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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nta"></a><b>Desafios em ci&ecirc;ncia e tecnologia e olimp&iacute;adas como meio de motivar o pensamento cient&iacute;fico na educa&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Marcela Marrafon de Oliveira<a href="#nt"><sup>*</sup></a>; Monique Lopes<a href="#nt"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maior familiaridade com as quest&otilde;es que envolvem os temas de ci&ecirc;ncia e tecnologia &eacute; algo que se busca e deseja para as sociedades democr&aacute;ticas. Uma das formas de se estimular a educa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nos jovens brasileiros &eacute; atrav&eacute;s dos desafios cient&iacute;ficos e das olimp&iacute;adas em diversas &aacute;reas do conhecimento, como &eacute; o caso da Olimp&iacute;ada Brasileira de Matem&aacute;tica que, neste ano, quase chegou a impressionante marca de 19 milh&otilde;es de jovens inscritos. Voltadas cada vez mais para trabalhos em equipe, com a supervis&atilde;o de professores, essas atividades exigem novas atitudes dos participantes em rela&ccedil;&atilde;o ao conhecimento, um posicionamento cr&iacute;tico e solu&ccedil;&otilde;es criativas diante dos problemas enfrentados no dia a dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um exemplo de desafio cient&iacute;fico ser&aacute; proposto pela <a href="http://www.empirika.org/pt/" target="_blank">Empírika</a>, a Feira Ibero-Americana da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o, que acontece este ano em S&atilde;o Paulo entre os dias 23 e 28 de outubro. A feira promover&aacute; os <a href="http://www.empirika.org/pt/regiones/" target="_blank">Desafios Empírikos</a>: atividades direcionadas a estudantes e professores de escolas estaduais p&uacute;blicas que devem oferecer solu&ccedil;&otilde;es criativas a problemas reais relacionados &agrave; sustentabilidade e meio ambiente, por meio dos conhecimentos adquiridos na escola ou no dia a dia. S&atilde;o cinco desafios nas &aacute;reas de: sustentabilidade na constru&ccedil;&atilde;o civil; qualidade de vida e fontes alternativas de energia; card&aacute;pio e meio ambiente; a &aacute;gua, o lixo e a reciclagem; e carbono zero.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Os Desafios visam promover o desenvolvimento do pensamento cr&iacute;tico individual e coletivo, mas principalmente o trabalho coletivo, como organizar uma equipe de projeto, como atingir os objetivos do projeto, ou seja, como solucionar o problema dentro do prazo estipulado. Acreditamos que a promo&ccedil;&atilde;o da cultura cient&iacute;fica se d&aacute; atrav&eacute;s das diferentes formas de conhecimento que s&atilde;o necess&aacute;rias para o desenvolvimento de um bom projeto, porque todos os Desafios envolvem quest&otilde;es multidisciplinares, e para se pensar na melhor solu&ccedil;&atilde;o, na solu&ccedil;&atilde;o mais vi&aacute;vel, ou na solu&ccedil;&atilde;o mais sustent&aacute;vel, enfim, por todos esses caminhos temos que buscar conhecimento em diferentes disciplinas, e tamb&eacute;m buscarmos conhecimento fora da escola, &agrave;s vezes pela experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica do dia a dia de nossos pais, ou no cotidiano da comunidade", comenta Sylla Taves, respons&aacute;vel pela coordena&ccedil;&atilde;o institucional da feira e um dos respons&aacute;veis pelos roteiros pedag&oacute;gicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Taves explica que os Desafios da Emp&iacute;rika foram inspirados no The Tech Challenge, criado e organizado anualmente pelo The Tech Museum, em San Jose, na Calif&oacute;rnia (EUA). Trata-se de um desafio de base cient&iacute;fica com o objetivo de envolver estudantes na resolu&ccedil;&atilde;o criativa de um problema do mundo real. Devem ser formadas equipes de dois a seis participantes com um adulto supervisor. A equipe deve tamb&eacute;m documentar todos os passos que envolvem a cria&ccedil;&atilde;o do projeto, sobretudo o que aprendem por meio da experimenta&ccedil;&atilde;o e erro. O desafio culmina no dia de apresenta&ccedil;&atilde;o do projeto das equipes para os jurados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desafios com tempero brasileiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os Desafios Emp&iacute;rikos foram adaptados de acordo com as preocupa&ccedil;&otilde;es brasileiras. "Estudamos os materiais de apoio do The Tech Challenge e desenvolvemos os nossos roteiros pensando na realidade das comunidades onde est&atilde;o as escolas p&uacute;blicas do estado de S&atilde;o Paulo. Temos a metodologia e o formato da organiza&ccedil;&atilde;o como refer&ecirc;ncia, fizemos adapta&ccedil;&otilde;es nos requisitos de avalia&ccedil;&atilde;o, e no formato de sele&ccedil;&atilde;o dos projetos", assinala Taves.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi tamb&eacute;m baseado no The Tech Challenge que o Museu Explorat&oacute;rio de Ci&ecirc;ncias da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveu duas vertentes de desafios cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gicos: o Grande Desafio e os Pequenos Desafios, que consistem em oficinas. " Antes mesmo de termos a estrutura do museu, tivemos um evento na Unicamp que contou com diversos visitantes, um deles, um senhor chamado Peter Giles que era, na &eacute;poca, diretor do The Tech Museum, em San Jose, na Calif&oacute;rnia. L&aacute;, eles t&ecirc;m um programa chamado The Challenge, que &eacute; muito similar ao nosso. Na verdade, baseado na experi&ecirc;ncia deles, fizemos algumas mudan&ccedil;as dentro do contexto brasileiro, como uma cartilha de orienta&ccedil;&otilde;es, o Manual do Grande Desafio", afirma Marcelo Firer, diretor do museu.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Oficina Desafio, que comp&otilde;e os Pequenos Desafios, &eacute; uma oficina ambulante em que um caminh&atilde;o com v&aacute;rias ferramentas e materiais pode ser solicitado pela escola ou institui&ccedil;&atilde;o para uma atividade de at&eacute; quatro horas de dura&ccedil;&atilde;o. Os desafios s&atilde;o problemas em aberto e que possibilitam diversas solu&ccedil;&otilde;es. O objetivo &eacute; estimular os estudantes a buscarem solu&ccedil;&otilde;es para problemas reais, pautando-se nos conhecimentos adquiridos na escola e nas experi&ecirc;ncias do cotidiano. J&aacute; n o Grande Desafio, os participantes s&atilde;o instigados a resolver um problema complexo, em que o desafio &eacute; projetar, construir e operar um equipamento. Neste ano, os participantes tiveram de construir e operar um equipamento que auxiliasse no desassoreamento e despolui&ccedil;&atilde;o de um lago. Em anos anteriores, j&aacute; houve proposta de constru&ccedil;&atilde;o de equipamento capaz de extrair petr&oacute;leo de uma reserva situada no fundo de um oceano. Todo o processo leva cerca de tr&ecirc;s meses at&eacute; a apresenta&ccedil;&atilde;o final do equipamento e o museu fornece apoio did&aacute;tico e t&eacute;cnico &agrave;s equipes durante esse per&iacute;odo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="/img/revistas/cci/n142/a04fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cci/n142/a04fig01thumb.jpg" border="0">    <br> Clique para ampliar</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo dados do Museu Explorat&oacute;rio de Ci&ecirc;ncias, neste ano, foram realizadas 40 Oficinas Desafio e tr&ecirc;s oficinas testes do Grande Desafio, totalizando cerca de 2.580 participantes de v&aacute;rios estados brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A quest&atilde;o principal, mais do que a import&acirc;ncia, &eacute; a necessidade de se ter alguma atividade que envolva desafios intelectuais pelos quais vale a pena voc&ecirc; se dedicar, porque voc&ecirc; gosta e n&atilde;o s&oacute; porque &eacute; obrigado. Al&eacute;m disso, como &eacute; que voc&ecirc; trabalha conhecimentos que s&atilde;o considerados parte da nossa cultura e que nem todo mundo tem interesse nisso? Acho que &eacute; um desafio importante conhecer, entender os fundamentos desse tipo de pensamento. H&aacute; a necessidade de poder ter algo que &eacute; feito com paix&atilde;o, com interesse, com entusiasmo", avalia Firer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra iniciativa de desafio voltado aos estudantes de ensino fundamental e m&eacute;dio, mas aberto a quaisquer outros interessados, &eacute; o Desafio Nacional Acad&ecirc;mico (DNA). Organizado desde 2006 pelo Projeto Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o a Dist&acirc;ncia (ProNEAD), o DNA &eacute; uma competi&ccedil;&atilde;o de conhecimento, realizada em equipe e totalmente online. Possui duas fases: a primeira &eacute; formada de 110 desafios (em 11 &aacute;reas do conhecimento) e 4 tarefas extras; j&aacute; a segunda &eacute; um enigma final. Dentre os objetivos da competi&ccedil;&atilde;o est&atilde;o o desenvolvimento do trabalho em equipe, a criatividade, a no&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a e o esp&iacute;rito empreendedor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nas ci&ecirc;ncias humanas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &aacute;rea das ci&ecirc;ncias humanas tamb&eacute;m apresenta relevantes desafios intelectuais, especialmente por meio das olimp&iacute;adas. Um grande exemplo disso &eacute; a Olimp&iacute;ada Nacional em Hist&oacute;ria do Brasil (ONHB), tamb&eacute;m organizada pelo Museu Explorat&oacute;rio de Ci&ecirc;ncias da Unicamp. Diferentemente do que se pode imaginar de uma olimp&iacute;ada tradicional, que costuma ser individual e baseada em provas realizadas em dias e hor&aacute;rios predeterminados, esta apresenta uma estrutura bastante diferenciada e &uacute;nica, segundo a coordenadora Cristina Meneguello. O objetivo &eacute; envolver os participantes em debates, pesquisas, consultas ao professor. &Eacute; uma prova de coopera&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o de competi&ccedil;&atilde;o individual. Participam dela uma equipe de alunos e um professor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Cristina, o objetivo n&atilde;o &eacute; trabalhar o que os alunos j&aacute; sabem, mas lev&aacute;-los a aprender mais, e, sobretudo, a entender como &eacute; o trabalho do historiador . "As atividades propostas aos participantes da ONHB simulam o trabalho do historiador. Lidam com documentos hist&oacute;ricos, fotografias do passado, imagens, mapas. Eles conseguem experenciar como trabalha o historiador quando quer conhecer melhor o passado", declarou a coordenadora em entrevista &agrave; TV da Unicamp (assista ao <a href="http://cameraweb.ccuec.unicamp.br/video/HDY286595O36/" target="_blank">vídeo</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A prova &eacute; formada por cinco fases online e uma fase presencial na Unicamp. Neste ano, os participantes produziram um jornal, chamado <i>Gazeta do Historiador</i>, em que relataram situa&ccedil;&otilde;es de conflito e movimentos sociais na regi&atilde;o onde moram. "Este ano, por exemplo, eles elaboraram um jornal de duas p&aacute;ginas, com textos e imagens, contando sobre algum conflito hist&oacute;rico ocorrido nas suas cidades. Estamos unindo tudo, leitura, hist&oacute;ria regional, escrita, jornalismo... &Eacute; um desafio bem com a cara de ci&ecirc;ncias humanas", comenta a coordenadora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No campo da linguagem, destaca-se a Olimp&iacute;ada de L&iacute;ngua Portuguesa <i> Escrevendo o Futuro</i> . Uma iniciativa do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC) e da Funda&ccedil;&atilde;o Ita&uacute; Social, a olimp&iacute;ada &eacute; bienal e realiza um concurso de produ&ccedil;&atilde;o de textos que premia as melhores produ&ccedil;&otilde;es de alunos de escolas p&uacute;blicas de todo o pa&iacute;s. Al&eacute;m de propor a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o de professores com o objetivo de contribuir para a melhoria do ensino da leitura e escrita nas escolas p&uacute;blicas do pa&iacute;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao que parece, a expectativa n&atilde;o &eacute; que atividades de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica resolvam o d&eacute;ficit de educa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica das escolas ou transformem seus jovens participantes em futuros cientistas, mas que elas contribuam para motivar e transformar as formas de se pensar sobre as quest&otilde;es cotidianas, significativas para a cidadania. Esse sim parece ser o verdadeiro desafio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nt"></a><a href="#nta">*</a> 10/10/2012</font></p>      ]]></body>

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