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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Neuroci&ecirc;ncias: na trilha   de uma abordagem interdisciplinar</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Michelle Portela;    Catarina Bicudo;   Ricardo Manini;   Luis Marcos Ferreira</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neur&ocirc;nios.   Neuroci&ecirc;ncia. Neuroarte. Neurocultura. Neuroeconomia. Neurodiversidade. O   prefixo "neuro" tem se espalhado por diversas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o e   campos do conhecimento, e o c&eacute;rebro se tornou objeto de investiga&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise   cr&iacute;tica de cientistas das mais variadas disciplinas, das ci&ecirc;ncias m&eacute;dicas &agrave;s   humanas e sociais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o   avan&ccedil;o das pesquisas, tornou-se imposs&iacute;vel separar o sistema nervoso do resto   do organismo e j&aacute; h&aacute; um consenso entre estudiosos das &aacute;reas m&eacute;dicas de que n&atilde;o   existe em todo o corpo do ser humano algum &oacute;rg&atilde;o que funcione isoladamente. Os   est&iacute;mulos nervosos que moldam as emo&ccedil;&otilde;es e os comportamentos recebem   influ&ecirc;ncias diversas do meio ambiente, das demais partes do organismo e at&eacute; dos   pr&oacute;prios sentimentos. E as emo&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m podem ser entendidas como elementos   que moldam a fun&ccedil;&atilde;o nervosa, interferindo nos demais &oacute;rg&atilde;os. Essa complexidade   do ser humano deve ser entendida como tendo origem em uma intera&ccedil;&atilde;o entre mente   e corpo, na qual o papel desempenhado pelo sistema nervoso &eacute; o de integrador   fundamental das duas partes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ampla   diversidade de abordagens poss&iacute;veis na &aacute;rea das neuroci&ecirc;ncias traz implica&ccedil;&otilde;es   para a discuss&atilde;o acerca dessa integra&ccedil;&atilde;o entre mente e corpo, na medida em que   surgem avan&ccedil;os e novas possibilidades nesse campo da ci&ecirc;ncia. E isso abre   possibilidades para outros campos de investiga&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo   da "neuroeconomia", por exemplo, tem ajudado a descobrir como os   agentes econ&ocirc;micos individuais ou coletivos tomam decis&otilde;es. O conceito de que   todo ser humano &eacute; sempre racional, caro aos economistas cl&aacute;ssicos, passa por   mudan&ccedil;as importantes. J&aacute; se admite que em determinados casos o processo   decis&oacute;rio n&atilde;o se baseia apenas em c&aacute;lculos racionais, mas no pr&oacute;prio   sentimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Determinados   estudos sobre o funcionamento cerebral tamb&eacute;m t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es no campo da   &eacute;tica. Padr&otilde;es culturais estabelecidos historicamente podem ser seguidos ou   n&atilde;o, e h&aacute; estudos que relacionam a predisposi&ccedil;&atilde;o para seguir a &eacute;tica com   determinada regi&atilde;o cerebral, o que implica em uma rela&ccedil;&atilde;o mais complexa entre o   indiv&iacute;duo e a sociedade em que vive.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra   faceta dessa rela&ccedil;&atilde;o entre os indiv&iacute;duos e o seu coletivo social &eacute; a discuss&atilde;o   sobre a neurodiversidade. Para estudiosos e ativistas desse campo, o que hoje &eacute;   visto por boa parte da sociedade como doen&ccedil;a cerebral que afeta o comportamento   humano, seria, na verdade, uma diferen&ccedil;a humana. Essa discuss&atilde;o envolve as   fronteiras entre o que &eacute; "normal" e "anormal",   "sadio" e "patol&oacute;gico&#129;", estabelecendo novos padr&otilde;es de   conviv&ecirc;ncia em sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; curioso   constatar que todos esses campos cient&iacute;ficos passam por transforma&ccedil;&otilde;es que algumas   artes j&aacute; exploravam no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Estudar o c&eacute;rebro e a sua rela&ccedil;&atilde;o   com a sociedade pressup&otilde;e diferenciar as percep&ccedil;&otilde;es de uma mir&iacute;ade de agentes   sociais, que enxergam o mundo sob variados prismas. Essa no&ccedil;&atilde;o de que o que um   indiv&iacute;duo enxerga &eacute; diferente do que outro percebe j&aacute; estava presente, por   exemplo, nas pinturas de Picasso e Braque. Hoje, os mais variados campos   cient&iacute;ficos, em particular a neuroci&ecirc;ncia, d&atilde;o passos largos rumo a um   entendimento mais amplo da rela&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duo e sociedade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Neurodiversidade:   uma quest&atilde;o ideol&oacute;gica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se, como   investigadores, nos propus&eacute;ssemos a seguir os rastros e pistas da presen&ccedil;a do   c&eacute;rebro no mundo contempor&acirc;neo, ter&iacute;amos que circular para al&eacute;m da ci&ecirc;ncia:   pela cultura pop dos desenhos animados, por filmes, pe&ccedil;as de teatro,   literatura, publicidade, programas de TV, revistas, jornais, internet.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns   especialistas que estudam o funcionamento do c&eacute;rebro e sua rela&ccedil;&atilde;o com a   cultura, inclusive, como Francisco Ortega, do Instituto de Medicina Social da   Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), j&aacute; falam na constitui&ccedil;&atilde;o de um   "sujeito cerebral" e de uma "neurocultura" (ver seu artigo sobre o assunto). Da esquizofrenia &agrave; depress&atilde;o,   passando por doen&ccedil;as neurodegenerativas (que implicam na perda progressiva de   neur&ocirc;nios) como Parkinson e Alzheimer; emo&ccedil;&otilde;es, sensa&ccedil;&otilde;es e sentimentos como   medo, ansiedade, paix&atilde;o; comportamentos e diferen&ccedil;as sexuais; viol&ecirc;ncia e   criminalidade; e at&eacute; mesmo a f&eacute; - tudo isso vem sendo relacionado ao   funcionamento do c&eacute;rebro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No   entanto, se para pesquisadores das ci&ecirc;ncias m&eacute;dicas as neuroci&ecirc;ncias ajudam a   desestigmatizar comportamentos e doen&ccedil;as, ao comprovar que elas s&atilde;o   condicionadas pelo c&eacute;rebro, alguns cientistas sociais alertam para o fato de   que estar&iacute;amos diante do risco de um novo tipo de determinismo: o cerebral. O   c&eacute;rebro teria roubado o lugar do DNA enquanto ess&ecirc;ncia que nos definiria como   seres humanos. Assim, compreender seu funcionamento implicaria em conhecer a   n&oacute;s mesmos. Em face &agrave;s quest&otilde;es pol&iacute;ticas envolvidas nessa pol&ecirc;mica, o debate &eacute;   acirrado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Temas das   neuroci&ecirc;ncias t&ecirc;m inspirado roteiros cinematogr&aacute;ficos e pe&ccedil;as de teatro que   foram bem recebidos pelo p&uacute;blico em geral, em fun&ccedil;&atilde;o da sutileza com que   exploram a experi&ecirc;ncia humana em condi&ccedil;&otilde;es adversas. O relato de uma autista   feito ao neurologista Oliver Sacks, por exemplo, foi a principal inspira&ccedil;&atilde;o   para a pe&ccedil;a <i>M&aacute;quina de     abra&ccedil;ar</i>, do dramaturgo espanhol Jos&eacute; Sanchis Sinisterra, encenada em S&atilde;o Paulo em 2010. O filme <i>Temple       Grandin</i>, distribu&iacute;do pelo canal HBO, tamb&eacute;m sobre uma autista,   recebeu o maior n&uacute;mero de Emmys em 2010.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vivida   pela atriz Claire Daines, <i>Temple     Grandin</i> conta, em forma de biografia, a trajet&oacute;ria de uma   engenheira e cientista, especialista em comportamento animal. Ela &eacute; uma das   principais ativistas do chamado movimento da neurodiversidade. O termo foi   criado pela soci&oacute;loga australiana Judy Singer para propor uma nova - e pol&ecirc;mica   - percep&ccedil;&atilde;o das at&eacute; ent&atilde;o denominadas "doen&ccedil;as mentais": elas agora   devem ser tomadas enquanto conex&otilde;es neurol&oacute;gicas at&iacute;picas   ("neurodivergentes") e, assim, segundo o movimento, ser tratadas   apenas como diferen&ccedil;as humanas, e n&atilde;o como patologias. Os protagonistas desse   movimento pol&iacute;tico s&atilde;o os chamados autistas de alto desempenho, muitos deles   portadores da s&iacute;ndrome de Asperger. Por ser considerada uma forma leve de   autismo, os quem t&ecirc;m essa s&iacute;ndrome, os "aspies", n&atilde;o apresentam   atrasos no desenvolvimento e nem sofrem comprometimento cognitivo grave. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para se   contrapor aos m&eacute;dicos que tratam o autismo como doen&ccedil;a - e que para os adeptos   do movimento seria uma diferen&ccedil;a humana, parte de nossa neurodiversidade -,   cunhou-se o termo "neurotipicidade", ironicamente tratado como doen&ccedil;a   no site do Institute   for The Study of Neurologically Typical, que brinca com a ideia de diagnosticar   ou "curar a normalidade".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A internet   - assim como para outros movimentos sociais - tamb&eacute;m foi fundamental para os   adeptos da neurodiversidade, permitindo a comunica&ccedil;&atilde;o direta entre autistas.   Sites, blogs e chats s&atilde;o utilizados pelos "aspies" para trocar   experi&ecirc;ncias, fazer amizades ou at&eacute; mesmo encontrar futuros c&ocirc;njuges. Alguns   ativistas chegam a defender a ideia de que o autismo &eacute; uma cultura, na medida   em que se constitui como uma experi&ecirc;ncia singular, um jeito de ser e de estar   no mundo. N&atilde;o se trata, portanto, de "ter" autismo, mas de   "ser" autista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa ideia   norteia o v&iacute;deo <i>In my language,</i> da ativista Amanda Baggs. A primeira parte &eacute; um registro do modo espec&iacute;fico com   que os autistas interagem com o mundo; a segunda parte, uma tradu&ccedil;&atilde;o (atrav&eacute;s   de um programa de computador) para os "neurot&iacute;picos": "S&oacute; quando   eu digito alguma coisa na sua linguagem &eacute; que voc&ecirc; se refere a mim como tendo   capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o", diz Baggs. "Sinceramente, eu gostaria de   saber como muitas pessoas, se me encontrassem na rua, iriam acreditar que   escrevi tudo isso. A prop&oacute;sito, eu acho interessante que a minha falha no uso   da sua l&iacute;ngua seja considerada como um d&eacute;ficit, mas a sua falha em aprender a   minha seja vista como uma coisa natural", provoca.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A   denomina&ccedil;&atilde;o do autismo como uma diferen&ccedil;a &eacute; pol&ecirc;mica. A principal acusa&ccedil;&atilde;o   feita ao movimento da neurodiversidade &eacute; a de que ele &eacute; formado apenas por   autistas de alta performance ou portadores da s&iacute;ndrome de Asperger. Eles s&atilde;o   definidos, de modo geral, como pessoas muito inteligentes, com boa mem&oacute;ria e   que t&ecirc;m fixa&ccedil;&atilde;o por assuntos espec&iacute;ficos. Ou seja, os portadores da s&iacute;ndrome de   Asperger correspondem ao estere&oacute;tipo da genialidade. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que o   transtorno &eacute; comumente chamado de "s&iacute;ndrome do g&ecirc;nio".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tema &eacute;   pol&ecirc;mico, por&eacute;m, como tantos outros, pode ser positivo, ao promover o debate   sobre inclus&atilde;o amarrado &agrave;s din&acirc;micas sociopol&iacute;ticas e culturais. Juntamente com   essa nova configura&ccedil;&atilde;o da sociabilidade, estar&iacute;amos tamb&eacute;m diante da cria&ccedil;&atilde;o de   novos modos de subjetiva&ccedil;&atilde;o marcados, principalmente, pelo predom&iacute;nio do corpo   percebido como organismo, em detrimento de um "eu" percebido como   interioridade, o que tem levado muitos especialistas, como o psiquiatra Rossano   Lima Cabral, do Programa de Estudos e Pesquisas da A&ccedil;&atilde;o e do Sujeito, da Uerj,   a falar em<i> bioidentidades</i>.   Debates &agrave; parte, espera-se que os avan&ccedil;os do conhecimento possam contribuir,   pelo menos, para melhorar o relacionamento entre as pessoas "normais"   e "neurodivergentes".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Neuroci&ecirc;ncias   e economia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra &aacute;rea   que se vale dos estudos sobre o c&eacute;rebro &eacute; a economia. Os avan&ccedil;os na   neuroci&ecirc;ncia iluminam tamb&eacute;m quais s&atilde;o os fatores cerebrais a afetar o processo   de tomada de decis&otilde;es cotidianas. Algumas dessas decis&otilde;es s&atilde;o fundamentais para   a economia. A neuroeconomia, um novo campo cient&iacute;fico, tem como um de seus   focos a an&aacute;lise de como indiv&iacute;duos e grupos decidem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os   economistas sempre analisaram o comportamento humano, a fim de entender como   recursos escassos podem ser utilizados para atender a uma determinada demanda -   o principal objetivo da ci&ecirc;ncia econ&ocirc;mica. No fim do s&eacute;culo XIX, uma revolu&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica, a funda&ccedil;&atilde;o da economia neocl&aacute;ssica, adotou m&eacute;todos matem&aacute;ticos e   forjou novos conceitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em vez de   apenas medir o total de riqueza obtido por uma sociedade, como at&eacute; ent&atilde;o se   fazia, os neocl&aacute;ssicos notaram que era preciso analisar as prefer&ecirc;ncias   individuais para saber se a sociedade caminhava bem. A psicologia, ainda em   seus est&aacute;gios iniciais, ganhou import&acirc;ncia para os economistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para   analisar como uma pessoa tomava decis&otilde;es, por exemplo, eles apontavam que o   peso de custos e benef&iacute;cios era essencial, de modo muito rudimentar.   Considerava-se o ser humano, ent&atilde;o, como um ser puramente racional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns   economistas j&aacute; enxergavam os limites dessa an&aacute;lise. William Jevons, um dos   respons&aacute;veis por introduzir a matem&aacute;tica no instrumental econ&ocirc;mico, dizia, por   exemplo, que o homem estava longe de ser s&oacute; raz&atilde;o. Para o grupo ligado a essa   linha de pensamento, n&atilde;o era poss&iacute;vel, naquele est&aacute;gio, fazer uma an&aacute;lise mais   apurada sobre a felicidade - sobre se os homens se sentiam melhor ou pior de   acordo com mudan&ccedil;as em seu padr&atilde;o de vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na d&eacute;cada   de 1930, John Maynard Keynes, ao se distanciar dos neocl&aacute;ssicos, cunhou o   conceito de "esp&iacute;rito animal" para se referir a impulsos internos que   orientavam o comportamento humano. N&atilde;o se tratava mais de um indiv&iacute;duo   puramente racional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na vis&atilde;o   keynesiana, algumas a&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, por exemplo, seriam capazes de   despertar o "esp&iacute;rito animal" de empres&aacute;rios. Esses, ent&atilde;o,   decidiriam investir na economia, contribuindo para gerar empregos e aumentar a   renda nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das   grandes for&ccedil;as a influenciar o comportamento humano, por exemplo, &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de   expectativa. Estudos neurocient&iacute;ficos mostram que, quando um indiv&iacute;duo se   depara com uma possibilidade de ganho, h&aacute; aumento em sua atividade neural.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro   elemento fundamental &eacute; a vis&atilde;o que se tem sobre a economia em dado momento. Os   indiv&iacute;duos mais otimistas costumam gastar mais e acumular mais d&iacute;vidas. Se as   pessoas perdem a confian&ccedil;a na economia nacional, por&eacute;m, diminuem o tanto que   gastam. Mas os estudos que envolvem an&aacute;lises sobre tomadas de decis&otilde;es, sejam   de indiv&iacute;duos ou de grupos, seja no campo da economia, da neuroci&ecirc;ncia ou da   interface de ambos, ainda t&ecirc;m muito o que avan&ccedil;ar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O   c&eacute;rebro e seu potencial &eacute;tico </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O c&eacute;rebro   e a mente ainda est&atilde;o entre os maiores mist&eacute;rios da humanidade. Nessa &aacute;rea do   conhecimento - em que ainda h&aacute; muito desconhecimento -, um campo de   investiga&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a a ganhar evid&ecirc;ncia: a neuro&eacute;tica. Trata-se do estudo do   processo cerebral e da mente em realizar julgamentos morais e &eacute;ticos e suas   implica&ccedil;&otilde;es em outras &aacute;reas do conhecimento, como economia, direito e cultura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A evolu&ccedil;&atilde;o   da neuroimagem tem permitido o estudo do c&eacute;rebro em pleno funcionamento e   evidenciado em diversos testes que raz&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o podem produzir sentimentos   &eacute;ticos e morais. Esses estudos trazem a tona debates pol&ecirc;micos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo   artigo dos neurocientistas Jorge Moll e Ricardo Oliveira Sousa, intitulado   "Primeiro sentimos, depois julgamos", publicado na revista <i>Mente &amp; C&eacute;rebro</i>, em   agosto 2008, pessoas com les&otilde;es cerebrais na parte ventral do c&oacute;rtex   pr&eacute;-frontal - uma regi&atilde;o acima das &oacute;rbitas dos olhos - teriam menos sentimentos   morais &eacute;ticos. Isso tamb&eacute;m &eacute; confirmado por pesquisas realizadas pelo   neurocientista portugu&ecirc;s Ant&ocirc;nio Dam&aacute;sio ao longo de 30 anos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro   estudo importante nessa &aacute;rea foi realizado por Michael Koenigs e Liane Young,   do Instituto Nacional de Transtornos Neurol&oacute;gicos de Harvard, e publicado em   2007 na revista <i>Nature</i> com o t&iacute;tulo "Damage to the prefrontal cortex increases utilitarian moral   judgments". De acordo com as compara&ccedil;&otilde;es feitas durante o estudo, pessoas   com les&otilde;es nessa mesma &aacute;rea seriam mais "utilit&aacute;rias", ou seja, mais   racionais e pr&aacute;ticas. Elas sentiriam menos emo&ccedil;&otilde;es, portanto, menos   preocupa&ccedil;&otilde;es com as consequ&ecirc;ncias de seus atos imorais. J&aacute; as pessoas   neurologicamente saud&aacute;veis fariam escolhas baseadas nas emo&ccedil;&otilde;es e nas   consequ&ecirc;ncias de seus atos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Moll,   uma das pol&ecirc;micas est&aacute; no fato de pessoas neurologicamente saud&aacute;veis, sem les&otilde;es   cerebrais e sem dign&oacute;sticos de sociopatia, por exemplo, tamb&eacute;m fazerem, em   algum momento de suas vidas, escolhas mais utilit&aacute;rias, mesmo que em nome de um   bem coletivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar   disso, a previs&atilde;o geral &eacute; que a neuroci&ecirc;ncia e esse novo campo de investiga&ccedil;&atilde;o,   a neuro&eacute;tica, juntamente com os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, influenciar&atilde;o novas   pesquisas multidisciplinares. Juntos quebrar&atilde;o muitos paradigmas, como a ideia   de que devemos ficar apenas com as defini&ccedil;&otilde;es e percep&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio eu, do   outro e daquilo que nos rodeia. E, com certeza, estimular os sentimentos &eacute;ticos   n&atilde;o far&aacute; mal a ningu&eacute;m!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Para   conhecer mais</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marino,   Raul. "Neuro&eacute;tica: o c&eacute;rebro como &oacute;rg&atilde;o da &eacute;tica e da moral", <i>Revista Bio&eacute;tica</i>, 2010.    <!-- ref --><br>   Moll, Jorge; Souza, Ricardo de Oliveira. "Primeiro sentimos, depois   julgamos", revista <i>Mente   &amp; C&eacute;rebro</i>, agosto 2008.    <!-- ref --><br>   Koenigs,   M et al. "Damage to the prefrontal cortex increases utilitarian moral   judgments&#129;".   Revista <i>Nature </i>vol. 446, p.   908-911, 19 de abril de 2007.    <!-- ref --><br>   Pizarro, David. "A virtude de estar moralmente errado", revista   eletr&ocirc;nica <i>Era &Eacute;tica e     Realidade Atual</i> (<a href="http://www.era.org.br" target="_blank">www.era.org.br</a>), 2010.    <!-- ref --><br>   Gazzaniga, Michael S.; Ivry, Richard B.; Mangun, George R. <i>Neuroci&ecirc;ncia cognitiva: a biologia     da mente</i>. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.    <!-- ref --><br>   Kandell, Eric; Schwartz, James H.; Jessels, Thomas M. <i>Fundamentos da     neuroci&ecirc;ncia e do comportamento</i>. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan   S.A., 2000.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10/12/2012</font></p>      ]]></body>
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