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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Quem n&atilde;o arrisca...</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Carlos Vogt</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma das caracter&iacute;sticas marcantes da economia    global e da sociedade do conhecimento &#150; outra forma de designar a mesma    contemporaneidade movida a g&aacute;s, petr&oacute;leo, etanol, energia nuclear    e densa especula&ccedil;&atilde;o financeira &#150;, relacionada mais diretamente    com o papel estruturante das tecnoci&ecirc;ncias nessa sociedade, &eacute; o    risco. O risco, n&atilde;o como comportamento irrespons&aacute;vel, adolescente,    doidivanas, mas o risco como c&aacute;lculo, como elemento de composi&ccedil;&atilde;o    do mosaico de certezas que todos gostar&iacute;amos de ter, principalmente os    investidores que jogam, sempre com expectativas fundadas de retornos lucrativos.    Jogam no presente, jogam no futuro e, se um dia for poss&iacute;vel, jogam no    passado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mas, como preconiza Mallarm&eacute;, poeta da    modernidade, um lance de dados jamais abolir&aacute; o acaso, por mais c&aacute;lculo    que o risco admita para sua contens&atilde;o, ele pr&oacute;prio &eacute; incapaz    de calcular&#45;se, enquanto elemento do imprevis&iacute;vel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O fato &eacute; que o desenvolvimento do conhecimento    cient&iacute;fico, suas aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas e as tecnologias    que dele derivaram, e derivam numa velocidade cada vez maior e cada vez mais    acelerada pelas pr&oacute;prias tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e de    comunica&ccedil;&atilde;o, criaram como que um carrossel de novidades que n&atilde;o    param de girar. Utens&iacute;lios e ferramentas se substituem com o mesmo &iacute;mpeto    com que aparecem e desaparecem para tornar a vida mais f&aacute;cil no seu cotidiano    e cotidianamente mais carregada de d&uacute;vidas e incertezas sobre os riscos    e os benef&iacute;cios que tais facilidades efetivamente propiciam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desde o uso da energia nuclear transformada em    bombas de destrui&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a, no final da Segunda Grande    Guerra, aumentou por parte dos governos respons&aacute;veis por essa cat&aacute;strofe,    a preocupa&ccedil;&atilde;o com a desconfian&ccedil;a da sociedade em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; "bondade" da ci&ecirc;ncia e da tecnologia. Campanhas foram    feitas, pesquisas sobre percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da ci&ecirc;ncia    foram desencadeadas e estudos sistem&aacute;ticos sobre os riscos trazidos pelas    descobertas cient&iacute;ficas e principalmente pelas inova&ccedil;&otilde;es    tecnol&oacute;gicas foram desencadeados, passando a constituir, nos anos seguintes    e at&eacute; hoje, um campo de estudo dos mais ricos, controversos e pleno de    cruzamentos epistemol&oacute;gicos, &#150; multidisciplinar, portanto, &#150;    com abordagens, al&eacute;m de cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas, filos&oacute;ficas,    sociol&oacute;gicas, antropol&oacute;gicas, ling&uuml;&iacute;sticas, liter&aacute;rias    e art&iacute;sticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em aten&ccedil;&atilde;o aos riscos, morat&oacute;rias    se constitu&iacute;ram, sendo, talvez, a mais famosa a que decorreu da Confer&ecirc;ncia    do Monte Asilomar, nos EUA, em 1975, que a formalizou, promulgando a necessidade    de se manterem sob prote&ccedil;&atilde;o e isolamento todos os experimentos    de recombina&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica e tamb&eacute;m os organismos    deles resultantes, pelo tempo necess&aacute;rio &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    de certezas de que n&atilde;o seriam nocivos ao homem e ao meio ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os protocolos de precau&ccedil;&atilde;o passaram    a acompanhar os produtos da tecnologia sobre os quais as d&uacute;vidas ou as    incertezas quanto ao grau de benef&iacute;cio ou de nocividade continuaram a    persistir na percep&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es consumidoras    dessas mercadorias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A bio&eacute;tica foi se consolidando como disciplina    fundamental para os estudos e as discuss&otilde;es empenhadas em estabelecer    normas de conduta e de procedimento nos casos das inova&ccedil;&otilde;es da    &aacute;rea, sobretudo nas quest&otilde;es envolvendo alimentos, medicamentos    e as pesquisas abertas e desencadeadas pela biologia molecular.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">In&uacute;meras enquetes passaram a ser aplicadas,    trazendo perguntas sobre os riscos e os benef&iacute;cios da ci&ecirc;ncia e    da tecnologia ao mesmo tempo em que, cada vez mais, foram se constituindo mecanismos    representativos da sociedade civil para atuar, participar, influir e decidir    sobre os destinos, as prioridades e as cautelas a serem tomadas para prevenir    os poss&iacute;veis riscos de cada passo da c&eacute;lere transforma&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica do mundo contempor&acirc;neo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O risco, que sempre esteve ligado ao conhecimento    e ao desvendamento do novo, que se acentuou quando mais a sociedade acreditou    no poder redentor da ci&ecirc;ncia, no s&eacute;culo XIX, com o positivismo,    que de atitude racional passou a ser dogma de f&eacute; cient&iacute;fica; o    risco, que o <I>Frankenstein</I>, de Mary Shelley, apontava como o horror tr&aacute;gico    de um novo Prometeu, continua a nos acompanhar na saga de aventuras do conhecimento,    agora mais domesticado que antes, mas nem por isso falso de artimanhas e de    surpresas para uma sociedade que parece, culturalmente, cada vez mais propensa    ao petisco, de prefer&ecirc;ncia sem risco.</font></p>      ]]></body>

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