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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ENTREVISTA </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ci&ecirc;ncia, arte e comunica&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na edi&ccedil;&atilde;o de n&uacute;mero 100 a ComCi&ecirc;ncia traz tr&ecirc;s entrevistas com destacados nomes que atuam no campo da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: o soci&oacute;logo italiano <b>Massimiano Bucchi</b>, o artista catarinense <b>Walmor Corr&ecirc;a</b> e o bi&oacute;logo argentino <b>Diego Golombek</b>. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Massimiano Bucchi </b>    <br>   Por Germana Barata </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Soci&oacute;logo da ci&ecirc;ncia, professor associado da Universidade de Trento (It&aacute;lia), autor de livros e artigos sobre os temas ci&ecirc;ncia, sociedade, percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da ci&ecirc;ncia e biotecnologia, Massimiano Buchi tamb&eacute;m possui um <a href="http://massimianobucchi.nova100.ilsole24ore.com/" target="_blank">blog</a> sobre a comunica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia. Seu interesse pela ci&ecirc;ncia se iniciou na inf&acirc;ncia, quando perguntar e explicar o funcionamento da vida fazia parte de suas ansiedades. Para Bucchi, "n&atilde;o podemos conceber a contemporaneidade sem a ci&ecirc;ncia. Ci&ecirc;ncia e tecnologia s&atilde;o for&ccedil;as enormes que moldam a sociedade contempor&acirc;nea, e vice-versa". </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>ComCi&ecirc;ncia</i> -Quais s&atilde;o os principais obst&aacute;culos que a comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica enfrentar&aacute; nos pr&oacute;ximos anos? </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Massimiano Bucchi - </b>As mesmas quest&otilde;es podem ser obst&aacute;culos ou oportunidades: por exemplo, a mudan&ccedil;a de um modelo paternalista de comunica&ccedil;&atilde;o para modelos de engajamento mais democr&aacute;tico. Por paternalista quero dizer um modelo difusionista de comunica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia, baseado na no&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico como passivo, cuja ignor&acirc;ncia e hostilidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia possam ser neutralizadas por uma inje&ccedil;&atilde;o apropriada de comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do tipo <i>top-down </i>(de cima para baixo); por modelos democr&aacute;ticos e engajados quero dizer modelos de comunica&ccedil;&atilde;o nos quais o p&uacute;blico &eacute; visto n&atilde;o como um receptor passivo da informa&ccedil;&atilde;o, mas como contribuinte (com suas opini&otilde;es, valores, expectativas, preocupa&ccedil;&otilde;es) no di&aacute;logo e de uma forma participativa para o debate sobre a ci&ecirc;ncia e seu papel social. Isso tamb&eacute;m est&aacute; conectado &agrave; mudan&ccedil;a de atividades cient&iacute;ficas de um contexto mais tradicional, Europa e Estados Unidos, de 1600-1950,para pa&iacute;ses como a &Iacute;ndia e China, com uma cultura e estrutura pol&iacute;tica um pouco diferentes. Isso apresentar&aacute; novos desafios &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e &agrave; ci&ecirc;ncia na sociedade de uma maneira geral, por exemplo, a necessidade de repensarmos, em novos contextos, a rela&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia e democracia, ci&ecirc;ncia e neg&oacute;cios, e toda a quest&atilde;o da responsabilidade social na ci&ecirc;ncia e na inova&ccedil;&atilde;o; uma mudan&ccedil;a de uma administra&ccedil;&atilde;o nacional da ci&ecirc;ncia para uma administra&ccedil;&atilde;o global. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>ComCi&ecirc;ncia </i>- Vivemos na chamada sociedade da informa&ccedil;&atilde;o, na qual o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais f&aacute;cil e democr&aacute;tico. Como este fato mudou ou melhorou a percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da ci&ecirc;ncia?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bucchi - </b>O acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um aspecto importante, mas n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico aspecto relevante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; percep&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia. Devemos tamb&eacute;m olhar para mudan&ccedil;as nos valores e na confian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es. H&aacute; quem argumente que a m&iacute;dia eletr&ocirc;nica contribuiu para formatar a percep&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e tecnologia, como sendo capazes de lidar e resolver qualquer problema (fome, envelhecimento, e at&eacute; a morte), alimentando as expectativas do p&uacute;blico em um n&iacute;vel sem precedentes. Isso, no meu ponto de vista, pode ser um processo muito perigoso para a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia em longo prazo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Walmor Corr&ecirc;a </b>    <br>   Por Susana Dias </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Reconhecido nacional e internacionalmente por suas ilustra&ccedil;&otilde;es precisas, delicadas e fabulosas de seres estranhos e, ao mesmo tempo, familiares, <a href="http://www.walmorcorrea.com.br/pag_artista.htm" target="_blank">Walmor Corrêa</a> cria "uma natureza fant&aacute;stica que desconhece a pr&oacute;pria impossibilidade". Nesta entrevista, o artista catarinense, que na inf&acirc;ncia j&aacute; ilustrava seus cadernos de ci&ecirc;ncias e biologia com desenhos feitos a partir das aulas, conta como pensa a intera&ccedil;&atilde;o entre arte e ci&ecirc;ncia numa aposta em recriar a id&eacute;ia do que &eacute;, ou n&atilde;o &eacute;, cient&iacute;fico. Suas obras j&aacute; fizeram parte de exposi&ccedil;&otilde;escoletivas nos EUA ("Cryptozoology"), Argentina, &Aacute;ustria, Equador, Uruguai, Alemanha, Espanha e Brasil. A &uacute;ltima participa&ccedil;&atilde;o foi na exposi&ccedil;&atilde;o "Os Tr&oacute;picos: vis&otilde;es a partir do centro do globo", com curadoria de Alfons Hug, Viola K&ouml;nig e Peter Jung, que ir&aacute; para o Museu Martin-Gropius-Bau, em Berlim, em setembro deste ano. No in&iacute;cio deste ano, realizou a exposi&ccedil;&atilde;o individual <a href="http://www.lauramarsiaj.com.br/frame_home.htm" target="_blank">Memento Morina</a> galeria Laura Marsiaj Arte Contempor&acirc;nea, no Rio de Janeiro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>ComCi&ecirc;ncia </i>- Em suas cria&ccedil;&otilde;es a ci&ecirc;ncia est&aacute; muito presente. Por que trabalhar com ci&ecirc;ncia? Como arte e ci&ecirc;ncia interagem em seus diversos trabalhos?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Walmor Corr&ecirc;a -</b> Cientificamente &eacute; imposs&iacute;vel o v&ocirc;o do besouro. De acordo com o n&uacute;mero de Reynolds - que faz a correla&ccedil;&atilde;o do tamanho da asa com a viscosidade do ar, mais o c&aacute;lculo de sustenta&ccedil;&atilde;o - o inseto jamais voaria e, no entanto, voa. Esse aspecto da ci&ecirc;ncia foi o que me levou a pensar at&eacute; que ponto o saber abra&ccedil;a a enorme diversidade de fen&ocirc;menos do mundo natural. Trabalho como um investigador cuja pesquisa mescla ferramentas do territ&oacute;rio cient&iacute;fico, n&atilde;o para produzir mais ci&ecirc;ncia, mas para "renegociar" a pr&oacute;pria id&eacute;ia do que &eacute;, ou n&atilde;o, cient&iacute;fico. Durante o meu processo de trabalho, existe sempre a observa&ccedil;&atilde;o criteriosa e a pesquisa a partir de diferentes fontes cient&iacute;ficas, como livros de ci&ecirc;ncias e anatomia, comp&ecirc;ndios e manuais de zoologia. Primeiramente, eu formulo uma hip&oacute;tese sobre a esp&eacute;cie e ent&atilde;o estudo como ela poderia ser cientificamente descrita nas suas caracter&iacute;sticas mais gerais, como anatomia e fisiologia. A partir das minhas perguntas, questiono-me o que, afinal, significa "saber". "Sei" porque adquiri no&ccedil;&otilde;es sobre os elementos que me circundam por dentro e por fora, ou porque posso abrir os olhos e realizar o mundo como penso que ele se apresenta? O que construo &eacute; uma natureza fant&aacute;stica que desconhece a pr&oacute;pria impossibilidade. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>ComCi&ecirc;ncia </i>- Como o senhor pensa a fic&ccedil;&atilde;o em suas cria&ccedil;&otilde;es? Quais os desafios que as ci&ecirc;ncias contempor&acirc;neas - vidas inventadas, <i>microchips </i>implantados, h&iacute;bridos, utilidades pr&aacute;ticas, antecipa&ccedil;&atilde;o do futuro - colocam para os artistas?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Walmor Corr&ecirc;a -</b> &Eacute; ineg&aacute;vel que os avan&ccedil;os e as "curiosidades" da ci&ecirc;ncia tenham sobre o meu trabalho um desencadeador relevante. Estou sempre atento &agrave;s novas possibilidades, mas com o olhar investigativo e po&eacute;tico, para seguir respondendo quest&otilde;es da minha inquietude particular. Tudo precisa ser explicado, descrito. S&oacute; que o texto tamb&eacute;m pode se modificar, rebelando-se contra a rigidez cient&iacute;fica e abdicando de seu status de decodificador. Ele pode decidir brincar, perguntar o que n&atilde;o tem resposta, despistar - ou, simplesmente, n&atilde;o ser lido e ainda assim, significar. Exemplifico com um trabalho recente que desenvolvi, "a sereia mata por que n&atilde;o pode ser mulher". Baseado em cirurgias atuais, implantes, no uso de microchips localizados que possibilitariam a capacidade de um parapl&eacute;gico caminhar, sugeri implantes de endopr&oacute;teses totais de membros inferiores e cirurgia de neovagina em uma mulher-peixe, possibilitando, poeticamente, a realiza&ccedil;&atilde;o do sonho de uma sereia... </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>ComCi&ecirc;ncia </i>- Corpos dissecados, v&iacute;sceras aparentes, ossadas imposs&iacute;veis, bichos que morrer&atilde;o. <i>Memento mori. </i>Que morte &eacute; essa que traz, desde dentro, uma aposta vitalista, que quer dar vida aos mitos brasileiros (Ondina, Curupira, Capelobo e Cachorra da Palmeira), aos her&oacute;is dos quadrinhos (Homem-aranha e Cheetah)?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Walmor Corr&ecirc;a -</b> Desloquei os meus questionamentos dos postulados da teoria evolucionista para pintar uma descri&ccedil;&atilde;o detalhada de aspectos anat&ocirc;micos e fisiol&oacute;gicos de animais que habitam o universo do folclore brasileiro h&aacute; mais de 500 anos e que nunca antes haviam sido descritos em termos m&eacute;dicos, considerando que "imagens s&atilde;o geralmente feitas para empregos radicalmente diferentes na arte e na ci&ecirc;ncia, mas eles possuem sinais claros do modelo estrutural de vis&atilde;o que compartilham como ponto de partida, desde que saibamos como e onde procurar por eles" (Prof. Dr. Martin Kemp). Tomemos como exemplo do meu processo de trabalho a hist&oacute;ria da Ondina, parte da s&eacute;rie "Unheimlich" (2005). Ao pensar essa descendente das sereias no Brasil, primeiro me veio &agrave; mente trabalhar no sentido de comprovar a exist&ecirc;ncia desse animal que habita &aacute;gua e terra. Ent&atilde;o, perguntava-me como eu poderia "justificar" a exist&ecirc;ncia desse ser, explicando, por exemplo, os efeitos da alta press&atilde;o no seu c&eacute;rebro. Afinal de contas, ela desce a grandes profundidades da &aacute;gua. Como ela suportaria essa press&atilde;o? Depois de estudos mais aprofundados e de alguns encontros com um neurologista, criei uma v&aacute;lvula jugular que abre ou fecha de acordo com a mudan&ccedil;a de press&atilde;o atmosf&eacute;rica, o que permite que o animal passe do meio terrestre para o aqu&aacute;tico automaticamente, encerrando o sangue no c&eacute;rebro e permitindo, assim, que habite os dois ambientes sem maiores problemas. Dessa forma, cada animal tem a sua fisiologia analisada e suas caracter&iacute;sticas descritas de forma tamb&eacute;m m&eacute;dica. Em "<i>Memento mori</i>" (lembra-te que vais morrer) tamb&eacute;m n&atilde;o tenho como objetivo dialogar com a morte, mas, sim, com a possibilidade dela. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>ComCi&ecirc;ncia </i>- Em sua opini&atilde;o, quais s&atilde;o os maiores desafios atuais da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica (seja em revistas, filmes, produ&ccedil;&otilde;es teatrais, quadrinhos, obras de arte, etc)? </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Walmor Corr&ecirc;a -</b> Acredito que os interesses decorrentes da "falta de &eacute;tica" e os motivos "religiosos" impossibilitam muitas vezes o caminhar de pesquisas para um futuro imensamente mais esclarecedor e saud&aacute;vel. Aproveito para agradecer aos pesquisadores pelos seus sonhos que, quando realizados, tornam as nossas vidas t&atilde;o melhores. Agrade&ccedil;o, ainda, &agrave; permiss&atilde;o legada a n&oacute;s, artistas, quanto ao direito de sonhar com eles! </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Diego Golombek </b>    <br>   Por Germana Barata </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia motiva o trabalho de <b><i>Diego Golombek </i></b>porque pode ser comunicada a partir das quest&otilde;es que se escondem na vida cotidiana e permite compartilhar o "incr&iacute;vel sentimento" da descoberta cient&iacute;fica. Bi&oacute;logo e diretor do Laborat&oacute;rio de Cronobiologia da Universidade Nacional de Quilmes (Argentina), Golombek &eacute; autor de uma s&eacute;rie de livros sobre divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, atuou como diretor de teatro, jornalista e m&uacute;sico, e atualmente faz um <a href="http://www.encuentro.gov.ar/MiniSite.aspx?id=98" target="_blank">programa</a> de ci&ecirc;ncia na TV educativa da Argentina, que traz um quadro dedicado &agrave; ci&ecirc;ncia na cozinha. Ele afirma que divulgar a ci&ecirc;ncia na TV &eacute; ter acesso a uma ampla audi&ecirc;ncia e a m&uacute;ltiplos recursos de linguagem, embora seja sempre um desafio conseguir patroc&iacute;nios e convencer os produtores da import&acirc;ncia de tratar desses temas em programas geralmente pouco lucrativos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>ComCi&ecirc;ncia </i>-Quais s&atilde;o os principais obst&aacute;culos que a comunica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia tem que superar? Voc&ecirc; acredita que a sociedade tem se interessado e engajado mais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es de ci&ecirc;ncia? E em que sentido a comunica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia contribuiu para isso? </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Diego Golombek - </b>No meu pa&iacute;s a comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica certamente melhorou muito nos &uacute;ltimos anos, por causa de mudan&ccedil;as ocorridas nos tr&ecirc;s principais atores envolvidos. De um lado, os comunicadores cient&iacute;ficos e jornalistas se tornaram mais profissionais e a m&iacute;dia (jornais, canais de TV, etc) perceberam, pelo menos parcialmente, a import&acirc;ncia de publicarem not&iacute;cias e hist&oacute;rias de ci&ecirc;ncia. Por outro lado, o p&uacute;blico come&ccedil;ou a demandar este tipo de informa&ccedil;&atilde;o em certas quest&otilde;es-chave relacionadas com a sua vida e decis&otilde;es cotidianas. E por &uacute;ltimo, mas n&atilde;o menos importante, os cientistas se abriram para esta quest&atilde;o, depois de considerarem esse tipo de atividade uma perda absoluta de tempo, eles tamb&eacute;m perceberam que comunicar suas atividades para um p&uacute;blico mais amplo &eacute; fundamental para a sua pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia. Podemos dizer que houve um aumento infinito na comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. H&aacute; duas d&eacute;cadas n&atilde;o havia nada e nada dividido por zero &eacute; infinito... N&oacute;s temos muitos desafios: fazer essas atividades parte da vida e dos relat&oacute;rios dos cientistas para garantir a m&aacute;xima qualidade na comunica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia, para conectar todas as atividades &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e a programas nacionais de alfabetiza&ccedil;&atilde;o que sejam realmente inclusivos, etc. Sim, a sociedade est&aacute; mais interessada em ci&ecirc;ncia (eu n&atilde;o diria que est&aacute; mais envolvida com a ci&ecirc;ncia), e a comunica&ccedil;&atilde;o tem muito a ver com isso. Talvez n&atilde;o seja a melhor estrat&eacute;gia, mas os grandes temas que chamam aten&ccedil;&atilde;o s&atilde;o as cat&aacute;strofes, doen&ccedil;as, problemas &eacute;ticos como a clonagem levanta, etc. Talvez esses possam ser bons ganchos para atrair a aten&ccedil;&atilde;o das pessoas para que outras quest&otilde;es possam ser consideradas - e a ci&ecirc;ncia lida exatamente com perguntas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>ComCi&ecirc;ncia </i>-Em muitos pa&iacute;ses, como no Brasil, os canais de TV s&atilde;o obrigados a exibir programas de educa&ccedil;&atilde;o, onde se inserem os de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Os raros programas que existem passam em hor&aacute;rios pouco acess&iacute;veis ao p&uacute;blico. Como esses programas n&atilde;o costumam ser muito lucrativos, n&atilde;o despertam interesse de produtores e redes de TV. Sendo a TV, muitas vezes, o principal meio de comunica&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel, h&aacute; esperan&ccedil;a de que bons programas sobre temas cient&iacute;ficos comecem a ser exibidos em curto prazo? </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Golombek - </b>Na Argentina, embora tenhamos tido poucos programas sobre ci&ecirc;ncia na &uacute;ltima d&eacute;cada, a situa&ccedil;&atilde;o mudou dramaticamente um ano atr&aacute;s, quando o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o abriu um sinal pr&oacute;prio de TV que inclui um bom n&uacute;mero de programas cient&iacute;ficos excelentes (tanto internacionais quanto locais, incluindo o meu pr&oacute;prio). Claro que alguns canais populares de document&aacute;rios, como a <i>Discovery </i>ea <i>NatGeo, </i>s&atilde;o bem conhecidos, mas apenas na TV a cabo, logo eles n&atilde;o s&atilde;o inclusivos para a popula&ccedil;&atilde;o em geral. O canal educativo &eacute; tamb&eacute;m exibido na TV a cabo, mas esperamos que ele esteja logo dispon&iacute;vel naTV aberta. &Eacute; verdade que os canais comerciais n&atilde;o querem investir em ci&ecirc;ncia e quando h&aacute; programas desse tipo eles est&atilde;o nas grades "educacionais", &agrave;s 7 horas da manh&atilde; ou &agrave; meia-noite. H&aacute; duas raz&otilde;es para isso: a) os programas de ci&ecirc;ncia n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o populares, logo n&atilde;o atingem a cota de audi&ecirc;ncia necess&aacute;ria &agrave; maioria dos sinais comerciais. No entanto, esses canais tamb&eacute;m devem consider&aacute;-los como uma obriga&ccedil;&atilde;o outra, al&eacute;m de ganhar dinheiro; e b) isso nos obriga a sermos mais criativos e a imaginarmos programas que possam realmente atrair a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico e h&aacute; v&aacute;rios exemplos a serem seguidos. Essa &eacute; minha esperan&ccedil;a, claro! </font></p>      ]]></body>

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