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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="verdana" size="2"><b>ARTIGO</b> </font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="4"><b>Governança da   internet no Brasil e no mundo: a disputa em torno do conceito de neutralidade   da rede</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2"><b>Vinicius Wagner   Oliveira Santos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>Contexto e   conceitos</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2">No   Brasil, recentemente e, principalmente desde 2012, muito se ouviu falar em   neutralidade da rede. Esse é um dos tópicos mais comentados, discutidos e   difundidos no contexto regulatório de internet que temos vivido, quando o país   tem debatido/votado algumas propostas de lei que visam a regulamentar a   internet nacional. O projeto de lei em questão é o do Marco Civil da internet,   que ficou conhecido como "a constituição da internet" no Brasil. É um projeto   de lei de caráter principiológico<a href="#_edn1" name="_ednref1" title=""><sup>1</sup></a> que trata de diversos aspectos que envolvem o uso da rede, como privacidade,   liberdade de expressão, guarda e uso de dados e a neutralidade. Após um   processo legislativo de quase 3 anos, o projeto se tornou lei no dia 23 de   abril de 2014. Nesse texto, pretendo resgatar (não exaustivamente) o conceito   de neutralidade da rede e contextualizá-lo no debate brasileiro do Marco Civil   da internet e também no debate mundial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">A   neutralidade da rede &#150; em inglês, <i>net(work) neutrality</i> &#150; foi um termo   cunhado em 2003 pelo pesquisador norte-americano Tim Wu, que tem sido desde   então uma das principais referências no assunto. A <i>neutralidade da rede</i> é um princípio que está no cerne do funcionamento da internet e diz respeito a   uma gestão de tráfego de dados que não faz distinção de pacotes de acordo com   seu conteúdo, plataforma ou site de origem, não privilegia determinados tipos   de conteúdo, sendo que a rede apenas transporta os pacotes de dados, deixando   para o usuário as decisões em relação ao tipo de uso que fará e aos dados que   acessará. A definição de neutralidade é frequentemente associada a um dos   princípios fundadores da internet, o <i>end-to-end</i>, que diz que o controle   da rede deve estar nas pontas, ou seja, os intermediários (provedores de   acesso) devem abster-se de tomar decisões que cabem apenas aos usuários finais.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Wu   pondera que não necessariamente toda rede deve ser neutra para ser útil (ex.:   redes privadas); ele acredita que uma rede que é pública (caso da internet) tem   um valor singular que depende dessa sua característica de ser neutra. Tim Wu   cunha o termo em seu artigo <i>Network neutrality, broadband discrimination </i>(2003)<a href="#_edn2" name="_ednref2" title=""><sup>2</sup></a> e traz uma   visão do conceito de neutralidade bastante atrelada à economia e a questões de   mercado. Ele faz uma relação direta entre a regulamentação da neutralidade e as   políticas de inovação. Para ele, é a neutralidade que vai garantir a   concorrência e a inovação na rede. Wu (2003) diz que o argumento da   neutralidade deve ser entendido como uma expressão concreta de um sistema de   convicção sobre a inovação, máxima que muito circulou também na defesa da   neutralidade no Marco Civil da internet.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Wu   (2003) toma a internet como uma rede de comunicações que pode ser vista como   uma plataforma de competição entre desenvolvedores das mais diversas   aplicações, batalhando por seu lugar nesse "mercado" e pelo interesse do   usuário final. Assim, ele vê o princípio da neutralidade como garantidor de que   essa competição continuará "meritocrática". Apesar dessa abordagem mais   economicista, Wu também problematiza, nessa e em outras obras, outras questões   sociais, transparência, cidadania e empoderamento pela rede, colocando a   neutralidade como requisito para isso.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Além   de Tim Wu, muitos outros pesquisadores têm desenvolvido estudos sobre o tema,   como Barbara van Shewick, Dong-Hee Shin, Lawrence Lessig, Christopher Marsden,   Marcelo Thompson dentre outros. Fora do escopo das ciências exatas, o debate   fica fortemente centrado nas áreas do direito e da economia, como podemos ver   com os exemplos dados. Apesar disso, outras áreas das ciências humanas também   têm expandido a pesquisa sobre neutralidade da rede, incluindo sociologia e   antropologia.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Esse   cenário evidencia como o debate apresenta uma diversidade de visões.   Christopher Marsden (2011)<a href="#_edn3" name="_ednref3" title=""><sup>3</sup></a>,   por exemplo, ressalta que a neutralidade não é uma problemática de caráter   apenas econômico. Para ele, neutralidade da rede é "uma frase simples e enganosa   que esconde uma multiplicidade de sentidos" (Ibid.). É o que de fato observamos   nas arenas públicas de debates. O conceito de neutralidade é algo ainda em   construção em todo o mundo, não existe apenas um conceito ampla e   consensualmente aceito.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Para   dar um exemplo de caráter mais cotidiano sobre o funcionamento da neutralidade   da rede, tomemos um usuário que contratou um serviço de internet por um preço X   e com a promessa de receber uma conexão de banda larga de velocidade 10   megabytes. Em nosso contexto, comparativa e proporcionalmente a médias   nacionais e regionais, é um pacote de velocidade razoável no que diz respeito à   experiência do usuário, navegabilidade, facilidade de acesso etc. Receber um   serviço que respeite o princípio da neutralidade da rede significa dizer que,   dentro desse pacote de velocidade contratado, o provedor não poderá interferir   na navegação do usuário baseando-se, para isso, em uma distinção por conteúdo.   Assim, se esse usuário tentar acessar um portal de notícias famoso, um blog de   mídia alternativa ou um vídeo em algum serviço online, ele deverá ter   garantido, por parte de seu provedor de acesso, a mesma velocidade de banda<a href="#_edn4" name="_ednref4" title=""><sup>4</sup></a> em todos   os casos, isso é, o que foi contratado junto à empresa. Um serviço que não   respeita o princípio da neutralidade é aquele que interfere no uso individual   por meio de uma diferenciação no gerenciamento de tráfego de acordo com o tipo   de conteúdo que se tentou acessar. Exemplo: o usuário não tem seu tráfego   afetado quando acessa um portal de notícias, mas tem sua banda drasticamente   reduzida ao tentar acessar um vídeo.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Esse   seria um exemplo mais geral, existem outras formas de enquadrar a discussão da   neutralidade. Por exemplo, na Colômbia, já é permitida uma prática de rede não   neutra que fragmenta a internet do usuário. Nesse caso, o usuário tem que   escolher entre pacotes de acesso que são classificados e precificados de acordo   com os tipos de conteúdo que oferece: apenas e-mail; e-mail e redes sociais;   navegação etc. Essa foi uma das possibilidades mais combatidas nos debates que   ocorreram no contexto do Marco Civil da internet no Brasil e, felizmente,   impedida na versão final do projeto.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Esse   tipo de prática não é algo novo e ocorre também em outros países. Desde o   início dos anos 2000, quando a internet entra em uma fase de maior expansão no   Brasil, já existiam serviços que praticavam o que ficou conhecido como <i>traffic   shaping</i><a href="#_edn5" name="_ednref5" title=""><sup>5</sup></a>, que é a prática de   bloquear/degradar certos "tipos" de tráfego de dados. Nesse caso, isso era   bastante usado com as redes <i>peer to peer</i><a href="#_edn6" name="_ednref6" title=""><sup>6</sup></a> (P2P), o que fazia com que usuários, temporariamente, tivessem seu tráfego   drasticamente reduzido a partir de determinado volume de dados que era acessado   de maneira contínua. Apesar dos menores índices, a prática ainda é adotada por   algumas empresas, conforme pesquisas do Measurement Lab<a href="#_edn7" name="_ednref7" title=""><sup>7</sup></a>.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">A   quebra de neutralidade também é comum, seja por interesses comerciais, seja por   interesses de controle estatal, como acontece, nesse último caso, em países   como China e Irã (Marsden, 2011). Nos Estados Unidos, por exemplo, temos uma   situação clara de cisão entre a banda larga fixa e a móvel<a href="#_edn8" name="_ednref8" title=""><sup>8</sup></a>.   Enquanto a banda larga fixa norte-americana teve alguma garantia de   neutralidade até recentemente<a href="#_edn9" name="_ednref9" title=""><sup>9</sup></a>,   a móvel já se apresentava explicitamente não neutra, com gerenciamento de dados   e diferenciação de conteúdos de maneira bastante sensível, incluindo   favorecimento de parcerias comerciais com as empresas fornecedoras do acesso.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Esse   tipo de parceria entre empresas é uma das formas de quebra de neutralidade que   mais se tenta legitimar. Hoje, o exemplo mais conhecido é o acordo firmado   entre as empresas Netflix (vídeo sob demanda) e Comcast (provedor de conexão)   nos Estados Unidos. A intenção é estabelecer uma "pista rápida" para que os   vídeos da Netflix trafeguem com maior velocidade, consequentemente amenizando   oscilações na transmissão. É importante pontuar que esse tipo de prática não é   algo banal, e afeta toda a estrutura da rede. Técnicas de gerenciamento de   tráfego afetam todos os conteúdos, pois só se consegue construir "pistas   rápidas" a partir da produção de desigualdades, ou seja, ao privilegiar alguns   conteúdos você degrada o tráfego de outros (Marsden, 2011).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Os   opositores da neutralidade no Brasil, com a aprovação do Marco Civil da   internet com garantia do princípio, tentam argumentar principalmente no sentido   de legitimar uma interpretação da lei que permitiria esse tipo de acordo. Por   hora, ainda é especulação, pois é preciso esperar o decreto de regulamentação   da lei e, ainda, observar como vai se conformar a aplicação das novas regras.   Mesmo assim, esse tipo de investida é parte central da disputa conceitual em   torno da neutralidade, que ocorre principalmente por meio de discursos e   narrativas que são colocados em circulação.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Na   Coreia do Sul, país com um dos melhores contextos de banda larga no que diz   respeito às médias de velocidade alcançadas e disponibilidade/garantia de banda   contratada, temos também falta de regulação sobre a prática da quebra de   neutralidade, havendo relatos e discussões em andamento que advogam contra as   empresas que degradam tráfego dos usuários (Shin, 2011)<a href="#_edn10" name="_ednref10" title=""><sup>10</sup></a>.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">No   Chile, ao contrário, já temos regulação clara de garantia da neutralidade da   rede desde 2010, sendo que recentemente já apareceram as primeiras análises   positivas do período pós-regulação no país<a href="#_edn11" name="_ednref11" title=""><sup>11</sup></a>.   Da mesma forma, também se observa uma regulação clara na Holanda, onde a quebra   de neutralidade é ilegal, com os processos relacionados à gestão da rede   altamente judicializados<a href="#_edn12" name="_ednref12" title=""><sup>12</sup></a>.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Vemos   que o tema é essencialmente controverso, com uma série de posicionamentos   diferenciados entre os países. Dessa forma, a tentativa de legislação mais   completa no caso brasileiro coloca o país em uma posição central no debate em   âmbito internacional. Apesar de países como Chile e Holanda já possuírem leis   ativas, outros ainda estão debatendo e tentando aprovar suas leis e, no caso   europeu de forma geral, uma lei recém-aprovada<a href="#_edn13" name="_ednref13" title=""><sup>13</sup></a>. O Brasil aparece nesse contexto   de forma bem representada pelo Marco Civil da internet, que ficou globalmente   conhecido, apesar das dificuldades de consenso durante o longo processo de   tramitação na Câmara dos Deputados<a href="#_edn14" name="_ednref14" title=""><sup>14</sup></a> e mesmo durante a "veloz" tramitação no Senado<a href="#_edn15" name="_ednref15" title=""><sup>15</sup></a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>Governança   da rede e rumos do debate</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Na perspectiva de   equacionar esse cenário global de disputas em torno da neutralidade e demais   princípios que devem orientar a governança da internet mundial, diversos   eventos, encontros e conferências têm ocorrido. Na cidade de São Paulo, nos   dias 23 e 24 de abril de 2014, teve lugar o Global Multistakeholder Meeting on   the Future of Internet Governance, mais conhecido como NETmundial. O evento é   parte de um contexto global complexo<a href="#_edn16" name="_ednref16" title=""><sup>16</sup></a>,   que tem relação direta com as denúncias de espionagem do governo   norte-americano que emergiram no ano de 2013 com Edward Snowden<a href="#_edn17" name="_ednref17" title=""><sup>17</sup></a>. O encontro teve o   intuito de debater questões importantes sobre a governança da internet e   elaborar um documento com o intuito de formalizar os pontos de consenso. Esse   documento poderia ser utilizado em outros espaços de discussão e deliberação   sobre governança global de internet, bem como na política interna dos países.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Atrelados a esse   grande evento, outros dois encontros completaram o que foi uma verdadeira   "semana da internet" na cidade de São Paulo. No total, entre os dias 22 e 26 de   abril, foram três grandes eventos. Paralelamente ao NETmundial, realizou-se o   Arena NETmundial com o intuito de ser um espaço mais aberto de discussões sobre   governança. Também de caráter propositivo, um de seus objetivos era, de alguma   forma, interferir no evento central, provendo-o com as manifestações populares   mais diversas.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Nos dois dias que   se seguiram ao NETmundial, ocorreu, no mesmo local, o Fórum da Internet no   Brasil, evento anual do Comitê Gestor da Internet, antecipado para acontecer em   conjunto com o fórum global. Um dos focos dessa edição foi a avaliação do   encontro mundial que acabara de ocorrer, tendo em vista, inclusive, contextualizá-lo   com a atualidade nacional do debate sobre a rede.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Não (totalmente)   por acaso, o Marco Civil da internet, projeto de lei que tramitou na Câmara dos   Deputados por pouco mais de dois anos, foi sancionado pela presidenta da   República durante a abertura do NETmundial. A sanção do Marco Civil naquele   momento teve simbolismo político muito forte, tendo em vista o papel do país no   encontro. A velocidade de aprovação no Senado, os regimes de urgência colocados   para a tramitação do projeto, tanto na Câmara como no Senado, possuem relação   direta com esse momento da sanção, demonstrando a complexidade política,   nacional e internacional, envolvida no processo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Como   citamos, em diversos locais do mundo o debate sobre a rede tem se   intensificado, indo desde leis sobre gestão de infraestrutura até demais regras   de uso e práticas online. Nesse contexto, o Brasil de fato acabou por assumir   uma posição de liderança, a partir da chamada para o NETmundial, quando   conseguiu reunir delegações de dezenas de países para debater os rumos da   internet aqui em território nacional. E o Marco Civil da internet, apesar de   ser uma lei interna, exerce papel importante em todo esse cenário. NETmundial e   Marco Civil da internet se inter-relacionam e afetam um ao outro. Um primeiro   ponto que ambos compartilham de forma explícita: o debate acalorado sobre o   princípio da neutralidade da rede.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">O NETmundial foi a primeira conferência desse   tipo. Ele visou a debater a estrutura atual que rege o ecossistema de   governança da rede global, adotando para isso um foco multissetorial, em que   diversos "stakeholders" &#150; como são assim chamados todos os atores que de alguma   forma exercem um papel no debate &#150; tiveram a possibilidade de se colocar,   contribuir com as discussões antes e durante o evento.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">A proposta era   organizar duas discussões principais: 1- Princípios para a governança da   internet; e 2- Roteiro para a evolução futura do ecossistema de governança da   internet. As contribuições enviadas à organização foram sistematizadas em um   documento que funcionou como direcionamento para o evento. Ao fim, modificações   e adições foram realizadas originando o documento final que foi nomeado como   "Declaração multissetorial de São Paulo".</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Do ponto de vista   da discussão que traçamos aqui sobre a neutralidade da rede, alguns pontos   merecem destaque nessa declaração. O debate sobre a neutralidade foi central.   No documento, contudo, a neutralidade não apareceu como um princípio de forma   explícita, constando apenas nos itens que foram listados como "pontos a serem   discutidos para além do NETmundial". Isso, naturalmente, causou grande   descontentamento por diversos dos "stakeholders" participantes. Apesar disso, é   importante atentarmos para duas questões: 1- o silenciamento do termo   neutralidade da rede na declaração final materializa algo crucial: a disputa   conceitual/política em torno da neutralidade; e 2- apesar do termo não aparecer   de forma explícita, ele aparece fragmentado, em outra roupagem.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Esses pontos   sugerem importantes análises sobre o processo, já que, como admitiram   publicamente membros do comitê, essa foi uma estratégia para possibilitar a   inserção da neutralidade, nos limites dos constrangimentos políticos em curso   nas negociações. Dentre os trechos do texto<a href="#_edn18" name="_ednref18" title=""><sup>18</sup></a> que representam menções à neutralidade, podemos elencar:</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">1- Espaço   unificado e não-fragmentado: a internet deve continuar sendo a "rede das   redes", globalmente coerente, interconectada, estável, não-fragmentada,   escalonável e acessível, baseada em um conjunto comum de identificadores   únicos, que permita que informações e pacotes de dados fluam livremente em um   princípio fim-a-fim, independentemente de conteúdo legal;</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">2- Arquitetura   aberta e distribuída: a internet deve ser mantida como um ambiente fértil e   inovador baseado em uma arquitetura de sistema aberto, com colaboração   voluntária, administração coletiva e participação, além da garantia da natureza   fim-a-fim da internet aberta;</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">3- Ambiente   propício à inovação sustentável e à criatividade: a habilidade de inovar e   criar esteve no coração do crescimento marcante da internet e isso trouxe   grande valor para a sociedade global. Para a preservação desse dinamismo, a governança da internet deve continuar a permitir a   inovação sem necessidade de permissão por meio de um ambiente favorável,   consistente com outros princípios deste documento.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">"Espaço unificado   e não-fragmentado", "rede das redes", "princípio fim-a-fim", "ambiente propício   à inovação" são todos termos bastante usados para construir um argumento   consistente sobre neutralidade da rede. Dessa forma, podemos perceber que a   conformação de um documento como a declaração final de um evento global como o   NETmundial é muito mais complexa que o simples fato de conter ou não um termo   de maneira explícita.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Além dos trechos   citados, ao fim do documento o termo neutralidade da rede é nomeado na seção de   "pontos a serem discutidos para além do NETmundial". Lá, é dito que a   neutralidade foi um ponto bastante debatido, com muitas divergências e   preocupação dos atores com o conceito e com a falta dele no documento   resultante. Assim, ficou colocado como item a continuar sendo tratado em outros   espaços apropriados para que se chegue a um entendimento consensual entre   países e setores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">É importante   percebemos nesse processo: a disputa em torno do princípio da neutralidade, as   divergências entre os países, o silenciamento da expressão, a presença   fragmentada ao longo do documento. Representantes do setor privado e países   como Estados Unidos e França, por exemplo, não concordaram em colocar   neutralidade da rede como um princípio no documento, por isso o termo acabou   por aparecer nessa seção de discussões posteriores. Aqui, vemos a política em   ação. Em uma mesa de negociações composta por delegações de diversos países em   que se precisa chegar a um consenso, as disputas e concessões são ponto comum,   necessitando um alinhamento textual muito específico para se conseguir,   minimamente, agradar a maior parcela dos envolvidos.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Durante o Fórum da   Internet no Brasil, evento que se seguiu ao NETmundial e que serviu como espaço   de avaliação do mesmo, Carlos Afonso &#150; representante da sociedade civil no   comitê multissetorial executivo do NETmundial &#150; disse que o texto final só foi   o possível de ser atingido dessa forma, para que os opositores da neutralidade   a aceitassem de alguma maneira na versão final.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2"><b><i>Vinicius   Wagner Oliveira Santos</i></b><i> é doutorando em política científica e tecnológica pelo Instituto de Geociências   da Unicamp e mestre em divulgação científica e cultural pelo Laboratório de   Estudos Avançados em Jornalismo da mesma instituição.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref1" name="_edn1" title="">1</a> Que trata de princípios. No caso, uma lei de caráter mais   generalista que não sofra obsolescência precoce.    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref2" name="_edn2" title="">2</a> WU, Tim. Network Neutrality, Broadband Discrimination. <i>Journal   of Telecommunications and High Technology Law</i>, Vol. 2, p. 141, 2003. Disponível em: &lt;<a href="http://ssrn.com/abstract=388863" target="_blank">http://ssrn.com/abstract=388863</a>&gt;. Acesso em 6   de maio de 2014.    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref3" name="_edn3" title="">3</a> Marsden, Christopher. "Network eutrality: A Research Guide"   (May 26, 2011). <i>Handbook of Internet Research</i>, I. Brown, ed., Edward   Elgar, 2012. Disponível em: &lt;<a href="http://ssrn.com/abstract=1853648" target="_blank">http://ssrn.com/abstract=1853648</a>&gt;. Acesso em 6 de maio de 2014.    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref4" name="_edn4" title="">4</a> Neste caso, em relação ao que é responsabilidade do provedor de   acesso. Naturalmente, existem oscilações de velocidade que são responsabilidade   do servidor em que se encontra hospedado o site que o usuário tenta acessar.    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref5" name="_edn5" title="">5</a> &lt;<a href="http://tecnoblog.net/109523/estudo-net-traffic-shaping-torrent/" target="_blank">http://tecnoblog.net/109523/estudo-net-traffic-shaping-torrent/</a>&gt;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref6" name="_edn6" title="">6</a> As redes <i>peer to peer</i> são redes de troca de arquivos que   utilizam determinados protocolos de conexão para realizarem tráfego de dados   direto entre as máquinas dos usuários, utilizando-se para isso de servidores de   rastreio conhecidos como <i>trackers</i>. Dessa forma, os usuários conseguem   obter arquivos, os mais diversos, ao mesmo tempo que fornecem retroalimentando   a rede. Esse tipo de mecanismo ficou bastante conhecido pelo grande volume de   troca de arquivos de mídia, como músicas e filmes, o que também causou muitos   constrangimentos com a indústria de direitos autorais. Mais informações em: &lt;<a href="http://compnetworking.about.com/od/p2ppeertopeer/g/bldef_p2p.htm" target="_blank">http://compnetworking.about.com/od/p2ppeertopeer/g/bldef_p2p.htm</a>&gt;    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref7" name="_edn7" title="">7</a> &lt;<a href="http://gizmodo.uol.com.br/quais-provedores-mais-reduzem-a-velocidade-de-videos-e-torrents-no-brasil/" target="_blank">http://gizmodo.uol.com.br/quais-provedores-mais-reduzem-a-velocidade-de-videos-e-torrents-no-brasil/</a>&gt;    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref8" name="_edn8" title="">8</a> &lt;<a href="http://www.broadbandchoices.co.uk/guides/mobile-broadband/mobile-broadband-vs-fixed-line-broadband" target="_blank">http://www.broadbandchoices.co.uk/guides/mobile-broadband/mobile-broadband-vs-fixed-line-broadband</a>&gt;    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref9" name="_edn9" title="">9</a> Acontecimentos recentes em território norte-americano causaram   certa reviravolta na questão da neutralidade no país. São dois exemplos   principais: o caso da batalha judicial entre FCC e Verizon   &lt;<a href="http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=35755" target="_blank">http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=35755</a>&gt;;   e o caso do acordo entre a Comcast e a Netflix &lt;<a href="http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=36499&sid=4#.U2jh0B9xmR0" target="_blank">http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=36499&amp;sid=4#.U2jh0B9xmR0</a>&gt;.    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref10" name="_edn10" title="">10</a> Shin, Dong-Hee, "Demystifying internet neutrality of Korea with stakeholder analysis: <i>a</i> <i>c</i>ase <i>s</i>tudy of <i>n</i>etwork <i>n</i>eutrality   in Korea". 2011. Disponível em:   &lt;<a href="http://ssrn.com/abstract=1976122" target="_blank">http://ssrn.com/abstract=1976122</a>&gt; ou &lt;<a href="http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.1976122" target="_blank">http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.1976122</a>&gt;. Acesso em 6 de maio de 2014.    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref11" name="_edn11" title="">11</a> &lt;<a href="http://www.digitalrightslac.net/pt/una-evaluacion-de-la-ley-de-neutralidad-de-la-red-en-chile/" target="_blank">http://www.digitalrightslac.net/pt/una-evaluacion-de-la-ley-de-neutralidad-de-la-red-en-chile/</a>&gt;    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref12" name="_edn12" title="">12</a> &lt;<a href="https://www.eff.org/deeplinks/2012/05/netherlands-passes-net-neutrality-legislation" target="_blank">https://www.eff.org/deeplinks/2012/05/netherlands-passes-net-neutrality-legislation</a>&gt;    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref13" name="_edn13" title="">13</a> &lt;<a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=92549" target="_blank">http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=92549</a>&gt;    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref14" name="_edn14" title="">14</a> &lt;<a href="http://www.brasilpost.com.br/2014/03/25/marco-civil-aprovado_n_5031433.html" target="_blank">http://www.brasilpost.com.br/2014/03/25/marco-civil-aprovado_n_5031433.html</a>&gt;    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref15" name="_edn15" title="">15</a> &lt;<a href="http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/04/22/para-oposicao-marco-civil-da-internet-foi-aprovado-em-tempo-recorde-para-agradar-dilma" target="_blank">http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/04/22/para-oposicao-marco-civil-da-internet-foi-aprovado-em-tempo-recorde-para-agradar-dilma</a>&gt;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref16" name="_edn16" title="">16</a> &lt;<a href="http://www.brasilpoder.com.br/wp/brasil-sediara-conferencia-mundial-governanca-internet-2014/" target="_blank">http://www.brasilpoder.com.br/wp/brasil-sediara-conferencia-mundial-governanca-internet-2014/</a>&gt;    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref17" name="_edn17" title="">17</a> &lt;<a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/07/entenda-o-caso-de-edward-snowden-que-revelou-espionagem-dos-eua.html" target="_blank">http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/07/entenda-o-caso-de-edward-snowden-que-revelou-espionagem-dos-eua.html</a>&gt;    <br> </font><font face="verdana" size="2"><a href="#_ednref18" name="_edn18" title="">18</a> Tradução livre a partir do documento original, em inglês,   que pode ser acessado em &lt;<a href="http://netmundial.br/wp-content/uploads/2014/04/NETmundial-Multistakeholder-Document.pdf" target="_blank">http://netmundial.br/wp-content/uploads/2014/04/NETmundial-Multistakeholder-Document.pdf</a>&gt;.</font></p>      ]]></body>

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