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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Cidade do Saber de Cama&ccedil;ari: inclus&atilde;o social para amenizar a desigualdade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carolina Octaviano</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Localizada na regi&atilde;o metropolitana de Salvador, Cama&ccedil;ari &eacute; uma cidade com pouco mais de 240 mil habitantes, de acordo com dados divulgados em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE). Apesar de possuir o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia, a renda da maior parte da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; baixa. &Eacute; nesse cen&aacute;rio que emerge a <u>Cidade do Saber "Professor Raimundo Pinheiro"</u>, um complexo integrado para atividades culturais e esportivas que tem como intuito a inclus&atilde;o social em ampla escala.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Inaugurado em 2007, esse centro cultural e esportivo tem, atualmente, capacidade para cinco mil atendimentos di&aacute;rios,incluindo o p&uacute;blico dos espet&aacute;culos e eventos realizados na Cidade do Saber, os benefici&aacute;rios das oficinas do Ponto M&oacute;vel e as atividades regulares dos educandos, e j&aacute; atingiu 140 mil atendimentos desde a sua inaugura&ccedil;&atilde;o. O complexo oferece dez mil vagas por ano para cursos regulares de idioma, artes c&ecirc;nicas e m&uacute;sica, al&eacute;m de cursos de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e das escolinhas esportivas. E &eacute; por meio das atividades educativas e dos eventos culturais oferecidos na Cidade do Saber, os quais d&atilde;o a oportunidade para que se desenvolvam talentos e possibilitam a troca de experi&ecirc;ncias e conhecimentos entre educandos e educadores, que a popula&ccedil;&atilde;o carente de v&aacute;rias localidades de Cama&ccedil;ari tem a oportunidade de se incluir socialmente e ter sua auto-estima e dignidade resgatadas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="/img/revistas/cci/n125/a05fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cci/n125/a05fig01tumb.jpg" border="0">    <br> Clique para ampliar</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, o complexo abriga o segundo maior teatro, em capacidade, do estado da Bahia, perdendo apenas para o Teatro Castro Alves, situado na capital, Salvador. H&aacute; quatro anos, n&atilde;o havia salas de cinema e nem de teatro na cidade. "A Cidade do Saber, al&eacute;m do segmento dos cursos e oficinas, vem se consolidando como uma iniciativa que agrega espa&ccedil;os culturais, tais como o teatro, o Museu Unica e o Memorial do Polo Petroqu&iacute;mico", explica Ana L&uacute;cia Silveira, diretora geral do complexo. O Museu &Uacute;nica (Universo da Crian&ccedil;a e do Adolescente), ainda n&atilde;o inaugurado, ser&aacute; um espa&ccedil;o em que o p&uacute;blico entrar&aacute; em contato com a ci&ecirc;ncia de maneira atrativa e interativa, tendo como direcionamento a promo&ccedil;&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; cultura cient&iacute;fica e atuando de forma integrada com disciplinas de ci&ecirc;ncias. J&aacute; o Memorial &eacute; um espa&ccedil;o voltado para o passado, presente e futuro do Polo Petroqu&iacute;mico de Cama&ccedil;ari, que tem papel primordial na economia do munic&iacute;pio e &eacute; respons&aacute;vel por impulsionar o PIB local, estimado em R$10 bilh&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os projetos da Cidade do Saber de Cama&ccedil;ari s&atilde;o mantidos com verbas p&uacute;blicas e privadas, por meio de parcerias e doa&ccedil;&otilde;es, mas &eacute; forte o v&iacute;nculo com a Prefeitura Municipal, o que gera a d&uacute;vida se os projetos e o formato em que se encontram ser&atilde;o mantidos numa poss&iacute;vel mudan&ccedil;a de governo. "A Cidade do Saber foi inaugurada em 2007, na primeira gest&atilde;o do atual prefeito de Cama&ccedil;ari, Luiz Caetano. Portanto, ainda n&atilde;o houve uma mudan&ccedil;a de governo que pudesse vir a implicar em mudan&ccedil;as substanciais na forma de executar o projeto", complementa Silveira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Cidade do Saber &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental (ONG), certificada como organiza&ccedil;&atilde;o social (OS), em que h&aacute; um instituto privado, sem fins lucrativos, que administra os recursos advindos da Prefeitura, por meio dos contratos de metas, o que faz com que dependa do governo. "Deste modo, garantia de continuidade das a&ccedil;&otilde;es, tais quais s&atilde;o efetuadas agora, n&atilde;o h&aacute;, uma vez que, com mudan&ccedil;a no governo, uma outra forma de elaborar e dirigir tais pol&iacute;ticas pode emergir. A estrutura f&iacute;sica &eacute; p&uacute;blica, cedida ao instituto durante a vig&ecirc;ncia do contrato de gest&atilde;o e, tamb&eacute;m por isso, a sua utiliza&ccedil;&atilde;o nos moldes atuais estar&aacute; sempre em converg&ecirc;ncia com as pol&iacute;ticas governamentais norteadoras", afirma a diretora geral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, em contrapartida, a tend&ecirc;ncia &eacute; que a manuten&ccedil;&atilde;o dos projetos j&aacute; existentes e a cria&ccedil;&atilde;o de novos estejam cada vez mais compartilhados, devido &agrave; capta&ccedil;&atilde;o de recursos de outras fontes, como as empresas privadas e os governos estadual e federal. "Este &eacute; um objetivo estrat&eacute;gico da atual gest&atilde;o, o que implica em um maior peso nas decis&otilde;es - inclusive, tamb&eacute;m, pela crescente apropria&ccedil;&atilde;o da comunidade - relacionadas &agrave;s pol&iacute;ticas, pr&aacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es consideradas bem sucedidas e com contribui&ccedil;&atilde;o comprovada para o desenvolvimento da popula&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da Cidade do Saber", reitera Silveira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas como se articula a rede que agrega os diferentes atores: sociedade civil, prefeitura e empresas privadas? No quadro de funcion&aacute;rios da Cidade do Saber, h&aacute; o mobilizador social, respons&aacute;vel por estruturar essa rede entre a institui&ccedil;&atilde;o, lideran&ccedil;as comunit&aacute;rias e membros da sociedade civil organizada. Anualmente, uma agenda de encontros &eacute; programada e &eacute; nesse momento que os atores dialogam com a equipe e a diretoria do centro, apresentando as demandas e cr&iacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando se trata de empresas privadas, a Cidade do Saber tem uma parceria com o Comit&ecirc; de Fomento Industrial de Cama&ccedil;ari (Cofic) e participa das reuni&otilde;es da Comiss&atilde;o de Comunica&ccedil;&atilde;o e Responsabilidade Social."A Cidade do Saber &eacute; parceira do Cofic em dois projetos voltados para a comunidade local, que s&atilde;o: o Memorial do Polo Petroqu&iacute;mico, que funciona nas instala&ccedil;&otilde;es do complexo, e o Polo de Cidadania, evento realizado anualmente em frente &agrave; Cidade do Saber, onde s&atilde;o montados stands de diversos &oacute;rg&atilde;os e empresas, que oferecem servi&ccedil;os gratuitos e de qualidade &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de Cama&ccedil;ari durante todo o dia, contando, ainda, com atividades socioeducativas, esportivas e culturais", lembra Silveira.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; com a Prefeitura, h&aacute; um di&aacute;logo constante, por conta da fiscaliza&ccedil;&atilde;o e do acompanhamento das pol&iacute;ticas culturais e esportivas executadas pelo contrato de gest&atilde;o. "As Secretarias de Desenvolvimento Social, de Sa&uacute;de e de Educa&ccedil;&atilde;o, por exemplo, j&aacute; executam projetos em parceria com a Cidade do Saber, o que permite uma articula&ccedil;&atilde;o e maior penetra&ccedil;&atilde;o da ONG na sociedade", corrobora a diretora geral. Isso ocorre por meio da rede de prote&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a e do adolescente, de pr&aacute;ticas ampliadas de sa&uacute;de, da educa&ccedil;&atilde;o integral para alunos da rede p&uacute;blica municipal etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E de que modo a Cidade do Saber de Cama&ccedil;ari se aproxima das iniciativas adotadas na <u>Cidade do C&eacute;rebro</u>, em Natal, e no projeto <u>Porto Maravilha</u>, no Rio de Janeiro?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na opini&atilde;o de Silveira, o Porto Maravilha &eacute; o que mais se assemelha &agrave; Cidade do Saber, mais especificamente os espa&ccedil;os de consumo cultural previstos para o projeto do Rio, como o Museu do Amanh&atilde; e os Museus de Arte. O Porto Maravilha tem como objetivo maior a revitaliza&ccedil;&atilde;o da zona portu&aacute;ria do Rio de Janeiro. Da mesma forma, Silveira acredita que a Cidade do Saber fa&ccedil;a parte de um projeto maior, capitaneado pela administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica municipal nos &uacute;ltimos anos, de requalificar e humanizar as pol&iacute;ticas e espa&ccedil;os p&uacute;blicos de Cama&ccedil;ari. "Nesse sentido, h&aacute; uma converg&ecirc;ncia (com o projeto do Rio)", avalia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados intang&iacute;veis e pespectivas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em mar&ccedil;o deste ano, a Cidade do Saber completa quatro anos de exist&ecirc;ncia. E, conforme Silveira, n&atilde;o se pode avaliar os resultados do que &eacute; realizado ali com base no tempo de exist&ecirc;ncia, pois se fomenta n&atilde;o apenas as manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas ou hist&oacute;ricas da cidade, mas tamb&eacute;m o desenvolvimento cultural e a qualidade de vida. "Resultados, aqui, podem ser, principalmente, mensurados na contribui&ccedil;&atilde;o &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es: individuais, coletivas, transforma&ccedil;&atilde;o no olhar da cidade para a pr&oacute;pria cidade, na identidade pela qual se reconhece, e pela qual &eacute; reconhecida em todo o estado, no pa&iacute;s e, hoje, j&aacute; mundo afora. Sem d&uacute;vida, estimular essa mudan&ccedil;a, na vis&atilde;o de quem &eacute; de fora e de quem vive aqui, a respeito do perfil da cidade e das possibilidades de futuro da sua comunidade, &eacute; o maior resultado", confirma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2011, a Cidade do Saber de Cama&ccedil;ari vai inaugurar o Universo da Crian&ccedil;a e do Adolescente (Unica), um museu de ci&ecirc;ncia e tecnologia interativo e l&uacute;dico, para despertar o interesse de crian&ccedil;as e adolescentes por disciplinas da rede formal de ensino, como a f&iacute;sica, por exemplo. "Ser&aacute; mais um espa&ccedil;o que se configura como &uacute;nico, em seu perfil, na regi&atilde;o; o que coloca Cama&ccedil;ari - um munic&iacute;pio que, apesar ser uma das pot&ecirc;ncias econ&ocirc;micas do estado, tem uma heran&ccedil;a de &iacute;ndices sociais alarmantes - em destaque no cen&aacute;rio da pol&iacute;tica sociocultural contempor&acirc;nea da Bahia", comenta Silveira.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O orgulho de professores do projeto</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Jos&eacute; Pinheiro dos Santos J&uacute;nior, professor de nata&ccedil;&atilde;o e hidrogin&aacute;stica da Cidade do Saber, fazer parte dos projetos do centro &eacute; uma realiza&ccedil;&atilde;o como educador, o faz se sentir como parte de um amplo processo educativo. "&Eacute; acreditar que a inclus&atilde;o social atrav&eacute;s do esporte e da cultura realmente acontece", afirma. Renato Tavares, professor e coordenador do teatro, sente-se orgulhoso de trabalhar ali: "&Eacute; um privil&eacute;gio participar de um projeto que alia arte, educa&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o social num s&oacute; ambiente", avalia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na opini&atilde;o de J&uacute;nior, ministrar aulas no centro &eacute; bastante diferente do que nas escolas convencionais. "Na Cidade do Saber, n&oacute;s educamos atrav&eacute;s do esporte e da cultura, o que nos d&aacute; um campo muito maior de possibilidades de fazermos com que os nossos educandos se sintam realmente parte do processo de inclus&atilde;o", diz. Tavares confirma esse diferencial: "J&aacute; come&ccedil;a pelo p&uacute;blico. Aqui temos a oportunidade de trabalhar com conte&uacute;dos que s&atilde;o de interesse direto do educando. Na escola convencional, voc&ecirc; d&aacute; uma disciplina para indiv&iacute;duos que est&atilde;o e que n&atilde;o est&atilde;o nem um pouco motivados em vivenciar seu aprendizado", conclui.</font></p>      ]]></body>

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