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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Intoler&acirc;ncia e racismo no futebol: a racializa&ccedil;&atilde;o do outro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b> Thales de Almeida Nogueira Cervi</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Estudante de psicologia da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos e membro do grupo de pesquisa Estudos sobre Intoler&acirc;ncias</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">O futebol, pela sua ampla divulga&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica e por ser investimento financeiro e produto comercial, constitui hoje uma importante representa&ccedil;&atilde;o da cultura, onde quer que seja praticado. O crescimento do esporte em &acirc;mbito mundial e a sua profissionaliza&ccedil;&atilde;o acabaram por agrupar pessoas de diferentes ra&ccedil;as, classes sociais e nacionalidades em uma mesma esfera. Essa profissionaliza&ccedil;&atilde;o do futebol fez com que os clubes buscassem seus esportistas e outros profissionais em diversas partes do mundo, o que ocasionou um confronto entre pessoas culturalmente diferentes e contribuiu para o crescimento e manuten&ccedil;&atilde;o da intoler&acirc;ncia no esporte. Eric Hobsbawm, falando sobre futebol, conflito e globaliza&ccedil;&atilde;o afirmou:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">O futebol sintetiza muito bem a dial&eacute;tica entre identidade nacional, globaliza&ccedil;&atilde;o e xenofobia dos dias de hoje. Os clubes viraram entidades transnacionais, empreendimentos globais. Mas, paradoxalmente, o que faz o futebol popular continua sendo, antes de tudo, a fidelidade local de um grupo de torcedores para com uma equipe. E, ainda, o que faz dos campeonatos mundiais algo interessante &eacute; o fato de que podemos ver pa&iacute;ses em competi&ccedil;&atilde;o. Por isso acho que o futebol carrega o conflito essencial da globaliza&ccedil;&atilde;o.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o &eacute; de hoje que nos est&aacute;dios de futebol pelo mundo, jogadores negros ou latinos s&atilde;o v&iacute;timas de ofensas racistas nas quais bananas s&atilde;o atiradas ao campo. Em meio aos eventos esportivos mundiais que come&ccedil;am a ganhar espa&ccedil;o na Am&eacute;rica Latina e na &Aacute;frica, a aproxima&ccedil;&atilde;o entre as culturas se torna campo f&eacute;rtil para a propaga&ccedil;&atilde;o de correntes preconceituosas no esporte, inclusive no futebol.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A import&acirc;ncia desta quest&atilde;o se justifica n&atilde;o s&oacute; pela maneira como a intoler&acirc;ncia se espalha na sociedade atual, como tamb&eacute;m pela constante degrada&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico ocasionada pelas torcidas e mobiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos do Estado em medidas que solucionem esse problema, reflexos diretos do &oacute;dio cultivado entre grupos com identifica&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das entre si.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O conceito freudiano de "narcisismo das pequenas diferen&ccedil;as" pode ser pensado aqui, uma vez que consiste na descri&ccedil;&atilde;o do movimento do sujeito quando ele encontra no outro uma pequena diferen&ccedil;a que os separa. Essa segrega&ccedil;&atilde;o aparece em forma de agress&atilde;o, j&aacute; que essa mesma pequena e &iacute;ntima diferen&ccedil;a provoca ang&uacute;stia no indiv&iacute;duo que a sente (Freud, 1996 &#91;1939&#93;). Neste sentido, a forma&ccedil;&atilde;o de torcidas se d&aacute; em um processo de diferencia&ccedil;&atilde;o/estigmatiza&ccedil;&atilde;o, no qual a constitui&ccedil;&atilde;o do la&ccedil;o grupal ocorre atrav&eacute;s de movimentos de exclus&atilde;o. Nas redes sociais &eacute; poss&iacute;vel encontrar diversas formas de diferencia&ccedil;&otilde;es feitas pelos torcedores em rela&ccedil;&atilde;o a seus rivais e a si pr&oacute;prios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um exemplo disso pode ser encontrado na p&aacute;gina de uma rede social inteiramente dedicada a discursos intolerantes &agrave; torcida do Sport Club Corinthians Paulista, onde se encontram frases como: "Corintiano s&oacute; serve para garantir o emprego do policial".<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a> Aqui &eacute; feita n&atilde;o apenas uma representa&ccedil;&atilde;o de correspond&ecirc;ncia entre um criminoso e um corinthiano, mas sobre ser pobre e negro, maneira pela qual a torcida do clube referido &eacute; tradicionalmente caracterizada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os discursos correntes nas m&iacute;dias revelam como a intoler&acirc;ncia presente no indiv&iacute;duo e reprimida por meio das normas, tanto no que diz respeito ao Estado quanto &agrave; sociedade e &agrave; cultura, "escapa" e encontra espa&ccedil;o na esfera do futebol, nos est&aacute;dios e nos discursos que permeiam o esporte por meio do chiste, da piada. Dahia (2010) afirma que esses conte&uacute;dos chistosos carregados de preconceito surgem quando as normas pro&iacute;bem os mesmos, gerando maneiras mais sofisticadas de express&atilde;o. Em sua an&aacute;lise sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre riso e racismo, este autor comenta que:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Por meio do riso, o brasileiro encontra uma via intermedi&aacute;ria para extravasar seu racismo latente, contornando a censura e a reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre seu conte&uacute;do e sobre o alcance de satisfa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica que o riso propicia, ao mesmo tempo em que ele n&atilde;o compromete sua autorrepresenta&ccedil;&atilde;o como n&atilde;o racista (p. 698).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A racionaliza&ccedil;&atilde;o existente na sociedade inibe pr&aacute;ticas preconceituosas e gera puni&ccedil;&otilde;es para aqueles que as exercerem. No entanto, os conte&uacute;dos intolerantes aparecem no futebol atrav&eacute;s do riso, o que n&atilde;o s&oacute; representa um conte&uacute;do de fato existente na subjetividade, como tamb&eacute;m essa maneira de expressar tais conte&uacute;dos traz consigo uma suposta incredibilidade do discurso, j&aacute; que se trata de uma piada, de algo que n&atilde;o deve ser levado em considera&ccedil;&atilde;o, ou seja, algo permitido. Sobre o tema, Dahia (2010) afirma ainda:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Essas pr&aacute;ticas sociais, frequentes no processo de socializa&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o toleradas e consideradas como uma atividade infantil inconsequente, que n&atilde;o deve ser levada a s&eacute;rio. Quando relacionada ao drama inter&#45;racial em particular, demonstram constituir&#45;se num mecanismo sutil, mas eficiente, de transmiss&atilde;o e perpetua&ccedil;&atilde;o do preconceito racial. Ao longo da vida do individuo, tais pr&aacute;ticas sociais acabam por se tornar um agrad&aacute;vel h&aacute;bito coletivo, atendendo aos prop&oacute;sitos de produzir e socializar prazer, atrav&eacute;s de um t&aacute;cito pacto social de invisibiliza&ccedil;&atilde;o do preconceito racial. (...) Assim, o discurso jocoso da piada racista acaba por tornar&#45;se um lugar da transgress&atilde;o institucionalizada, onde o comportamento racial regido por um zeloso controle do politicamente correto &eacute; subliminarmente contradito (p. 376&#45;377).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Sendo assim, esses discursos t&ecirc;m seus conte&uacute;dos frequentemente ignorados enquanto intolerantes ou, ainda, propagados como algo n&atilde;o dotado de opini&atilde;o sobre uma determinada ra&ccedil;a, sexualidade, entre outros, uma vez que eles s&atilde;o ditos como simples piadas, ironias.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Em torno da piada racista, o riso instaura certa sociabilidade que tem como fundamento a desqualifica&ccedil;&atilde;o do objeto ris&iacute;vel e o prazer cat&aacute;rtico resultando da sua inscri&ccedil;&atilde;o nesse lugar. A import&acirc;ncia conferida ao riso se reflete, em grande medida, no seu car&aacute;ter estruturante e instrumental dentro do processo de socializa&ccedil;&atilde;o que lhe permite transitar entre realidades de naturezas distintas &#150; o ps&iacute;quico e o social; o inconsciente e o consciente, o jocoso e o s&eacute;rio &#150; de forma que as enrede (Dahia, 2008, p. 703&#45;704).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A piada racista, que traz consigo diversas vias de preconceito, tamb&eacute;m est&aacute; presente nos discursos que circulam nas m&iacute;dias. De volta a p&aacute;ginas nas redes sociais dedicadas &agrave; intoler&acirc;ncia aos torcedores do Sport Club Corinthians Paulista, &eacute; poss&iacute;vel encontrar uma amplitude nas formas de racializa&ccedil;&atilde;o<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>2</sup></a>. Em uma publica&ccedil;&atilde;o em uma dessas p&aacute;ginas, h&aacute; uma solicita&ccedil;&atilde;o para que os outros membros da p&aacute;gina publiquem as primeiras palavras que v&ecirc;m &agrave; cabe&ccedil;a quando se pensa em torcedores corintianos. Nessa publica&ccedil;&atilde;o, muitas refer&ecirc;ncias preconceituosas s&atilde;o feitas, tais como: "fed&ocirc;" <i>(sic)</i>; "cambada de ladr&atilde;o bicha"; "nojo"; "travecada" <i>(sic)</i> e "bandidagem".<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>3</sup></a> Essas palavras ilustram a intoler&acirc;ncia, a rejei&ccedil;&atilde;o ao outro e at&eacute; revelam aspectos diferentes dessa rela&ccedil;&atilde;o. Quando se fala em "fed&ocirc;" <i>(sic)</i>, "nojo", percebe&#45;se uma avers&atilde;o ao corpo dos negros, tratados historicamente (n&atilde;o apenas no Brasil) como pobre, nojento e fedorento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sobre esse corpo caracterizado nos discursos citados, Hook (2006) ressalta a import&acirc;ncia de se analisar a quest&atilde;o corporal na rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com o outro, antes de se pensar o discurso em si. Segundo ele, h&aacute; limites em se avaliar apenas as quest&otilde;es discursivas nas an&aacute;lises sobre o racismo. O autor afirma que a perspectiva estritamente discursiva restringe o racismo a uma esfera pol&iacute;tica e social, deixando de levar a discuss&atilde;o para o &acirc;mbito dos processos psicol&oacute;gicos internos. Sendo assim, ele defende uma forma de pensar o racismo como algo menos consciente e como uma resposta imediata a um afeto, ou seja, que existiria um racismo impulsivo que n&atilde;o depende da media&ccedil;&atilde;o da forma verbal, mas &eacute; expresso na forma de rea&ccedil;&otilde;es do corpo, tal como a avers&atilde;o, o nojo, entre outros (Hook, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na vis&atilde;o de Hook (2006), essa avers&atilde;o se d&aacute; na ansiedade experienciada pelo sujeito por n&atilde;o saber distinguir a diferen&ccedil;a entre o outro e ele mesmo. O nojo se justifica pela resposta do indiv&iacute;duo que visa diferenciar de si um aspecto que amea&ccedil;a as suas categoriza&ccedil;&otilde;es. Diante disso, o corpo torna&#45;se uma representa&ccedil;&atilde;o da ang&uacute;stia de saber (ou n&atilde;o) quem &eacute; e quem &eacute; o outro, resultando em uma avers&atilde;o ao diferente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Hook (2006) afirma ainda que h&aacute; uma ambiguidade nesse processo, uma vez que o &oacute;dio presente na intoler&acirc;ncia configura&#45;se como outra faceta do desejo. O sujeito carrega consigo uma forma ambivalente de atra&ccedil;&atilde;o por uma qualidade que seria indesej&aacute;vel, na medida em que "esconde" a amea&ccedil;a (no caso dos negros) baseada em estere&oacute;tipos das qualidades f&iacute;sicas excepcionais atribu&iacute;das aos negros, notadamente as sexuais. O processo de diferencia&ccedil;&atilde;o e intoler&acirc;ncia, segundo o autor, nunca &eacute; completo, na medida em que a busca pela diferencia&ccedil;&atilde;o/individua&ccedil;&atilde;o constitui um embate do sujeito com os desejos que amea&ccedil;am essa categoriza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Olhando torto o outro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa perspectiva se aproxima da hip&oacute;tese de que uma forma de "roubo de gozo" seria um forte motivador de pr&aacute;ticas intolerantes na sociedade. Essas pr&aacute;ticas realizadas por um indiv&iacute;duo contra um outro "estranho", poderiam ser vistas diferentemente do que usualmente &eacute; retratado como uma intoler&acirc;ncia contra algu&eacute;m "inferior", mas, pelo contr&aacute;rio, percebidas como pr&aacute;ticas contra um outro que representa uma amea&ccedil;a, algo que escancara um desejo e uma puls&atilde;o que n&atilde;o &eacute; suport&aacute;vel para a consci&ecirc;ncia. Assim, o sujeito inveja a maneira como o outro goza do objeto (no caso dos negros a fantasia da superpot&ecirc;ncia sexual), uma forma que poderia destruir a capacidade do outro de gozar (Zizek, 2005).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No sentido da lei social, as normas s&atilde;o maneiras de limitar o prazer do outro, para que todos tenham as mesmas quantidades de prazer. Como n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel garantir tal condi&ccedil;&atilde;o, &eacute; imposta ent&atilde;o uma igualdade de proibi&ccedil;&otilde;es a todos os sujeitos: a justi&ccedil;a. Zizek (2005), no entanto, afirma que especialmente as sociedades ocidentais atuais se configuram como extremamente permissivas e, de tal maneira, invocam o oposto da proibi&ccedil;&atilde;o para uma busca incessante pelo prazer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apesar dos esfor&ccedil;os das ditas minorias e das repress&otilde;es legais aos atos de discrimina&ccedil;&atilde;o, percebe&#45;se que a hostilidade continua e, assim, o futebol se torna um segmento onde as rejei&ccedil;&otilde;es se reproduzem livremente. As torcidas, ent&atilde;o, se definem pelas organiza&ccedil;&otilde;es grupais que produzem essas formas de hostilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse cen&aacute;rio de intoler&acirc;ncia, a forma como os sujeitos reagem frente ao outro, atrav&eacute;s de sentimentos de ang&uacute;stia, amea&ccedil;a e &oacute;dio, resulta n&atilde;o apenas no racismo, mas em outras formas t&iacute;picas de estigmas, como xenofobia, homofobia, entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante disso, Zizek (2004) prop&otilde;e uma condi&ccedil;&atilde;o &eacute;tica de subjetividade que se apresenta como uma possibilidade de resolu&ccedil;&atilde;o interna para a intoler&acirc;ncia. Segundo o autor, as pessoas n&atilde;o s&atilde;o apenas impenetr&aacute;veis (n&atilde;o podem ser totalmente assimiladas) umas &agrave;s outras, mas tamb&eacute;m s&atilde;o impenetr&aacute;veis a si mesmas. Para ele, essa condi&ccedil;&atilde;o &eacute; uma limita&ccedil;&atilde;o que possibilita a toler&acirc;ncia, na medida em que seria poss&iacute;vel tolerar o outro, j&aacute; que os aspectos internos (subjetivos) que motivam o intolerante a agir, isto &eacute;, a transpar&ecirc;ncia da sua subjetividade, &eacute; desconhecida pelo pr&oacute;prio sujeito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Notas:</b></font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> A frase foi escrita no dia 15 de maio de 2013 e encontra&#45;se em <a href="http://www.facebook.com/AntiCorinthians" target="_blank">http://www.facebook.com/AntiCorinthians</a>, acessado na mesma data.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana"><a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> Aqui compreendemos "racializa&ccedil;&atilde;o" como a forma pela qual se criam estigmas relacionados a determinadas pessoas ou grupos. Segundo Ianni (2004), a "racializa&ccedil;&atilde;o" consiste na "transforma&ccedil;&atilde;o da marca em estigma, o que se manifesta na xenofobia, etnicismo, preconceito, segrega&ccedil;&atilde;o racismo" (p. 23). Falar sobre "ra&ccedil;as" sempre envolve a "racializa&ccedil;&atilde;o", incluindo ideias hierarquizantes e segregadoras. Esses estigmas n&atilde;o se limitam apenas a etnias, mas tamb&eacute;m a outras formas de "classifica&ccedil;&otilde;es". "Estigma esse que se insere e se impregna nos comportamentos e subjetividades, formas de sociabilidade e jogos de for&ccedil;as sociais, como se fosse 'natural', dado, inquestion&aacute;vel, reiterando&#45;se recorrentemente em diferentes n&iacute;veis das rela&ccedil;&otilde;es sociais" (Ianni, 2004, p. 23).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="2" face="Verdana"><a name="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> A publica&ccedil;&atilde;o foi feita no dia 3 de junho de 2013 e encontra&#45;se em <a href="http://www.facebook.com/AntiCorinthians" target="_blank">http://www.facebook.com/AntiCorinthians</a>, acessado na mesma data.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas:</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Dahia, S. L. M. "A media&ccedil;&atilde;o do riso na express&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o do racismo no Brasil". <i>Sociedade e Estado</i>, Bras&iacute;lia, v. 23, n. 3, p. 697&#45;720, set./dez. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Dahia, S. L. M. "Riso: uma solu&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria para os racistas no Brasil". <i>Estudos e Pesquisa em Psicologia</i>, Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, 2Âº quadrimestre. 2010. &lt;<a href="http://www.revipsi.uerj.br/v10n2/artigos/pdf/v10n2a06.pdf" target="_blank">http://www.revipsi.uerj.br/v10n2/artigos/pdf/v10n2a06.pdf</a>&gt; Data de acesso: 25 de setembro de 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Fantini, J. A. <i>Ra&iacute;zes da intoler&acirc;ncia</i>. Edufscar, 2014</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Fantini, J. A. "The 'racialized' other: intolerance and political equality in Brazil and the United Kingdom". Anais do Congresso: Psychoanalysis, Culture and Society na Middlesex University, London, Reino Unido, 2012.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Fantini, J. A. <i>Imagens do pai no cinema: cl&iacute;nica da cultura contempor&acirc;nea</i>. Edufscar, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Freud, S. "Mois&eacute;s e o monote&iacute;smo, esbo&ccedil;o da psican&aacute;lise". In: Freud, S. <i>Obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i>. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 23.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Hobsbawm, E. "Futebol de hoje sintetiza a globaliza&ccedil;&atilde;o: depoimento". &#91;30 de setembro, 2007&#93;. S&atilde;o Paulo: <i>Ilustrada</i>. Entrevista concedida a Sylvia Colombo.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Hook, D. "'Pre&#45;discursive' racism". <i>Journal of Community and Applied Social Psychology</i>, Londres, p. 207&#45;232, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Ianni, O. "Dial&eacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es raciais". <i>Estudos Avan&ccedil;ados</i>, v. 50, n. 18, 21&#45;30, 2004.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Zizek, S. "Neighbors and other monsters: a plea for ethical violence". The Bible and Critical Theory, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Zizek, S. "Some politically incorrect reflections on violence in France &amp; related matters", 2005. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.lacan.com/zizfrance.htm" target="_blank">http://www.lacan.com/zizfrance.htm</a>.&gt;. Acesso em 17 abril 2012.    </font></p>      ]]></body>
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