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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="verdana" size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>Arte e ci&ecirc;ncia: labirintos que se   encontram</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2"><b>Gabriela Fr&iacute;as Villegas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2">Quando se trata de encontros entre a   ci&ecirc;ncia e a arte, pode-se imaginar cenas como as seguintes:</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Cena 1: Um f&iacute;sico visita um museu de   arte contempor&acirc;nea. Na passagem encontra um mural feito de sucata, uma sala   vazia com sons estranhos e uma caixa de sapatos sem nada dentro. Examina   cuidadosamente as pe&ccedil;as e se pergunta para que servem. Finalmente encontra uma   pintura a &oacute;leo retratando um &aacute;tomo. Embora na obra se possam observar alguns   el&eacute;trons &ndash; part&iacute;culas elementares &ndash; que orbitam o n&uacute;cleo, h&aacute; uma frase que diz:   "Essas n&atilde;o s&atilde;o part&iacute;culas". O f&iacute;sico abandona a galeria perplexo, convencido de   que deve haver um erro nas obras da exposi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cci/n160/a11fig01.jpg" width="339" height="335"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2">Cena 2: Um grupo de artistas visita um   instituto de pesquisa cient&iacute;fica. Entre eles h&aacute; uma dan&ccedil;arina, um designer de   m&oacute;veis, v&aacute;rios escultores e uma artista contempor&acirc;nea. Todos est&atilde;o   entusiasmados pela visita: observam com aten&ccedil;&atilde;o o material radioativo usado   para pesquisa, e que brilha com uma cor azul intenso ao fundo de um tanque,   desfrutam uma pequena nuvem de &aacute;tomos no laborat&oacute;rio e se aproximam curiosos   dos frascos que cont&ecirc;m gases que recriam atmosferas de planetas long&iacute;nquos.   Durante o percurso os artistas comentam que os &aacute;tomos lembram dan&ccedil;arinos em uma   performance, que a cor azul do material radioativo &eacute; perfeito para uma   escultura e que os intriga o cheiro que podem ter as distintas atmosferas   planet&aacute;rias.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Muitos encontros entre artistas e   cientistas terminam em um contato superficial; contudo, os cientistas do   Instituto de Ci&ecirc;ncias Nucleares da Unam (ICN-Unam) e os artistas dos centros   culturais Laborat&oacute;rio Arte Alameda, Laborat&oacute;rio Multimidia e Faro de Oriente no   M&eacute;xico decidiram discutir suas impress&otilde;es em uma festa, na qual os   participantes eram cientistas e artistas em igual propor&ccedil;&atilde;o. Com uma ta&ccedil;a de   vinho e alguns canap&eacute;s em m&atilde;os os convidados come&ccedil;aram a se conhecer. Logo os   cientistas perceberam que a arte contempor&acirc;nea n&atilde;o &eacute; somente produto da   inspira&ccedil;&atilde;o, mas que uma pe&ccedil;a, uma instala&ccedil;&atilde;o, por exemplo, requer muitas horas   de pesquisa para transmitir, &agrave;s vezes de maneira muito sutil, uma ideia bastante   profunda. Por sua parte, os artistas descobriram que a ci&ecirc;ncia requer muita   imagina&ccedil;&atilde;o e criatividade. Al&eacute;m disso, se deram conta de que os cientistas   tamb&eacute;m est&atilde;o preocupados com a est&eacute;tica e apaixonados pela beleza da ci&ecirc;ncia.   Depois de algumas horas, as duas turmas &ndash; artistas e cientistas &ndash; decidem   colaborar para tornar-se uma s&oacute; e realizar projetos conjuntos.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Como os cientistas come&ccedil;aram a aprender   mais sobre arte contempor&acirc;nea, alguns dos artistas decidiram aprender sobre as   pe&ccedil;as fundamentais que comp&otilde;em tudo o que se conhece no Universo: as part&iacute;culas   elementares. Alberto Guijosa, um entusiasta f&iacute;sico especialista no tema,   proferiu a eles uma s&eacute;rie de palestras, entituladas "A receita c&oacute;smica", sobre   a origem do Universo, a mat&eacute;ria e a antimat&eacute;ria, e o grande colisor de h&aacute;drons,   o maior experimento do mundo, que serve para estudar as menores part&iacute;culas que   existem no Universo. A artista Ale de la Puente tomou algumas das ideias dessas   conversas para criar a performance "O universo e a cozinha", que apresentou no   Laborat&oacute;rio Arte Alameda, em um encontro de arte do espa&ccedil;o chamado Kosmica.   Nessa performance, um chef, junto com seus cozinheiros, prepara um <i>mole</i> em frente ao p&uacute;blico. O mole, um dos pratos mais t&iacute;picos do M&eacute;xico, consiste em   um molho muito picante preparado com grande variedade de ingredientes: v&aacute;rios   tipos de pimenta, chocolate, tomate, gergelim e p&atilde;o, entre outras coisas.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Durante a performance, Ale e o chef se   revezam para fazer, cada um, uma narra&ccedil;&atilde;o: Ale falava do princ&iacute;pio do Universo,   de acordo com as teorias cient&iacute;ficas que aprendeu com Alberto Guijosa, enquanto   o chef narrava os passos que se devem seguir para preparar o <i>mole</i>. Ao   mesmo tempo em que o p&uacute;blico ouvia as narra&ccedil;&otilde;es, projetavam-se nas paredes do   recinto imagens da comida que se preparava. Desse modo, aparecia na parede a   imagem de uma panela onde tostavam os gr&atilde;os de gergelim que brincavam   alegremente. Enquanto o chef explicava que o gergelim &eacute; um dos ingredientes   fundamentais do <i>mole</i>, Ale comentava que no princ&iacute;pio do Universo algumas   part&iacute;culas elementares chamadas quarks estavam livres, antes de se unirem entre   si para formar outras part&iacute;culas, que por sua vez comp&otilde;em tudo que conhecemos.   Posteriormente, Ale falou sobre a forma&ccedil;&atilde;o das gal&aacute;xias, ao mesmo tempo em que   aparecia na parede uma imagem do chef mexendo o <i>mole</i> em uma espiral,   semelhante a uma gal&aacute;xia. Essa performance que uniu a arte, a ci&ecirc;ncia e a   cozinha, resultou em um entretenimento visual e uma festa para os sentidos,   pois ao final todos desfrutaram o prato de <i>mole</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cci/n160/a11fig02.jpg" width="404" height="281"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Pouco tempo depois dessa performance,   Ale de la Puente, junto com Nahum, um artista especialista em arte do espa&ccedil;o,   decidiram criar um projeto de arte e ci&ecirc;ncia chamado "A gravidade dos   assuntos". Nesse projeto, um grupo de artistas e cientistas escapam da for&ccedil;a de   gravidade atrav&eacute;s de uma viagem parab&oacute;lica de avi&atilde;o, onde realizam pe&ccedil;as   art&iacute;sticas e experimentos cient&iacute;ficos em um ambiente de gravidade zero. Para se   preparar para essa viagem os artistas aprenderam sobre os princ&iacute;pios   cient&iacute;ficos da gravidade em uma s&eacute;rie de palestras preparadas por Miguel   Alcubierre, diretor do ICN-Unam e especialista em pesquisa de gravita&ccedil;&atilde;o.   Usando, entre outras coisas, o que foi aprendido nas palestras de Miguel,   atualmente cada um dos artistas do projeto se encontra elaborando uma pe&ccedil;a   art&iacute;stica que ocorre durante o voo e que ser&aacute; filmada para apresentar-se ao   p&uacute;blico. Um dos resultados mais interessantes desse projeto &eacute; que gra&ccedil;as &agrave;   iniciativa dos artistas um cientista poder&aacute; experimentar pela primera vez um de   seus temas de estudo: a gravidade zero.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Para continuar com os debates sobre   v&aacute;rios temas de ci&ecirc;ncia, do ponto de vista de v&aacute;rias disciplinas, o ICN-Unam   organizou o evento Ci&ecirc;ncia-Fic&ccedil;&atilde;o-Ci&ecirc;ncia em que se reuniram artistas,   cientistas, escritores e fil&oacute;sofos para explorar o que antes era considerado   fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e agora &eacute; ci&ecirc;ncia, ou aquilo que ser&aacute; ci&ecirc;ncia no futuro.   Entre outros temas, tratou de viagens no tempo, consci&ecirc;ncia das m&aacute;quinas e as   explora&ccedil;&otilde;es submarinas. Entre os convidados se encontrava o artista e fot&oacute;grafo   Juan Jos&eacute; D&iacute;az Infante, que apresentou seu projeto Ulises I, uma iniciativa de   um grupo art&iacute;stico chamado "Coletivo Espacial Mexicano", que consiste na   constru&ccedil;&atilde;o e lan&ccedil;amento ao espa&ccedil;o de um nano sat&eacute;lite artificial. Esse sat&eacute;lite   foi concebido como uma obra de arte, que enviar&aacute; sons musicais do espa&ccedil;o uma   vez que se ponha em &oacute;rbita em alguns meses. Para criar esse projeto, Juan Jos&eacute;   trabalhou com cientistas do Instituto Nacional de Astrof&iacute;sica, &Oacute;ptica e   Electr&oacute;nica (INAHOE) e colaborar&aacute; com pesquisadores do ICN-Unam para testar os   componentes de Ulises I antes de empreender a viagem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cci/n160/a11fig03.jpg" width="301" height="250"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2">Para encerrar Ci&ecirc;ncia-Fic&ccedil;&atilde;o-Ci&ecirc;ncia foi   convidado o artista Gilberto Esparza para apresentar a primeira a&ccedil;&atilde;o de arte   sonora do ICN-Unam. Gilberto apresentou um "instrumento musical" chamado   BioSoNor feito com frascos, pipetas e tubos, que estavam cheias de algas e   microorganismos que produzem energia. O aparato convertia essa energia em   sinais el&eacute;tricos, que por sua vez produziam sons. Ainda que em um primeiro   momento os cientistas n&atilde;o se surpreenderam ao ver o aparato, pois era muito   parecido com o que se observam nos laborat&oacute;rios do instituto, logo ficaram   impactados com seu uso como pe&ccedil;a art&iacute;stica. A performance, que foi acompanhada   de efeitos de luz e v&iacute;deo, foi o encerramento do evento, mas tamb&eacute;m marcou o   in&iacute;cio de uma nova etapa para o ICN-Unam, que segue apresentando a&ccedil;&otilde;es de arte   contempor&acirc;nea regularmente. A apresenta&ccedil;&atilde;o de Gilberto Esparza pode ser vista   no seguinte link: <a href="www.youtube.com/watch?v=Nj8dta-g-AQ" target="_blank">www.youtube.com/watch?v=Nj8dta-g-AQ</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cci/n160/a11fig04.jpg" width="288" height="386"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2">A partir desses exemplos fica claro que   a ci&ecirc;ncia e a arte s&atilde;o dois labirintos que, ainda que pare&ccedil;am distantes, podem   se encontrar para criar un caminho comum.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2"><b><i>Gabriela Fr&iacute;as Villegas </i></b><i>&eacute;   coordenadora da Unidade de Comunica&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica do Instituto de Ci&ecirc;ncias Nucleares   da Universidade Nacional Aut&ocirc;noma do M&eacute;xico (Unam). <a href="mailto:gabriela.frias@nucleares.unam.mx">gabriela.frias@nucleares.unam.mx</a></i></font></p>      ]]></body>

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