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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><a name="top"></a><b>A    liberdade enquanto dimens&atilde;o ontol&oacute;gica do homem: compreens&atilde;o    existencialista</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b> Daniela Ribeiro    Schneider </b></font></p>     <p />  <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">      <p>Professora do Departamento de Psicologia, do Centro de Filosofia e Ci&ecirc;ncias    Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina</p> </font>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Jean-Paul    Sartre (1905-1980), fil&oacute;sofo existencialista, uma no&ccedil;&atilde;o    de liberdade que tome como s&iacute;mbolo o "livre voo do p&aacute;ssaro" n&atilde;o    passa de um equ&iacute;voco de senso comum. Um p&aacute;ssaro n&atilde;o &eacute;    livre, no sentido filos&oacute;fico de liberdade, pois ele segue o determinismo    biol&oacute;gico de sua esp&eacute;cie: vai para o norte na &eacute;poca do    frio e para o sul no ver&atilde;o, quando as correntes migrat&oacute;rias s&atilde;o    guiadas pelos instintos naturais de sua esp&eacute;cie, ou seja, n&atilde;o    &eacute; propriamente escolha. O homem &eacute; o animal que rompe com o determinismo    natural de sua esp&eacute;cie, por justamente "por em quest&atilde;o o seu ser",    podendo fazer outra coisa do que o que lhe foi destinado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O argumento do    senso comum contra a liberdade &eacute; o da afirma&ccedil;&atilde;o de nosso    determinismo e nossa impot&ecirc;ncia: devemos obedecer ao destino de nossa    classe, de nossa fam&iacute;lia, &agrave;s regras de nossa sociedade. Portanto,    bem mais do que "fazer-se", compreende-se que o homem "&eacute; feito", j&aacute;    que as circunst&acirc;ncias o "condicionam". Sartre condena fortemente essas    acep&ccedil;&otilde;es. Considera que a maioria dos argumentos, inclusive filos&oacute;ficos,    sempre trabalhou com a no&ccedil;&atilde;o de liberdade no plano moral, alimentando    os equ&iacute;vocos do senso comum. Arist&oacute;teles, por exemplo, em sua    "<i>&Eacute;tica a Nicomano",</i>define ato livre como aquele que o sujeito    realiza sem nenhuma coa&ccedil;&atilde;o. Assim, &eacute; livre o ato gratuito,    adotado sem nenhuma press&atilde;o, quando as circunst&acirc;ncias permitem    que o sujeito possa realiz&aacute;-lo por "livre e espont&acirc;nea vontade".    Para Sartre esta &eacute; justamente a no&ccedil;&atilde;o inversa do que compreende    por liberdade, pois o homem &eacute; irremediavelmente lan&ccedil;ado na realidade    concreta, em circunst&acirc;ncias determinadas, que o colocam frente &agrave;    necessidade de escolher e, ao fazer essas escolhas, escolhe seu ser. Aqui est&aacute;    o que considera liberdade: ao ter de escolher escolho-me, definindo meu ser    em um campo de possibilidades (Sartre, 1943; Schneider, 2011).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A liberdade &eacute;    considerada, assim, como uma condi&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica do homem,    ou seja, ela &eacute; definidora do seu ser. N&atilde;o &eacute;, assim, uma    "qualidade" de uma a&ccedil;&atilde;o que se agrega ao ato (ato livre X ato    determinado), mas uma condi&ccedil;&atilde;o de ser. Portanto, a liberdade n&atilde;o    &eacute; do plano moral, da escolha entre o "bem e o mal", ela &eacute; constitutiva    do ser do homem, tanto quanto seu corpo o &eacute;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sartre alerta,    no entanto, que "ser livre" n&atilde;o significa "obter o que se quer", mas    sim "determinar-se a querer", ou seja, ter autonomia de escolha (Sartre, 1943:    563). Isto quer dizer que o &ecirc;xito n&atilde;o importa em absoluto &agrave;    liberdade. Portanto, liberdade de escolher &eacute; muito diferente de liberdade    de obter. Cita o exemplo do presidi&aacute;rio que apesar de n&atilde;o ser    "livre" para sair da pris&atilde;o quando lhe aprouver, &eacute; sempre livre,    no entanto, para tentar sua liberta&ccedil;&atilde;o; qualquer que seja sua    situa&ccedil;&atilde;o, ele sempre pode projetar sua fuga e descobrir o valor    desse projeto. Uma pessoa sob tortura, como ele descreve em seu conto <i>O muro,</i>    vive a ang&uacute;stia da liberdade em seu extremo, pois ter&aacute; que decidir    at&eacute; quando suportar&aacute; a dor, se preferir&aacute; morrer, ou contar    ao torturador o que ele quer saber. Sendo assim, n&atilde;o poder&iacute;amos    conceber que o homem &eacute; livre em certas ocasi&otilde;es e em outras n&atilde;o,    conforme as condi&ccedil;&otilde;es em que se encontra. N&atilde;o! Ou o homem    &eacute; inteiramente livre ou n&atilde;o o &eacute;, independente das circunst&acirc;ncias    onde se encontre. N&atilde;o seria conceb&iacute;vel essa dualidade (ser livre/ser    determinado) no &acirc;mago da ontologia humana, pois assim se justificaria    a escravid&atilde;o e outras opress&otilde;es como atos naturais e n&atilde;o    como pol&iacute;ticos ou socioculturais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, o fato    do homem estar condenado a ser livre n&atilde;o significa que ele seja seu pr&oacute;prio    fundamento, pois se assim fosse, ele pr&oacute;prio decidiria se seria livre    ou n&atilde;o. "<i>De fato</i>, diz o existencialista, <i>somos uma liberdade    que escolhe, mas n&atilde;o escolhemos ser livres: estamos condenados &agrave;    liberdade, como dissemos atr&aacute;s, arremessados na liberdade"</i> (Sartre,    1943: 565)<i>.</i> Estar condenado &agrave; liberdade significa que n&atilde;o    podemos deixar de escolher, pois mesmo n&atilde;o escolher &eacute; ainda uma    escolha.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O fato de n&atilde;o    poder n&atilde;o ser livre &eacute; a facticidade do homem; j&aacute; o fato    de n&atilde;o poder n&atilde;o existir &eacute; a sua conting&ecirc;ncia. Isso    quer dizer que a liberdade n&atilde;o pode escapar ao mundo, de nele estar situada,    de ter de se relacionar com o que est&aacute; "dado". Portanto, toda liberdade    &eacute; sempre em situa&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; seu paradoxo! A liberdade    &eacute; delimitada pela situa&ccedil;&atilde;o que, por sua vez, s&oacute;    ganha sentido por ser posta por uma liberdade. O sujeito encontra por toda parte    resist&ecirc;ncias e obst&aacute;culos que ela n&atilde;o criou, mas essas s&oacute;    ganham sentido na e pela livre escolha que ele faz. Portanto, a liberdade s&oacute;    existe em uma <i>estrutura de escolha</i>, dada pela situa&ccedil;&atilde;o    onde est&aacute; inserida. Assim, o indiv&iacute;duo escolhe dentro de determinadas    condi&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Jean Genet, conforme    descrito na biografia escrita por Sartre, aos dez anos de idade, como crian&ccedil;a    adotada em uma fam&iacute;lia campesina, vivia em um ambiente de grande rigidez    moral, baseada em valores religiosos. Em suas brincadeiras, Genet realizava,    sob o manto de sua ingenuidade infantil, o furto de pequenos objetos. Eram brincadeiras    espont&acirc;neas, solit&aacute;rias, das quais n&atilde;o se dava conta, nem    de seu sentido, nem de suas consequ&ecirc;ncias. Era uma forma de apropriar-se,    na fantasia, de um mundo que sentia que n&atilde;o lhe pertencia, compensando    a sua incapacidade de "ter". Vivia, atrav&eacute;s desses pequenos roubos, a    experi&ecirc;ncia imagin&aacute;ria de ser propriet&aacute;rio. Mas eis que    um dia, em torno de seus dez anos de idade, foi surpreendido em flagrante. Estava    na cozinha de sua casa, pegava alguns objetos e os escondia, quando algu&eacute;m    entrou subitamente, surpreendendo-o em sua brincadeira, declarando publicamente,    em alto e bom tom: "tu &eacute;s ladr&atilde;o". Essa frase foi vivida por Genet    como uma senten&ccedil;a fatal. Em pouco tempo toda a aldeia sabia do acontecido.    O menino viveu o despertar de sua ingenuidade: abriu os olhos e se deu conta    de que roubava. Voltou-se para si mesmo, talvez pela primeira vez. Descobriu    que era ladr&atilde;o e de que era culp&aacute;vel. Nessa situa&ccedil;&atilde;o    paradoxal lhe foi imposta a necessidade de escolher, e ele o fez, a partir da    estrutura de escolha que lhe fora dada, atrav&eacute;s da qual intuia suas possibilidades    de ser. Assim, Genet n&atilde;o foi livre naquele momento para escolher "ser    o que bem entendesse", n&atilde;o foi uma escolha volunt&aacute;ria, muito menos    uma escolha gratuita. Ele foi livre para escolher <i>seu ser</i> em uma situa&ccedil;&atilde;o    de grande press&atilde;o social. Ainda que naquela situa&ccedil;&atilde;o tivesse    se posicionado de forma diferente do que a que escolheu, se n&atilde;o tivesse    assumido com "unhas e dentes" a senten&ccedil;a <i>"eu sou ladr&atilde;o"</i><i>,</i>    ainda que ficasse passivo e deixasse que os outros fizessem dele o que bem entendessem,    ainda sim estaria escolhendo o sujeito que queria ser (Sartre, 1952, Schneider,    2011). Poder-se-ia, facilmente cair em um determinismo e conceber que, "pobre    Genet", n&atilde;o tinha outra alternativa, foi v&iacute;tima da situa&ccedil;&atilde;o.    Mas aqui a compreens&atilde;o existencialista faz a diferen&ccedil;a. A supera&ccedil;&atilde;o    do determinismo est&aacute; exatamente na concep&ccedil;&atilde;o de que o fundamental    &eacute; o que Genet fez dessa situa&ccedil;&atilde;o. Com pouco mais de dez    anos teve que decidir os rumos de sua exist&ecirc;ncia: Genet elegeu viver sob    as condi&ccedil;&otilde;es que lhe eram impostas, dizendo contra todos: "eu    serei o ladr&atilde;o". Ele mesmo declara: "<i>decidi ser o que o delito fez    de mim</i><i>"</i> (Genet, 1983).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute;, assim,    um coeficiente humano de adversidade, ou seja, eu existo em um mundo j&aacute;    visto, j&aacute; significado pelos outros, que se imp&otilde;e a mim no ato    da minha escolha. Sendo assim, a aliena&ccedil;&atilde;o &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o    das mais comuns na realidade humana. Nela sou o que o outro quer me fazer, na    medida em que fico em seu poder, pois realizo o objeto que o outro me tornou,    estou nas m&atilde;os do outro. Por&eacute;m, assinala Sartre, &eacute; livremente    que sucumbimos &agrave; opress&atilde;o, &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o. Escolho-me    fazer objeto para o outro. Isso n&atilde;o quer dizer que eu tenha clareza da    escolha ou que ela seja deliberada. Mas em se tratando de aliena&ccedil;&atilde;o,    que &eacute; uma escolha n&atilde;o posicional-de-si, o eu &eacute; realizado    como tarefa e n&atilde;o como possibilidade<strong>.</strong> Mas, ainda assim,    &eacute; uma escolha livre de realizar meu ser. J&aacute; vimos acima que o    &ecirc;xito n&atilde;o importa em absoluto &agrave; liberdade. Sartre afirma,    na Confer&ecirc;ncia de Araraquara, que "aliena&ccedil;&atilde;o e liberdade    n&atilde;o s&atilde;o, em absoluto, conceitos contradit&oacute;rios. Muito pelo    contr&aacute;rio: se n&atilde;o fosses livres como poderia transformar-te em    escravo? N&atilde;o se escraviza um pedregulho ou uma m&aacute;quina: s&oacute;    se escraviza e se aliena a um homem que, primeiramente, &eacute; livre. H&aacute;    uma no&ccedil;&atilde;o capital que &eacute; a dial&eacute;tica marxista n&atilde;o    elucidou de modo suficiente, a saber: n&atilde;o h&aacute; aliena&ccedil;&atilde;o    a n&atilde;o ser de um homem livre" (Sartre, 1987: 39).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como conciliar,    portanto, que o homem &eacute; condenado &agrave; liberdade se ele n&atilde;o    escapa &agrave; aliena&ccedil;&atilde;o? &Eacute; preciso distinguir diferentes    n&iacute;veis de realidade: a liberdade &eacute; ontol&oacute;gica, quer dizer,    &eacute; da condi&ccedil;&atilde;o humana; j&aacute; a aliena&ccedil;&atilde;o    &eacute; antropol&oacute;gica, depende do processo hist&oacute;rico, cultural    que o homem vive, depende do homem enquanto sujeito hist&oacute;rico. Genet    escolheu seu ser na aliena&ccedil;&atilde;o, levado pela espontaneidade predominante    na inf&acirc;ncia, mas ainda assim o escolheu e o fez de uma maneira t&atilde;o    radical, t&atilde;o apaixonada, que mesmo em se fazendo objeto para o outro,    buscou realizar essa entrega enquanto sujeito, enquanto liberdade, vindo anos    mais tarde a superar a exclus&atilde;o social a que assumiu ao ser condenado,    tornando-se um dos mais importantes escritores franceses do s&eacute;culo XX.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sartre demonstra,    com essa biografia, o que vem a ser "liberdade em situa&ccedil;&atilde;o", pois    em tudo aquilo que a liberdade empreende h&aacute; uma face n&atilde;o escolhida    por ela, que lhe escapa, e com a qual deve haver-se. Portanto, a liberdade n&atilde;o    &eacute; gratuita, arbitr&aacute;ria e caprichosa, ela &eacute; a escolha inelut&aacute;vel    que tenho que fazer de mim mesmo, dentro de determinada situa&ccedil;&atilde;o,    ou seja, dentro de uma estrutura de escolha, que compromete meu ser com um determinado    futuro. Portanto, uma das caracter&iacute;sticas essenciais da liberdade &eacute;    a do compromisso ontol&oacute;gico, que quer dizer que ao me escolher, ainda    que de forma alienada, sob press&atilde;o das circunst&acirc;ncias, eu escolho    o ser que eu sou e serei, o que compromete meu ser em um dado devir. N&atilde;o    adianta nada eu dizer que quero ser uma pessoa calma, se cada vez que me deparo    com uma dificuldade perco o controle, come&ccedil;o a roer as unhas, a brigar    com as pessoas pr&oacute;ximas etc. Meus atos acabar&atilde;o por me definir    como uma pessoa nervosa e os outros me confirmar&atilde;o nesse perfil que tento    negar. Sou, assim, respons&aacute;vel pelo meu ser, mesmo que viva numa situa&ccedil;&atilde;o    adversa, perigosa, excludente; ainda assim, sou respons&aacute;vel pela maneira    como vou enfrentar essa situa&ccedil;&atilde;o extrema.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos agora compreender    a amplitude da frase de Sartre: <i>"o essencial n&atilde;o &eacute; aquilo que    fizeram de n&oacute;s, mas sim aquilo que n&oacute;s mesmos fazemos do que fizeram    de n&oacute;s"</i> (Sartre, 1952)<i>.</i> &Eacute; a express&atilde;o do homem    enquanto "liberdade em situa&ccedil;&atilde;o". Estamos cercados de determina&ccedil;&otilde;es,    mas, ainda assim, n&atilde;o somos seres passivos, condicion&aacute;veis, pois    sempre fazemos algo do que fazem de n&oacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b><strong>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</strong></b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sartre, J. P. (1943).    <i>L'&Ecirc;tre et le n&eacute;ant  essai d'ontologie ph&eacute;nom&eacute;nologique</i>.    Paris: Gallimard.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Sartre, J. P.    (1952). <i>Saint Genet: Com&eacute;dien et martyr.</i> Paris: Gallimard.     </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sartre, J. P. (1987).    <i>Sartre no Brasil: A confer&ecirc;ncia de Araraquara.</i> S&atilde;o Paulo:    Paz e Terra: UNESP.     </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Schneider, D. R.    (2011). <i>Sartre e a psicologia cl&iacute;nica</i>. Florian&oacute;polis: EDUFSC.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10/03/2013</font></p>      ]]></body>
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