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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESENHAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nt"></a><b>O pre&ccedil;o da solid&atilde;o: a pequena Matilda encontra na ci&ecirc;ncia e em seus experimentos uma v&aacute;lvula de escape para seus dramas pessoais, nessa hist&oacute;ria de uma fam&iacute;lia estereotipada, infeliz e solit&aacute;ria</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carolina Octaviano<a href="#nta"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O pre&ccedil;o da solid&atilde;o</b> (<i>The effect of gamma rays on Man-in-the-moon Marigolds</i>)    <br> Dire&ccedil;&atilde;o: Paul Newman    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Ano: 1972</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Terceiro filme dirigido por Paul Newman, cultuado ator e diretor norte-americano, <i>O pre&ccedil;o da solid&atilde;o</i> (ou <i>The effect of gamma rays on Man-in-the-moon Marigolds</i>, t&iacute;tulo original, em ingl&ecirc;s) &eacute; uma adapta&ccedil;&atilde;o da pe&ccedil;a hom&ocirc;nima do dramaturgo Paul Zindel, e aborda o drama de uma fam&iacute;lia desestruturada, comandada por uma m&atilde;e solteira, agitada e "neur&oacute;tica", que vive entre a realidade med&iacute;ocre que a cerca e o desejo de viver o chamado "sonho americano", sempre almejando mudar de vida, ter uma casa com jardim, montar seu pr&oacute;prio neg&oacute;cio e ter uma televis&atilde;o que pegue o canal seis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Beatrice vive com suas duas filhas Ruth e Matilda. E, enquanto Matilda &eacute; o estere&oacute;tipo de uma crian&ccedil;a t&iacute;mida, calada e considerada <i>nerd</i>, que tem a ci&ecirc;ncia como seu maior foco de interesse, Ruth &eacute; uma t&iacute;pica adolescente f&uacute;til norte-americana interessada em garotos e em ser uma <i>cheerleader</i>, desempenhando o mesmo papel que foi de sua m&atilde;e, no passado, como sugere o desenrolar da trama. Ao contr&aacute;rio do que ocorre nas fam&iacute;lias convencionais, Matilda &eacute; tida como o problema e Ruth como um modelo. Beatrice &eacute; uma personagem conturbada, com trejeitos, modos de se vestir, pensar e falar que revelam a infelicidade e a simult&acirc;nea dualidade entre inconformismo e conformismo com rela&ccedil;&atilde;o ao rumo que sua vida tomou.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estere&oacute;tipo do cientista &eacute; tratado de dois modos diferentes no filme: primeiro, observa-se que, em Matilda, come&ccedil;am a florescer caracter&iacute;sticas estereotipadas dos cientistas como o uso dos &oacute;culos, a solid&atilde;o que a rodeia, a n&atilde;o preocupa&ccedil;&atilde;o com a apar&ecirc;ncia f&iacute;sica, a intelig&ecirc;ncia exacerbada, entre outros. J&aacute; Godman, o professor de ci&ecirc;ncias de Matilda, &eacute; visto como uma salva&ccedil;&atilde;o pela garota, passando uma ideia fraternal e de acolhimento em detrimento de uma realidade n&atilde;o muito boa. O professor assume um papel bastante semelhante ao que a ci&ecirc;ncia pode representar em alguns casos como, por exemplo, a busca da cura para determinadas doen&ccedil;as: a esperan&ccedil;a de que, um dia, tudo ir&aacute; melhorar e o que um dia foi um problema n&atilde;o existir&aacute; mais. E &eacute; deste modo que se pode entender o relacionamento entre a estudante Matilda e seu professor de ci&ecirc;ncias. Godman oferece a ci&ecirc;ncia como uma v&aacute;lvula de escape para os problemas enfrentados por Matilda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse longa-metragem, tudo tem um ar pesado, triste, melanc&oacute;lico e, boa parte da hist&oacute;ria se passa na casa da fam&iacute;lia, que vive suja, com um clima carregado por conta da bagun&ccedil;a e das paredes pintadas de um tom escuro de marrom, passando para o espectador toda tristeza, melancolia e solid&atilde;o que envolve essa fam&iacute;lia. Aquela atmosfera ca&oacute;tica, na verdade, parece ser um contraponto para o vazio de seus personagens centrais. At&eacute; mesmo a presen&ccedil;a de uma senhora idosa (Annie), que &eacute; cuidada pela fam&iacute;lia e nem fala ou ouve, colabora para o sentimento de ang&uacute;stia e tristeza em que o filme se passa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para fugir do ambiente de mediocridade que a rodeia, Matilda come&ccedil;a a realizar experimentos com margaridas douradas que foram submetidas &agrave; radioatividade, sendo supervisionada pelo professor de ci&ecirc;ncias Goodman , que v&ecirc; na menina um talento a ser lapidado, acreditando em seu potencial, ao contr&aacute;rio do restante da fam&iacute;lia, que diz que a ci&ecirc;ncia &eacute; bobagem e que Matilda deveria se importar com outros assuntos. A avers&atilde;o da fam&iacute;lia &agrave; ci&ecirc;ncia se torna ainda maior quando Matilda vira motivo de piadas e risadas no col&eacute;gio que frequenta. Beatrice, que se importa demasiadamente com as apar&ecirc;ncias e a imagem que tem perante os outros, diz, logo nas primeiras cenas: "N&atilde;o gosto da ideia de que os outros riam de voc&ecirc;, Matilda. Quando eles riem de voc&ecirc;, quer dizer que eles riem de mim tamb&eacute;m, e da sua irm&atilde;".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gra&ccedil;as ao experimento com as margaridas douradas, Matilda &eacute; escolhida como uma das finalistas da feira de ci&ecirc;ncias anual do col&eacute;gio, fazendo com que Beatrice entre em crise, j&aacute; que n&atilde;o sabe o que vestir, falar ou como se portar, caso a filha seja a vencedora da premia&ccedil;&atilde;o. Outro fator que deixa a m&atilde;e ainda mais perturbada &eacute; que ela ter&aacute; que enfrentar seus fantasmas do passado, que viveu naquela mesma escola, tendo sido v&iacute;tima de chacota pelos colegas. Beatrice ensaia a frase "My heart is full" (Meu cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; cheio) in&uacute;meras vezes, procurando a entona&ccedil;&atilde;o precisa para pronunci&aacute;-la na poss&iacute;vel premia&ccedil;&atilde;o da filha, para que, desse modo, possa impressionar os outros e, assim, perder o estigma de louca e perturbada que adquiriu quando era jovem. Como ela vive de apar&ecirc;ncias e futilidades, ao contr&aacute;rio da filha ca&ccedil;ula Matilda, ela v&ecirc; em seu discurso a possibilidade de mudar o que os outros pensam dela. Na primeira cena do filme, inclusive, h&aacute; um paralelo que demonstra as diferen&ccedil;as entre a m&atilde;e e a filha mais nova: enquanto Matilda est&aacute; em um laborat&oacute;rio cient&iacute;fico realizando experi&ecirc;ncias, Beatrice est&aacute; escolhendo perucas em uma loja da cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Beatrice chega atrasada e b&ecirc;bada para a premia&ccedil;&atilde;o da filha. Trajando seu vestido mais chique, para impressionar os demais, se esfor&ccedil;a ao m&aacute;ximo para n&atilde;o demonstrar que est&aacute; sob efeito do &aacute;lcool. Em v&atilde;o, j&aacute; que todos os presentes no gin&aacute;sio percebem que ela est&aacute; alterada. Goodman, o professor, ao perceber o estado de Beatrice e o constrangimento dos demais, tenta segur&aacute;-la, mas &eacute; empurrado por ela, que consegue descer as escadas para dizer a &uacute;nica frase (t&atilde;o ensaiada) de seu discurso: "Meu cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; cheio". A m&atilde;e repete isso algumas vezes e, ao perceber que uma colega de Matilda ri dela, vira-se para a garota e, aos berros, repete novamente a tal frase, ao mesmo tempo em que todos lan&ccedil;am a ela olhares de piedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se de uma hist&oacute;ria que afirma fortemente a autenticidade como valor moral. Apesar da solid&atilde;o, da tristeza que vivia e de toda sua ang&uacute;stia, Matilda era a &uacute;nica personagem verdadeiramente aut&ecirc;ntica no enredo, n&atilde;o se importando com as risadas dos colegas ou com o menosprezo de seus familiares, o que a fazia ser menos vazia e ter um prop&oacute;sito leg&iacute;timo na vida. Ela sabia que a ci&ecirc;ncia a faria ser algu&eacute;m e, em seu discurso, diz que a descoberta da ci&ecirc;ncia foi decisiva em sua vida, j&aacute; que a fez perceber o qu&atilde;o importante ela era para si mesma, em cada &aacute;tomo que a comp&otilde;e. "Eu acredito, com todo meu cora&ccedil;&atilde;o, que chegar&aacute; o dia em que a humanidade vai agradecer a Deus pela estranha e bela energia do &aacute;tomo", afirma. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que ela chama de "estranha" essa energia: n&atilde;o se trata de um mero deslumbramento pela ci&ecirc;ncia, desprovido de senso cr&iacute;tico: "Meu experimento mostrou alguns dos efeitos estranhos que a radia&ccedil;&atilde;o pode produzir e como ela pode ser perigosa e se n&atilde;o for manejada corretamente", alerta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nta"></a><a href="#nt">*</a> 10/10/2012</font></p>      ]]></body>

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