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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A fisiologia da obesidade: bases genéticas, ambientais e sua relação com o diabetes]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><a name="top"></a><b>A    fisiologia da obesidade: bases gen&eacute;ticas, ambientais e sua rela&ccedil;&atilde;o    com o diabetes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b> Ricardo Schinaider    de Aguiar; Ricardo Manini </b></font></p>     <p /> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">      <p>&nbsp; </p> </font>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diferente do que    muitos possam pensar, a obesidade n&atilde;o &eacute; apenas uma simples condi&ccedil;&atilde;o    de quem ingere mais calorias do que gasta, acumulando o excesso em seu corpo.    A obesidade &eacute; uma doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria, grave e complexa,    e &eacute; hoje uma epidemia global fora de controle. Por&eacute;m qual &eacute;    a principal causa deste fen&ocirc;meno? Os maus h&aacute;bitos alimentares das    &uacute;ltimas d&eacute;cadas conseguiriam explicar o aumento das taxas mundiais    de obesidade ou haveria tamb&eacute;m fatores gen&eacute;ticos? Poderiam os    fatores comportamentais interferir em nossos genes?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O debate sobre    qual dos fatores seria o mais importante ora tendia a apontar para nossas mudan&ccedil;as    de h&aacute;bitos, ora para nossa informa&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica,    e a conclus&atilde;o que podemos chegar &eacute; a de que ambos exercem pap&eacute;is    fundamentais. Por este motivo, a obesidade &eacute; classificada como uma doen&ccedil;a    multifatorial. O nutricionista e pesquisador da Faculdade de Ci&ecirc;ncias    Aplicadas (FCA), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Dennys Cintra,    classifica as causas da obesidade em dois macrofatores: os gen&eacute;ticos    e os ambientais, e explica os mecanismos de cada um.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Os fatores de    origem gen&eacute;tica est&atilde;o associados principalmente &agrave; rela&ccedil;&atilde;o    entre genes respons&aacute;veis por poupar energia e genes respons&aacute;veis    por sintetizar energia", diz Cintra. Os genes poupadores foram essenciais para    a sobreviv&ecirc;ncia e perpetua&ccedil;&atilde;o da ra&ccedil;a humana quando    a disponibilidade de alimento era escassa. H&aacute; milhares de anos, quando    a ca&ccedil;a era o principal meio de obten&ccedil;&atilde;o de alimento, n&atilde;o    havia meios de preservar a comida e talvez fosse preciso sobreviver longos per&iacute;odos    sem a ingest&atilde;o de alimentos ap&oacute;s uma refei&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os genes poupadores    enviavam, ent&atilde;o, sinais para o organismo acumular o m&aacute;ximo de    energia poss&iacute;vel para a sobreviv&ecirc;ncia em tempos de escassez. Contudo,    com o surgimento de m&eacute;todos de preserva&ccedil;&atilde;o de alimentos,    principalmente com a inven&ccedil;&atilde;o da geladeira, o ser humano passou    a ter um estoque de comida dispon&iacute;vel. Os genes poupadores, entretanto,    continuaram a exercer sua fun&ccedil;&atilde;o de ac&uacute;mulo de energia,    mesmo sendo desnecess&aacute;rio, muitas vezes levando a um excesso de gordura    no corpo e &agrave; obesidade. Esses genes tamb&eacute;m s&atilde;o os respons&aacute;veis    pelo r&aacute;pido ganho de peso ap&oacute;s um per&iacute;odo de dietas severas,    quando uma pessoa volta a seus h&aacute;bitos normais, ocasionando o chamado    "efeito sanfona". Durante a dieta, sinais de alerta s&atilde;o emitidos para    o organismo, avisando que o alimento est&aacute; escasso e ativando os genes    poupadores. Deste modo, ao retornar aos seus h&aacute;bitos normais, essa ativa&ccedil;&atilde;o    ir&aacute; resultar em um maior ac&uacute;mulo de energia, em forma de gordura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas tamb&eacute;m    h&aacute; fatores gen&eacute;ticos relacionados &agrave; defesa do organismo    contra a obesidade. O pr&oacute;prio tecido adiposo, formado pelo excesso de    gordura, produz uma subst&acirc;ncia chamada leptina. Esse horm&ocirc;nio inicia    uma cascata de sinaliza&ccedil;&otilde;es celulares no c&eacute;rebro, que controla    o apetite e faz com que a pessoa pare de comer. Em outras palavras, ela desencadeia    um "efeito domin&oacute;" de comunica&ccedil;&atilde;o entre neur&ocirc;nios.    O tecido adiposo, por&eacute;m, produz tamb&eacute;m prote&iacute;nas inflamat&oacute;rias    que interferem na sinaliza&ccedil;&atilde;o celular, interrompendo esse efeito    domin&oacute; e impedindo que o sinal chegue ao seu destino corretamente. Assim,    quanto mais obesa for a pessoa, mais tecido adiposo ela ter&aacute;, mais prote&iacute;nas    inflamat&oacute;rias ela produzir&aacute; e pior ser&aacute; o controle do seu    apetite pelo c&eacute;rebro, gerando um ciclo vicioso que a levar&aacute; a    comer e engordar cada vez mais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b><strong>Influ&ecirc;ncia    do ambiente</strong></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os fatores ambientais,    por sua vez, est&atilde;o relacionados &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o e    ao sedentarismo. Uma dieta rica em a&ccedil;&uacute;cares e gorduras contribuir&aacute;    para a obesidade, assim como a falta de exerc&iacute;cios f&iacute;sicos para    gastar o excesso de energia. Estudos recentes, por&eacute;m, denominados de    epigen&eacute;ticos, demonstram que os fatores ambientais podem influenciar    nos fatores gen&eacute;ticos, e antes mesmo do nascimento. "A alimenta&ccedil;&atilde;o    de uma gestante, por exemplo, pode fazer com que seu filho tenha uma maior propens&atilde;o    &agrave; obesidade, mesmo que seus pais sejam magros", afirma Cintra. Um beb&ecirc;    pode ter um conjunto de genes de uma pessoa sem tend&ecirc;ncia para a obesidade,    mas uma dieta rica em gorduras durante seu per&iacute;odo fetal, por parte da    m&atilde;e, pode fazer com que esses genes, apesar de presentes, n&atilde;o    exer&ccedil;am sua fun&ccedil;&atilde;o do modo como deveriam. Assim como uma    dieta gordurosa, a desnutri&ccedil;&atilde;o durante a gesta&ccedil;&atilde;o    tamb&eacute;m pode levar o beb&ecirc; &agrave; obesidade, ou logo na inf&acirc;ncia,    ou na vida adulta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O fator ambiental,    diferente do fator gen&eacute;tico, pode ser revers&iacute;vel. Um dia de m&aacute;    alimenta&ccedil;&atilde;o, por exemplo, causar&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o    de prote&iacute;nas inflamat&oacute;rias, mas o organismo se restabelecer&aacute;    ap&oacute;s poucos dias com uma dieta saud&aacute;vel. Por&eacute;m, caso a    m&aacute; alimenta&ccedil;&atilde;o se torne um h&aacute;bito e persista durante    anos, os fatores ambientais tamb&eacute;m podem se tornar irrevers&iacute;veis.    As prote&iacute;nas inflamat&oacute;rias produzidas pelo tecido adiposo, al&eacute;m    de interferirem na comunica&ccedil;&atilde;o entre c&eacute;lulas, tamb&eacute;m    podem levar &agrave; morte celular de neur&ocirc;nios do hipot&aacute;lamo,    regi&atilde;o do c&eacute;rebro respons&aacute;vel pelo controle da fome. A    obesidade ent&atilde;o se torna um quadro cl&iacute;nico muito dif&iacute;cil    de ser revertido, mesmo com mudan&ccedil;as de h&aacute;bitos alimentares e    pr&aacute;tica de exerc&iacute;cios f&iacute;sicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Atualmente, n&atilde;o    h&aacute; medicamentos eficazes para se controlar a obesidade. As mais modernas    drogas que est&atilde;o em desenvolvimento visam &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o    das prote&iacute;nas inflamat&oacute;rias, mas s&atilde;o car&iacute;ssimas    e ainda est&atilde;o em fase experimental. O &uacute;nico tratamento m&eacute;dico    &eacute; cir&uacute;rgico, por&eacute;m precisa ser acompanhado de mudan&ccedil;as    de h&aacute;bitos alimentares, pois a cirurgia n&atilde;o remover&aacute; as    prote&iacute;nas inflamat&oacute;rias do organismo. O operado poder&aacute;    voltar a ganhar peso caso apenas a quantidade de comida ingerida diminua, mas    a qualidade n&atilde;o melhore.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A obesidade ainda    pode trazer outras graves consequ&ecirc;ncias para o organismo. Entre elas est&atilde;o    hipertens&atilde;o, aterosclerose (entupimento de veias e art&eacute;rias) e    at&eacute; mesmo o aumento da probabilidade de desenvolvimento de diversos tipos    de c&acirc;ncer. Uma das principais doen&ccedil;as associadas &agrave; obesidade,    por&eacute;m, est&aacute; relacionada &agrave; resist&ecirc;ncia que o organismo    desenvolve &agrave; insulina: o diabetes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b><strong>Obesidade    e diabetes</strong></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Caso cl&aacute;ssico    na literatura m&eacute;dica, os &iacute;ndios Pima, que viviam no que &eacute;    hoje o Arizona central, nos EUA, representam um exemplo da enorme rela&ccedil;&atilde;o    entre obesidade e diabetes. Antes de ter contato com outros povos, havia entre    os Pima cerca de 10% de diab&eacute;ticos. O contato com dietas n&atilde;o nativas,    trazidas por europeus e americanos no fim do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio    do s&eacute;culo XX, ocasionaram um substantivo aumento no peso dessa popula&ccedil;&atilde;o.    Isso fez com que a quantidade de indiv&iacute;duos Pima com diabetes saltasse    para mais de 50%.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Os Pima j&aacute;    tinham uma predisposi&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o    ao diabetes", afirma Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da USP    com livre doc&ecirc;ncia na &aacute;rea de diabetes, "mas representam um exemplo    inequ&iacute;voco de que a obesidade est&aacute; intimamente relacionada &agrave;    doen&ccedil;a", indica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Marcelo Lima,    endocrinologista e pesquisador do Laborat&oacute;rio de Investiga&ccedil;&atilde;o    em Metabolismo e Diabetes (Limed), da Unicamp, existe uma rela&ccedil;&atilde;o    clara entre o diabetes tipo 2 e a obesidade. "Cerca de 80% a 90% dos indiv&iacute;duos    que desenvolvem o diabetes tipo 2 s&atilde;o obesos", aponta. "O diabetes tipo    2 representa cerca de 90% dos diab&eacute;ticos. Os demais s&atilde;o do tipo    1, que n&atilde;o tem nenhuma rela&ccedil;&atilde;o especial com a obesidade",    explica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hoje, de acordo    com dados do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, mais de 5% da popula&ccedil;&atilde;o    brasileira adulta confirma ser portadora da doen&ccedil;a. Esse percentual corresponde    a pouco mais de 7 milh&otilde;es de indiv&iacute;duos. Entretanto, estima-se    que esse &iacute;ndice seja maior, uma vez que muitos indiv&iacute;duos n&atilde;o    t&ecirc;m consci&ecirc;ncia de que portam diabetes. "Cerca de 30% dos diab&eacute;ticos    n&atilde;o sabem que t&ecirc;m a doen&ccedil;a", afirma Lima. O aumento da obesidade    que &eacute; observado atualmente na popula&ccedil;&atilde;o deve fazer com    que esse n&uacute;mero cres&ccedil;a nos pr&oacute;ximos anos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O diabetes tipo    2 &eacute; um dist&uacute;rbio metab&oacute;lico que tem na resist&ecirc;ncia    &agrave; a&ccedil;&atilde;o de insulina o seu principal fator. Os mecanismos    que levam da obesidade para o diabetes s&atilde;o m&uacute;ltiplos e complexos.    Mesmo dentro da comunidade m&eacute;dica permanecem d&uacute;vidas e controv&eacute;rsias    a respeito de como a obesidade provoca a doen&ccedil;a. "A medicina ainda n&atilde;o    &eacute; capaz de explicar totalmente como a obesidade leva ao diabetes, mas    j&aacute; tem como certo alguns mecanismos respons&aacute;veis por essa rela&ccedil;&atilde;o",    indica Lotufo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sabe-se, por exemplo,    que o indiv&iacute;duo obeso apresenta um tecido adiposo aumentado e que, nesse    estado, esse tecido produz uma s&eacute;rie de subst&acirc;ncias que diminuem    a capacidade do organismo captar a glicose, produzida ap&oacute;s a ingest&atilde;o    de alimentos, e transform&aacute;-la em energia. A capta&ccedil;&atilde;o de    glicose pelas c&eacute;lulas &eacute; fundamental para que o indiv&iacute;duo    produza energia. Sem essa produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o h&aacute; vida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em indiv&iacute;duos    saud&aacute;veis o organismo tende a manter o n&iacute;vel de glicose no sangue    est&aacute;vel. Para isso, quando existe um n&iacute;vel de glicose na corrente    sangu&iacute;nea acima do normal, c&eacute;lulas localizadas em uma estrutura    especial do p&acirc;ncreas Â(as ilhotas de Langerhans) s&atilde;o incentivadas    a produzir insulina.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um dos pap&eacute;is    da insulina &eacute; contribuir para que as mol&eacute;culas de glicose entrem    nas c&eacute;lulas. Ao ligar-se a receptores na superf&iacute;cie celular, a    insulina produz sinais dentro da c&eacute;lula que, entre outras fun&ccedil;&otilde;es,    facilitam o transporte da glicose da superf&iacute;cie da c&eacute;lula para    seu interior.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O indiv&iacute;duo    obeso, por&eacute;m, apresenta dificuldades em realizar esse processo de sinaliza&ccedil;&atilde;o    da insulina, ou seja, h&aacute; resist&ecirc;ncia &agrave; insulina, o que reduz    a possibilidade de a glicose entrar na c&eacute;lula. Para compensar essa dificuldade,    as c&eacute;lulas pancre&aacute;ticas produzem mais insulina, levando &agrave;    hiperinsulinemia, ou seja, excesso de insulina no sangue.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Al&eacute;m disso,    no caso do diabetes tipo II, existe um desequil&iacute;brio entre a produ&ccedil;&atilde;o    de insulina pelas c&eacute;lulas pancre&aacute;ticas e a produ&ccedil;&atilde;o    de glicose", afirma Lima. "Podemos dizer, nesse caso, que mesmo que haja n&iacute;veis    normais ou elevados de insulina no sangue, a produ&ccedil;&atilde;o insul&iacute;nica    &eacute; insuficiente para que a quantidade de glicose no sangue se normalize",    explica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o    ao diabetes, a gordura mais perigosa &eacute; a localizada no abd&ocirc;men.    No corpo humano, a gordura &eacute; distribu&iacute;da na regi&atilde;o subcut&acirc;nea    ou na regi&atilde;o visceral. Em geral, com algumas poucas exce&ccedil;&otilde;es,    os obesos apresentam aumento de gordura pr&oacute;ximo &agrave;s v&iacute;sceras.    A gordura visceral tem caracter&iacute;sticas metab&oacute;licas diferentes    da gordura subcut&acirc;nea, as quais favorecem a instala&ccedil;&atilde;o do    quadro de resist&ecirc;ncia &agrave; insulina.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"O excesso de tecido    adiposo localizado principalmente no abd&ocirc;men produz subst&acirc;ncias    que interferem negativamente na sinaliza&ccedil;&atilde;o intracelular da insulina,    o que favorece o aparecimento do diabetes", diz Lima.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O diabetes tipo    2 j&aacute; foi considerado como uma doen&ccedil;a de adultos. No entanto, atualmente    est&aacute; relacionado tamb&eacute;m com crian&ccedil;as e adolescentes. Uma    crian&ccedil;a ou um adolescente que apresente predisposi&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica    pode desde cedo apresentar certa resist&ecirc;ncia &agrave; insulina, que &eacute;    agravada pela obesidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Para se prevenir,    o melhor a fazer &eacute; realizar exerc&iacute;cios f&iacute;sicos com regularidade",    indica Lotufo. Segundo o professor da USP, mesmo que a pessoa n&atilde;o perca    peso, ir&aacute; melhorar a capta&ccedil;&atilde;o de glicose pelas c&eacute;lulas,    o que diminui a chance de apresentar diabetes. Para Lima, outra medida fundamental    &eacute; diminuir o consumo de alimentos ricos em gordura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para a endocrinologista    Ol&iacute;mpia Ara&uacute;jo, autora de trabalho acad&ecirc;mico sobre o diabetes,    um dos grandes problemas relacionados &agrave; doen&ccedil;a, atualmente, n&atilde;o    &eacute; a quantidade de informa&ccedil;&atilde;o existente, mas se esse conhecimento    atinge os pacientes em risco, como parte da popula&ccedil;&atilde;o obesa. "Al&eacute;m    disso, n&atilde;o basta apenas se informar - a atitude do indiv&iacute;duo no    enfrentamento de sua condi&ccedil;&atilde;o tem um peso importante na aplica&ccedil;&atilde;o    do conhecimento adquirido", afirma.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10/02/2013</font></p>     ]]></body>
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