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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Quanto vale    o investimento em ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Sergio Salles-Filho</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diretor da Faculdade    de Ci&ecirc;ncias Aplicadas, da Unicamp, professor do Departamento de Pol&iacute;tica    Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica, do Instituto de Geoci&ecirc;ncias, da    mesma institui&ccedil;&atilde;o e pesquisador do Geopi</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&quot;Investimos    5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento&quot;; &quot;aplicamos 1% da    receita fiscal do estado em ci&ecirc;ncia e tecnologia&quot;; &quot;o pa&iacute;s    investe 1% de seu PIB em C&amp;T&quot;... Estas m&eacute;tricas s&atilde;o cada    vez mais comuns e mais conhecidas no mundo da pesquisa cient&iacute;fica e da    inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, assim como no mundo da burocracia,    do planejamento e das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de CT&amp;I.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na outra ponta    do esfor&ccedil;o, m&eacute;tricas tais como: &quot;publicamos 3% da produ&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica mundial&quot;; &quot;depositamos 0,05% das patentes nos EUA&quot;;    38% das empresas produziram inova&ccedil;&atilde;o de produto e processo&quot;    etc, s&atilde;o m&eacute;tricas de <i>output</i> (resultado) igualmente frequentes    e cada vez mais comuns.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Inputs</i> e    <i>outputs</i> v&atilde;o e v&ecirc;m e nos d&atilde;o indica&ccedil;&otilde;es    aproximadas do qu&atilde;o importantes ou desimportantes estamos nos sistemas    de CT&amp;I. Acabam tamb&eacute;m sendo usados para avaliar a capacidade de    desenvolvimento econ&ocirc;mico e social: indicadores elevados dessas m&eacute;tricas    s&atilde;o considerados &quot;bons&quot;, quase <i>proxies</i> de boa pol&iacute;tica,    boa estrat&eacute;gia, bom caminho. E podem mesmo ser... ou n&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ag&ecirc;ncias    de fomento, empresas, secretarias estaduais e minist&eacute;rios compilam indicadores    de <i>input</i> (esfor&ccedil;o) que tendem cada vez mais a ser compar&aacute;veis    aqui e l&aacute; fora. Isto &eacute; bom porque faz pouco tempo n&atilde;o t&iacute;nhamos    indicadores sistem&aacute;ticos que permitissem aquilatar nosso esfor&ccedil;o    de pesquisa e de inova&ccedil;&atilde;o. Nessa mat&eacute;ria, o Brasil avan&ccedil;ou    nos &uacute;ltimos 15 anos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o obstante    os avan&ccedil;os, acostumamo-nos mal com indicadores t&iacute;picos de esfor&ccedil;o    e outros que, no m&aacute;ximo, s&atilde;o <i>proxies</i> e acabam sendo usados    como dados de impacto - e n&atilde;o o s&atilde;o. Impacto &eacute; uma medida    diferente de resultado. Impacto &eacute; o efeito ou consequ&ecirc;ncia que    o resultado traz. Medi-lo n&atilde;o &eacute; tarefa simples, por v&aacute;rios    motivos, sendo que um deles dificulta sobremaneira o trabalho: a atribui&ccedil;&atilde;o    da causalidade. Em outras palavras, como afirmar que o investimento em pesquisa    foi mesmo respons&aacute;vel pelo faturamento de uma empresa, por uma inova&ccedil;&atilde;o    incremental (ou mesmo radical), pelo florescimento de um setor, pela introdu&ccedil;&atilde;o    de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica, pelo ganho na renda e, mais dif&iacute;cil    ainda, pela qualidade de vida? Haja m&eacute;todo para tanta correla&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um segundo desafio    metodol&oacute;gico da mensura&ccedil;&atilde;o de impactos &eacute; a chamada    multidimensionalidade. Em breve, multidimensionalidade refere-se a mensurar    impactos de mais de uma dimens&atilde;o simultaneamente: econ&ocirc;mica, social,    ambiental, capacita&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;tico-institucional etc.. Esta    &eacute; uma tend&ecirc;ncia dos m&eacute;todos de avalia&ccedil;&atilde;o em    todo o mundo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Finalmente, vale    destacar um terceiro desafio, n&atilde;o menos importante, que &eacute; o de    n&atilde;o ser trucidado pelos avaliados quando for mostrar os resultados do    trabalho de avalia&ccedil;&atilde;o. O ant&iacute;doto, aqui, &eacute; o de    fazer com que os avaliados e demais interessados participem do processo de constru&ccedil;&atilde;o    do m&eacute;todo, dando palpites, sugerindo indicadores e m&eacute;tricas e,    sobretudo, acompanhando o trabalho para depois n&atilde;o dizer algo como &quot;n&atilde;o    era isto que deveria ter sido avaliado&quot;, ou &quot;como foi que voc&ecirc;s    chegaram a esses n&uacute;meros&quot;. Comparado aos dois primeiros desafios,    este &uacute;ltimo &eacute; mais f&aacute;cil de resolver, mas jamais ser&aacute;    totalmente superado, assim como os demais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em trabalhos recentes    de avalia&ccedil;&atilde;o de impactos, conduzidos pelo Grupo de Estudos sobre    Organiza&ccedil;&atilde;o da Pesquisa e da Inova&ccedil;&atilde;o (Geopi)<a name="tx1"></a><a href="#nt1"><sup>1</sup></a>,    temos enfrentado, com ajuda de colegas de outras institui&ccedil;&otilde;es,    esses desafios metodol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dos trabalhos mais    importantes destaca-se a avalia&ccedil;&atilde;o dos programas da Fapesp. Por    iniciativa do conselho administrativo da Funda&ccedil;&atilde;o, um conjunto    de estudos de impactos teve in&iacute;cio em 2007. A ideia da Fapesp &eacute;    justamente a de medir efetivamente impactos dos investimentos realizados em    seus programas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os primeiros programas    avaliados entre 2007 e 2009 foram o Pipe - que aporta recursos para pesquisadores    em pequenas empresas visando finaliza&ccedil;&atilde;o de desenvolvimentos tecnol&oacute;gicos    direcionados &agrave; inova&ccedil;&atilde;o; o Pite - que fomenta projetos    de pesquisa entre empresas e institui&ccedil;&otilde;es de ci&ecirc;ncia e tecnologia    (ICTs), o Jovem Pesquisador - que estimula lideran&ccedil;as cient&iacute;ficas    em centros ou em temas emergentes; e o programa de Pesquisa em Pol&iacute;ticas    P&uacute;blicas, cujo objetivo &eacute; o de aproximar organiza&ccedil;&otilde;es    formuladoras e executoras de pol&iacute;ticas da pesquisa acad&ecirc;mica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Estes quatro programas    foram avaliados em termos de seu impacto em diferentes dimens&otilde;es, usando    dados secund&aacute;rios e prim&aacute;rios, estes &uacute;ltimos baseados na    constru&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o de question&aacute;rios estruturados    e dirigidos a diversos grupos envolvidos nos programas. Foram sete tipos de    question&aacute;rios para os quatro programas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os resultados da    avalia&ccedil;&atilde;o mostraram, de forma geral, impactos positivos em todas    as dimens&otilde;es. O trabalho, ao final, subsidiou reformula&ccedil;&otilde;es    nos programas buscando organiz&aacute;-los para alcan&ccedil;arem maior impacto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os programas Pite    e Pipe, por lidarem com empresas, foram avaliados, sobretudo, em seus aspectos    de impacto na inova&ccedil;&atilde;o e no fortalecimento das rela&ccedil;&otilde;es    universidade empresa (Pite) e no crescimento e sucesso de pequenas empresas    de base tecnol&oacute;gica (Pipe).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A avalia&ccedil;&atilde;o    de impactos permitiu conclus&otilde;es muito interessantes, que a simples obten&ccedil;&atilde;o    de dados de <i>input</i> e <i>output</i> n&atilde;o permitiria. Por exemplo,    numa amostra de mais de duzentas empresas que se utilizaram de recursos financeiros    do Pipe, as mais bem sucedidas em termos de gera&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es    e de crescimento do faturamento foram empresas que n&atilde;o estiveram incubadas,    o coordenador do projeto tinha v&iacute;nculo forte com a empresa (era s&oacute;cio),    boa parte delas eram <i>spin-offs</i> de outras experi&ecirc;ncias empreendedoras    e n&atilde;o haviam sido criadas para concorrer aos recursos do Pipe. Eram tamb&eacute;m    empresas que tinham mais v&iacute;nculos com ICTs.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ademais, a avalia&ccedil;&atilde;o    de custo benef&iacute;cio do investimento Fapesp no Pipe mostrou um retorno    de cerca de 6 reais para cada real investido. S&atilde;o dados que permitem    &agrave; Fapesp mensurar continuamente e redirecionar o programa sempre que    necess&aacute;rio, alimentando, inclusive, os crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o    de m&eacute;rito das propostas, j&aacute; que a avalia&ccedil;&atilde;o de impactos,    sempre <i>ex-post</i>, alimenta as pr&oacute;ximas avalia&ccedil;&otilde;es    de m&eacute;rito, sempre <i>ex-ante</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso do Pite,    os projetos avaliados mostraram que o programa estimulou novas parcerias entre    empresas e ICTs (cerca de 75% das empresas envolvidas passaram a se relacionar    de forma mais intensa e frequente com ICTs). Mostrou ainda que 40% das empresas    que n&atilde;o tinham como rotina estabelecer contato com ICTs passaram a faz&ecirc;-lo,    gra&ccedil;as ao Pite. Por outro lado, o programa e seus projetos pouco alavancaram    de inova&ccedil;&atilde;o junto &agrave;s empresas e as tecnologias resultantes    dos projetos das pesquisas pouco foram incorporadas pelas empresas. Houve aumento    de interesse por pesquisa, mas quase sempre executada nas ICTs e com baixo impacto    junto ao <i>core business</i> das empresas envolvidas. Este ponto a Fapesp j&aacute;    vinha revisando quando come&ccedil;ou a estimular o Pite na modalidade Conv&ecirc;nio,    que envolve, de forma mais efetiva, a participa&ccedil;&atilde;o das empresas    na defini&ccedil;&atilde;o dos projetos e prioridades. De toda forma, a avalia&ccedil;&atilde;o    redirecionou alguns crit&eacute;rios do programa, de maneira a torn&aacute;-lo    mais efetivo em seus impactos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A avalia&ccedil;&atilde;o    do programa Jovem Pesquisador (JP) trouxe revela&ccedil;&otilde;es muito interessantes:    a an&aacute;lise das vari&aacute;veis utilizadas demonstrou que os JPs mais    produtivos e que mais contribu&iacute;ram para a cria&ccedil;&atilde;o de grupos    emergentes de pesquisa foram aqueles localizados fora do eixo geogr&aacute;fico    principal (fora de S&atilde;o Paulo, Campinas, Ribeir&atilde;o Preto, S&atilde;o    Jos&eacute; dos Campos e Piracicaba) e que estavam sediados em universidades    privadas. Este resultado da avalia&ccedil;&atilde;o foi um choque e revelou    um aspecto que ningu&eacute;m at&eacute; ent&atilde;o conhecia: h&aacute; vida    inteligente fora do <i>mainstream</i> institucional do estado, basta estimul&aacute;-la    corretamente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Finalmente, no    programa de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas (PP), a avalia&ccedil;&atilde;o    de impactos mostrou que 84% dos projetos levaram a inova&ccedil;&otilde;es em    pol&iacute;ticas p&uacute;blicas junto a 127 munic&iacute;pios do estado de    S&atilde;o Paulo, sendo que os projetos originais estavam concentrados em apenas    23 munic&iacute;pios. Isto revelou que os projetos, embora de &acirc;mbito municipal,    tinham <i>spillovers</i> para outros munic&iacute;pios, numa propor&ccedil;&atilde;o    de mais de 5 para 1.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Passada essa fase,    estamos agora trabalhando na avalia&ccedil;&atilde;o de mais 3 programas: o    primeiro(n&atilde;o exatamente um programa) s&atilde;o as bolsas de inicia&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica, mestrado e doutorado que a Institui&ccedil;&atilde;o concedeu    nos &uacute;ltimos 15 anos. S&atilde;o cerca de 60 mil bolsas que est&atilde;o    sendo avaliadas segundo seu impacto na trajet&oacute;ria profissional do bolsista    e segundo seu impacto na produ&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-cient&iacute;fica,    acad&ecirc;mica e de inova&ccedil;&atilde;o. Trata-se de um esfor&ccedil;o que    complementa outro j&aacute; conclu&iacute;do pela Fapesp h&aacute; 3 anos, sob    lideran&ccedil;a do professor Geraldo Giovanni, do Instituto de Economia, da    Unicamp. Na presente avalia&ccedil;&atilde;o est&aacute; sendo empregado m&eacute;todo<i>    quasi-experimental</i>, comparando trajet&oacute;rias de bolsistas com n&atilde;o    bolsistas em condi&ccedil;&otilde;es semelhantes. &Eacute; um esfor&ccedil;o    e tanto da Fapesp para poder planejar e melhor informar a sociedade sobre os    efeitos socioecon&ocirc;micos de seus investimentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os outros dois    programas agora sob avalia&ccedil;&atilde;o, o Biota e o programa de Equipamentos    Multiusu&aacute;rios, est&atilde;o sendo vistos tamb&eacute;m sob metodologia    <i>quasi-experimental</i>, com grupos de controle e de tratamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As experi&ecirc;ncias    em curso na Fapesp mostram que as avalia&ccedil;&otilde;es de impacto trazem    informa&ccedil;&atilde;o valiosa, seja para redirecionar e apoiar o planejamento    da aloca&ccedil;&atilde;o de recursos da Funda&ccedil;&atilde;o, seja para prestar    contas &agrave; sociedade dos efeitos causados pelo investimento em ci&ecirc;ncia    e tecnologia. A perspectiva que a Fapesp tem no curto prazo &eacute; a de tornar    essas avalia&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas, a&ccedil;&atilde;o que dever&aacute;    ser implementada em breve.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Avaliar &eacute;    uma necessidade que s&oacute; faz valorizar o esfor&ccedil;o e os resultados    do fomento &agrave; pesquisa e &agrave; inova&ccedil;&atilde;o. Faz-se mais    e melhor conhecendo-se os impactos do investimento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><a name="nt1"></a>Nota:    </b><a href="#tx1">1</a>. O Geopi &eacute; um grupo de pesquisas do Departamento    de Pol&iacute;ticaCient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica do Instituto de Geoci&ecirc;ncias    da Unicamp. Fundado em 1995, tem, emconjuntocomgrupos da pr&oacute;pria Unicamp,    Embrapa, USP e FGV trabalhado no desenvolvimento e aplica&ccedil;&atilde;o de    metodologias de avalia&ccedil;&atilde;o de impactos de CT&amp;I.</font></p>      ]]></body>

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