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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="verdana" size="2"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="4"><b>O signo do vazio e o vazio do signo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2"><b>Carlos Vogt</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2">Se o vazio é, de um ponto de vista teórico qualquer,    quantificável, então o próprio vazio não é vazio. É antes, e ao contrário, um    conjunto de ausências significativas e, portanto, significativas.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Considere-se, por exemplo, o que ocorre com as    línguas naturais e com a função comunicativa que as caracteriza.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Qual, do ponto de vista teórico, o desafio e    o objeto da lingüística?</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">A resposta é simples, embora sua explicação,    ao longo do tempo, seja complexa e requeira esforços conceituais e metodológicos    consideráveis.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Mas qual é essa resposta?</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Algo que poderia ser enunciado da seguinte maneira:    o desafio da lingüística, logo seu objeto, é descrever e explicar como se dá    a associação entre som e sentido nas línguas naturais. </font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Em outras palavras, como um fenômeno físico -    a cadeia sonora - permite a associação de significados comuns, compreensíveis    e intercambiáveis para os indivíduos que se reconhecem pertencendo a uma mesma    comunidade lingüística? </font></p>     <p><font face="verdana" size="2">A questão se torna mais complexa ainda quando    se leva em conta o fato de que na seqüência de sons produzidos pelos interlocutores,    numa situação de comunicação, não há, de um modo geral, nenhuma motivação na    materialidade física da cadeia de sons para as significações que ela permite    produzir, reconhecer e comunicar entre os interlocutores do ato lingüístico    em questão.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Isso quer dizer, entre outras coisas, que o ato    de significar na linguagem e pela linguagem se dá como uma forma de negação    de sua materialidade física ou, ao revés, como afirmação do que ela não é ou    do que está contido nessa materialidade.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">O ato semântico dá-se, assim, como um ato no    vazio, um ato intervalar, um ato que se realiza no campo das relações entre    o que a linguagem é e o que ela deixa de ser para significar o mundo e suas    representações, que se apresentam juntamente com os atores dos atos lingüísticos,    por eles vividos como autores, personagens, leitores do teatro do discurso e    da comunicação.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">O valor do signo lingüístico, tal como definido    na tradição herdada de Saussure, constitui-se antes como valor de troca do que    como valor de uso. Ou seja, é a substituibilidade do signo por outro signo e    a combinatória dos signos entre si que permitem, no jogo estrutural que assim    se constitui, o funcionamento sistemático das línguas como princípio ordenado    e ordenador da vida em sociedade.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">As regras de combinação sintagmática, horizontal,    do signo, que lhe permitem descortinar-se em futuros discursivos, equilibram    a linearidade de sua evolução no tempo sobre o princípio da associação paradigmática,    vertical, numa sintaxe espacial feita de presenças e ausências e que põe em    jogo o conjunto de relações do signo com o signo no interior do sistema lingüístico    estruturado, que ele constitui e que o constitui.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Desse modo, o momento semântico da linguagem,    seu momento significativo, aquele em que o significante e o significado se apresentam    como as duas faces da mesma moeda - o signo lingüístico -, esse momento dá-se    como vazio de substância própria, no intervalo entre a sua materialidade física    e o que ele deixa de ser para significar outra coisa no mundo.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Sob esse aspecto, o signo é forma e a forma do    signo supõe essa alteridade estrutural que permite a sua expressão em conteúdos    e assegura a dinâmica da comunicação característica da linguagem.</font></p>      ]]></body>

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