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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Usando a f&iacute;sica para   iluminar o funcionamento do c&eacute;rebro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2"><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rickson Coelho   Mesquita<sup>I</sup>;    Ricardo Schinaider de Aguiar<sup>II</sup></font></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor do Instituto de F&iacute;sica   "Gleb Wataghin" da Unicamp e faz parte do Grupo de Neurof&iacute;sica    <br>   <sup>II</sup>Bi&oacute;logo e aluno do curso de   especializa&ccedil;&atilde;o em divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e sa&uacute;de: neuroci&ecirc;ncias, do Laborat&oacute;rio   de Estudos Avan&ccedil;ados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Compreender   o funcionamento do c&eacute;rebro &eacute; um dos maiores desafios da ci&ecirc;ncia atualmente.   Apesar de grandes progressos obtidos atrav&eacute;s de t&eacute;cnicas como resson&acirc;ncia   magn&eacute;tica funcional e tomografia por emiss&atilde;o de p&oacute;sitrons, ainda h&aacute; muito que   n&atilde;o entendemos a respeito do c&eacute;rebro. O desenvolvimento de uma nova t&eacute;cnica   baseada no uso da luz, chamada espectroscopia &oacute;ptica de difus&atilde;o, permite a   realiza&ccedil;&atilde;o de estudos que buscam melhorar a compreens&atilde;o que temos do c&eacute;rebro e   possui tamb&eacute;m importantes aplica&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas. Suas vantagens s&atilde;o seu pre&ccedil;o,   pois &eacute; relativamente barata quando comparada &agrave;s demais, e sua praticidade, pois   permite estudos ao longo do tempo, monitoramento de pacientes de forma direta,   n&atilde;o invasiva e com uma precis&atilde;o temporal que pode chegar a mil&eacute;simos de   segundo. Al&eacute;m disso, a t&eacute;cnica permite estudos em popula&ccedil;&otilde;es de dif&iacute;cil acesso,   como rec&eacute;m-nascidos e crian&ccedil;as, nas quais outras t&eacute;cnicas tradicionais s&atilde;o   bastante restritivas. A espectroscopia &oacute;ptica no infravermelho pr&oacute;ximo, ou NIRS   (do ingl&ecirc;s Near Infra-Red Spectroscopy), &eacute; um dos tipos mais conhecidos e   utilizados de espectroscopia &oacute;ptica de difus&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As   primeiras ideias que levaram ao desenvolvimento da NIRS surgiram em 1929, com o   pesquisador norte-americano Max Cutler, e na d&eacute;cada de 1970, essa t&eacute;cnica j&aacute;   era aplicada em medicina na forma de um ox&iacute;metro de pulso. Na d&eacute;cada de 1990,   estudos visando o monitoramento n&atilde;o invasivo do c&eacute;rebro utilizando os conceitos   da espectroscopia &oacute;ptica come&ccedil;aram a ser feitos. No Brasil, por&eacute;m, t&eacute;cnicas   &oacute;pticas para o estudo do c&eacute;rebro foram introduzidas apenas em 2007, pelo Grupo   de Neurof&iacute;sica (GNF) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Desde sua   cria&ccedil;&atilde;o em 2005, o GNF tem trabalhado no desenvolvimento e na aplica&ccedil;&atilde;o de   t&eacute;cnicas de neuroimagem, sendo pioneiro no pa&iacute;s na utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas   multimodais. Essas t&eacute;cnicas consistem na combina&ccedil;&atilde;o de diferentes m&eacute;todos,   envolvendo luz, para estudos cerebrais em humanos, a fim de melhor compreender   o funcionamento do c&eacute;rebro sadio e doente. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="/img/revistas/cci/n144/a07fig01.jpg">Figura 1</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As   t&eacute;cnicas &oacute;pticas de difus&atilde;o utilizam a luz para estudar o c&eacute;rebro, atrav&eacute;s de   uma "janela &oacute;ptica" do espectro eletromagn&eacute;tico. Enquanto a luz no   espectro vis&iacute;vel &eacute; quase totalmente absorvida pela melanina da pele e no   infravermelho atravessa a pele e &eacute; absorvida significativamente apenas pela   &aacute;gua, h&aacute; uma regi&atilde;o intermedi&aacute;ria de comprimentos de onda chamada de   infravermelho pr&oacute;ximo. Nessa "janela &oacute;ptica", a luz consegue penetrar   de alguns mil&iacute;metros a alguns cent&iacute;metros no tecido, e &eacute; absorvida majoritariamente   por mol&eacute;culas de hemoglobina. Desse modo, ao se posicionar no tecido fontes e   sensores de luz nesses comprimentos de onda espec&iacute;ficos, pode-se analisar a   intensidade de luz detectada e comparar com a intensidade emitida, bem como a   defasagem de tempo entre a emiss&atilde;o e a detec&ccedil;&atilde;o. Como mol&eacute;culas de hemoglobina   s&atilde;o respons&aacute;veis pelo transporte de oxig&ecirc;nio no sangue, a t&eacute;cnica permite   inferir diversos dados sobre a regi&atilde;o de tecido estudada. No c&eacute;rebro, pode-se   monitorar, por exemplo, hemorragias e isquemias, e inferir varia&ccedil;&otilde;es nos n&iacute;veis   de oxigena&ccedil;&atilde;o do tecido. A espectroscopia &oacute;ptica permite, portanto, a   realiza&ccedil;&atilde;o de diversos estudos cerebrais, al&eacute;m de possuir aplica&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estudos   funcionais, por exemplo, visam compreender o que acontece no c&eacute;rebro quando um   determinado est&iacute;mulo &eacute; aplicado. Nesses estudos, est&iacute;mulos de diferentes   naturezas, como visuais, motores, de linguagem ou de mem&oacute;ria, s&atilde;o apresentados   a um indiv&iacute;duo, enquanto as fontes e sensores de luz est&atilde;o posicionados de modo   a analisar a regi&atilde;o do c&eacute;rebro respons&aacute;vel pelo seu processamento. Ap&oacute;s a   aplica&ccedil;&atilde;o do est&iacute;mulo, &eacute; poss&iacute;vel detectar um aumento dos n&iacute;veis de   oxihemoglobina (HbO<sub>2</sub>), mol&eacute;culas respons&aacute;veis por levar o oxig&ecirc;nio   ao tecido, enquanto h&aacute; um decl&iacute;nio nos n&iacute;veis de desoxihemoglobina (Hb),   mol&eacute;culas de hemoglobina n&atilde;o ligadas a oxig&ecirc;nio. Essa &eacute; considerada uma t&iacute;pica   resposta do c&eacute;rebro a um est&iacute;mulo externo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="/img/revistas/cci/n144/a07fig02.jpg">Figura 2</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A resposta   cerebral, por&eacute;m, pode diferir dependendo do est&iacute;mulo e do m&eacute;todo de estudo   desse est&iacute;mulo. No caso de est&iacute;mulos visuais, por exemplo, sabe-se que o   c&eacute;rebro se comporta como um sistema linear quando a intensidade de luz do   est&iacute;mulo &eacute; variada. Em outras palavras, quando se dobra o est&iacute;mulo, se dobra a   resposta do c&eacute;rebro. J&aacute; quando a frequ&ecirc;ncia do est&iacute;mulo visual &eacute; o par&acirc;metro   variado, se observa picos de aumento de oxihemoglobina em frequ&ecirc;ncias   espec&iacute;ficas, e n&atilde;o um aumento linear da resposta cerebral com o aumento da   frequ&ecirc;ncia. Compreender por que o c&eacute;rebro age dessa maneira e como ele reage em   diversas situa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o alguns dos desafios dos estudos funcionais do c&eacute;rebro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; poss&iacute;vel   tamb&eacute;m a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos de conectividade no estado basal, que buscam   entender o que acontece no c&eacute;rebro na aus&ecirc;ncia de est&iacute;mulos, ou seja, quando   estamos em repouso. &Eacute; conhecido que, mesmo durante o repouso, o c&eacute;rebro consome   da ordem de 40% da energia produzida pelo corpo humano. Ainda n&atilde;o se sabe ao   certo a origem para tamanho consumo de energia, mas estudos recentes mostram   que o c&eacute;rebro &eacute; um sistema interconectado mesmo quando um indiv&iacute;duo est&aacute;,   aparentemente, "fazendo nada". Similarmente a estudos pr&eacute;vios com   resson&acirc;ncia magn&eacute;tica, a espectroscopia &oacute;ptica mostra que h&aacute; uma simetria entre   os hemisf&eacute;rios do c&eacute;rebro, sugerindo uma rela&ccedil;&atilde;o vascular entre essas regi&otilde;es   mesmo durante o repouso. A cria&ccedil;&atilde;o de mapas cerebrais &oacute;pticos, atrav&eacute;s desses   estudos, poderia melhorar a compreens&atilde;o do funcionamento e da conex&atilde;o das redes   neurais, e fornecer novas informa&ccedil;&otilde;es sobre o funcionamento do c&eacute;rebro, podendo   contribuir tamb&eacute;m para estudos de doen&ccedil;as neurodegenerativas e terapias.</font></p>       <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="/img/revistas/cci/n144/a07fig03.jpg">Figura 3</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de   sua utiliza&ccedil;&atilde;o em pesquisas, as t&eacute;cnicas &oacute;pticas de difus&atilde;o possuem grandes   perspectivas de aplica&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas. Por sua praticidade, essa t&eacute;cnica pode ser   utilizada no monitoramento de pacientes em leitos. Em casos de acidentes vasculares cerebrais (AVCs), hemorr&aacute;gicos ou isqu&ecirc;micos, e   traumas cerebrais, a t&eacute;cnica pode fornecer informa&ccedil;&otilde;es a respeito das   flutua&ccedil;&otilde;es na quantidade de sangue presente nas regi&otilde;es de interesse e,   portanto, registrar mudan&ccedil;as no quadro cl&iacute;nico do paciente em tempo real. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de   relativamente nova, a espectroscopia &oacute;ptica de difus&atilde;o &eacute; uma t&eacute;cnica promissora   que vem sendo cada vez mais utilizada em pesquisas acad&ecirc;micas e cl&iacute;nicas.   Muitas das pesquisas utilizando esse novo m&eacute;todo de estudo est&atilde;o apenas em seu   in&iacute;cio e possuem grande potencial para melhorar o conhecimento que temos do   c&eacute;rebro e contribuir para o diagn&oacute;stico e tratamento de doen&ccedil;as. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10/12/2012</font></p>     ]]></body>
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