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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REPORTAGEM</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mem&oacute;ria e preserva&ccedil;&atilde;o. O desconhecido da regi&atilde;o   mais conhecida do Piau&iacute;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gl&oacute;ria Tega </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A linha de pensamento parece   &oacute;bvia: Piau&iacute;, Parque Nacional da Serra da Capivara, Caatinga, arqueologia, pintura   rupestre e antiguidade do homem americano, n&atilde;o necessariamente nessa ordem. No   sul do Piau&iacute;, cora&ccedil;&atilde;o da Caatinga, a Serra da Capivara e seus in&uacute;meros pared&otilde;es   de pintura rupestre s&atilde;o os protagonistas de discuss&otilde;es tanto na m&iacute;dia como no   meio cient&iacute;fico, levantadas pela mais famosa arque&oacute;loga do Brasil, Ni&egrave;de   Guidon, a respeito da antiguidade do homem americano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Destaques &agrave; parte, a Caatinga   piauiense guarda outras hist&oacute;rias tamb&eacute;m interessantes, como achados   paleontol&oacute;gicos e o trabalho de conserva&ccedil;&atilde;o das ricas pinturas dos s&iacute;tios   arqueol&oacute;gicos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Parque Nacional da Serra da   Capivara est&aacute; localizado nos munic&iacute;pios de S&atilde;o Raimundo Nonato, Jo&atilde;o Costa,   Brejo do Piau&iacute; e Coronel Jos&eacute; Dias. S&atilde;o mais de 400 s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos em uma   &aacute;rea de 130 mil hectares. As pesquisas na regi&atilde;o tiveram in&iacute;cio em 1970 pela   arque&oacute;loga brasileira Ni&egrave;de Guidon, desde ent&atilde;o diretora-presidente da Funda&ccedil;&atilde;o   Museu do Homem Americano (Fumdham), entidade cient&iacute;fica sem fins lucrativos   criada em 1986 por pesquisadores de uma coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica binacional   (Fran&ccedil;a&ndash;Brasil), at&eacute; hoje respons&aacute;vel pela defesa e manuten&ccedil;&atilde;o do Parque   Nacional Serra da Capivara.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Fumdham tamb&eacute;m &eacute; a   respons&aacute;vel pela conserva&ccedil;&atilde;o das pinturas. Sob a coordena&ccedil;&atilde;o da arque&oacute;loga   Maria Concei&ccedil;&atilde;o Lage, da Universidade Federal do Piau&iacute; (UFPI), desde 1991 v&ecirc;m   sendo realizados trabalhos que visam &agrave; salvaguarda dos s&iacute;tios. &quot;Fiz o doutorado   na Fran&ccedil;a, em um laborat&oacute;rio que trabalhava com a conserva&ccedil;&atilde;o dos monumentos   hist&oacute;ricos franceses, como a <b>Gruta     de</b> <b>Lascaux </b> e quando voltei ao Brasil vi a   necessidade de fazer o mesmo tipo de trabalho com os pared&otilde;es da Serra da   Capivara&quot;, conta a professora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir de ent&atilde;o, os pr&oacute;prios   membros da comunidade foram treinados para fazer as tarefas no dia a dia.   Durante o ano todo, os auxiliares t&eacute;cnicos em conserva&ccedil;&atilde;o cuidam para impedir   que o mato tome conta das pinturas e que vespas, cupins e abelhas se instalem   sobre elas. &quot;Vou uma vez por m&ecirc;s, geralmente acompanhada por alunos da   gradua&ccedil;&atilde;o e mestrado em arqueologia da UFPI. Fico com eles durante uma semana,   visito os s&iacute;tios, vejo os problemas, elaboro uma lista de tarefas do que eles   precisam fazer e tiro fotos para comparar o antes e o depois. Mas, por   enquanto, estamos em uma fase de transi&ccedil;&atilde;o, esperando a continuidade desse   trabalho todo&quot;, explica Lage.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o emprego de materiais   utilizados por dentistas e por restauradores de obras de arte, uma interven&ccedil;&atilde;o   para a retirada de ninhos de cupins, vespas e abelhas &eacute; feita uma &uacute;nica vez,   depois s&atilde;o realizados apenas trabalhos de manuten&ccedil;&atilde;o. &quot;A pr&oacute;pria interven&ccedil;&atilde;o &eacute;   danosa. Voc&ecirc; limpa uma vez e evita que suje novamente&quot;. Segundo a arque&oacute;loga, a   infesta&ccedil;&atilde;o por cupins nos s&iacute;tios, por exemplo, se d&aacute; em virtude do descontrole   ambiental. &quot;Mataram os predadores naturais do cupim, os tamandu&aacute;s, tatus e   alguns tipos de aves, e agora temos uma superpopula&ccedil;&atilde;o desse inseto&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas o problema mais grave que   os velhos pared&otilde;es enfrentam &eacute; o descolamento natural das rochas sedimentares   de arenito, onde as pinturas foram feitas h&aacute; milhares de anos. Com o tempo,   partes da rocha acabam se soltando. &quot;O arenito j&aacute; est&aacute; muito degradado. Como   s&atilde;o s&iacute;tios abertos para a visita&ccedil;&atilde;o, para evitar que algum turista retire um   peda&ccedil;o que esteja quase caindo, n&oacute;s recolamos. &Eacute; um trabalho de consolida&ccedil;&atilde;o   das placas&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A arque&oacute;loga explica que nos   &uacute;ltimos anos outro problema vem amea&ccedil;ando os s&iacute;tios: a presen&ccedil;a de um n&uacute;mero   excessivo de moc&oacute;s, roedor t&iacute;pico da regi&atilde;o. Esses animais utilizam os v&atilde;os das   rochas como abrigo, depositando excrementos sobre as pinturas. &quot;Acreditamos que   os caldeir&otilde;es feitos para armazenar &aacute;gua para os animais da floresta acabaram   provocando a superpopula&ccedil;&atilde;o de moc&oacute;, e suas fezes t&ecirc;m sido muito prejudiciais   para as pinturas&quot;, completa a professora.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="/img/revistas/cci/n149/a05img01.jpg">Figura 1</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Na Caatinga, a hist&oacute;ria   de um f&oacute;ssil</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais ao sul do Piau&iacute;, na cidade   de Corrente, a Caatinga guardava outra hist&oacute;ria: um f&oacute;ssil de pregui&ccedil;a gigante.   O achado j&aacute; era conhecido por trabalhadores que extraiam argila na regi&atilde;o desde   os anos 1990. &quot;Alguns achavam que se tratava de um dinossauro, outros   acreditavam que fossem pedras e n&atilde;o um animal pr&eacute;-hist&oacute;rico&quot;, conta o   paleont&oacute;logo Juan Carlos Cisneros, professor da UFPI.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o cientista, com o fim   da extra&ccedil;&atilde;o da argila o f&oacute;ssil foi esquecido e s&oacute; chegou at&eacute; ele pois um dos   trabalhadores mostrou-o a um professor de Corrente, durante uma feira de   ci&ecirc;ncias no munic&iacute;pio. &quot;O rumor de que um f&oacute;ssil havia sido encontrado em   Corrente chegou at&eacute; a cidade de Bom Jesus em 2010, onde estava o professor   Paulo Auriccio, zo&oacute;logo da UFPI. No mesmo ano incorporei-me &agrave; universidade, e   juntos come&ccedil;amos a planejar o trabalho de campo, que teve in&iacute;cio recentemente&quot;,   relata.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A escava&ccedil;&atilde;o paleontol&oacute;gica teve   envolvimento de alunos de mestrado em geoci&ecirc;ncias da Universidade Federal de   Pernambuco (UFPE) e do mestrado em arqueologia da UFPI. O professor explica que   t&ecirc;m sido escavados ossos da coluna vertebral, costelas e de dois bra&ccedil;os do   animal, al&eacute;m de alguns dentes. O achado, importante para ajudar a entender   melhor o ambiente do Piau&iacute; e do Nordeste durante a &eacute;poca do Pleistoceno (tamb&eacute;m   conhecida como &quot;Era do Gelo&quot;), representa o primeiro registro de um   f&oacute;ssil no extremo sul do estado, mas o professor acredita que haja mais f&oacute;sseis   no local. &quot;Todos os ossos parecem pertencer a uma pregui&ccedil;a gigante do g&ecirc;nero <i>Eremotherium</i>,   n&atilde;o descartamos que se trate de mais de um animal e que possam ser encontradas   outras esp&eacute;cies&quot;, espera.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cisneros explica que um f&oacute;ssil   &eacute; qualquer vest&iacute;gio de um ser vivo de outras &eacute;pocas geol&oacute;gicas. &quot;Pode ser um   osso, uma concha, uma folha, p&oacute;len etc. Tamb&eacute;m pode ser uma pegada, um ovo, ou   at&eacute; fezes (copr&oacute;litos). A ci&ecirc;ncia que estuda os f&oacute;sseis &eacute; a paleontologia, &agrave;s   vezes confundida com a arqueologia, mas a &uacute;ltima estuda artefatos feitos pelo   ser humano&quot;, explica o pesquisador.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10/06/2013</font></p>      ]]></body>

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