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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><B>ARTIGO</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><B>Narrativas infantis e teoria da mente</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Graciela Inchausti de Jou</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Psic&oacute;loga, professora visitante do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e integrante do Grupo de Pesquisa em Inf&acirc;ncia Desenvolvimento e Psicopatologia e do N&uacute;cleo de Estudos em Neuropsicologia Cognitiva na mesma universidade</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><I>"Dos diversos instrumentos inventados pelo    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   homem, o mais assombroso &eacute; o livro; todos os    <br>   demais s&atilde;o extens&otilde;es de seu corpo… S&oacute; o livro &eacute;    <br>   uma extens&atilde;o da imagina&ccedil;&atilde;o e da mem&oacute;ria".</I></font></p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana">Jorge Luis Borges</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A habilidade de atribuir inten&ccedil;&otilde;es, sentimentos, desejos e cren&ccedil;as e, com base neles, predizer o comportamento das pessoas &eacute; o que se denomina teoria da mente. No contexto social, as pessoas interagem em todo momento, escutando o que &eacute; dito e "adivinhando" o que n&atilde;o &eacute; dito. Esse poder de "adivinhar", de interpretar pensamentos e emo&ccedil;&otilde;es de n&oacute;s mesmos e dos outros &eacute; uma ferramenta social que come&ccedil;a a desenvolver-se a partir do nascimento e do primeiro sorriso de resposta que o beb&ecirc; oferece &agrave; sua m&atilde;e.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Originalmente, o termo teoria da mente foi criado por Premack e Woodruff (1978) ao investigar se os chimpanz&eacute;s tamb&eacute;m teriam essa caracter&iacute;stica humana. No seu artigo, os autores explicam que um indiv&iacute;duo teria uma teoria da mente se ele atribu&iacute;sse estados mentais a si mesmo e aos outros. Eles propunham que os estados mentais, ao n&atilde;o serem diretamente observ&aacute;veis, devem obedecer a um sistema de infer&ecirc;ncia e, portanto, a explica&ccedil;&atilde;o que o indiv&iacute;duo faz das inten&ccedil;&otilde;es do outro pode ser vista como uma teoria. O sistema de infer&ecirc;ncias, ent&atilde;o, permitiria elaborar teorias e predi&ccedil;&otilde;es sobre o comportamento pr&oacute;prio e dos outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na sua pesquisa, Premack e Woodruff (1978) se perguntaram se os chimpanz&eacute;s, tamb&eacute;m como seres sociais, poderiam usar um sistema de infer&ecirc;ncias similar ao de nossa esp&eacute;cie para compreender as inten&ccedil;&otilde;es, os pensamentos e os desejos dos outros. Para responder essa pergunta, eles mostraram uma s&eacute;rie de v&iacute;deos para um chimpanz&eacute; adulto sobre um ator humano tentando resolver problemas, alguns simples, outros mais complexos. Os resultados mostraram que o chimpanz&eacute;, ao escolher a alternativa compat&iacute;vel com a solu&ccedil;&atilde;o do problema, entendeu a situa&ccedil;&atilde;o problema e a inten&ccedil;&atilde;o do ator para resolv&ecirc;-la.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Pouco tempo depois, Wimmer e Perner (1983), utilizando o termo teoria da mente, criado por Premack e Woodruff, deram na pesquisa um salto evolutivo e come&ccedil;aram a investigar em que momento do desenvolvimento do ser humano surgia a teoria da mente. Wimmer e Perner investigaram a capacidade de interpretar as inten&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias e dos outros em crian&ccedil;as pr&eacute;-escolares e afirmaram que, assim como a linguagem, essa capacidade seria exclusivamente humana. A intera&ccedil;&atilde;o entre a elabora&ccedil;&atilde;o de uma teoria sobre os estados mentais e sua testagem conduziria ao desenvolvimento do conhecimento social da crian&ccedil;a, exatamente como acontece com o conhecimento cient&iacute;fico (Jou &amp; Sperb, 1999).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para testar a teoria da mente, Wimmer e Perner elaboraram a tarefa de cren&ccedil;a falsa, na qual a crian&ccedil;a escutava uma historinha e no final deveria responder segundo o que o personagem sabe, ignorando seu pr&oacute;prio conhecimento. Se a tarefa de Premack e Woodruff exigia que o chimpanz&eacute; se colocasse no lugar do ator humano para resolver o problema, a tarefa de Wimmer e Perner exigia das crian&ccedil;as pr&eacute;-escolares que elas lidassem com duas cren&ccedil;as, a pr&oacute;pria (real) e a do personagem (falsa) e resolvessem a tarefa em fun&ccedil;&atilde;o da segunda. Cognitivamente, a crian&ccedil;a teria que representar, al&eacute;m de seu pr&oacute;prio conhecimento, o conhecimento do personagem, al&eacute;m de representar a diferen&ccedil;a entre ambos, ou seja, deveria metarrepresentar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A hist&oacute;ria se refere a um protagonista chamado Maxi que guarda um chocolate em determinado arm&aacute;rio. Posteriormente, ele sai para brincar enquanto a sua m&atilde;e pega o chocolate e o coloca em outro arm&aacute;rio. Depois, quando Maxi volta a buscar o chocolate, pergunta-se &agrave; crian&ccedil;a onde ele vai procurar o chocolate. Se a crian&ccedil;a indica o lugar onde o personagem guardou o chocolate, conclui-se que ela j&aacute; possui a teoria da mente, pois para dar essa resposta ela teria que representar, ao mesmo tempo, o que Maxi est&aacute; pensando, por n&atilde;o ter visto a troca de lugar, e seu pr&oacute;prio pensamento, que difere do de Maxi por ter visto a troca de lugar. Se a crian&ccedil;a responde pelo que ela sabe, n&atilde;o teria ainda a capacidade de metarrepresentar. Geralmente essa mudan&ccedil;a no desenvolvimento cognitivo ocorre por volta dos quatro anos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apesar do termo teoria da mente n&atilde;o ser t&atilde;o transparente com rela&ccedil;&atilde;o ao conceito que representa &#150; como pode ser o termo leitura da mente, proposto por Whiten e Perner (1991) &#150;, ele foi altamente difundido e hoje &eacute; consenso entre os pesquisadores da &aacute;rea. Contudo, deve-se considerar que sob esse termo guarda-chuva est&atilde;o contidas v&aacute;rias habilidades sociocognitivas, umas diferentes das outras, como por exemplo, interpretar sentimentos e emo&ccedil;&otilde;es, colocar-se no lugar do outro e empatia, entre outras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos &uacute;ltimos quarenta anos, uma grande quantidade de pesquisas foi desenvolvida sobre teoria da mente, tentando responder, por exemplo, a que idade surge essa habilidade no ser humano, se continua desenvolvendo-se ao longo dos anos, se h&aacute; decr&eacute;scimo dessa habilidade nos adultos idosos, se h&aacute; diferen&ccedil;a de g&ecirc;nero, o que acontece quando n&atilde;o existe teoria da mente, como se manifesta essa habilidade em algumas patologias e como essa habilidade se relaciona com outras habilidades cognitivas, como, por exemplo, a linguagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse aprofundamento na &aacute;rea levou a novas conceitua&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas, entre elas, como diferenciar dois dom&iacute;nios dentro da teoria da mente, o afetivo e o cognitivo. O afetivo refere-se &agrave; habilidade de detectar e entender as emo&ccedil;&otilde;es dos outros e o cognitivo refere-se &agrave; infer&ecirc;ncia e representa&ccedil;&atilde;o das cren&ccedil;as e das inten&ccedil;&otilde;es dos outros (Kidd &amp; Castano, 2013; Kalbe e cols., 2010; Shamay-Tsoory&amp; Aharon-Peretz, 2007). Essa distin&ccedil;&atilde;o conceitual &eacute; importante para compreender a extens&atilde;o da teoria da mente, pois como o trabalho de Goldstein, Wu e Winner (2009) mostra, um indiv&iacute;duo pode ter o dom&iacute;nio cognitivo da teoria da mente sem necessariamente ser emp&aacute;tico (dom&iacute;nio afetivo).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O desenvolvimento gradual da teoria da mente em crian&ccedil;as, especialmente nos anos pr&eacute;-escolares, foi bem documentado na literatura da &aacute;rea. Entretanto, o que est&aacute; faltando &eacute; uma decisiva explica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de como as crian&ccedil;as adquirem essa capacidade sociocognitiva. Pesquisas recentes t&ecirc;m mostrado uma forte rela&ccedil;&atilde;o entre as habilidades lingu&iacute;sticas das crian&ccedil;as e a teoria da mente, conduzindo &agrave; pergunta: por que a linguagem &eacute; importante para a teoria da mente? Esta pergunta &eacute; o t&iacute;tulo do livro publicado por Astington e Baird (Astington &amp; Baird, 2005). Estes autores informam que h&aacute; uma vasta quantidade de publica&ccedil;&otilde;es, mostrando a interdepend&ecirc;ncia entre linguagem e teoria da mente. Eles ainda esclarecem que nos primeiros anos da crian&ccedil;a, as habilidades iniciais da teoria da mente, como aten&ccedil;&atilde;o compartilhada, facilitariam o desenvolvimento da linguagem e, por sua vez, a linguagem e o uso de verbos mentais facilitariam o desenvolvimento da teoria da mente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O uso de verbos mentais aproxima a crian&ccedil;a da compreens&atilde;o dos estados mentais. Quando a crian&ccedil;a diz: eu quero, eu acho, eu sei, eu penso, ela est&aacute; se referindo a um estado mental que determinar&aacute; seu comportamento. Segundo Roazzi e Santana (2008), os verbos mentais estariam relacionados a estados cognitivos internos. Portanto, entender e utilizar esses verbos habilita a crian&ccedil;a a expressar seus pr&oacute;prios estados mentais, coordenando sua perspectiva com a dos outros. O uso dos verbos mentais acelera o entendimento infantil acerca dos pensamentos, sentimentos e desejos das pessoas &agrave; sua volta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Da mesma maneira, a leitura de narrativas ou, no caso de crian&ccedil;as pequenas, a escuta de contos infantis promoveria o entendimento das crian&ccedil;as dos desejos, cren&ccedil;as, inten&ccedil;&otilde;es e sentimentos dos personagens, assim como promoveria a compreens&atilde;o dos sentimentos e pensamentos pr&oacute;prios que a hist&oacute;ria lhes provoca. Ou seja, se a tristeza ou alegria do personagem sensibiliza a crian&ccedil;a, a leitura estaria estimulando sua empatia, dom&iacute;nio afetivo da teoria da mente; por outro lado, se a hist&oacute;ria remete para solucionar problemas ou desvendar mist&eacute;rios, a crian&ccedil;a deve inferir o comportamento do personagem, considerando suas cren&ccedil;as, desejos e inten&ccedil;&otilde;es, estimulando ent&atilde;o o dom&iacute;nio cognitivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recentemente, no dia 03 de outubro de 2013, a revista <I>Science</I> publicou o artigo de Kidd e Castano, "Reading literary fiction improves theory of mind" (A leitura de fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria melhora a teoria da mente). Na sua pesquisa, os autores levaram a cabo cinco experimentos para medir o efeito da fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria sobre a teoria da mente dos participantes, ou seja, sobre a complexa habilidade social de "ler a mente" para entender os estados mentais dos outros. Kidd e Castano (2013) afirmam que a capacidade de identificar e entender os estados subjetivos dos outros &eacute; um dos produtos mais impressionantes da evolu&ccedil;&atilde;o humana. Essa capacidade nos permite navegar satisfatoriamente dentro de rela&ccedil;&otilde;es sociais complexas e ainda propiciam as respostas emp&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Kidd e Castano (2013), as pr&aacute;ticas culturais parecem promover e refinar a sensitividade interpessoal ao longo de nossas vidas e uma dessas pr&aacute;ticas &eacute; a leitura. A fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria, especialmente, expande nosso conhecimento da vida dos outros ajudando a reconhecer nossa similaridade com eles. Da mesma maneira, ela pode, explicitamente, expor valores sociais e reduzir o espa&ccedil;o de estranheza entre as pessoas; esse tipo de literatura leva o leitor a se engajar nos processos de teoria da mente. Para uma melhor compreens&atilde;o da fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria, os autores a contrap&otilde;em &agrave; fic&ccedil;&atilde;o popular que representa os personagens como internamente consistentes e previs&iacute;veis, atendendo &agrave;s expectativas dos leitores e, consequentemente, n&atilde;o promovendo a teoria da mente. Autores de fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria, como Fiodor Dostoievski, fazem com que os leitores tenham que se esfor&ccedil;ar para compreender os personagens. Segundo Kidd e Castano, o que um grande autor faz &eacute; conduzir o leitor a fazer infer&ecirc;ncias, colocando-o em situa&ccedil;&otilde;es onde realmente tenha que usar sua capacidade de entender as outras pessoas em sua totalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para testar a hip&oacute;tese de que a fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria promoveria a teoria da mente, os autores compararam, no primeiro experimento, os efeitos da leitura de fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria e do g&ecirc;nero n&atilde;o fic&ccedil;&atilde;o e, nos experimentos seguintes, compararam fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria e fic&ccedil;&atilde;o popular. Como medidas da dimens&atilde;o cognitiva de teoria da mente, os pesquisadores utilizaram tarefas de cren&ccedil;a falsa e para a dimens&atilde;o afetiva, express&otilde;es faciais (olhares) para inferir o estado emocional do personagem da foto. Os resultados da pesquisa comprovaram a hip&oacute;tese dos pesquisadores: o grupo que leu fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria teve melhor desempenho em ambas as tarefas da teoria da mente. Contudo, eles consideram que os resultados s&atilde;o preliminares e que mais pesquisas devem ser feitas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A empatia &eacute; um componente afetivo da teoria da mente, portanto, se orientamos nossas crian&ccedil;as a focar nos estados emocionais pr&oacute;prios e dos outros, estaremos exercitando essa habilidade. Como quando perguntamos a nossas crian&ccedil;as "Voc&ecirc; pensa que ele est&aacute; feliz ou triste como consequ&ecirc;ncia do que fez?". Ou quando a m&atilde;e diz "N&atilde;o fica triste filho, teu amigo fez isso sem querer"; essa m&atilde;e, ao mesmo tempo em que explicita o sentimento do filho, o induz a pensar na inten&ccedil;&atilde;o do amigo mais do que no comportamento observado. Dessa maneira, encoraja-se a crian&ccedil;a, explicitamente, a entender os outros, enquanto ela desenvolve plenamente a capacidade de manter rela&ccedil;&otilde;es interpessoais emp&aacute;ticas (Kidd &amp; Castano, 2013).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essa media&ccedil;&atilde;o sociocognitiva entre cultura (ou psicologia popular, como aponta Bruner, 1990) e a crian&ccedil;a tamb&eacute;m &eacute; realizada pelos contos infantis. Uma das fascina&ccedil;&otilde;es dos contos infantis ou contos de fadas &eacute; a riqueza dos personagens, pois nelas h&aacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o em destacar o bonzinho do malvado. Alguns personagens s&atilde;o descritos como inocentes e honestos, mas precisam dos ego&iacute;stas, mentirosos e maliciosos para serem melhor caracterizados. Segundo Hinchcliffe (1996), al&eacute;m dessas caracter&iacute;sticas psicol&oacute;gicas que atraem o leitor, o sucesso de qualquer hist&oacute;ria depende de seu conte&uacute;do sociocognitivo, ou seja, da explica&ccedil;&atilde;o de porque os personagens se comportam como se comportam e como suas inten&ccedil;&otilde;es, desejos e cren&ccedil;as explicariam seu comportamento. A autora afirma que os adultos, ao lerem contos de fadas &agrave;s crian&ccedil;as e comentarem sobre os estados mentais dos personagens, propiciam a compreens&atilde;o dos verbos mentais e da estrutura recursiva das narrativas. Essa provoca&ccedil;&atilde;o cognitiva que os adultos podem exercer nas crian&ccedil;as, quando suplementam o texto com informa&ccedil;&otilde;es extras sobre as inten&ccedil;&otilde;es e sentimentos dos personagens, pode ajudar os pequenos a escalar n&iacute;veis mais altos do desenvolvimento sociocognitivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em seu estudo, Hinchcliffe (1996) analisou o vocabul&aacute;rio que se referia &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es, cogni&ccedil;&otilde;es e sentimentos em duas historinhas cl&aacute;ssicas, <I>Chapeuzinho vermelho</I> e <I>Rumpelstiltskin</I>. Ela analisou, tamb&eacute;m, a demanda do vocabul&aacute;rio sobre a habilidade das crian&ccedil;as para atribuir estados mentais no contexto do desenvolvimento da teoria da mente e verificou que <I>Rumpelstiltskin</I> tinha o dobro de termos metacognitivos que <I>Chapeuzinho vermelho</I>. A autora esclarece que termos metacognitivos s&atilde;o termos relacionados ao conhecimento (... Chapeuzinho pensou que a av&oacute; queria...) e informa que esses termos aparecem mais tarde no desenvolvimento que os termos perceptuais (ver) e volitivos (querer). A quantidade e a qualidade dos termos metacognitivos nas historinhas indicam, portanto, o n&iacute;vel de sua dificuldade. Na sua an&aacute;lise, ela concluiu que os contos de fadas, com suas caracter&iacute;sticas sociocognitivas, sua estrutura recursiva e seus termos mentais, promoveriam o desenvolvimento da teoria da mente nas crian&ccedil;as; e ela sugere que mais estudos sejam feitos para corroborar essa hip&oacute;tese.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O estudo de Araujo (2012) trouxe novas informa&ccedil;&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre narrativas e teoria da mente. A autora investigou a rela&ccedil;&atilde;o entre narrativas infantis e a habilidade de teoria da mente. Ela correlacionou o desempenho de crian&ccedil;as pr&eacute;-escolares (quatro e cinco anos) em tarefas de teoria da mente com o &iacute;ndice de termos mentais utilizados em suas narrativas. Os resultados n&atilde;o corroboraram a hip&oacute;tese, j&aacute; que essas vari&aacute;veis n&atilde;o apresentaram uma correla&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa; entretanto, as an&aacute;lises revelaram uma leve tend&ecirc;ncia, j&aacute; que 63% das crian&ccedil;as que tiveram bom desempenho nas tarefas de teoria da mente tiveram &iacute;ndices mais altos na utiliza&ccedil;&atilde;o de termos mentais. Segundo a autora, a literatura n&atilde;o mostra dados conclusivos sobre essa rela&ccedil;&atilde;o e cita autores apontando para resultados que confirmam uma rela&ccedil;&atilde;o positiva entre narrativa e teoria da mente e autores que refutam essa rela&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo tempo, Araujo informa que no Brasil, ainda s&atilde;o poucas as pesquisas que investigam as narrativas como promotoras da teoria da mente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Concluindo, pode-se dizer que h&aacute; consenso entre os desenvolvimentistas sobre o surgimento da teoria da mente; para a maioria, essa habilidade come&ccedil;a a se desenvolver a partir dos quatro anos e continua se desenvolvendo impulsionada pela linguagem e a intera&ccedil;&atilde;o com os outros. Mas ainda n&atilde;o h&aacute; consenso sobre o que promove seu desenvolvimento. Sabe-se que por volta dos quatro anos ocorre uma importante mudan&ccedil;a cognitiva; a crian&ccedil;a, nesse momento, pode distinguir entre seu pensamento e dos outros, entre realidade e imagina&ccedil;&atilde;o e reconhec&ecirc;-los como eventos mentais diferenciados; a crian&ccedil;a pode, ent&atilde;o, metarrepresentar. Essa caracter&iacute;stica cognitiva, a mais humana delas, talvez seja a que nos permite pensar em n&oacute;s mesmos em fun&ccedil;&atilde;o dos outros. A partir dos cinco anos de idade, essa habilidade continua se desenvolvendo em n&iacute;veis de maior complexidade sociocognitiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A intera&ccedil;&atilde;o entre pessoas &eacute; baseada na intera&ccedil;&atilde;o entre mentes, concluem Perner e Wimmer (1985). Na leitura, o indiv&iacute;duo, al&eacute;m de interagir com a mente do escritor, interage constantemente com a mente de cada um dos personagens que vivencia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Araujo, G. B. (2012). "A import&acirc;ncia da intera&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-crian&ccedil;a no desenvolvimento do discurso narrativo e da teoria da mente". Tese (Doutorado em Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Astington, J.W. &amp; Baird, J.A. (2005). (Eds). <I>Why language matters for theory of mind. </I>New York: Oxford University Press.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bruner, J. (1990). "Culture and human development: a new look". <I>Human Development, 33,</I> 344-355.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Kidd, D.C. &amp; Castano, E. (2013). "Reading literary fiction improves theory of mind". <I>Science </I>1239918. Published online 3 October.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Jou, G.I. &amp; Sperb, T. (1999). "Teoria da mente: diferentes abordagens". <I>Psicologia: reflex&atilde;o e cr&iacute;tica 12,</I> 2, 287-306.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Goldstein, T.R.; Wu, K. &amp; Winner, E. (2009). "Actors are skilled in theory of mind but not empathy". <I>Imagination, Cognition and Personality, 29,</I> 2, 115-133.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Kalbe, E.; Schlegel, M.; Sack, A.; Nowak, D.; Dafotakis, M.; Bangard. C.; Brand, M.; Shamay-Tsoory, S.; Onur, O. &amp; Kessler, J. (2010). "Dissociating cognitive from affective theory of mind :a TMS study". <I>Cortex, 46</I>, 6, 769-780.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Perner, J. &amp; Wimmer, H. (1985). "John thinks that Mary thinks that…" attribution of second-order beliefs by 5- to 10-year-old children. <I>Journal of Experimental Child Psychology, 39</I>, 3, 437-471.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Premack, D. &amp; Woodruff, G. (1978). "Does the chimpanzee have a theory of mind?" <I>Behavioural and Brain Science, 1,</I> 515-526.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Roazzi, Antonio, &amp; Santana, Suely de Melo (2008). "Teoria da mente e estados mentais de primeira e segunda ordem". <I>Psicologia: reflex&atilde;o e cr&iacute;tica</I>, 21(3), 437-445.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Shamay-Tsoory, S. G., &amp; Aharon-Peretz, J. (2007). "Dissociable prefrontal networks for cognitive and affective theory of mind: a lesion study". <I>Neuropsychologia, 45</I>, 3054&#150;3067.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Wimmer, H. &amp; Perner, J. (1983) "Beliefs about beliefs: representation and constraining function of wrong beliefs in young children's understanding of deception". <I>Cognition, 13</I>, 103-28.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Whiten A. &amp; Perner J. (1991) "Fundamental issues in the multidisciplinary study of mindreading". In: <I>Natural theories of mind</I>. A. Whiten (Ed). Basil Blackwell</font> ]]></body>
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