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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Avan&ccedil;os cient&iacute;ficos para uma classifica&ccedil;&atilde;o robusta dos transtornos mentais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Andreia Hisi</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, h&aacute; riscos de determinismo biol&oacute;gico, adverte Allan Horwitz, professor do Departamento de Sociologia e do Instituto para Sa&uacute;de, Pol&iacute;ticas de Cuidado com a Sa&uacute;de, e Pesquisa de Atua&ccedil;&atilde;o. "Os riscos s&atilde;o de que prestar t&atilde;o grande aten&ccedil;&atilde;o a processos gen&eacute;ticos exagere a import&acirc;ncia desses fatores, subestimando a import&acirc;ncia dos fatores sociais e psicol&oacute;gicos. N&atilde;o existe, pelo menos por enquanto, nenhuma evid&ecirc;ncia de que a biologia tenha um papel mais forte do que os fatores psicossociais, mas a investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; cada vez mais focada na din&acirc;mica cerebral relacionada", observa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que concerne &agrave; pesquisa cient&iacute;fica das medidas neurobi&oacute;gicas, acredita-se que duas &aacute;reas est&atilde;o particularmente relacionadas aos transtornos mentais: a gen&ocirc;mica e os estudos do circuito cerebral. A gen&ocirc;mica &eacute; fundamental para a pesquisa biom&eacute;dica, por ser a parte da gen&eacute;tica que estuda o mapa gen&eacute;tico de cada pessoa. Por&eacute;m, os genes podem explicar apenas uma parte das predisposi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento de algum transtorno. "Embora raras, as muta&ccedil;&otilde;es de um &uacute;nico gene est&atilde;o na raiz de doen&ccedil;as heredit&aacute;rias, como fibrose c&iacute;stica e a doen&ccedil;a de Huntington. A maioria dos transtornos mentais n&atilde;o s&atilde;o causadas por muta&ccedil;&otilde;es em um gene. Em vez disso, esses transtornos s&atilde;o 'complexos' ou polig&ecirc;nicos, o que significa que eles est&atilde;o associados a varia&ccedil;&otilde;es nos genes m&uacute;ltiplos, provavelmente em combina&ccedil;&atilde;o com fatores ambientais e vivenciais", diz o Plano Estrat&eacute;gico RdoC do NIMH. Assim, as varia&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas n&atilde;o representam as &uacute;nicas causas dos transtornos mentais. Pelo que foi estudado at&eacute; o momento, elas causam o crescimento da probabilidade de alterar, atrav&eacute;s de prote&iacute;nas, c&eacute;lulas e circuitos importantes para o comportamento e a cogni&ccedil;&atilde;o. Atualmente, j&aacute; &eacute; poss&iacute;vel ver como as diferen&ccedil;as na sequ&ecirc;ncia gen&eacute;tica est&atilde;o associadas a diferen&ccedil;as de arquiteturas nos circuitos do c&eacute;rebro ou da fun&ccedil;&atilde;o cerebral, mesmo em pessoas que n&atilde;o apresentam qualquer tipo de transtorno.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas rela&ccedil;&otilde;es t&atilde;o complexas trazem ao debate quest&otilde;es que vinculam os dados cient&iacute;ficos &agrave;s caracter&iacute;sticas sociais dos indiv&iacute;duos. "Hoje reconhecemos a complexa intera&ccedil;&atilde;o entre natureza (gen&eacute;tica) e a forma de cria&ccedil;&atilde;o (meio ambiente), ao perguntarmos como a experi&ecirc;ncia pessoal de cada um interage com a suscetibilidade biol&oacute;gica (para aumentar o risco ou a resili&ecirc;ncia - capacidade de superar). Por exemplo, certas experi&ecirc;ncias, tais como maus tratos na inf&acirc;ncia, podem interagir com a vulnerabilidade gen&eacute;tica de uma pessoa, aumentando o risco para o desenvolvimento do transtorno de estresse p&oacute;s-traum&aacute;tico ou depress&atilde;o na idade adulta. Outras influ&ecirc;ncias, como receber o apoio social positivo, podem compensar os efeitos negativos desses 'genes de risco' e podem funcionar como uma blindagem contra o desenvolvimento de um transtorno mental mais adiante", diz o Plano Estrat&eacute;gico RdoC. Nesse sentido, &eacute; importante que a pesquisa assuma tamb&eacute;m estudos sociais, ressalta Horwitz. "Fatores sociais como pobreza, desigualdade, status, eventos estressantes da vida, e a habilidade de alcan&ccedil;ar objetivos importantes s&atilde;o consider&aacute;veis tanto para levar pessoas a desenvolver uma m&aacute; sa&uacute;de mental como para precipitar a doen&ccedil;a mental entre aqueles com predisposi&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica ou psicol&oacute;gica. Os fatores sociais relacionados &agrave; quantidade de apoio social que cada pessoa tem constituem fatores determinantes de quais pessoas entre as que enfrentam situa&ccedil;&otilde;es de estresses ir&atilde;o lidar com sucesso com essas situa&ccedil;&otilde;es ou n&atilde;o", avalia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A emaranhada teia da mente</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O c&eacute;rebro humano &eacute; uma rede complexa composta por mais de 100 bilh&otilde;es de neur&ocirc;nios que interagem atrav&eacute;s de pulsos el&eacute;tricos, formando um circuito t&atilde;o grande e emaranhado que &eacute; extremamente complicado estud&aacute;-lo, quer seja por suas intera&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas quanto funcionais, principalmente porque pulsos e os neur&ocirc;nios s&atilde;o, praticamente, indistingu&iacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O passo inicial para possibilitar pesquisas dessa natureza ocorreu no final do s&eacute;culo XIX, com o m&eacute;dico espanhol Santiago Cajal, considerado o "pai da neuroci&ecirc;ncia moderna", que rotulou um pequeno grupo de neur&ocirc;nios, identificando os elementos celulares dos circuitos neurais. "O pequeno n&uacute;mero de c&eacute;lulas marcadas, entretanto, tamb&eacute;m foi uma limita&ccedil;&atilde;o, pois informa&ccedil;&otilde;es quantitativas, como diverg&ecirc;ncia e converg&ecirc;ncia das transmiss&otilde;es sin&aacute;pticas s&atilde;o inacess&iacute;veis", diz um artigo de pesquisadores do Departamento de Biologia Molecular e Celular e do Centro de Ci&ecirc;ncias do C&eacute;rebro da Universidade de Harvard publicado na revista <i>Nature</i>. Essa equipe apresentou, em 2007, a primeira estrat&eacute;gia de visualizar os circuitos sin&aacute;pticos atrav&eacute;s de neur&ocirc;nios geneticamente marcados com m&uacute;ltiplas cores. A nova t&eacute;cnica, chamada de "Brainbow" (uma fus&atilde;o de c&eacute;rebro com arco-&iacute;ris), fornece meios para a detec&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es inteiras de neur&ocirc;nios. Contudo, esse estudo representa apenas outro come&ccedil;o para as poss&iacute;veis possibilidades de mapeamento do circuito cerebral.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="/img/revistas/cci/n126/a03fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cci/n126/a03fig01tumb.jpg" border="0">    <br>   Clique para ampliar</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A urg&ecirc;ncia e a import&acirc;ncia de propostas como essa n&atilde;o deve ser ignorada. Apenas nos Estados Unidos, a cada ano, cerca de 13 milh&otilde;es de pessoas adultas - aproximadamente uma em cada dezessete - apresentam alguma forma de transtorno mental grave, sendo que os dist&uacute;rbios de sa&uacute;de mental s&atilde;o a principal causa de incapacidade nos Estados Unidos e no Canad&aacute;. Esse rastreamento do c&eacute;rebro, contudo, pode n&atilde;o ser o bastante. "Atualmente, o conhecimento cient&iacute;fico sobre os fundamentos biol&oacute;gicos e gen&eacute;ticos dos transtornos mentais n&atilde;o &eacute; avan&ccedil;ado o suficiente para ter levado a avan&ccedil;os significativos na compreens&atilde;o e no tratamento de uma condi&ccedil;&atilde;o particular. De fato, a atual &ecirc;nfase exagerada no que diz respeito a fatores relacionados ao c&eacute;rebro pode ter desviado a aten&ccedil;&atilde;o de outros fatores, incluindo hist&oacute;rias de condicionamento individual, din&acirc;mica familiar, e das condi&ccedil;&otilde;es sociais que poderiam fornecer as chaves mais importantes para compreender e tratar doen&ccedil;as mentais", comenta Horwitz.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A cr&iacute;tica, para ele, &eacute; inevit&aacute;vel. "Eu acho que o RDoC &eacute; muito prematuro. N&atilde;o se sabe o suficiente sobre as bases gen&eacute;ticas da suposta doen&ccedil;a mental para desenvolver um sistema de diagn&oacute;stico tal como o RDoC. &Eacute; bem poss&iacute;vel que a suposi&ccedil;&atilde;o assumida possa levar as investiga&ccedil;&otilde;es sobre etiologia e tratamento da doen&ccedil;a mental a graves desvios", avalia. Assim como o DSM, o RdoC baseia-se nos grandes avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, como as an&aacute;lises do circuito cerebral, suas fun&ccedil;&otilde;es cognitivas, seus mecanismos de acesso e transmiss&atilde;o, e o mapeamento gen&eacute;tico. Ambos ainda est&atilde;o em suas fases iniciais de desenvolvimento e n&atilde;o preveem grandes esfor&ccedil;os no que diz respeito &agrave; an&aacute;lise social para delinear o caminho para a preven&ccedil;&atilde;o e a recupera&ccedil;&atilde;o ou a cura de transtornos mentais.</font></p>      ]]></body>

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