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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Parentesco e fam&iacute;lia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Por Cynthia Andersen Sarti</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Antrop&oacute;loga e professora titular do curso    de ci&ecirc;ncias sociais da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp)    - Campus Guarulhos</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A marca do pensamento de L&eacute;vi-Strauss,    no que se refere &agrave; fam&iacute;lia e ao parentesco, foi fazer a discuss&atilde;o    entrar definitivamente no terreno da cultura. Sua concep&ccedil;&atilde;o modifica    toda a ideia corrente que identifica a fam&iacute;lia com a unidade biol&oacute;gica    &#150; pai, m&atilde;e e filhos. Para L&eacute;vi-Strauss, a fam&iacute;lia, em seu    fundamento natural, ou seja, a fam&iacute;lia consangu&iacute;nea, precisa se    desfazer para que exista a sociedade, ao mesmo tempo em que a sociedade &#150; grupos    dispostos a reconhecer seus limites e a se abrir ao outro &#150; &eacute; condi&ccedil;&atilde;o    da exist&ecirc;ncia da fam&iacute;lia. "O que diferencia verdadeiramente    o mundo humano do mundo animal &eacute; que, na humanidade, uma fam&iacute;lia    n&atilde;o poderia existir sem existir a sociedade, isto &eacute;, uma pluralidade    de fam&iacute;lias dispostas a reconhecer que existem outros la&ccedil;os para    al&eacute;m dos consangu&iacute;neos e que o processo natural de descend&ecirc;ncia    s&oacute; pode levar-se a cabo atrav&eacute;s do processo social da afinidade",    diz L&eacute;vi-Strauss (1980, p. 34). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A fam&iacute;lia funda o social, mas n&atilde;o    nos termos funcionais da biologia humana. Ao contr&aacute;rio, na exist&ecirc;ncia    da fam&iacute;lia, concebida como alian&ccedil;a entre grupos, est&aacute; a    possibilidade do ser humano se fazer social, comunicando-se e, assim, romper    com o que o autor define como o isolamento a que nos condena a consanguinidade.    O ser humano &eacute;, por excel&ecirc;ncia, comunicante, e a troca est&aacute;    na base de toda forma de rela&ccedil;&atilde;o social. Nesse sentido, as rela&ccedil;&otilde;es    familiares, pensadas como rela&ccedil;&otilde;es de troca, s&atilde;o uma das    formas de manifesta&ccedil;&atilde;o de um sistema global, os sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o,    que, segundo sua concep&ccedil;&atilde;o, constituem a sociedade humana, "feita    de indiv&iacute;duos e de grupos que se comunicam entre si", afirma L&eacute;vi-Strauss    (1967, p. 336). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O autor desenvolve o tema da fam&iacute;lia a    partir da an&aacute;lise da separa&ccedil;&atilde;o entre Natureza e Cultura,    que se d&aacute; com a institui&ccedil;&atilde;o do tabu do incesto, a primeira    regra, a "regra" por excel&ecirc;ncia, que faz humano o ser humano,    uma vez que a aus&ecirc;ncia de regras &eacute; precisamente o que delimita    o mundo da natureza, em oposi&ccedil;&atilde;o ao da cultura, "universo    de regras". Entre suas obje&ccedil;&otilde;es &agrave;s interpreta&ccedil;&otilde;es    correntes sobre o tabu do incesto, L&eacute;vi-Strauss afirma que nada h&aacute;    de instintivo no horror ao incesto, porque n&atilde;o haveria raz&atilde;o para    proibir o que, sem proibi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o haveria risco de acontecer.    L&eacute;vi-Strauss coincide com Freud na interpreta&ccedil;&atilde;o do tabu    do incesto como instituinte do humano. Mais do que uma forma de interven&ccedil;&atilde;o,    constitui o que L&eacute;vi-Strauss chama de "a interven&ccedil;&atilde;o"    (1981, p. 37). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O autor argumenta que a primeira regra, que funda    o car&aacute;ter social das rela&ccedil;&otilde;es entre os seres humanos, incide    sobre a vida sexual porque a&iacute; se insinua a troca, uma vez que, entre    todos os instintos, o sexual &eacute; o &uacute;nico que, "para se definir,    precisa da estimula&ccedil;&atilde;o do outro". Isso, portanto, "explica    uma das raz&otilde;es pelas quais &eacute; no terreno da vida sexual, de prefer&ecirc;ncia    a qualquer outro, que a passagem entre as duas ordens natural e cultural pode    e deve necessariamente se operar", diz L&eacute;vi-Strauss (1981, p. 14)<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup><b>1</b></sup></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A perpetua&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie    humana est&aacute; justamente na afirma&ccedil;&atilde;o do social, ou seja,    na nega&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia como ordem natural (a consanguinidade),    e na sua afirma&ccedil;&atilde;o como ordem cultural (a alian&ccedil;a). As    palavras das Escrituras "deixar&aacute;s o teu pai e a tua m&atilde;e"    proporcionam "a regra de ferro para a funda&ccedil;&atilde;o e o funcionamento    de qualquer sociedade", conclui L&eacute;vi-Strauss (1980, p. 44). A fam&iacute;lia    &eacute; impens&aacute;vel sem a no&ccedil;&atilde;o de troca e de reciprocidade,    como veremos adiante. Deixar a fam&iacute;lia consangu&iacute;nea, regra que    se imp&otilde;e com o tabu do incesto, significa a abertura para a troca e a    comunica&ccedil;&atilde;o com o outro, possibilidade da humanidade desenvolver-se    culturalmente. Essa troca que funda a fam&iacute;lia &eacute;, ao mesmo tempo,    o ato fundador da sociedade humana. Devemos a L&eacute;vi-Strauss um olhar sobre    a fam&iacute;lia sob um &acirc;ngulo que permite v&ecirc;-la para al&eacute;m    de suas pr&oacute;prias fronteiras biol&oacute;gicas e, para os estudos sobre    fam&iacute;lia e parentesco, esse passo adiante, o da desnaturaliza&ccedil;&atilde;o    da fam&iacute;lia, foi decisivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O "&aacute;tomo" do parentesco</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O passo decisivo para a desnaturaliza&ccedil;&atilde;o    da fam&iacute;lia ocorreu, pela primeira vez na antropologia, ao se buscar uma    explica&ccedil;&atilde;o para a fam&iacute;lia que deslocou a aten&ccedil;&atilde;o    da pr&oacute;pria fam&iacute;lia, como unidade, dirigindo-a para o sistema de    parentesco como um todo. At&eacute; ent&atilde;o, ela tinha sido identificada    com a fam&iacute;lia biol&oacute;gica. A "unidade m&iacute;nima" que    continha as tr&ecirc;s rela&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas do parentesco &#150;    entre marido-mulher (afinidade), entre pais e filhos (filia&ccedil;&atilde;o)    e entre irm&atilde;os (consanguinidade) &#150; correspondia &agrave; unidade biol&oacute;gica<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup><b>2</b></sup></a>.    Ao retirar dessa unidade m&iacute;nima o foco principal e voltar a aten&ccedil;&atilde;o    para o sistema de parentesco, a fam&iacute;lia passou a ser vista como atualiza&ccedil;&atilde;o    de um sistema mais amplo e a redefini&ccedil;&atilde;o da unidade elementar    do parentesco, a que L&eacute;vi-Strauss chamou de "&aacute;tomo"    do parentesco, significou um verdadeiro ponto de inflex&atilde;o nos estudos    sobre parentesco. Como ressaltou Da Matta (1983), foi preciso esse movimento    de deslocar o foco da "unidade m&iacute;nima" para o sistema como    um todo, como fez L&eacute;vi-Strauss, para explicar cientificamente a import&acirc;ncia    da alian&ccedil;a na constitui&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A unidade elementar que envolve as rela&ccedil;&otilde;es    que constituem os sistemas de parentesco corresponde, na formula&ccedil;&atilde;o    de L&eacute;vi-Strauss, n&atilde;o a um sistema triangular de rela&ccedil;&otilde;es,    mas quadrangular: entre marido e mulher, pai e filho, irm&atilde;o e irm&atilde;    e tio materno e sobrinho. S&atilde;o quatro pares de rela&ccedil;&otilde;es    (e n&atilde;o apenas as tr&ecirc;s: marido-mulher, pai-filho, irm&atilde;o-irm&atilde;)    que constituem o "&aacute;tomo do parentesco", o que pressup&otilde;e    a exist&ecirc;ncia pr&eacute;via de dois grupos, um que recebeu e outro que    deu a mulher em casamento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A ideia do &aacute;tomo do parentesco de L&eacute;vi-Strauss    pressup&otilde;e sua an&aacute;lise do tabu do incesto, porque este nela est&aacute;    impl&iacute;cito. Para que haja o marido e a mulher, algum homem teve que renunciar    &agrave; sua irm&atilde; e d&aacute;-la a outro homem. Tem que haver o irm&atilde;o.    Assim, L&eacute;vi-Strauss (1967) introduz a no&ccedil;&atilde;o de que o irm&atilde;o    da m&atilde;e n&atilde;o &eacute; um "elemento extr&iacute;nseco",    mas "um dado imediato da estrutura familial mais simples" (p. 65).    Sua inclus&atilde;o no &aacute;tomo evidencia a exist&ecirc;ncia de dois grupos    em comunica&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da alian&ccedil;a. Segundo a afirma&ccedil;&atilde;o    do autor, "o que &eacute; verdadeiramente elementar n&atilde;o s&atilde;o    as fam&iacute;lias, termos isolados, mas a rela&ccedil;&atilde;o entre esses    termos" (p. 69). Para ele, nenhuma outra interpreta&ccedil;&atilde;o pode    explicar a universalidade do tabu do incesto que vem da imposi&ccedil;&atilde;o    da troca como forma de comunica&ccedil;&atilde;o entre os seres humanos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A "cl&aacute;ssica demonstra&ccedil;&atilde;o"    de L&eacute;vi-Strauss do &aacute;tomo do parentesco "reformula cientificamente    o nosso mito de Ad&atilde;o e Eva, verdadeiro arqu&eacute;tipo que informava    toda a concep&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia e parentesco desenvolvida no    Ocidente. Pois temos um casal original de onde surge toda a humanidade e todo    o parentesco entre os homens, f&oacute;rmula perfeita da cria&ccedil;&atilde;o    do todo pelas partes individuais", comenta Da Matta (1983, p. 28). "Mas    o ponto b&aacute;sico, impl&iacute;cito da demonstra&ccedil;&atilde;o de L&eacute;vi-Strauss    &eacute; que o nosso pensamento sobre a fam&iacute;lia (e o parentesco) como    uma unidade individualizada e auto-suficiente &eacute; etnoc&ecirc;ntrico",    completa. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O tabu do incesto: proibi&ccedil;&atilde;o    e prescri&ccedil;&atilde;o </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A explica&ccedil;&atilde;o de L&eacute;vi-Strauss    para a exist&ecirc;ncia da fam&iacute;lia resulta de sua indaga&ccedil;&atilde;o    sobre a recorr&ecirc;ncia de um fen&ocirc;meno, que est&aacute; em todas as    sociedades, em todas as &eacute;pocas, ainda que sob diferentes formas de organiza&ccedil;&atilde;o,    e cujas raz&otilde;es naturais n&atilde;o o explicam: &eacute;, ent&atilde;o,    na artificialidade da fam&iacute;lia, nas regras que a regulam, que L&eacute;vi-Strauss    vai buscar a explica&ccedil;&atilde;o para sua exist&ecirc;ncia. O fundamento    de sua explica&ccedil;&atilde;o est&aacute; na an&aacute;lise do tabu do incesto,    esta regra severa e sagrada, que est&aacute; no limiar entre a Natureza e a    Cultura, revelando seu car&aacute;ter natural em sua universalidade e, ao mesmo    tempo, sua marca cultural, como regra. Constitui a passagem do fato natural    da consanguinidade para o fato cultural da alian&ccedil;a. O autor indaga, ent&atilde;o,    quais s&atilde;o as "causas profundas e onipresentes" que fizeram    com que em todas as sociedades, em todas as &eacute;pocas, existam regras que    regulamentam a rela&ccedil;&atilde;o entre os sexos (1981, p. 27). O que torna    o incesto perigoso para a ordem social? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A resposta aparece na dualidade da regra. Na    interpreta&ccedil;&atilde;o do autor, o tabu do incesto constitui n&atilde;o    apenas uma regra negativa, uma proibi&ccedil;&atilde;o, mas uma regra, ao mesmo    tempo, positiva. O "n&atilde;o" cont&eacute;m um "sim".    A proibi&ccedil;&atilde;o de casar define, simultaneamente, regras de obriga&ccedil;&otilde;es.    Um homem n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o pode casar-se com sua irm&atilde;,    como tem que dar sua irm&atilde; em casamento a outro homem, com quem cria rela&ccedil;&otilde;es,    ao mesmo tempo em que recebe de outro homem, em troca, sua irm&atilde;, criando,    a partir da&iacute;, rela&ccedil;&otilde;es. A proibi&ccedil;&atilde;o encerra    em si, ent&atilde;o, a reciprocidade. Seguindo a formula&ccedil;&atilde;o de    Marcel Mauss (1974), a proibi&ccedil;&atilde;o constitui, assim, uma regra da    d&aacute;diva, porque pressup&otilde;e receber em troca e, assim, implica regras    rec&iacute;procas. As fam&iacute;lias podem casar entre si, mas n&atilde;o dentro    de si mesmas. A ren&uacute;ncia, diz o autor, abre caminho para a reivindica&ccedil;&atilde;o.    Um homem renuncia &agrave; sua irm&atilde; na suposi&ccedil;&atilde;o de que    outro homem tamb&eacute;m o far&aacute;, assim, sucessivamente, segundo L&eacute;vi-Strauss    (1981). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A fam&iacute;lia constitui-se, ent&atilde;o,    na dualidade entre a afirma&ccedil;&atilde;o do que se pode e n&atilde;o se    pode fazer, configurando um universo de regras, ao mesmo tempo, de prescri&ccedil;&atilde;o    e de proibi&ccedil;&atilde;o. Gra&ccedil;as a esse duplo sentido da regra, institui-se    a comunica&ccedil;&atilde;o entre os homens, atrav&eacute;s da alian&ccedil;a.    Assim, o que faz humana a fam&iacute;lia &eacute; que ela se constitui pela    comunica&ccedil;&atilde;o entre grupos. O que aparece como pr&oacute;prio &agrave;    fam&iacute;lia, a reciprocidade, &eacute;, em realidade, o que define o social,    concebido como um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A fam&iacute;lia como linguagem</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sendo a alian&ccedil;a entre grupos, e n&atilde;o    o fundamento biol&oacute;gico, o que constitui a fam&iacute;lia, toda a an&aacute;lise    de L&eacute;vi-Strauss repousa sobre o car&aacute;ter artificial das rela&ccedil;&otilde;es    familiares. S&atilde;o necess&aacute;rias duas fam&iacute;lias para que exista    a fam&iacute;lia. &Eacute; neste sentido que a sociedade precede a fam&iacute;lia.    O casamento/alian&ccedil;a (entre dois grupos) &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o    que funda a fam&iacute;lia. Na "teoria da alian&ccedil;a", como &eacute;    conhecida a formula&ccedil;&atilde;o de L&eacute;vi-Strauss sobre o parentesco,    o acento est&aacute; na alian&ccedil;a como o elemento articulador do que se    concebe como um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como vimos, a alian&ccedil;a/casamento inclui    o irm&atilde;o da m&atilde;e, sendo, portanto, uma institui&ccedil;&atilde;o    a tr&ecirc;s, n&atilde;o a dois como se sup&otilde;e. H&aacute; uma mulher e    dois homens: um que d&aacute; e outro que recebe a mulher. O casamento, na abordagem    estruturalista, &eacute; pensado como um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o    entre grupos. A alian&ccedil;a entre dois grupos e, assim, o casamento a tr&ecirc;s,    constitui a "estrutura" da fam&iacute;lia. Estrutura que n&atilde;o    est&aacute; dada na observa&ccedil;&atilde;o das sociedades, que n&atilde;o    &eacute; da ordem dos fatos observ&aacute;veis, como pretendeu Radcliffe-Brown,    autor criticado por L&eacute;vi-Strauss (1986)<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><sup><b>3</b></sup></a>,    mas est&aacute; oculta, referindo-se n&atilde;o &agrave; realidade emp&iacute;rica,    mas &agrave; l&oacute;gica inconsciente que lhe d&aacute; significado. Assim,    as raz&otilde;es invocadas para explicar um ato ou um fato s&atilde;o muito    diferentes das raz&otilde;es que os explicam. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A estrutura corresponde a um sistema de regras    inconsciente a ser apreendido e decifrado pelo trabalho do etn&oacute;grafo,    de acordo com a posi&ccedil;&atilde;o anti-empiricista que caracterizou o estruturalismo<a name="tx04"></a><a href="#nt04"><sup><b>4</b></sup></a>.    Para este, os fatos isolados n&atilde;o t&ecirc;m significado, por isso, precisam    ser vistos em suas rela&ccedil;&otilde;es, ou melhor, nas regras que estabelecem    essas rela&ccedil;&otilde;es. Assim, as rela&ccedil;&otilde;es de parentesco    n&atilde;o derivam de fam&iacute;lias isoladas, mas se constituem um sistema    de regras, configurando um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A fam&iacute;lia, como sistema de comunica&ccedil;&atilde;o,    tem na troca e na reciprocidade sua estrutura fundante. O objetivo das rela&ccedil;&otilde;es    de parentesco, como de qualquer sistema social, &eacute; instituir a comunica&ccedil;&atilde;o,    na qual o sujeito s&oacute; se define em rela&ccedil;&atilde;o a um outro. Os    elementos n&atilde;o s&atilde;o pensados por suas propriedades intr&iacute;nsecas    (n&atilde;o interessa a fam&iacute;lia individualizada), mas pelas rela&ccedil;&otilde;es    nas quais est&atilde;o situados. Nesse ponto, &eacute; clara a analogia entre    a antropologia e a lingu&iacute;stica. Ambas operam a partir da ideia da troca    como uma estrutura fundante. As rela&ccedil;&otilde;es de parentesco s&atilde;o,    assim, uma linguagem, segundo L&eacute;vi-Strauss (1967). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para o autor, possuir uma l&iacute;ngua, portanto,    comunicar-se, &eacute; uma qualidade especificamente humana. Essa qualidade    est&aacute; na base de tudo o que &eacute; humano, inclusive da fam&iacute;lia.    A l&iacute;ngua &eacute; condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade do pensamento,    na medida em que precisamos categorizar o meio ambiente e, depois, representar    essas categorias por s&iacute;mbolos (elementos da linguagem, palavras), para    depois pensarmos sobre elas. Os seres humanos comunicam-se atrav&eacute;s de    tr&ecirc;s tipos de rela&ccedil;&otilde;es de troca: as palavras (linguagem),    as mercadorias (sistema econ&ocirc;mico) e as mulheres (rela&ccedil;&otilde;es    de parentesco), que constituem "jogos de comunica&ccedil;&atilde;o".    A sociedade organiza-se em regras como em um "jogo". Esse jogo, por    sua vez, consiste no conjunto de regras que o descrevem, sendo indiferente &agrave;    natureza dos jogadores, explica L&eacute;vi-Strauss (1967). A fam&iacute;lia,    como a sociedade, &eacute; vista como um sistema de rela&ccedil;&otilde;es e    a an&aacute;lise atenta para as regras que regem essas rela&ccedil;&otilde;es.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora incidam sobre diferentes aspectos, esses    "jogos" obedecem &agrave;s mesmas "regras", porque a comunica&ccedil;&atilde;o    entre os seres humanos tem princ&iacute;pios estruturais. A fam&iacute;lia humana    obedece, portanto, tamb&eacute;m a princ&iacute;pios estruturais: o casamento    como institui&ccedil;&atilde;o a tr&ecirc;s. Entretanto, os sujeitos n&atilde;o    t&ecirc;m consci&ecirc;ncia do princ&iacute;pio que governa essas trocas, assim    como o sujeito falante n&atilde;o precisa da an&aacute;lise lingu&iacute;stica    para falar. A estrutura, que est&aacute; sob a significa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica,    &eacute; praticada pelos sujeitos como &oacute;bvia. A estrutura "tem os    homens" mais do que eles "a t&ecirc;m", diz L&eacute;vi-Strauss    (1967). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A no&ccedil;&atilde;o de estrutura, segundo L&eacute;vi-Strauss,    n&atilde;o depende de uma defini&ccedil;&atilde;o indutiva, fundada na compara&ccedil;&atilde;o    e na abstra&ccedil;&atilde;o dos elementos comuns a todas as acep&ccedil;&otilde;es    do termo, tal como geralmente acontece em muitos autores (como &eacute; o caso    de Radcliffe Brown). A estrutura configura um sistema de rela&ccedil;&otilde;es.    Busca-se apreender a l&oacute;gica subjacente aos fatos, para depois generalizar    e aplicar aos casos observados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"Se, como cremos, a atividade inconsciente    do esp&iacute;rito consiste em impor formas a um conte&uacute;do, e se as formas    s&atilde;o fundamentalmente as mesmas para todos os esp&iacute;ritos, antigos    e modernos, primitivos e civilizados", afirma L&eacute;vi-Strauss (1967,    p. 37), "&eacute; preciso e basta atingir a estrutura inconsciente, subjacente    a cada institui&ccedil;&atilde;o ou a cada costume, para obter um princ&iacute;pio    de interpreta&ccedil;&atilde;o v&aacute;lido para outras institui&ccedil;&otilde;es    e costumes, sob a condi&ccedil;&atilde;o, naturalmente, de estender bastante    a an&aacute;lise". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Marcel Mauss (1974), no <i>Ensaio sobre a d&aacute;diva,</i>    uma obra fundamental para L&eacute;vi-Strauss, introduz a no&ccedil;&atilde;o    de sociedade como sistema de rela&ccedil;&otilde;es, de trocas rec&iacute;procas    e circulares. Em "Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; obra de Mauss", L&eacute;vi-Strauss    (1974) ressalta a import&acirc;ncia dessa obra no sentido de dar um passo al&eacute;m    em rela&ccedil;&atilde;o a &Eacute;mile Durkheim, seu tio e predecessor, integrando    a subjetividade na an&aacute;lise sociol&oacute;gica, ao pressupor o car&aacute;ter    inconsciente dos costumes. A vida social para Mauss &eacute; pensada, segundo    L&eacute;vi-Strauss, como "um mundo de rela&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas"    (p. 6). Mauss articula, assim, a dimens&atilde;o social e a individual, mostrando    que existe uma opera&ccedil;&atilde;o que se d&aacute; no sujeito. A categoria    inconsciente, pr&oacute;pria dos costumes, torna poss&iacute;vel a comunica&ccedil;&atilde;o    entre o subjetivo e o objetivo, entre mim e o outro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A no&ccedil;&atilde;o de estrutura pressup&otilde;e    a no&ccedil;&atilde;o de inconsciente como a forma fundamental do esp&iacute;rito    humano. Ret&eacute;m de Freud a ideia de inconsciente como o centro dos mecanismos    estruturais, cuja fun&ccedil;&atilde;o &eacute; dar um sentido &agrave; realidade.    O inconsciente "est&aacute; sempre vazio; ele &eacute; t&atilde;o estranho    &agrave;s imagens quanto o est&ocirc;mago aos alimentos que o atravessam",    diz L&eacute;vi-Strauss (1967, p. 234-5). Para ele, contrariando a ideia de    arqu&eacute;tipos de Yung, n&atilde;o existem s&iacute;mbolos (com conte&uacute;do)    intelig&iacute;veis universalmente. O que &eacute; universal &eacute; a estrutura,    como forma. O inconsciente &eacute; uma atividade do esp&iacute;rito que consiste    em "impor formas a um conte&uacute;do" e essas formas s&atilde;o "fundamentalmente    as mesmas para todos os esp&iacute;ritos, antigos e modernos, primitivos e civilizados",    afirma L&eacute;vi-Strauss (1967, p. 37). O mundo do simbolismo "&eacute;    infinitamente diverso por seu conte&uacute;do, mas sempre limitado por suas    leis" (1967, p. 235). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A estrutura organiza os elementos que est&atilde;o    em rela&ccedil;&atilde;o dentro de um sistema l&oacute;gico que lhe d&aacute;    sentido. A estrutura &eacute; sentido. A atividade desta estrutura inconsciente    &eacute;, para L&eacute;vi-Strauss (1967), uma "fun&ccedil;&atilde;o",    a fun&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, ou seja, a fun&ccedil;&atilde;o de    dar significa&ccedil;&atilde;o aos fen&ocirc;menos vividos. A evid&ecirc;ncia    de que o homem tem um pensamento simb&oacute;lico est&aacute; na exist&ecirc;ncia    da linguagem falada, em que as palavras representam (significam) coisas que    est&atilde;o "fora", que s&atilde;o significadas. H&aacute; a coisa    e o significado e, entre eles, existe uma media&ccedil;&atilde;o que &eacute;    a linguagem, atrav&eacute;s da qual os homens se comunicam. Dentro desse quadro    te&oacute;rico de refer&ecirc;ncias, a fam&iacute;lia, como a linguagem, constitui    uma estrutura fundada no princ&iacute;pio da alian&ccedil;a, uma das formas    fundamentais pelas quais os homens se comunicam. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A teoria da alian&ccedil;a, ontem e hoje</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ao se pensar a teoria da alian&ccedil;a levistraussiana    como possibilidade de an&aacute;lise da fam&iacute;lia no mundo moderno, algumas    dificuldades imp&otilde;em-se. Louis Dumont (1983) menciona o valor explicativo    das no&ccedil;&otilde;es de troca e reciprocidade como um dos pontos mais controvertidos    de sua an&aacute;lise. Sobre este ponto recai uma "obje&ccedil;&atilde;o    radical", na medida em que a teoria da alian&ccedil;a foi formulada a partir    da an&aacute;lise do casamento prescrito (entre primos cruzados), e n&atilde;o    se pode aplicar as no&ccedil;&otilde;es de troca, com base no casamento prescrito    entre grupos, para a sociedade moderna individualista, sem ressalvas, onde n&atilde;o    existe essa prescri&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dumont (1983, p. 95), entretanto, abre pistas    importantes, ao ressaltar que "a proibi&ccedil;&atilde;o do incesto manifesta    a exist&ecirc;ncia sempre presente de um certo grau de incompatibilidade e,    por conseguinte, de complementaridade entre consanguinidade e afinidade".    A an&aacute;lise do tabu do incesto de L&eacute;vi-Strauss, ao atribuir &agrave;    regra um car&aacute;ter, ao mesmo tempo, positivo e negativo, estabelece um    conflito fundante entre consanguinidade e afinidade. Fala de uma quest&atilde;o    intr&iacute;nseca &agrave; fam&iacute;lia, em todos os tempos, em todas as sociedades.    A&iacute; se insinua a singularidade da fam&iacute;lia em sua an&aacute;lise.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, ainda que L&eacute;vi-Strauss formule    a teoria da alian&ccedil;a a partir da an&aacute;lise de "estruturas elementares    do parentesco", (em que o c&ocirc;njuge &eacute; prescrito), n&atilde;o    se exclui a possibilidade de pensar o fundamento da troca e da reciprocidade    que sustenta essa teoria, tamb&eacute;m nos casos de "estruturas complexas"    (abarcando toda a diversidade de casos de c&ocirc;njuge n&atilde;o prescrito    pelo grupo, o que inclui nosso sistema de parentesco) como fundamento para se    pensar as rela&ccedil;&otilde;es familiares naquilo que as funda: a necessidade    de romper os la&ccedil;os da consanguinidade, que condenam ao isolamento, e    lan&ccedil;ar-se no caminho da abertura ao outro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sua interpreta&ccedil;&atilde;o do tabu do incesto,    como regra que institui a comunica&ccedil;&atilde;o, diz respeito a uma quest&atilde;o    intr&iacute;nseca &agrave; fam&iacute;lia: a tens&atilde;o entre consanguinidade    e afinidade. A radicalidade da proposta de L&eacute;vi-Strauss, no sentido de    romper com o fundamento biol&oacute;gico e "naturalizante" da fam&iacute;lia,    tornando insustent&aacute;vel a ideia da fam&iacute;lia como <i>celula mater    </i>da sociedade, n&atilde;o encontrou paralelo em qualquer outra teoria. Por    esta raz&atilde;o, a teoria da alian&ccedil;a de L&eacute;vi-Strauss tornou-se    uma refer&ecirc;ncia fundamental para quem estuda o tema. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01"><b>1</b></a>    Tradu&ccedil;&otilde;es feitas por mim. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt02"></a><a href="#tx02"><b>2</b></a>    Esta identifica&ccedil;&atilde;o que aparece no pensamento evolucionista, persiste    tanto em Malinowski (1973), quanto em Radcliff-Brown (1982). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt03"></a><a href="#tx03"><b>3</b></a>    Em sua cr&iacute;tica a Radcliffe-Brown, afirmava que a estrutura social n&atilde;o    se confunde com as rela&ccedil;&otilde;es sociais, n&atilde;o correspondendo    ao fen&ocirc;meno emp&iacute;rico (L&eacute;vi-Strauss, 1986). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt04"></a><a href="#tx04"><b>4</b></a>    L&eacute;vi-Strauss (1979), nos <i>Tristes tr&oacute;picos,</i> fala das teorias    que o influenciaram, chamando-as de "minhas tr&ecirc;s professoras":    a geologia, a psican&aacute;lise e o marxismo, na medida em que as tr&ecirc;s    postulam uma descontinuidade entre o "vivido" e o "real",    nem que seja para reintegr&aacute;-los mais tarde numa s&iacute;ntese (p. 52-3).    Em <i>Antropologia estrutural,</i> L&eacute;vi-Strauss (1967) adverte que a    estrutura n&atilde;o &eacute; uma ideia plat&ocirc;nica. Segundo o autor, fixar    conceitualmente estruturas como realidades n&atilde;o-emp&iacute;ricas e construir    modelos com cujo aux&iacute;lio se possa compreender as sociedades existentes    n&atilde;o significa substituir o real por um modelo. N&atilde;o existe a separa&ccedil;&atilde;o    entre a realidade e o mundo das ideias. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Da Matta, Roberto. 1983. "Introdu&ccedil;&atilde;o:    Repensando E. R. Leach". In: Da Matta, R. (org.) <i>Edmund R. Leach.</i> S&atilde;o    Paulo: &Aacute;tica, 1983 (Grandes Cientistas Sociais, 38). p. 5-54.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Dumont, Louis. <i>Introducci&oacute;n a dos teorias    de la antropologia social.</i> Barcelona: Anagrama, 1983.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">L&eacute;vi-Strauss, Claude. <i>Les structures    elementaires de la parent&eacute;.</i> Paris: Mouton, 1981 1947.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">________. "Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;    obra de Marcel Mauss". In: Mauss, M. <i>Sociologia e antropologia.</i> Vol.II.    S&atilde;o Paulo: EPU/Edusp, 1974 1950 . p. 1-36.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">________. <i>Tristes tr&oacute;picos.</i> Lisboa:    Edi&ccedil;&otilde;es 70, 1979 1955 (Perspectivas do Homem,7).     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">________. "A fam&iacute;lia". In: SPIRO, M. et    al., <i>A fam&iacute;lia: origem e evolu&ccedil;&atilde;o.</i> Porto Alegre:    Editorial Villa Martha, 1980 1956 . p. 7-45. Texto publicado originalmente em:    Shapiro, Harry L. (ed.). <i>Man, culture and society.</i> Oxford University    Press, 1956.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">________. "Introdu&ccedil;&atilde;o: hist&oacute;ria    e etnologia". In: L&eacute;vi-Strauss, C. <i>Antropologia estrutural.</i> Rio    de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1967 1958 (Biblioteca Tempo Universit&aacute;rio,7).    p.13-41.     </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">________. "A an&aacute;lise estrutural em ling&uuml;&iacute;stica    e antropologia". In: L&eacute;vi-Strauss, C. op. cit. 1967 1958 . p. 45-70.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">________. "A efic&aacute;cia simb&oacute;lica".    In: L&eacute;vi-Strauss, C. op. cit. 1967 1958 . p. 215-36. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">________. "A no&ccedil;&atilde;o de estrutura    em etnologia". In: L&eacute;vi-Strauss, C. op. cit.. 1967 1958 . p. 313-60.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">________. <i>O totemismo hoje.</i> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es    70, 1986 1962 . (Perspectivas do Homem,26).     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Malinowski, Bronislaw. <i>Sexo e repress&atilde;o    na sociedade selvagem. </i>Petr&oacute;polis: Vozes, 1973 1927.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Mauss, Marcel. "Ensaio sobre a d&aacute;diva".    In: Mauss, M. <i>Sociologia e antropologia.</i> Vol. II. S&atilde;o Paulo: EPU/Edusp,    1974 1923-4 . p. 37-184.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Radcliffe-Brown, A.R. "Introdu&ccedil;&atilde;o".    In: RADCLIFFE-BROWN, A.R. &amp; FORDE, D. (orgs.). <i>Sistemas pol&iacute;ticos    africanos de parentesco e casamento.</i> 2ª ed. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o    Calouste Gulbenkian; 1982 1950. </font> ]]></body>
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