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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>S&atilde;o Paulo: espa&ccedil;o urbano em constante transforma&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Cristiane Pai&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde a sua funda&ccedil;&atilde;o, em 1554, at&eacute; os dias de hoje, a capital paulista vem passando por diversas transforma&ccedil;&otilde;es. De vila pobre e isolada do centro da col&ocirc;nia, a cidade se transformou, ao longo dos s&eacute;culos, no principal centro financeiro, corporativo e mercantil da Am&eacute;rica Latina. No decorrer desse processo, a cidade foi sendo moldada por uma s&eacute;rie de interesses, entre eles, os industriais e imobili&aacute;rios, que fizeram com que a cidade fosse sendo caracterizada e constru&iacute;da como a conhecemos hoje. S&atilde;o Paulo &eacute; uma das maiores e mais importantes cidades do mundo, e traz consigo uma s&eacute;rie de quest&otilde;es e problemas dignos de sua grandiosidade. Com imensos congestionamentos, polui&ccedil;&atilde;o, desigualdades sociais, a cidade desperta reflex&otilde;es que buscam compreender sua realidade e, assim, buscar alternativas e solu&ccedil;&otilde;es para seus problemas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conhecida na d&eacute;cada de 1950 como "a cidade que mais cresce no mundo", S&atilde;o Paulo foi se consolidando como uma cidade de grandes ciclos de crescimento e desenvolvimento, que hoje, contudo, j&aacute; n&atilde;o se encaixam mais no seu perfil. Estudos recentes mostram que seu crescimento tem se desacelerado, chegando at&eacute; a pontos nulos em algumas regi&otilde;es. Segundo dados das pesquisas em distritos censit&aacute;rios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE) e da Funda&ccedil;&atilde;o Sistema Estadual de An&aacute;lise de Dados (Funda&ccedil;&atilde;o Seade), a cada ano as &aacute;reas centrais da cidade, correspondentes &agrave;s regi&otilde;es tradicionais e &agrave;quelas ligadas ao vetor sudoeste - &aacute;rea que engloba as <a href="http://www.mapas-sp.com/bairros.htm" target="_blank">regi&otilde;es</a> oeste e centro-sul - apresentam uma taxa negativa de crescimento demogr&aacute;fico (de -5% entre 2000 e 2008).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"O crescimento populacional nunca foi t&atilde;o baixo, o que existe hoje &eacute; um crescimento imobili&aacute;rio, n&atilde;o populacional, que revela a l&oacute;gica especulativa de desenvolvimento da cidade. Atualmente, as regi&otilde;es centrais da cidade, j&aacute; consolidadas e urbanizadas, apresentam um crescimento em termos de &aacute;rea constru&iacute;da, mas um decr&eacute;scimo em termos de popula&ccedil;&atilde;o. Os bairros perif&eacute;ricos, por outro lado, seguem crescendo tanto em &aacute;rea constru&iacute;da quanto em popula&ccedil;&atilde;o, mas &eacute; mais no sentido de um adensamento dos loteamentos j&aacute; existentes. H&aacute; um processo de subdivis&atilde;o dos lotes que apresentam um crescimento de 4,5% a 7% ao ano. Nessas regi&otilde;es, o crescimento da &aacute;rea constru&iacute;da corresponde ao crescimento populacional. Contudo, embora haja um perda da popula&ccedil;&atilde;o, ganha-se, ao mesmo tempo, em metragem quadrada e em crescimento patrimonial", explica o urbanista Pedro Arantes, da Usina CTAH - Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desenvolvimento da capital paulista ocorreu atrelado ao desenvolvimento da ind&uacute;stria. Em um <a href="http://www.labjor.unicamp.br/patrimonio/materia.php?id=166" target="_blank">artigo</a> publicado na revista <i>Patrim&ocirc;nio</i>, do Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico Nacional (Iphan), Paulo Fontes, professor da Funda&ccedil;&atilde;o Escola de Sociologia e Pol&iacute;tica de S&atilde;o Paulo, explica que no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, seu relevante parque industrial come&ccedil;a a ser formado. Distritos como Lapa, Mooca, Barra Funda e Br&aacute;s - onde se localizava a "hospedaria dos imigrantes", que recepcionava os rec&eacute;m-chegados trabalhadores europeus e asi&aacute;ticos - tornaram-se bairros oper&aacute;rios, devido &agrave; alta concentra&ccedil;&atilde;o de ind&uacute;strias nessas regi&otilde;es e a proximidade com ferrovias e rios que cortavam a cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com o artigo, a partir dos anos 1980, no entanto, embora o estado tenha permanecido como a regi&atilde;o brasileira mais industrializada, a cidade de S&atilde;o Paulo diminuiu gradativamente sua participa&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o industrial do pa&iacute;s. A participa&ccedil;&atilde;o do setor secund&aacute;rio municipal no total da for&ccedil;a industrial do estado caiu de 36% em 1980, para 22% em 1990. Na d&eacute;cada seguinte, uma veloz reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva com profundas mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas, as cont&iacute;nuas transfer&ecirc;ncias de f&aacute;bricas para outros estados e os processos de fus&atilde;o e incorpora&ccedil;&atilde;o de empresas tradicionais por grupos estrangeiros, aceleraram a desindustrializa&ccedil;&atilde;o da cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse processo determinou o fechamento de f&aacute;bricas, manufaturas e vilas oper&aacute;rias, levando &agrave; deteriora&ccedil;&atilde;o das edifica&ccedil;&otilde;es e equipamentos, &agrave; demoli&ccedil;&atilde;o de muitas delas, v&iacute;timas da voracidade da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria na cidade, como conta Fontes em seu artigo. Antigos parques fabris, no entanto, est&atilde;o sendo transformados em bairros residenciais e comerciais, e novas &aacute;reas est&atilde;o sendo povoadas, ou ao menos tendo sua especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria intensificada. O processo de expans&atilde;o urbana nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas aliou especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, esvaziamento das &aacute;reas centrais e precariedade nos novos loteamentos. Devido &agrave; dificuldade de aceder &agrave; terra urbana qualificada em &aacute;reas centrais, milhares de fam&iacute;lias veem-se obrigadas a ocupar regi&otilde;es ambientalmente fr&aacute;geis - como as de mananciais, o que leva a uma sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o do transporte individual sobre o transporte coletivo - levando &agrave; atual taxa de mais de um ve&iacute;culo para cada dois habitantes e agravando o problema da polui&ccedil;&atilde;o ambiental e do tr&aacute;fego intenso, duas caracter&iacute;sticas bastante marcantes dessa capital.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa transforma&ccedil;&atilde;o do cen&aacute;rio urbano, S&atilde;o Paulo conta com algumas experi&ecirc;ncias bem sucedidas de transforma&ccedil;&atilde;o dessas antigas f&aacute;bricas em espa&ccedil;os culturais e educacionais, como s&atilde;o os casos do Sesc Pomp&eacute;ia (entre os bairros da Lapa e Barra Funda), do Sesc Belenzinho (na Mooca) e de uma unidade das Faculdades Anhembi Morumbi, instalada em uma antiga f&aacute;brica de cal&ccedil;ados no Br&aacute;s. H&aacute; tamb&eacute;m mobiliza&ccedil;&otilde;es de movimentos sociais comunit&aacute;rios, com apoio do Comit&ecirc; Brasileiro de Preserva&ccedil;&atilde;o do Patrim&ocirc;nio Industrial (TICCIH-Brasil), se&ccedil;&atilde;o nacional da organiza&ccedil;&atilde;o internacional The International Comittee for the Conservation of the Industrial Heritage - TICCIH, pela preserva&ccedil;&atilde;o de antigas f&aacute;bricas e espa&ccedil;os industriais e oper&aacute;rios, como as a&ccedil;&otilde;es em torno da Vila Maria Z&eacute;lia (vila oper&aacute;ria pr&oacute;xima ao Br&aacute;s e Mooca), do Cotonif&iacute;cio Crespi na Mooca, Cia. Nitro Qu&iacute;mica, em S&atilde;o Miguel Paulista, e as f&aacute;bricas Matarazzo Petybom e Melhoramentos, na Lapa. O objetivo &eacute; garantir uma melhor qualidade de vida para os moradores dessas &aacute;reas, e preservar a mem&oacute;ria dos trabalhadores, migrantes e moradores que constru&iacute;ram a riqueza e o desenvolvimento da cidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A cidade e seus rios</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os elementos da capital que sofreram transforma&ccedil;&otilde;es, os rios ganham destaque. Havia no passado uma rela&ccedil;&atilde;o positiva, e de lazer, entre o paulistano e os rios que cortam a cidade, especialmente o Tiet&ecirc;. No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, os clubes de regatas foram palco de grandes confraterniza&ccedil;&otilde;es entre as fam&iacute;lias em suas margens, que se reuniam para esportes n&aacute;uticos e pescarias, partidas de futebol e piqueniques. Ao longo dos anos, por&eacute;m, com a industrializa&ccedil;&atilde;o e o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o, os rios passaram a ser utilizados como ve&iacute;culos de canaliza&ccedil;&atilde;o de esgotos. Hoje, j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o vistos como pass&iacute;veis de lazer, perderam todo seu encanto e passaram a ser objeto de inc&ocirc;modo para os moradores de seu entorno. O que se v&ecirc; s&atilde;o rios mortos, esquecidos, ignorados, verdadeiros esgotos a c&eacute;u aberto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora os rios Tiet&ecirc; e Pinheiros venham passando j&aacute; h&aacute; alguns anos por um programa de despolui&ccedil;&atilde;o, o problema ainda n&atilde;o foi resolvido, e &eacute; tamb&eacute;m agravado pela ocupa&ccedil;&atilde;o irregular das &aacute;reas de mananciais, em decorr&ecirc;ncia da expans&atilde;o urbana, impulsionada pela dificuldade de acesso &agrave; terra e &agrave; moradia em &aacute;reas centrais, por parte da popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda. A m&aacute; distribui&ccedil;&atilde;o de renda, ali&aacute;s, &eacute; hoje um dos maiores e mais evidentes problemas da cidade - favelas convivem lado a lado com edif&iacute;cios e condom&iacute;nios residenciais de alto padr&atilde;o em regi&otilde;es nobres - ampliando os  problemas de seguran&ccedil;a e viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Jos&eacute; Rodolfo Scarati Martins, professor e pesquisador da Escola Polit&eacute;cnica da Universidade de S&atilde;o Paulo (Poli/USP), "em todas as cidades grandes que sofrem com o crescimento desordenado existe uma iniciativa de restaurar c&oacute;rregos e rios que estavam totalmente polu&iacute;dos, e de integr&aacute;-los &agrave; paisagem urbana como 'ilhas' para suavizar a dureza dos edif&iacute;cios e do concreto. Mas cada realidade necessita que medidas espec&iacute;ficas sejam adotadas". "A cidade &eacute; inimiga do rio", enfatiza, "o uso urbano do solo acaba comprometendo muito os elementos da drenagem natural, espremem o rio num canto, e ele d&aacute; o troco, inundando tudo. A impermeabiliza&ccedil;&atilde;o da cidade aumenta o volume das &aacute;guas, nos rios e nas ruas, o escoamento das galerias pluviais conduz as &aacute;guas at&eacute; as &aacute;reas dos c&oacute;rregos e rios que j&aacute; est&atilde;o cheias, agravando a situa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso que se amplie o espa&ccedil;o de escoamento e infiltra&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas de chuva, e que todo um processo de re-naturaliza&ccedil;&atilde;o das v&aacute;rzeas seja planejado", diz Martins.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maneira de reverter esse processo, de acordo com o professor da Poli, seria fazer com que essas &aacute;reas fossem valorizadas para, em seguida, serem adotadas medidas que provocassem menos impactos ao ambiente, "&eacute; preciso chegar menos &aacute;gua nos rios e c&oacute;rregos, recuperar a capacidade de infiltra&ccedil;&atilde;o, resolver a quest&atilde;o do lixo, separar e tratar os esgotos e re-naturalizar o entorno pelo reflorestamento da mata ciliar. Isto poderia ser feito, por exemplo, por meio da cria&ccedil;&atilde;o de parques ao redor dos rios, que recuperariam sua fun&ccedil;&atilde;o ambiental, e ainda serviriam de &aacute;reas de lazer para a popula&ccedil;&atilde;o", explica. O pesquisador conclui dizendo que "&aacute;reas inund&aacute;veis s&atilde;o desvalorizadas, e isso favorece a ocupa&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias, refor&ccedil;ando o j&aacute; existente problema social".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Pedro Arantes, a quest&atilde;o dos rios foi tamb&eacute;m, desde o in&iacute;cio, uma quest&atilde;o ligada &agrave; especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria. Ele menciona o estudo 1 de Odete Seabra, ge&oacute;grafa da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), no qual ela relaciona problemas hist&oacute;ricos, como atrelar a drenagem ao sistema el&eacute;trico de S&atilde;o Paulo, a danos no per&iacute;odo de cheias. Durante um debate realizado na C&acirc;mara Municipal de S&atilde;o Paulo, em fevereiro deste ano, Seabra afirmou que o espa&ccedil;o das v&aacute;rzeas, que s&atilde;o espa&ccedil;os de circula&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas, foi o grande ganho das empresas de energia. "Ou se faz administra&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica dos rios e das v&aacute;rzeas, que &eacute; uma mudan&ccedil;a de concep&ccedil;&atilde;o, ou as enchentes acontecer&atilde;o todos os anos. Os rios e as v&aacute;rzeas s&atilde;o um espa&ccedil;o tecnol&oacute;gico, pois se tornaram um espa&ccedil;o produtivo destinado &agrave; circula&ccedil;&atilde;o, ou seja, n&atilde;o s&atilde;o mais um espa&ccedil;o natural. As enchentes s&atilde;o um fen&ocirc;meno social", concluiu a ge&oacute;grafa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Arantes explica que um ponto alto do processo de especula&ccedil;&atilde;o envolvendo os rios foi a invers&atilde;o do curso do Rio Pinheiros pela Light, em novembro de 1928. Seabra explica esse processo em <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,a-varzea-pertence-ao-rio,481032,0.htm" target="_blank">entrevista</a> recente concedida ao jornal <i>O Estado de S. Paulo.</i> A ge&oacute;grafa conta que a invers&atilde;o se deu para canalizar a &aacute;gua para uma represa que j&aacute; funcionava no sop&eacute; da serra, em Cubat&atilde;o. Pelos decretos, para compensar seus investimentos, a Light ganhava o direito de desapropriar im&oacute;veis de toda a v&aacute;rzea do rio Pinheiros, "para fins de utilidade p&uacute;blica", o que sempre foi prerrogativa do governo central. Essa &aacute;rea seria delimitada por uma tal "linha da m&aacute;xima enchente", que ela encontrou em mapas confeccionados no Canad&aacute;, ainda feitos de pano. "Tomaram como refer&ecirc;ncia a famosa enchente de 1929, a maior que houve em S&atilde;o Paulo. E tudo passou a ser da Light, de onde a &aacute;gua chegou at&eacute; o leito do rio. Entendi nisso a demarca&ccedil;&atilde;o de um territ&oacute;rio. E n&oacute;s, que estudamos geografia, sabemos o que o territ&oacute;rio &eacute;: uma jurisdi&ccedil;&atilde;o de poder. Dali em diante, um fiscal de terras passou a proibir as pessoas de usarem a v&aacute;rzea, fosse para jogar bola ou levar cabras para beber &aacute;gua", conta Seabra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao retificar o rio Pinheiros, fazer o alargamento e definir cotas de propriedade da empresa, que antes eram terras p&uacute;blicas, os bairros ao seu redor foram mais valorizados, e a apropria&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria trouxe <i>status</i> para determinados bairros. "Os neg&oacute;cios em torno dos rios e marginais sempre envolvem muito dinheiro. H&aacute; a constru&ccedil;&atilde;o de pontes, interesses das construtoras etc", diz Arantes. O urbanista menciona o longo processo de dragueamento dos rios, limpeza e aumento das calhas, que envolveu muitos investimentos, mas que continuaram a ser grandes dep&oacute;sitos de esgoto. Na medida em que cessou esse dragueamento do rio, tudo voltou a ser como era antes. "Isso acontece porque a Companhia de Saneamento B&aacute;sico do Estado de S&atilde;o Paulo (Sabesp) ainda usa os rios da cidade como parte do seu sistema de coletores de esgoto, pois n&atilde;o tem uma rede fechada de coleta, mas uma rede incompleta", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Arantes, a Sabesp construiu, com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), coletores sob o rio Tiet&ecirc;, que foram fabulosos, mas que hoje est&atilde;o ociosos, porque um segmento da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o quer se ligar &agrave; rede para n&atilde;o aumentar as taxas de cobran&ccedil;a pelos servi&ccedil;os prestados pela companhia. "A coleta &eacute; cobrada em fun&ccedil;&atilde;o do que se gasta de &aacute;gua, tendo seu valor multiplicado por dois, as contas sairiam bem mais caras, e essas pessoas n&atilde;o t&ecirc;m como sustentar esse aumento. Consequentemente, n&atilde;o querem aderir aos novos coletores", explica. "N&atilde;o &eacute; apenas por descaso ou falta de planejamento que a situa&ccedil;&atilde;o dos rios continua ruim, mas pela forma como foram canalizadas suas marginais e pontes. Tudo isso foi sempre um grande neg&oacute;cio. No Brasil o planejamento costuma ser sempre de curto prazo, dentro de uma gest&atilde;o de governo", finaliza o urbanista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os interesses industriais e a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria interferiram e continuam influenciando a geografia da cidade. Os recentes projetos de recupera&ccedil;&atilde;o e/ou reforma das margens dos rios Tiet&ecirc; e Pinheiros, ou ainda, os projetos de se transformar bairros industriais e fabris em residenciais s&atilde;o alguns exemplos. Resta saber se, ao longo dos pr&oacute;ximos anos, esses interesses v&atilde;o unir o que se costuma chamar de "o &uacute;til ao agrad&aacute;vel" do ponto de vista da popula&ccedil;&atilde;o, gerando transforma&ccedil;&otilde;es n&atilde;o apenas f&iacute;sicas, mas tamb&eacute;m de comportamento, ou se ir&atilde;o continuar reproduzindo as mesmas l&oacute;gicas do mercado que reproduziram at&eacute; agora, deixando de lado o bem-estar dos paulistanos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seria poss&iacute;vel um novo projeto em que novas vias de tr&aacute;fego fossem estabelecidas, e as marginais pudessem ser recuperadas, e re-naturalizadas? Seria poss&iacute;vel a recupera&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas dos seus rios? E as enchentes, e seu tr&acirc;nsito ca&oacute;tico, o seria preciso para que o contexto que vemos hoje tivesse seus problemas resolvidos? Tudo indica que este ainda ser&aacute; um longo processo. &Eacute; preciso que muitas pesquisas tragam &agrave; tona essas quest&otilde;es, e que muita reflex&atilde;o por parte da sociedade seja feita. Para que qualquer projeto possa se concretizar &eacute; preciso que, em um arena democr&aacute;tica, poder p&uacute;blico, iniciativa privada e sociedade trabalhem juntos pela mesma causa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Para saber mais:</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre o rio Tiet&ecirc;: <a href="http://riotiete.sites.uol.com.br" target="_blank">http://riotiete.sites.uol.com.br</a></font><p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nota:</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>1</i> Odette Carvalho de Lima Seabra. "Os meandros dos rios nos meandros do poder: Tiet&ecirc; e Pinheiros, valoriza&ccedil;&atilde;o dos rios e das v&aacute;rzeas na cidade de S&atilde;o Paulo". S&atilde;o Paulo, 1987. Tese (doutorado em geografia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade de S&atilde;o Paulo.</font> ]]></body>
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<source><![CDATA[Sobre o rio Tietê]]></source>
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