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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Dispers&otilde;es, disten&ccedil;&otilde;es e(m) emo&ccedil;&otilde;es: arte, ci&ecirc;ncia, ser-&aacute;? </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Elenise Cristina Pires de Andrade; &Eacute;rica Speglich; Alda Romaguera </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Manoel de Barros em verso, o artista catarinense Walmor Corr&ecirc;a em pranchas de seres do folclore brasileiro, o naturalista Afonso d'Escragnolle-Taunay com seres fant&aacute;sticos do Brasil e nossas pesquisas com imagens em superf&iacute;cies, acompanhando Gilles Deleuze e a <i>L&oacute;gica do sentido </i>(2003), arrastarmo-nos e movimentarmo-nos pelo entre, nem um nem outro. Poema, teses, pranchas e litogravuras a darem visibilidade ao <i>quase</i>, que habita por entre as entranhas de uma humanidade <i>quase</i>, que coloca em movimento um <i>quase coisa/quase bicho/quase gente</i>, que a gente v&ecirc;, diz que existe e aprende que viu. Pesquisou? Existiu? <i>Ningu&eacute;m sabe, ningu&eacute;m viu</i>... </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cci/n100/a16img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cci/n100/a16img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Escolhas por outros campos, tempos e seres para amplia&ccedil;&otilde;es e retra&ccedil;&otilde;es no movimento de produ&ccedil;&atilde;o de pesquisas acad&ecirc;micas e suas divulga&ccedil;&otilde;es em congressos, semin&aacute;rios, defesa de teses e disserta&ccedil;&otilde;es, artigos em revistas cient&iacute;ficas. Com o aux&iacute;lio das imagens dos s&eacute;culos XVI a XVIII coletadas por Afonso d'Escragnolle-Taunay sobre a fauna fant&aacute;stica brasileira e as cria&ccedil;&otilde;es de Walmor Corr&ecirc;a no s&eacute;culo XXI, fugir das delimita&ccedil;&otilde;es, territ&oacute;rios de arte/ci&ecirc;ncia. Convidamos os/as leitores/as a prazeres e perigos do escape e do emba&ccedil;amento das fronteiras com/nessas imagens que s&atilde;o constru&iacute;das pela composi&ccedil;&atilde;o, pela jun&ccedil;&atilde;o de peda&ccedil;os de animais, de seres humanos, hibridiza&ccedil;&atilde;o, contamina&ccedil;&atilde;o <i>arteci&ecirc;ncia; ci&ecirc;nciaarte </i>em (des)montagens realidades-imagin&aacute;rios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pregui&ccedil;a-fera ou pregui&ccedil;a gente feliz? Curupira imagin&aacute;rio ou real porque decomposto em suas interioridades? Explos&otilde;es de sentidos que pulsam dessas imagens &eacute; o que nos propusemos como pontos de discuss&otilde;es e tens&otilde;es. Escolhemos apostar nessa explos&atilde;o e no estra&ccedil;alhamento que as produ&ccedil;&otilde;es/cria&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas intensificam e que, muitas vezes, o conhecimento cient&iacute;fico pretende expulsar. Foi com essa vontade que Walmor Corr&ecirc;a nos invadiu ao materializar o imagin&aacute;rio na desmontagem anat&ocirc;mica em <i>Cryptozoology</i><a name="n1"></a><a href="#nt1"><sup>1</sup></a>. Parece-nos que a inten&ccedil;&atilde;o do artista &eacute; essa provoca&ccedil;&atilde;o pelo emba&ccedil;amento, pela descren&ccedil;a na materializa&ccedil;&atilde;o como concretude de uma realidade assim como nos sentimos ao entrar em contato com a <i>Zoologia fant&aacute;stica </i>e <i>monstros e monstrengos do Brasil </i>de Taunay. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para n&oacute;s, Walmor procura o que comumente &eacute; denominado de "aberra&ccedil;&otilde;es" pelas multiplicidades que elas podem suscitar, desmoronar, instigar ao liberar o pensamento das compara&ccedil;&otilde;es, das pedagogias morais, da possibilidade como limite. Para a exposi&ccedil;&atilde;o <i>Cryptozoology</i>, o artista escolheu somente seres fant&aacute;sticos de v&aacute;rias regi&otilde;es do Brasil, recolhendo-os em uma s&eacute;rie por ele associada &agrave; <i>Unheimlich </i>- termo utilizado por Freud em 1919 para designar o que era estranho e familiar ao mesmo tempo. "Aberra&ccedil;&otilde;es" que berram tamb&eacute;m nos monstros e nas maravilhas que povoam os registros dos viajantes que passaram pelo Brasil at&eacute; meados do s&eacute;culo XVIII, recolhidos e organizados por Afonso Taunay (1876-1958) ao procurar os registros do estranho, do inacredit&aacute;vel, do alguma vez real. Monstros e monstrengos que habita(m)(vam) os diferentes cantos do Brasil retratados, <b>vistos </b>e relatados por &iacute;ndios, negros, brancos, viajantes, naturalistas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estes seres monstruosos e maravilhosos recolhidos por Afonso Taunay foram considerados (at&eacute; meados do s&eacute;culo XVIII) raros, misteriosos <b>e reais,</b> e ajudavam a construir os t&ecirc;nues e dispersos limites entre natural e n&atilde;o-natural, conhecido e desconhecido, cultivado e vulgar &agrave; medida que s&atilde;o registrados ou apagados das anota&ccedil;&otilde;es, desenhos e livros dos naturalistas ao longo dos s&eacute;culos (Daston &amp; Park, 1998:17). Seres que "perdem a gra&ccedil;a" a partir do s&eacute;culo XVIII, ainda para Daston &amp; Park (1998:18), que entendem que tal perda esteja menos relacionada a um triunfo da racionalidade iluminista e mais a uma grande mudan&ccedil;a na auto-defini&ccedil;&atilde;o dos intelectuais: " <i>para eles, as maravilhas ficaram, simplesmente, vulgares </i>". Seres que parecem reverberar e transmutar-se na arte de Walmor Corr&ecirc;a, maravilhamento resgatado pelo artista. Seres que s&atilde;o convidados nesse texto a perambular pelas nossas apostas de (des)encontros com as imagens, as realidades e os imagin&aacute;rios em pesquisa no campo educacional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Imagens que nos tiram o f&ocirc;lego na impossibilidade da met&aacute;fora, da compara&ccedil;&atilde;o. Nem um animal, nem outro, nem um terceiro. Nem fantasia, nem anatomia. Inven&ccedil;&otilde;es. A assun&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia pela experi&ecirc;ncia de uma mem&oacute;ria nunca vista em sua concretude na proposta da subvers&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o linear entre o modelo/realidade e a c&oacute;pia/representa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o estar&iacute;amos, ao tentar fixar, delimitar, conceituar, apreender a realidade por meio de imagens - palavras, pinturas, fotografias, filmes, softwares, f&oacute;rmulas - possibilitando "apenas" a n&oacute;s mesmos, e n&atilde;o &agrave; realidade em si, um certo controle sobre o excesso de caoticidade do mundo? </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Excesso de mundo no mundo, sem a necessidade (ou seria imprescindibilidade?) de garantir antecipadamente os limites entre certo/errado, vis&iacute;vel/invis&iacute;vel, realidade/imagin&aacute;rio. Experimentar a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento pelo deslizamento nas superf&iacute;cies das imagens. Manifesta&ccedil;&otilde;es criadas, pensadas, vistas e impressas em curupiras, iaras, pregui&ccedil;as gigantes nos anunciam emba&ccedil;amentos entre categorias: o mundo dos seres fant&aacute;sticos e dos seres ver&iacute;dicos dobrando-se e criando outras pregas de possibilidades para o existir, para o ver, para a ci&ecirc;ncia, para a arte. <i>Arteci&ecirc;ncia. Ci&ecirc;nciaarte. </i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cci/n100/a16img03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Elenise Cristina Pires de Andrade, &Eacute;rica Speglich e Alda Romaguera fazem parte do Grupo Olho e Grupo Transversal, da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Unicamp. Contatos: <a href="mailto:nisebara@uol.com.br">nisebara@uol.com.br</a>; <a href="mailto:speglich@unicamp.br">speglich@unicamp.br</a>; <a href="mailto:aldaromaguera@uol.com.br">aldaromaguera@uol.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nt1"></a><a href="#n1">1</a> Exposi&ccedil;&atilde;o no Battes College, Maine, EUA. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Corr&ecirc;a, Walmor. <i>Cryptozoology </i>In: <a href="http://www.walmorcorrea.com.br" target="_blank">http://www.walmorcorrea.com.br</a>, acesso em maio de 2007.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Daston, Lorraine &amp; Park, Katharine. <i>Wonders and the order of nature </i>(1150-1750). Zone Books - New York,    1998.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deleuze, Gilles. <i>L&oacute;gica do sentido. </i>4.ed., 2.reimpress&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Editora Perspectiva, 2003.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">D'Escragnolle-Taunay, Afonso. Del Priore, Mary (Org.). <i>Monstros e monstrengos do Brasil: ensaio sobre a zoologia fant&aacute;stica brasileira nos s&eacute;culos XVII e XVIII. </i>S&atilde;o Paulo: Cia das Letras, 1998.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">D'Escragnolle-Taunay, Afonso. <i>Zoologia fant&aacute;stica do Brasil (s&eacute;culos XVI e XVII). </i>S&atilde;o Paulo: Editora da    Universidade de S&atilde;o Paulo: Museu Paulista da Universidade de S&atilde;o Paulo, 1999. </font> ]]></body>
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