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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Gestores e institui&ccedil;&otilde;es    de CT&amp;I reivindicam legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para a &aacute;rea</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Vanessa Fagundes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Instrumentos variados,    &agrave;s vezes conflitantes e pouco espec&iacute;ficos. De acordo com os gestores    da &aacute;rea de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (CT&amp;I),    encontrar o caminho correto por entre o emaranhado de leis, normas e decretos    que regulam as atividades da &aacute;rea se tornou uma tarefa dif&iacute;cil    e arriscada. Isso porque os instrumentos utilizados para o controle e fiscaliza&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o levam em conta as peculiaridades do trabalho cient&iacute;fico, e    o resultado s&atilde;o presta&ccedil;&otilde;es de contas glosadas, multas e    autua&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&quot;Hoje, a quest&atilde;o    legal &eacute; o maior problema para quem trabalha com CT&amp;I no n&iacute;vel    federal e tamb&eacute;m dos estados&quot;, resume o presidente do Conselho Nacional    das Funda&ccedil;&otilde;es Estaduais de Amparo &agrave; Pesquisa (Confap),    Mario Neto Borges. A fim de debater o tema, o Confap e o Conselho Nacional de    Secret&aacute;rios Estaduais para Assuntos de CT&amp;I (Consecti) se reuniram    em Belo Horizonte (MG) nos dias 30 e 31 de maio. O objetivo do encontro foi    apontar os principais problemas do arcabou&ccedil;o legal vigente e dar in&iacute;cio    &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o de uma proposta de revis&atilde;o que ser&aacute;    enviada ao Congresso Nacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&quot;Se o Brasil    n&atilde;o enfrentar essa quest&atilde;o agora, n&atilde;o vai conseguir acompanhar    o ritmo de outros pa&iacute;ses emergentes, como China e &Iacute;ndia&quot;,    aponta o secret&aacute;rio de Desenvolvimento, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do    Estado do Par&aacute;, Alex Fi&uacute;za de Mello. &quot;As leis que regem a    &aacute;rea s&atilde;o ortodoxas e inflex&iacute;veis. Quando trabalhamos com    ci&ecirc;ncia, lidamos com o imprevis&iacute;vel. Ao longo da pesquisa, &eacute;    poss&iacute;vel descobrir que um material &eacute; mais apropriado do que o    inicialmente previsto, ou inventa-se um equipamento melhor que o anterior. Nosso    arcabou&ccedil;o jur&iacute;dico n&atilde;o aceita isso, &eacute; inflex&iacute;vel    e inadequado para a gest&atilde;o da CT&amp;I&quot;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Lei n&ordm; 8.666,    de 21/6/1993, conhecida como a Lei de Licita&ccedil;&otilde;es, &eacute; o principal    alvo das cr&iacute;ticas. Ela institui normas para licita&ccedil;&otilde;es    e contratos da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica direta e indireta.    Como a maioria das institui&ccedil;&otilde;es do sistema nacional de CT&amp;I    s&atilde;o pessoas jur&iacute;dicas pertencentes a essa esfera, devem realizar    contrata&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os e compras com base em suas regras.    E a&iacute; come&ccedil;am os problemas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A compra por meio    de licita&ccedil;&atilde;o tem como objetivo estimular a concorr&ecirc;ncia    entre v&aacute;rios fornecedores. Mas &eacute; comum na atividade cient&iacute;fica    que equipamentos ou materiais imprescind&iacute;veis para um trabalho contem    com um &uacute;nico fornecedor. Nesse caso, &eacute; feita uma dispensa de licita&ccedil;&atilde;o,    ato visto com desconfian&ccedil;a pelos &oacute;rg&atilde;os reguladores. A    lei tamb&eacute;m n&atilde;o admite contra&ccedil;&otilde;es avulsas para atividades    de not&oacute;rio conhecimento nem compras de car&aacute;ter urgente para situa&ccedil;&otilde;es    de grande excepcionalidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro problema    diz respeito aos contratos que, de acordo com a regra geral, devem ter prazo    e valor fixos. No entanto, como argumentam os gestores, ci&ecirc;ncia &eacute;    uma atividade din&acirc;mica, cujos resultados n&atilde;o podem ser completamente    previstos. &quot;A Lei 8.666 trata ci&ecirc;ncia e tecnologia como se fossem    obra p&uacute;blica, uma ponte, hospital ou rodovia&quot;, critica o presidente    do Confap. Para ele, n&atilde;o faz sentido utilizar a mesma lei que regula    a constru&ccedil;&atilde;o de estradas para fiscalizar os gastos com ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Biodiversidade</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As atuais disposi&ccedil;&otilde;es    sobre o acesso &agrave; biodiversidade para pesquisas cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas    tamb&eacute;m s&atilde;o motivo de reclama&ccedil;&atilde;o. Para os cientistas    que atuam na &aacute;rea, a legisla&ccedil;&atilde;o atual &eacute; bastante    restritiva e imp&otilde;e uma s&eacute;rie de exig&ecirc;ncias para a coleta    do material biol&oacute;gico que prejudicam o trabalho. Para a presidente da    Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa e ao Desenvolvimento Cient&iacute;fico    e Tecnol&oacute;gico do Estado do Maranh&atilde;o (Fapema), Rosane Nassar Meireles    Guerra, a legisla&ccedil;&atilde;o exagera nesse ponto. &quot;Claro, entendemos    que o objetivo &eacute; proteger da biopirataria, mas tamb&eacute;m &eacute;    preciso ter sensibilidade. Por exemplo, muitos de n&oacute;s trabalhamos com    produtos naturais obtidos de horto, n&atilde;o s&atilde;o coletados em reservas    ou &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o. Ainda assim, precisamos cumprir    os mesmos requisitos para realizar nossas pesquisas&quot;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um grande entrave,    em sua opini&atilde;o, surge quando tratamos da transfer&ecirc;ncia de tecnologia    para empresas. Ela explica que, no Brasil, ao contr&aacute;rio do que acontece    nos EUA ou no Jap&atilde;o, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel proteger extratos    ou atividades biol&oacute;gicas de extratos que ainda n&atilde;o foram descritos    por outros pesquisadores. E isso dificulta o investimento de empresas para produ&ccedil;&atilde;o    de determinados produtos em escala industrial. &quot;Eu tenho cinco patentes    de produtos naturais, mas eles n&atilde;o podem conter nada da biodiversidade    porque sen&atilde;o o empres&aacute;rio n&atilde;o consegue proteger e produzir&quot;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que se refere    &agrave; rela&ccedil;&atilde;o academia-ind&uacute;stria, a cr&iacute;tica &eacute;    que a legisla&ccedil;&atilde;o atual dificulta a inova&ccedil;&atilde;o e inibe    parcerias. Mesmo a Lei de Inova&ccedil;&atilde;o, criada com esse objetivo,    encontrou barreiras para a efetiva utiliza&ccedil;&atilde;o em quest&otilde;es    como a dedica&ccedil;&atilde;o exclusiva e possibilidades de financiamento.    Os membros dos dois conselhos tamb&eacute;m chamam aten&ccedil;&atilde;o para    a necessidade de treinamento dos agentes dos &oacute;rg&atilde;os de controle,    para que eles entendam como funciona a &aacute;rea de CT&amp;I e apliquem as    leis de acordo com essa realidade. Angela Brusamarello, representante do Tribunal    de Contas da Uni&atilde;o (TCU), acompanhou o debate em Belo Horizonte. Segundo    ela, o &oacute;rg&atilde;o est&aacute; atento a essas demandas e j&aacute; &eacute;    poss&iacute;vel identificar uma mudan&ccedil;a de postura, com avalia&ccedil;&otilde;es    que se concentram mais no desempenho e nos resultados alcan&ccedil;ados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Proposta</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um grupo de trabalho    formado por procuradores e assessores jur&iacute;dicos de todos os estados participou    das discuss&otilde;es e, com base nas demandas apresentadas durante os dois    dias de reuni&atilde;o, elaborou uma proposta para um novo arcabou&ccedil;o    legal. Al&eacute;m dos temas j&aacute; mencionados, o documento tamb&eacute;m    sugere maior facilidade para as importa&ccedil;&otilde;es de insumos, cria&ccedil;&atilde;o    de um manual de presta&ccedil;&atilde;o de contas unificado e maior flexibilidade    para a cess&atilde;o, transfer&ecirc;ncia e doa&ccedil;&atilde;o de bens. Ap&oacute;s    o tratamento jur&iacute;dico adequado, essa minuta ser&aacute; entregue aos    coordenadores das comiss&otilde;es de ci&ecirc;ncia e tecnologia da C&acirc;mara    e do Senado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Presente no evento,    o deputado federal Sib&aacute; Machado, integrante da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia    e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI), se disse    solid&aacute;rio ao pleito. Ele compartilha a cren&ccedil;a de que os arcabou&ccedil;os    legais est&atilde;o defasados para atender &agrave;s especificidades do mercado    de novas tecnologias. Na agenda proposta, o documento elaborado pelo grupo de    procuradores dever&aacute; ser apresentado no in&iacute;cio de agosto para an&aacute;lise    nas comiss&otilde;es de C&amp;T das duas casas. Segundo o deputado federal,    se houver consenso, seria poss&iacute;vel propor uma medida provis&oacute;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A expectativa &eacute;    que, com uma legisla&ccedil;&atilde;o nova e espec&iacute;fica, esse n&oacute;    seja desatado. Como conclui Mario Neto Borges, &quot;aprendemos que n&atilde;o    adianta s&oacute; reclamar da legisla&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso apontar    solu&ccedil;&otilde;es. E que n&atilde;o devemos tratar do assunto s&oacute;    no &acirc;mbito do executivo, precisamos envolver esses dois outros elementos    na discuss&atilde;o, que &eacute; o legislativo e os &oacute;rg&atilde;os de    controle. Dessa forma, o tema ganha a import&acirc;ncia que merece&quot;.</font></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="100%" border="1" bordercolor="#000000">   <tr>     <td>           <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>4&ordf;          CNCTI</b></font></p>           <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O aperfei&ccedil;oamento          da legisla&ccedil;&atilde;o brasileira para a &aacute;rea de Ci&ecirc;ncia,          Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o &eacute; uma demanda de v&aacute;rias          entidades ligadas &agrave; &aacute;rea. Al&eacute;m do Consecti e do Confap,          outras entidades se debru&ccedil;am sobre o tema, como a Sociedade Brasileira          para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), a Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias          (ABC) e a Universidade Estadual de S&atilde;o Paulo (USP). As duas primeiras          elaboraram um documento que serviu como base para as discuss&otilde;es          do tema durante a 4&ordm; Confer&ecirc;ncia Nacional de CT&amp;I, realizada          em maio do ano passado, em Bras&iacute;lia (DF). Na ocasi&atilde;o, as          sugest&otilde;es apresentadas durante palestras e mesas-redondas se transformaram          em recomenda&ccedil;&otilde;es que apontam, sobretudo, para a necessidade          de fortalecer a interlocu&ccedil;&atilde;o e a intera&ccedil;&atilde;o          com os &oacute;rg&atilde;os de controle. As contribui&ccedil;&otilde;es          est&atilde;o dispon&iacute;veis no <i>Livro Azul</i>, publica&ccedil;&atilde;o          que traz consolidadas as propostas e os desafios para a pol&iacute;tica          nacional de CT&amp;I. Ele est&aacute; dispon&iacute;vel para download          em: <a href="http://www.cgee.org.br/publicacoes/livroazul.php" target="_blank">http://www.cgee.org.br/publicacoes/livroazul.php</a></font></p>     </td>   </tr> </table>      ]]></body>

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