. Sem saber quem exatamente iria ler, editar, publicar - os deixa organizadamente em sua <i>secret&aacute;ria</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em <i>Esa&uacute; e Jac&oacute;</i>, o primeiro, que recebe o ep&iacute;teto de "&uacute;ltimo", parte do di&aacute;rio &eacute; transformada em romance. Enquanto temos os g&ecirc;meos que d&atilde;o t&iacute;tulo e apelido ao livro, no campo da tanatografia temos Flora: uma defunta personagem fadada &agrave; loucura e ao finamento fatalistas. Essa personagem feminina, esp&eacute;cie de duplo do narrador, morre de <i>indecidibilidade</i>. O conselheiro, por sua vez, morre no primeiro livro de velhice, por estar cansado de decidir, de conviver em indecis&atilde;o aparente. Mas vive para escrever numa atitude que ele define como um <i>m&eacute;todo diplom&aacute;tico</i> de rir da vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No <i>Memorial de Aires </i>ele "volta" para narrar. Outra vari&aacute;vel do riso ruminante de um narrador que proclama que "os vivos v&atilde;o mais depressa que os mortos". Numa variante do mesmo, j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o jovens ansiosos por <i>cousas futuras</i>, mas o casal Aguiar e o pr&oacute;prio Aires vivendo nos <i>tempos futuros</i> - pren&uacute;ncio de um fim que cheira a sepulcro. Seus jogos constru&iacute;dos aos moldes de um xadrez (humano/pascaliano) afirmam uma rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica firmada na converg&ecirc;ncia de sentidos, evocando uma dualidade da alma e dos comportamentos humanos (Bezerra, 2005, p. 197). Ao conselheiro, quando vivo, coube a an&aacute;lise das contradi&ccedil;&otilde;es humanas - teoria j&aacute; presente na d&eacute;cada de 1880 se recordarmos <i>A igreja do Diabo </i>- conto da entressafra romanesca. Depois, defunto, ressurge em complementos public&aacute;veis do di&aacute;rio, tecendo as suas cartomancias e diplomacias enxadristas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Antes, os jovens funcionavam como esp&eacute;cie de im&atilde; para seu p&ecirc;ndulo vacilante. Depois, elege velhos, na figura do casal Aguiar, e parte para novas <i>fantasmagorias</i>. Fantasma desse "Memorial de Jano", com duas faces diante do mesmo destino, porque toda vida tem duas pontas - a do come&ccedil;o e a do fim.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O defunto autor, o narrador litigioso com a voz narrativa do livro anterior (em <i>Quincas Borba</i>) e o conselheiro diplom&aacute;tico Aires articulam os mesmos princ&iacute;pios tanatogr&aacute;ficos: morte, loucura, autoconsci&ecirc;ncia narrativa, cinismo-estoicismo repaginado pelo <i>moralismo</i> moderno e a decomposi&ccedil;&atilde;o biogr&aacute;fica e autobiogr&aacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Machado de Assis estabelece assim, uma verdadeira po&eacute;tica tanatogr&aacute;fica. Se Dante e Shakespeare mudaram e refundaram o homem europeu, o escritor fluminense inventa um modo central de pensar as ideologias. A cr&iacute;tica polif&ocirc;nica com sua variante criativa, que &eacute; a tanatografia, reflete sobre passagens liter&aacute;rias, discute ideias de nosso tempo e <i>reconstr&oacute;i</i>, a partir dos livros, uma verdadeira teoria do liter&aacute;rio - na periferia da academia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sugest&otilde;es de leitura:</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alighieri, D. <i>A divina com&eacute;dia</i>. Trad. I. E. Mauro. S&atilde;o Paulo: Ed. 34, 1998, 3 vol. Conclus&atilde;o em 1321.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assis, M. de. <i>Mem&oacute;rias p&oacute;stumas de Br&aacute;s Cubas</i>. In: <i>Obra completa</i>. Afr&acirc;nio Coutinho (Org.). Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. 3 v. 1880.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cervantes, M. de. <i>O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha.</i> Trad. Eug&ecirc;nio Amado. Belo Horizonte: Itatiaia, 1997. 2 vol. Ed. Definitiva 1816</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dostoi&eacute;vski, F.. "Bob&oacute;k". Tradu&ccedil;&atilde;o Paulo Bezerra. S&atilde;o Paulo: Ed. 34, 2005a. 1873.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Homero. <i>A Il&iacute;ada</i>. Trad. Haroldo de Campos. S&atilde;o Paulo: Mandarim, 2001. +-VIII a. C.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <i>Odiss&eacute;ia</i>. Trad. D. Sch&uuml;ler. Porto Alegre: L&amp;PM, 2007. 3 v.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Luciano, de Sam&oacute;sata. <i>Di&aacute;logo dos mortos</i>. Trad. H. G. Muracho. S&atilde;o Paulo: Palas Athena, 1996. S&eacute;c. II d. C.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rabelais, F. <i>Garg&acirc;ntua e Pantagruel</i>. Trad. David Jardim J&uacute;nior. Belo Horizonte; Rio de Janeiro: Villa Rica, 1991. 2 vol. Conclus&atilde;o em 1564</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Saramago, J. <i>Todos os nomes</i>. S&atilde;o Paulo: Planeta, 2003. 1a. ed. 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <i>As intermit&ecirc;ncias da morte</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das letras, 2005. 1ª ed.    .</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Para quem quiser saber mais sobre o assunto:</b> Silva, Junior, Augusto Rodrigues. "Morte e decomposi&ccedil;&atilde;o biogr&aacute;fica em Mem&oacute;rias p&oacute;stumas de Br&aacute;s Cubas". 216 f. Tese (Doutorado). Instituto de Letras, Universidade Federal Fluminense, Niter&oacute;i, 2008. Dispon&iacute;vel em: . Acesso em: 15 mar. 2010.</font></p>     ]]></body>
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