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</front><body><![CDATA[ 
    <p align="right"><font face="verdana" size="2"><b>RESENHA</b></font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="4"><b>Pegadas microsc&oacute;picas</b></font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Jana&iacute;na Quit&eacute;rio</b></font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Infectologista Stefan Ujvari rastreia
  os passos de v&iacute;rus e bact&eacute;rias desde nossos </b></font><font face="verdana" size="2"><b>ancestrais, registando a hist&oacute;ria da
    humanidade</b></font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Elucidar casos policiais por meio de DNA n&atilde;o
  &eacute; mais novidade, mas &eacute; com curiosidade que os leitores de&nbsp;<i>A
    hist&oacute;ria da humanidade contada pelos v&iacute;rus, bact&eacute;rias, parasitas e outros
    microrganismos</i>&nbsp;acompanham a saga do nascimento e da evolu&ccedil;&atilde;o de
  infec&ccedil;&otilde;es e epidemias que assolam a humanidade &#8211; passos poss&iacute;veis
  justamente devido ao estudo gen&eacute;tico de v&iacute;rus, bact&eacute;rias e parasitas.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Escrito pelo m&eacute;dico infectologista do Hospital Alem&atilde;o
  Oswaldo Cruz, Stefan Cunha Ujvari, que tamb&eacute;m &eacute; professor da Unifesp, o
  livro traz um panorama original do surgimento e evolu&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as
  contagiosas cujos microrganismos estiveram presentes em nossos
  ancestrais. "Os primeiros homin&iacute;deos africanos surgiram com f&oacute;sseis
  infecciosos em sua bagagem gen&eacute;tica. A epopeia de nossos ancestrais, bem
  como a nossa pr&oacute;pria, seria marcada por novos agentes infecciosos
  adquiridos ainda no solo africano e durante nosso dispersar pelo planeta.
  No entanto, a ci&ecirc;ncia mostra que tamb&eacute;m nascemos com alguns
  microrganismos herdados de nossos ancestrais. Microrganismos que
  evolu&iacute;ram conjuntamente com os homin&iacute;deos desde a separa&ccedil;&atilde;o dos
  chimpanz&eacute;s", escreve o autor nas p&aacute;ginas iniciais do livro.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Ujvari inicia a saga narrando o nascimento da Aids. Por meio
  de explica&ccedil;&atilde;o did&aacute;tica acerca do funcionamento biol&oacute;gico das c&eacute;lulas,
  passando pela descoberta do retrov&iacute;rus incorporado ao nosso DNA e
  seguindo em dire&ccedil;&atilde;o aos relatos cient&iacute;ficos da descoberta da doen&ccedil;a em
  meados dos anos de 1980 &#8211; quatro anos depois de ter sido registrada
  a primeira epidemia de ebola na &Aacute;frica &#8211;, o livro parte da descri&ccedil;&atilde;o
  da Aids para ressaltar os avan&ccedil;os da ci&ecirc;ncia em estudar o material
  gen&eacute;tico dos microrganismos, o que possibilitou remontar, com rigor, a
  hist&oacute;ria do nascimento das infec&ccedil;&otilde;es humanas.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">No primeiro cap&iacute;tulo, intitulado "&Aacute;frica: esta&ccedil;&atilde;o de
  origem", o ponto de vista dessa hist&oacute;ria &eacute; deslocada para os chimpanz&eacute;s
  da costa oeste africana, que viram os primeiros homens brancos chegarem
  ao continente em 1470. Os macacos foram testemunhas tanto da chegada de
  negros acorrentados como da embarca&ccedil;&atilde;o superlotada que ia para outros
  continentes. Tempos depois, com o fim do tr&aacute;fico negreiro, os chimpanz&eacute;s
  se depararam com invas&otilde;es humanas para a retirada de l&aacute;tex e outras
  fontes de suas florestas. Mas foi com a guerra civil e com a disputa por
  territ&oacute;rios que esses animais, de testemunha, transformaram-se em v&iacute;timas
  de ca&ccedil;adores famintos por sua carne, vendida em mercados dos vilarejos
  pr&oacute;ximos na tentativa de aplacar a fome. O que ningu&eacute;m sabia &eacute; que os
  chimpanz&eacute;s &#8211; de Camar&otilde;es e do Gab&atilde;o &#8211; portavam um v&iacute;rus,
  encontrado, de acordo com o autor, em mais de 30 esp&eacute;cies de primatas.
  Com os estudos gen&eacute;ticos, esse v&iacute;rus foi identificado com o HIV.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">O v&iacute;rus entrou no organismo humano por meio de ferimentos
  provocados pelas guerras civis da d&eacute;cada de 1930 e alcan&ccedil;ou as secre&ccedil;&otilde;es
  genitais, passando a ser transmitidos por rela&ccedil;&otilde;es sexuais. Muta&ccedil;&otilde;es no
  interior do organismo humano tornaram o v&iacute;rus diferente do encontrado nos
  chimpanz&eacute;s: passou a ser restrito aos humanos. A degrada&ccedil;&atilde;o social, que
  traz fome, viol&ecirc;ncia e prostitui&ccedil;&atilde;o, foi a respons&aacute;vel por disseminar o
  v&iacute;rus da Aids, num primeiro momento, entre a popula&ccedil;&atilde;o africana e, mais
  tarde, viajando para outros continentes.</font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="3"><b>Rotas migrat&oacute;rias</b></font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Em cerca de 200 p&aacute;ginas,&nbsp;<i>A hist&oacute;ria da humanidade
  contada pelos v&iacute;rus&nbsp;</i>mescla a hist&oacute;ria de nossas migra&ccedil;&otilde;es, das
  conquistas e guerras provocadas pelo homem e, antes disso, da nossa
  pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o, com a explica&ccedil;&atilde;o das origens, do funcionamento e das
  adapta&ccedil;&otilde;es de germes que causam doen&ccedil;as como tuberculose, s&iacute;filis, raiva,
  gripe, hepatite, sarampo, mal&aacute;ria, hepatite, ebola, entre outras
  enfermidades. O estudo do DNA dos microrganismos se coloca ao lado de
  outros conhecimentos, como a arqueologia, para ajudar a elucidar
  epis&oacute;dios hist&oacute;ricos ainda controversos. "Os agentes infecciosos n&atilde;o
  contam apenas a trajet&oacute;ria seguida pelo homem: relatam os fatos ocorridos
  durante essa grande epopeia", escreve.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">A pergunta, por exemplo, relacionada &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o do homem, se
  houve ou n&atilde;o encontro entre o&nbsp;<i>Homus erectus</i>&nbsp;e o&nbsp;<i>Homus
    sapiens,</i>&nbsp;ganhou novos apontamentos por meio do DNA de piolhos.
  Achava-se que o&nbsp;<i>Homos erectus</i>&nbsp;n&atilde;o mais existia &agrave; &eacute;poca
  da sa&iacute;da do&nbsp;<i>Homus sapiens</i>&nbsp;da &Aacute;frica, mas, de acordo com
  Ujvari, "o estudo gen&eacute;tico dos piolhos humanos aponta para um prov&aacute;vel
  encontro entre esses homin&iacute;deos". E mais: com o estudo da bifurca&ccedil;&atilde;o
  evolucion&aacute;ria de dois tipos de piolhos &#8211; os que vivem em nossas
  cabe&ccedil;as e os que est&atilde;o presentes no corpo humano &#8211;, descobriu-se a
  data estimada em que os homens passaram a usar roupas. "Somente quando
  nos vestimos proporcionamos muta&ccedil;&otilde;es para o surgimento dos piolhos de
  nossos corpos. Estudaram-se as diferen&ccedil;as do DNA desses piolhos e
  calculou-se a data prov&aacute;vel de separa&ccedil;&atilde;o de ambos. Teria ocorrido entre
  42 e 72 mil anos atr&aacute;s".</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">O livro tem a vantagem de ter sido escrito em linguagem
  acess&iacute;vel para ser entendido por n&atilde;o-especialistas &#8211; importante
  medida de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica no campo das epidemias mundiais. Mas &eacute;
  importante ressaltar que se trata de um livro denso, contendo a hist&oacute;ria
  e o funcionamento de diversas mol&eacute;stias provocadas por v&iacute;rus e bact&eacute;rias,
  descritos em seis cap&iacute;tulos.</font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">No &uacute;ltimo deles, depois de discorrer sobre as migra&ccedil;&otilde;es
  humanas, sobre a chegada dos europeus &agrave; Am&eacute;rica, o nascimento da
  agricultura e a domestica&ccedil;&atilde;o de animais, o autor conta os avan&ccedil;os da
  medicina e da ci&ecirc;ncia na cura e preven&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias doen&ccedil;as. A &uacute;ltima,
  que Ujvari deixa em aberto, &eacute; o ebola. Segundo ele, apesar de o v&iacute;rus da
  doen&ccedil;a j&aacute; ter tido a sua hist&oacute;ria tra&ccedil;ada, ainda &eacute; preciso mais estudo
  para desvendar outras lacunas. "Nosso servi&ccedil;o de espionagem necessita
  continuar trabalhando a todo vapor, pois ainda n&atilde;o esclarecemos os passos
  do microrganismo que se encontra nas matas a nos espreitar at&eacute; a pr&oacute;xima
  epidemia". A depender das not&iacute;cias veiculadas nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, a
  hist&oacute;ria do ebola j&aacute; ganhou outros elementos na hist&oacute;ria mundial.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>A hist&oacute;ria da humanidade contada pelos v&iacute;rus, bact&eacute;rias,
  parasitas e outros microrganismos</b></font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Autor: Stefan Cunha Ujvari</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Editora Contexto</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Ano: 2008</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">202 p.</font></p>
     ]]></body>

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