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</front><body><![CDATA[ 
    <p align="right"><font face="verdana" size="2"><b>EDITORIAL</b></font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="4"><b>Pop science</b></font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font face="verdana" size="2"><b>Carlos Vogt</b></font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><b><font face="verdana" size="2"></font></b><font face="verdana" size="2">No t&uacute;mulo de Isaac
  Newton (1642-1727), na abadia de Westminster, em Londres, Inglaterra, est&atilde;o
  gravados os versos que o paneg&iacute;rico de Alexander Pope (1688-1744) esculpiu:</font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Nature and Nature's law lay hid in night.</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">God sad "Let Newton be" and all was light.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Em portugu&ecirc;s, numa
  tradu&ccedil;&atilde;o politicamente livre, ou livremente po&eacute;tica:</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">A Natureza e as suas leis jaziam na noite
  escondidas.</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Disse Deus "Fa&ccedil;a-se Newton" e houve luz nas
    jazidas.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Uma outra vers&atilde;o
  do elogio de Pope foi produzida por Aaron Hill (1685-1750), seu desafeto
  liter&aacute;rio, e diz assim:</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">O'er Nature's laws God cast the veil of night.</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Out blaz'd a Newton's soul and was light.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Traduzindo, no
  mesmo esp&iacute;rito:</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Sobre as leis da Natureza Deus lan&ccedil;ou da
  noite o manto escuro.</font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>
  <font face="verdana" size="2">Fora ardia um princ&iacute;pio essencial de Newton
    e era dia puro.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Consagrou-se,
  contudo, o d&iacute;stico de Pope por qualidades pr&oacute;prias, pela inscri&ccedil;&atilde;o no t&uacute;mulo do
  her&oacute;i da mec&acirc;nica moderna e a tal ponto e de tal forma que entrou, sem
  trocadilho, pela porta da cultura pop e estourou em sucesso no best-seller de
  Dan Brown - <i>O
    c&oacute;digo Da Vinci</i> - , cuja trama organiza-se, em sua parte final,
  em torno do quebra-cabe&ccedil;as em versos que envolve o poeta do s&eacute;culo XVIII, o f&iacute;sico
  no seu jazigo e o jazigo na abadia de Westminster, cen&aacute;rio do desenlace do
  frenesi narrativo das perip&eacute;cias ex&oacute;tico-esot&eacute;ricas do romance.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Com as leis de
  Newton, o mundo cient&iacute;fico viveu, ao menos at&eacute; a segunda metade do s&eacute;culo XIX,
  a sensa&ccedil;&atilde;o de que a f&iacute;sica havia conclu&iacute;do sua tarefa e que a ci&ecirc;ncia estava,
  enfim, &agrave;s portas de obter as respostas definitivas sobre os segredos da
  natureza e os mist&eacute;rios do mundo.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Contudo, no dia 14
  de dezembro de 1900, Max Planck anuncia, na Sociedade Berlinense de F&iacute;sica, que
  a energia n&atilde;o &eacute; emitida e tampouco absorvida continuamente, mas sim na forma de
  pequeninas por&ccedil;&otilde;es discretas chamadas <i>quanta</i>, ou <i>f&oacute;tons</i>, cuja
  grandeza &eacute; proporcional &agrave; frequ&ecirc;ncia da radia&ccedil;&atilde;o.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Nascia a f&iacute;sica
  qu&acirc;ntica e as determina&ccedil;&otilde;es do mundo que a f&iacute;sica newtoniana fazia compreender
  abalavam-se com toda a teoria e as certezas constru&iacute;das de seu saber.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Em 1905, o "<i>annus
  mirabilis</i>" da ci&ecirc;ncia, da natureza, Einstein publica os artigos que
  revolucionar&atilde;o a f&iacute;sica e estabelecer&atilde;o os seus fundamentos modernos: "Sobre um
  ponto de vista heur&iacute;stico relativo &agrave; gera&ccedil;&atilde;o e &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o da luz"; "Sobre
  uma nova determina&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es moleculares"; "Sobre o movimento de
  part&iacute;culas suspensas em flu&iacute;dos em repouso"; "Sobre a eletrodin&acirc;mica dos corpos
  em movimento" e "A in&eacute;rcia de um corpo depende da sua energia?", no qual prop&otilde;e
  a sua famosa equa&ccedil;&atilde;o&nbsp; E= mc<sup>2</sup>.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Com a teoria da
  relatividade restrita consagrada, Einstein trabalha numa nova teoria da
  gravita&ccedil;&atilde;o, a sua teoria da relatividade geral e, em 1911, no artigo "Sobre o
  efeito da gravidade na propaga&ccedil;&atilde;o da luz" anuncia que o campo gravitacional
  deveria provocar a curvatura da luz.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Em 1921, conquista
  o Pr&ecirc;mio Nobel e consolida sua reputa&ccedil;&atilde;o como cientista, como humanista e como
  cidad&atilde;o do mundo.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Nessa &eacute;poca,
  Einstein viaja bastante desempenhando com cont&iacute;nua intensidade esses diversos
  pap&eacute;is sociais com que foi revestindo sua vida.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Em Londres, para
  onde se dirigiu depois de estar em Manchester, Sir John Squire (1884-1958)
  poeta, cr&iacute;tico, historiador e jornalista inventor da dupla par&oacute;dia, que
  consiste em transmitir o conte&uacute;do da obra de um poeta no estilo de um outro,
  acrescentou ao epit&aacute;fio de Alexander Pope para Newton os dois versos que, com
  fina ironia, d&atilde;o bem medida dos transtornos cient&iacute;fico-culturais que as
  descobertas de Einstein provocaram nas certezas de ent&atilde;o:</font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">It did not last: the Devil howling "Ho!</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Let Einstein be!" restored the status quo.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Em nossa tradu&ccedil;&atilde;o:</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Durou pouco: o Diabo uivando "Oh!</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Einstein seja feito!"&nbsp; restaurou o
    status quo.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Como o mundo &eacute;
  feito de mudan&ccedil;as, conforme anota&ccedil;&otilde;es em prosa e verso desde o renascimento, ou
  mesmo antes, e como l&aacute; se v&atilde;o cem anos miraculosos do admir&aacute;vel ano de 1905 e
  outros quase tantos da homenagem divertida de John Squire aos abalos
  revolucion&aacute;rios da ci&ecirc;ncia, acrescento aqui meu tributo aos donos da cria&ccedil;&atilde;o.</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Pe&ccedil;o licen&ccedil;a
  po&eacute;tica para emendar as antigas rever&ecirc;ncias com uma nova irrever&ecirc;ncia cheia de
  espanto maroto e sincera admira&ccedil;&atilde;o, ficando assim, re-emendado, o poema
  original e tamb&eacute;m sua vers&atilde;o:</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">Nature and Nature's law lay hid in night.</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">God said "Let Newton be" and all was light.</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">It did not last: the Devil howling "Ho!</font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>
  <font face="verdana" size="2">Let Einstein be!" restored the status quo.</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">After a while, playing dice, thinking more free</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">In the space-time they started singing "Whatever will be,
    will be!"</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2">A natureza e as suas leis jaziam na noite
  escondidas.</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Disse Deus "Fa&ccedil;a-se Newton" e houve luz nas
    jazidas.</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Durou pouco: o Diabo uivando "Oh!</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Einstein seja feito!" restaurou o status
    quo.</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">Passado um momento, jogando dados em livre
    pensar</font>    <br>
  <font face="verdana" size="2">No espa&ccedil;o-tempo todos cantavam "O que ser&aacute;,
    ser&aacute;!".</font></p>
    <p><font face="verdana" size="2"><i>(Assista ao v&iacute;deo
  produzido pelos alunos da 8a turma da Especializa&ccedil;&atilde;o em Jornalismo Cient&iacute;fico
  do Labjor/Unicamp, a partir do Poema Pop Science.)</i></font></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Link para: <a
href=http://www.festivaldominuto.com.br/videos/33121?locale=pt-BR target=_blank>http://www.festivaldominuto.com.br/videos/33121?locale=pt-BR</a></font></p>
     ]]></body>

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