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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Construindo uma cidade do saber: da arquitetura das edificações à arquitetura do pensamento, a USP é revelada neste livro através da história da cidade, do país e de sua propria história]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESENHA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Construindo    uma cidade do saber: Da arquitetura das edifica&ccedil;&otilde;es &agrave; arquitetura    do pensamento, a USP &eacute; revelada neste livro atrav&eacute;s da hist&oacute;ria    da cidade, do pa&iacute;s e de sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Andreia Hisi</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cci/n125/a12fig.jpg"></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O resgate da trajet&oacute;ria da constitui&ccedil;&atilde;o da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e de seu patrim&ocirc;nio edificado, bem como sua amb&iacute;gua rela&ccedil;&atilde;o com a cidade de S&atilde;o Paulo &eacute; revelado de forma quase inventarial atrav&eacute;s dos artigos, mapas, plantas e fotografias - t&atilde;o documentais quanto emotivas - de pesquisadores, arquitetos, engenheiros e demais autores, que comp&otilde;em o livro <i>Cidades universit&aacute;rias: patrim&ocirc;nio urban&iacute;stico e arquitet&ocirc;nico da USP,</i> organizado pelo Centro de Preserva&ccedil;&atilde;o Cultural (CPC) da universidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O livro apresenta a hist&oacute;ria da USP desde a sua primeira "c&eacute;lula embrion&aacute;ria", a Faculdade de Direito do Largo S&atilde;o Francisco, cuja implementa&ccedil;&atilde;o representou muito al&eacute;m da seculariza&ccedil;&atilde;o do ensino em um Brasil rec&eacute;m independente, que buscava autonomia e a constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade nacional atrav&eacute;s do desenvolvimento de setores b&aacute;sicos como educa&ccedil;&atilde;o e legisla&ccedil;&atilde;o, como menciona Ana Luiza Martins, em seu artigo "A 'S&atilde;o Francisco' na din&acirc;mica da hist&oacute;ria e na mem&oacute;ria da cidade": "Esse marco f&iacute;sico implantado no cora&ccedil;&atilde;o da cidade ultrapassou sua refer&ecirc;ncia de lugar de ensino para sinalizar o espa&ccedil;o da luta c&iacute;vica, abrigo de diversidades ideol&oacute;gicas e coro de contr&aacute;rios, &uacute;nico territ&oacute;rio da cidade a receber, por isso mesmo, prerrogativas legais de 'territ&oacute;rio livre' - desde 1930 - infenso &agrave; a&ccedil;&atilde;o repressora de qualquer teor. Na cal&ccedil;ada fronteira, a constru&ccedil;&atilde;o da Tribuna Livre - desde 1960/61 -, igualmente tombada, confirma a fun&ccedil;&atilde;o de palanque aberto ao povo, promot&oacute;rio das causas sociais" (p. 21).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, frescor da natureza estudantil promovendo efervesc&ecirc;ncia cultural e pol&iacute;tica, a USP apresentou ao pa&iacute;s o conceito de "n&uacute;cleo do saber". E, dessa maneira, a cidade delineou parte de sua geografia, pela constru&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica das unidades de ensino, ao mesmo tempo em que as ideias moldaram o panorama de seu crescimento. A presen&ccedil;a desses n&uacute;cleos perante a cidade aproximava a realidade suburbana &agrave; imagem de desenvolvimento europeu e seus c&eacute;lebres bairros intelectuais, como o famoso Quartier Latin em Paris e o Bloomsbury em Londres.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do mesmo modo, o percurso da hist&oacute;ria da cidade de S&atilde;o Paulo est&aacute;, em muitos momentos, entrela&ccedil;ado &agrave; hist&oacute;ria de constitui&ccedil;&atilde;o da USP. Essa emblem&aacute;tica justaposi&ccedil;&atilde;o explica-se pela import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o e afirma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que as primeiras unidades da USP, espalhadas pela cidade, delineavam perante significativos eventos de transi&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira, como o processo de forma&ccedil;&atilde;o da rep&uacute;blica e a resist&ecirc;ncia &agrave; ditadura, entre tantos outros acontecimentos n&atilde;o menos importantes para a mem&oacute;ria do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como os artigos, as imagens do livro convidam &agrave; reflex&atilde;o. O ensaio fotogr&aacute;fico apresentando diversos setores do patrim&ocirc;nio arquitet&ocirc;nico da USP, realizado por &Acirc;ngela Garcia, focaliza o vis&iacute;vel, o invis&iacute;vel e o indiz&iacute;vel; o paradoxo entre clicar, revelar (a fotografia) e revelar (aos olhos do espectador). A hist&oacute;ria n&atilde;o tem est&eacute;tica; a mem&oacute;ria, sim. Nas imagens, os acontecimentos liberam-se das coer&ccedil;&otilde;es das palavras. Contudo, &eacute; importante lembrar que as fotografias s&atilde;o constru&iacute;das tanto pelo exerc&iacute;cio de escolha quanto pela motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca de registrar. A mem&oacute;ria &eacute; um ponto central: as impress&otilde;es do passado marcam o livro a partir da mem&oacute;ria como identidade, atrav&eacute;s do conflito entre o pensamento e a realidade factual; e entre os eventos e sua diferente temporalidade. A evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica &eacute; reconstru&iacute;da atrav&eacute;s do cont&iacute;nuo questionamento e confronto sobre as rela&ccedil;&otilde;es humanas e a necessidade de desenvolvimento, e as rela&ccedil;&otilde;es entre o passado e o presente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a quest&atilde;o interessante a respeito da estrutura&ccedil;&atilde;o da USP &eacute; que seu patrim&ocirc;nio foi incorporado atrav&eacute;s da articula&ccedil;&atilde;o e de necessidades de v&aacute;rias &eacute;pocas e comunidades, de maneira que as dissemina&ccedil;&otilde;es ou remo&ccedil;&otilde;es desses bens urban&iacute;sticos e arquitet&ocirc;nicos representam o resultado de for&ccedil;as de determinados contextos sociais. Assim, nessa an&aacute;lise, o olhar, quer seja pela pluralidade quer seja pelo distanciamento temporal, incorpora o prazer do encontro e do reencontro &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria particular de cada uma de suas unidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A forte "tradi&ccedil;&atilde;o do pensamento" alcan&ccedil;ada por S&atilde;o Paulo ilustra que desenvolvimento pol&iacute;tico, social, e econ&ocirc;mico resulta em algum grau de desenvolvimento acad&ecirc;mico. Mas, da mesma forma que essa heran&ccedil;a se formou, tamb&eacute;m ocorreu um distanciamento em rela&ccedil;&atilde;o ao cidad&atilde;o comum, como relata Nina Raniere, no artigo "A cidade e a cidade universit&aacute;ria: autonomia, localismo e universalismo: "O cidad&atilde;o distanciou-se da coisa p&uacute;blica. Interfere muito pouco nos neg&oacute;cios p&uacute;blicos e n&atilde;o exerce mais a liberdade por meio das institui&ccedil;&otilde;es comunais. Ademais, o crescimento populacional e a sua concentra&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas urbanas p&otilde;em em xeque o pr&oacute;prio sentido do peculiar interesse que, em cidades como S&atilde;o Paulo, passa de local a metropolitano" (p. 97).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os investimentos e gastos relacionados com a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o trilharam o mesmo caminho. N&atilde;o foi poss&iacute;vel estabelecer na cidade a forma&ccedil;&atilde;o de um sistema de apropria&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o, difus&atilde;o e, principalmente, de acesso ao conhecimento. Al&eacute;m disso, a ideia de unificar todas as unidades de ensino, que historicamente encontravam-se espalhadas por S&atilde;o Paulo, em um &uacute;nico lugar, juntamente com a repress&atilde;o aos estudantes, que caracterizou a atua&ccedil;&atilde;o do regime militar, de alguma forma promoveu um emudecimento intelectual. "A tentativa de desmantelamento da institui&ccedil;&atilde;o passa pela repress&atilde;o aos movimentos estudantis, pelo afastamento dos professores, ex&iacute;lio e depois aposentadoria compuls&oacute;ria, pela reforma de 1968, pelo afastamento f&iacute;sico das v&aacute;rias unidades, antes no centro da cidade, para o <i>campus</i> da Cidade Universit&aacute;ria, ainda inacabada, onde a Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras foi instalada, provisoriamente, no pr&eacute;dio da Hist&oacute;ria e depois no que se convencionou a chamar de "barrac&otilde;es", constru&iacute;dos &agrave;s pressas para abrigar os sem-teto da rua Maria Antonia. O cerceamento aos movimentos internos da USP foi total, assim como ao seu corpo discente e docente", descreve Celia Belem, no artigo "Uma reflex&atilde;o sobre a USP e a comunidade que a cerca" (p. 119).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; um consenso entre os especialistas que assinam os artigos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s perdas e responsabilidades quanto &agrave; desconex&atilde;o entre a comunidade e a universidade. A cr&iacute;tica concerne ao ritmo de organiza&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o capitalista, difundida para todo plano de a&ccedil;&atilde;o: a corrida pelo consumo se manifesta pela objetiza&ccedil;&atilde;o de todos os elemento dos espa&ccedil;o de intera&ccedil;&atilde;o; as informa&ccedil;&otilde;es, as pessoas, os relacionamentos s&atilde;o reduzidos a &iacute;ndices de produtividade. O principal dilema &eacute; que o extremo da ideologia mecanicista implica em empobrecer as experi&ecirc;ncias, cujo efeito delet&eacute;rio &eacute; a superficializa&ccedil;&atilde;o dos elementos compartilhados, inclusive o conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O consenso entre os autores se estende &agrave; import&acirc;ncia de retomar o di&aacute;logo entre os des&iacute;gnios de origem com as perspectivas atuais: investir continuamente na forma&ccedil;&atilde;o e aperfei&ccedil;oamento para fomentar uma tradi&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica e graus aprofundados de conhecimento em seus campos e dom&iacute;nios de atua&ccedil;&atilde;o, nas bases da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, art&iacute;stica, da linguagem e, principalmente, da comunica &ccedil;&atilde;o em si. No entanto, quanto ao di&aacute;logo com a sociedade, as opini&otilde;es se dividem entre perspectivas otimistas, a partir de met&aacute;foras da cidade do conhecimento, como no artigo "Cidade universit&aacute;ria e cidades do conhecimento" de Gilson Schwartz (leia <u>artigo</u> dele nesta edi&ccedil;&atilde;o), ou realistas, baseadas nas trajet&oacute;rias hist&oacute;ricas percorridas pela USP, como no artigo "Universidade, cidade, cidadania" de Franklin Leopoldo e Silva. De uma forma ou de outra, trata-se uma obra fundamental para quem se interessa pela rela&ccedil;&atilde;o entre a universidade e a cidade que a abriga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Cidades Universit&aacute;rias: Patrim&ocirc;nio Urban&iacute;stico e Arquitet&ocirc;nico da USP    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Organiza&ccedil;&atilde;o: Patrimonio Cultural Comiss&atilde;o (CPC)    <br>   Cole&ccedil;&atilde;o Cadernos CPC    <br>   Editora da USP (Edusp) e Imprensa Oficial, 2005    <br>   360 p&aacute;ginas</i></font></p>      ]]></body>

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