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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Um    Brasil bem maior cinco s&eacute;culos depois</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <b>Leonor Assad</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando Pedro &Aacute;lvares    Cabral aqui chegou com suas tr&ecirc;s caravelas e dez naus tripuladas por 1.500    homens, o Brasil ocupava uma &aacute;rea de cerca de 2.650.000 km<sup>2</sup>    ao sul da linha do Equador, na parte leste da Am&eacute;rica do Sul. Hoje o    territ&oacute;rio brasileiro se estende por 8.514.876 km<sup>2</sup>, que fazem    do Brasil o 5&#186; maior pa&iacute;s do mundo. E, se prevalecer um pedido recente    feito &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU),    poder&atilde;o ser acrescentados mais uns 4.500.000 km<sup>2</sup> de mar territorial,    a chamada <u>Amaz&ocirc;nia Azul</u>. Essa espetacular expans&atilde;o envolveu    ast&uacute;cia, mortes, ouro, dinheiro e muita negocia&ccedil;&atilde;o. E poder&aacute;,    ao cabo desses pouco mais de 500 anos, tornar o Brasil quase cinco vezes maior    do que era quando se firmou o Tratado de Tordesilhas em 7 de junho de 1494.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Tratado de Tordesilhas    resultou de intensas negocia&ccedil;&otilde;es entre Portugal e Espanha, as    duas pot&ecirc;ncias mar&iacute;timas que, desde o s&eacute;culo XV, expandiam    suas terras a pretexto de defender o cristianismo mundo afora.&nbsp; Por meio    dele, foi estabelecida a divis&atilde;o das &aacute;reas de influ&ecirc;ncia    dos pa&iacute;ses ib&eacute;ricos, cabendo a Portugal as terras descobertas    e por descobrir situadas antes da linha imagin&aacute;ria que demarcava 370    <u>l&eacute;guas mar&iacute;timas</u> a oeste das Ilhas de Cabo Verde, que pertenciam    aos portugueses. &Agrave; Espanha caberiam as terras que ficassem al&eacute;m    dessa linha.&nbsp;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conforme assinala    a ge&oacute;grafa V&acirc;nia Vlach, em sua tese de doutorado defendida em 1997    na Universidade de Paris VIII, o Tratado de Tordesilhas trouxe muitos problemas.    Primeiro, os instrumentos da &eacute;poca n&atilde;o permitiam determinar com    precis&atilde;o as 370 l&eacute;guas mar&iacute;timas. Outro problema era que    n&atilde;o se sabia qual ilha do Arquip&eacute;lago de Cabo Verde serviria de    refer&ecirc;ncia para se contar as 370 l&eacute;guas marinhas; isto &eacute;,    n&atilde;o se conseguia definir o meridiano adequado. Assim, o Tratado de Tordesilhas,    ratificado em 26 de janeiro de 1506 pelo papa Julio II, por meio da Bula <i>Ea    Quae Pro Bono Pacis</i>, teve apenas efeito moral. De todo modo, destaca Vania    Vlach, o meridiano de Tordesilhas legitimou a presen&ccedil;a portuguesa na    Am&eacute;rica.<b>&nbsp;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Em busca do    ouro</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A chegada de Cabral    &agrave; costa brasileira em 21 de abril de 1500 n&atilde;o foi obra do acaso.    Tendo sa&iacute;do de Lisboa em 9 de mar&ccedil;o daquele ano, o jovem capit&atilde;o    Cabral, depois de passar pelas Ilhas de Cabo Verde, desviou sua esquadra para    a direita rumo &agrave; por&ccedil;&atilde;o de terra que se supunha existir    a leste da Ilha de Cabo Verde, mas ainda n&atilde;o ocupada pelos portugueses.    E o fez sob as ordens de D. Manuel I, rei de Portugal de 1495 a 1521, que, endividado,    tinha motivos fortes para enviar Cabral &agrave;s terras portuguesas, antes    de seguir para as &Iacute;ndias.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com efeito, quando    assumiu a coroa portuguesa, D. Manuel I herdou tamb&eacute;m uma d&iacute;vida    muito grande, que crescia h&aacute; mais de 100 anos. Portanto, Cabral estava    atr&aacute;s de ouro, adotado como moeda desde o s&eacute;culo IV a.C. Mas o    que o navegador portugu&ecirc;s levou do Brasil de presente ao rei foram araras,    papagaios, arcos, flechas, penas e plantas tropicais, in&uacute;teis para amenizar    as d&iacute;vidas reais. O rei portugu&ecirc;s preferiu o com&eacute;rcio com    as &Iacute;ndias, de onde vinham grandes quantidades de especiarias, porcelana,    diamantes e rubis.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do Brasil, a Coroa    Portuguesa explorou principalmente o pau-brasil. Entretanto, o Brasil, entre    1500 e 1530, dava muitos preju&iacute;zos a Portugal. No livro <i>A hist&oacute;ria    econ&ocirc;mica do Brasil</i>, publicado em 1938, Roberto Simonsen afirma que    a retirada de centenas de toneladas de pau-brasil representava menos de 5% do    que era arrecadado pelos cofres portugueses. E ainda era necess&aacute;rio gastar    para proteger as terras brasileiras, frequentadas regularmente por invasores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A solu&ccedil;&atilde;o    foi adotar no Brasil o que vinha sendo feito nas Ilhas da Madeira e Cabo Verde:    doar terras para coloniza&ccedil;&atilde;o.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nascia a primeira    divis&atilde;o de terras no Brasil. Em 1534, D. Jo&atilde;o III, sucessor de    D. Manuel I, dividiu o territ&oacute;rio em 14 capitanias heredit&aacute;rias,    correspondentes a 15 lotes e distribu&iacute;das a 12 donat&aacute;rios. Do    norte para o sul tinha-se: Primeira Capitania do Maranh&atilde;o, Segunda Capitania    do Maranh&atilde;o, Cear&aacute;, Rio Grande, Itamarac&aacute;, Pernambuco (ou    Nova Lusit&acirc;nia), Bahia de Todos os Santos, Ilh&eacute;us, Porto Seguro,    Esp&iacute;rito Santo, S&atilde;o Tom&eacute;, Rio de Janeiro, Santo Amaro,    S&atilde;o Vicente e Santana. Todas tinham por limite leste o mar e limite oeste    a linha imagin&aacute;ria (e um tanto incerta) do Tratado de Tordesilhas.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como a nobreza    lusitana n&atilde;o se interessou por essas doa&ccedil;&otilde;es, as capitanias    brasileiras foram concedidas a membros da burocracia estatal, a militares e    a navegadores, que tinham poderes absolutos para legislar e controlar tudo em    suas terras, menos arrecadar os impostos reais. A divis&atilde;o dos lotes foi    feita com base em acidentes geogr&aacute;ficos (em geral rios, ba&iacute;as    e ilhas) e n&atilde;o respeitou a divis&atilde;o territorial das tribos ind&iacute;genas.    Esse arranjo revelou-se problem&aacute;tico: dos 12 donat&aacute;rios, quatro    nunca estiveram no Brasil; dos oito que vieram, apenas Duarte Coelho fez uma    boa administra&ccedil;&atilde;o em Pernambuco; dos 15 lotes, Rio de Janeiro,    Cear&aacute;, Ilh&eacute;us e Santana n&atilde;o foram ocupados; apenas em Pernambuco    e em S&atilde;o Vicente a coloniza&ccedil;&atilde;o foi bem sucedida; e foram    muitos os conflitos com a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena. Ainda assim,    as capitanias heredit&aacute;rias representam a primeira incurs&atilde;o de    portugueses nos tr&oacute;picos e marcou a estrutura fundi&aacute;ria e agr&aacute;ria    do Brasil.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com o objetivo    de centralizar a administra&ccedil;&atilde;o e melhor informar &agrave; Coroa    Portuguesa sobre as descobertas feitas na col&ocirc;nia, D. Jo&atilde;o III    instituiu, em 1549, um governo geral, com sede na Capitania da Bahia de Todos    os Santos, adquirida pelo rei, mediante indeniza&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Foram    tr&ecirc;s os governadores gerais: Tom&eacute; de Souza (1549 a 1553), Duarte    da Costa (1553 a 1557) e Mem de S&aacute; (1557 a 1572). Ap&oacute;s a morte    deste &uacute;ltimo, o novo rei, Dom Sebasti&atilde;o, dividiu o Brasil em governo    do norte, com capital em Salvador, que administrava a regi&atilde;o da Capitania    da Ba&iacute;a de Todos os Santos at&eacute; a Capitania do Maranh&atilde;o;    e em governo do sul, com sede no Rio de Janeiro, respons&aacute;vel pelos territ&oacute;rios    da Capitania de Ilh&eacute;us at&eacute; a Capitania de Santana.&nbsp;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas ainda era necess&aacute;rio    encontrar o ouro do Novo Mundo, at&eacute; porque a Espanha estava cada vez    mais rica com os sucessivos ganhos nas suas col&ocirc;nias a leste do meridiano    de Tordesilhas. Pero de Magalh&atilde;es de G&acirc;ndavo, historiador e cronista    portugu&ecirc;s do s&eacute;culo XVI, &eacute; o autor da primeira hist&oacute;ria    do Brasil publicada em l&iacute;ngua portuguesa. Em sua <i>Hist&oacute;ria da    prov&iacute;ncia de Santa Cruz</i>, de 1576, ele afirma: "Esta prov&iacute;ncia    de Santa Cruz, al&eacute;m de ser t&atilde;o f&eacute;rtil como digo, e abastada    de todos os mantimentos necess&aacute;rios para a vida do homem, &eacute; certo    ser tamb&eacute;m muito rica, e haver nela muito ouro e pedraria, de que se    t&ecirc;m grandes esperan&ccedil;as."&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com efeito, em    1561, algumas minas foram encontradas na Serra do Jaragu&aacute;, em S&atilde;o    Paulo de Piratininga. Mas eram pouco promissoras em face das enormes d&iacute;vidas    de Portugal. Assim, e sempre na busca do valioso min&eacute;rio, os portugueses    expandiram seu territ&oacute;rio para sudeste e para oeste, conquistando ou    fundando novas aldeias e fortalezas.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ouro em quantidade    significativa s&oacute; foi descoberto em 1693, na regi&atilde;o mais tarde    chamada de Minas Gerais. O metal passou a ser visto por toda parte, nas margens    e em leitos de rios, em morros e at&eacute; no ch&atilde;o. Milhares de portugueses    venderam tudo que possu&iacute;am, despovoando vilas principalmente do norte    de Portugal. Muitos dos que viviam de cultivos pr&oacute;ximos &agrave; costa    brasileira tamb&eacute;m migraram para o interior. Tamanha movimenta&ccedil;&atilde;o    ati&ccedil;ou estrangeiros. Multiplicaram-se as invas&otilde;es e as disputas    de territ&oacute;rios. Muitos morreram em busca de ouro.&nbsp;</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O gigante envolvido    em conflitos se divide</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De 1500 at&eacute;    os dias de hoje, o Brasil cresceu e se dividiu em prov&iacute;ncias e depois    em estados. Tamb&eacute;m n&atilde;o foram poucos os conflitos e as disputas    de terras. Destacam-se:&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- <b><i>Guerra    dos Emboabas</i></b>: de 1707 a 1709, op&ocirc;s paulistas, descobridores de    minas de ouro nas Minas Gerais, e forasteiros portugueses, os emboabas, que    se apoderaram de algumas das melhores minas, pela for&ccedil;a do dinheiro ou    de armas; terminou com a derrota dos paulistas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><i>- Guerra    da Cisplatina:</i></b> de 1825 a 1828, entre o Imp&eacute;rio do Brasil e as    Prov&iacute;ncias Unidas do Rio da Prata, pela posse da Prov&iacute;ncia Cisplatina,    atual Rep&uacute;blica Oriental do Uruguai. Foi o primeiro de quatro conflitos    armados internacionais pela supremacia do Brasil na Am&eacute;rica do Sul. O    segundo foi a Guerra do Rio da Prata, de agosto de 1851 a fevereiro de 1852;    o terceiro foi a Quest&atilde;o Uruguaia, em 1864; e o &uacute;ltimo, a Guerra    do Paraguai, tamb&eacute;m chamada Guerra da Tr&iacute;plice Alian&ccedil;a,    de dezembro de 1864 a mar&ccedil;o de 1870.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- <b><i>Cabanagem</i></b>:    provavelmente a mais sangrenta revolta social j&aacute; ocorrida no Brasil,    se estendeu de 1835 a 1840, em Bel&eacute;m; os revoltosos lutavam contra a    nomea&ccedil;&atilde;o dos presidentes das prov&iacute;ncias e principalmente    contra as p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de vida de grande parte da    popula&ccedil;&atilde;o da prov&iacute;ncia do Par&aacute;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- <b><i>Guerra    dos Farrapos</i></b>: estendeu-se de 20 de setembro de 1835 a 1&#176; de mar&ccedil;o    de 1845; de car&aacute;ter republicano, resultou na declara&ccedil;&atilde;o    de independ&ecirc;ncia da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Pedro do Rio Grande    do Sul como estado republicano, dando origem &agrave; Rep&uacute;blica Rio-Grandense.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- <b><i>Sabinada</i></b>:    ocorrida em Salvador entre novembro de 1837 e mar&ccedil;o de 1838, foi um levante    da classe m&eacute;dia baiana contra o poder central e a supremacia dos senhores    de engenho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- <b><i>Balaiada</i></b>:    insurrei&ccedil;&atilde;o que se espalhou pelo Maranh&atilde;o, de 1838 a 1841,    foi marcada por saques principalmente nas cidades de S&atilde;o Lu&iacute;s    e Caxias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- <b><i>Revolta    Praieira</i></b>: iniciada em Recife e Olinda, em 1848, espalhou-se, at&eacute;    1850, por todo Pernambuco; de car&aacute;ter liberal, os rebeldes reivindicavam    a instala&ccedil;&atilde;o de uma Constituinte para redigir uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o    e a nacionaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio, entre outras medidas;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- <b>Revolu&ccedil;&atilde;o    de 1932 ou Guerra Paulista:</b> movimento armado ocorrido no estado de S&atilde;o    Paulo, entre 9 de julho e 4 de outubro de 1932, que tinha por objetivo derrubar    o governo provis&oacute;rio de Get&uacute;lio Vargas.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Alguns territ&oacute;rios    brasileiros foram conquistados, outros foram comprados ou cedidos. Nomes como    Alexandre de Gusm&atilde;o, considerado o av&ocirc; dos diplomatas brasileiros,    Jos&eacute; Maria da Silva Paranhos J&uacute;nior, o Bar&atilde;o do Rio Branco,    e Ruy Barbosa contribu&iacute;ram para a consolida&ccedil;&atilde;o das nossas    fronteiras.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gra&ccedil;as &agrave;    a&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica de Alexandre de Gusm&atilde;o, os atuais    estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul&nbsp;e Mato Grosso, bem como a    imensa zona compreendida entre o Alto-Paraguai, o rio Guapor&eacute;, o rio    Madeira, o rio Tapaj&oacute;s e o rio Tocantins, regi&otilde;es na &eacute;poca    desabitadas, foram cedidos a Portugal pela Espanha, por meio do Tratado de Madrid,    assinado em 13 de janeiro de 1750. Em troca, Portugal cedeu &agrave; Espanha    a Col&ocirc;nia do Sacramento e abriu m&atilde;o de suas pretens&otilde;es no    estu&aacute;rio do Rio da Prata. Como consequ&ecirc;ncia, tamb&eacute;m houve    a revoga&ccedil;&atilde;o do Tratado de Tordesilhas, a consagra&ccedil;&atilde;o    do princ&iacute;pio do <i>uti possidetis</i> (quem tem a posse tem o dom&iacute;nio),    a posse para Portugal de grande parte da atual &aacute;rea da Amaz&ocirc;nia&nbsp;    brasileira e a defini&ccedil;&atilde;o do rio Uruguai como fronteira oeste do    Brasil com a Argentina.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 1900, e com    a participa&ccedil;&atilde;o do Bar&atilde;o do Rio Branco, a Comiss&atilde;o    de Arbitragem em Genebra, na Su&iacute;&ccedil;a, concedeu a posse de terras    que estavam sendo disputadas com a Fran&ccedil;a. Essas terras foram incorporadas    ao estado do Par&aacute; com o nome de Araguari e, por raz&otilde;es estrat&eacute;gicas    e de desenvolvimento econ&ocirc;mico, foram desmembradas em 13 de setembro de    1943, constituindo o territ&oacute;rio federal do Amap&aacute;. Tr&ecirc;s anos    depois, por meio do Tratado de Petr&oacute;polis, de 17 de novembro de 1903,    e do Bar&atilde;o do Rio Branco, o Brasil adquiriu da Bol&iacute;via, por 2    milh&otilde;es de libras esterlinas, terras do atual estado do Acre, fazendo    tamb&eacute;m pequenas concess&otilde;es de terras no estado do Mato Grosso    e comprometendo-se a construir uma ferrovia ligando os dois pa&iacute;ses, a    Madeira-Mamor&eacute;.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As &aacute;reas    dos atuais estados de Roraima, Rond&ocirc;nia&nbsp;e Paran&aacute;&nbsp;tamb&eacute;m    foram objeto de disputas, nem sempre favor&aacute;veis ao Brasil. Em 1904, por    exemplo, houve uma disputa territorial com a Inglaterra e, por meio da arbitragem    do rei italiano V&iacute;tor Manuel II, o Brasil perdeu a maior parte das terras    da regi&atilde;o do Pirara, pequeno afluente do rio Ma&uacute;, em Roraima,    incorporadas &agrave; Guiana Inglesa. Com a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o    brasileira de 1988, o Acre, o Amap&aacute;, Rond&ocirc;nia e Roraima foram elevados    &agrave; categoria de estado.&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por raz&otilde;es    pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas, ocorreram tamb&eacute;m divis&otilde;es    dos estados do Mato Grosso e de Goi&aacute;s, criando-se o Mato Grosso do Sul&nbsp;e    o Tocantins (veja box abaixo). Um trabalho realizado pelo N&uacute;cleo de Estudos    sobre Coopera&ccedil;&atilde;o e Conflitos Internacionais, da Universidade Federal    de Ouro Preto (UFOP), ilustra essas <u>sucessivas mudan&ccedil;as</u>. Ainda    que dividido em 26 estados e um distrito federal, podendo chegar a um desmembramento    mais expressivo, dependendo dos projetos que tramitam no Congresso, cinco s&eacute;culos    depois, o Brasil &eacute; bem maior do que quando Cabral aqui chegou.&nbsp;</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Um exemplo de    divis&atilde;o para crescer</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"A cria&ccedil;&atilde;o    do estado do Tocantins concretizou um projeto de autonomia que expressava as    necessidades de desenvolvimento econ&ocirc;mico e de organiza&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tico-administrativas de seu territ&oacute;rio, representando as falas    de gera&ccedil;&otilde;es que, desde o s&eacute;culo XIX, lutavam para ter um    territ&oacute;rio desmembrado de Goi&aacute;s", afirma Eliseu Pereira de Brito,    professor da Universidade Federal do Tocantins. Com efeito, em 1821, a Comarca    do Norte, criada em 1809, proclamou a sua autonomia pol&iacute;tico-administrativa,    instaurando um governo independente da Comarca do Sul e que durou at&eacute;    1824. Segundo Brito, a forma do pagamento dos tributos, para evitar o contrabando    do ouro, foi a causa dessa iniciativa, pois onerava o norte em detrimento do    sul de Goi&aacute;s. Esse processo desencadeou uma crise que j&aacute; durava    mais de 50 anos. Eliseu de Brito afirma que o ouro foi uma fonte de atraso do    norte de Goi&aacute;s, porque no auge de sua minera&ccedil;&atilde;o, a navega&ccedil;&atilde;o    foi interrompida e isolou a regi&atilde;o. "Quem iniciou o movimento de luta    pr&oacute; Tocantins foram os&nbsp;<u>curraleiros</u>&nbsp;e n&atilde;o os mineradores    do ouro", conta. A regi&atilde;o era isolada e mergulhada em crise. Por isso,    um crescimento ainda que pequeno &eacute; representativo para o estado. Segundo    ele, a divis&atilde;o tamb&eacute;m beneficiou Goi&aacute;s, pois as d&iacute;vidas    internas e externas do estado foram assumidas pela Uni&atilde;o, que, sem a    regi&atilde;o pobre, teve sua renda&nbsp;<i>per capita</i>&nbsp;aumentada. "Para    o Tocantins, com os investimentos federais, houve um aumento significativo da    sua renda&nbsp;<i>per capita</i>", explica. Cabe destacar que desde 1953, o    norte goiano faz parte da Amaz&ocirc;nia Legal. Usufrui de recursos do Banco    da Amaz&ocirc;nia (Basa) e &eacute; alvo de programas espec&iacute;ficos de    desenvolvimento, sob coordena&ccedil;&atilde;o da Superintend&ecirc;ncia do    Desenvolvimento da Amaz&ocirc;nia (Sudam). Assim, mesmo com a divis&atilde;o    de Goi&aacute;s, o estado do Tocantins continuou pertencendo &agrave; Amaz&ocirc;nia    Legal e n&atilde;o compromete a reparti&ccedil;&atilde;o do Fundo Constitucional    de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), que &eacute; dividido entre o Distrito    Federal e os estados de Goi&aacute;s, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.</font></p>      ]]></body>

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